{"id":31,"date":"2024-06-12T00:27:50","date_gmt":"2024-06-12T00:27:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?page_id=31"},"modified":"2026-03-14T12:33:53","modified_gmt":"2026-03-14T15:33:53","slug":"pagina-1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/pagina-1\/","title":{"rendered":"Artigos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-496f8b91f1d8712f1b71c2cca8aaeac6\"><strong>A reprodu\u00e7\u00e3o do seguinte conte\u00fado \u00e9 livre mediante a cita\u00e7\u00e3o dos artigos mencionados a partir do Coletivo Autista da UFPB, favorecendo o acesso ao nosso <em>website<\/em>.&nbsp;Esta p\u00e1gina exibe adapta\u00e7\u00f5es de conte\u00fado extra\u00eddo de pesquisas cient\u00edficas relacionadas ao autismo, cujos artigos podem ser obtidos por meio dos <em>links<\/em> em suas refer\u00eancias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade em pessoas adultas autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade ocorre quando a pessoa interpreta sensa\u00e7\u00f5es normais do corpo como sinais de doen\u00e7a grave.<br>At\u00e9 agora, nenhum estudo havia investigado esse tipo de ansiedade em pessoas adultas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Galvin e Richards, publicado em 2023, teve tr\u00eas objetivos:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Comparar os n\u00edveis de ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade entre pessoas adultas autistas e n\u00e3o autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Verificar se h\u00e1 diferen\u00e7a entre homens e mulheres.<\/li>\n\n\n\n<li>Analisar se tra\u00e7os autistas est\u00e3o associados \u00e0 ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e9todo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores aplicaram um question\u00e1rio de autorrelato a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>110 pessoas adultas autistas<\/li>\n\n\n\n<li>110 pessoas adultas n\u00e3o autistas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Nenhum(a) participante da pesquisa tinha defici\u00eancia intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p>O question\u00e1rio coletou informa\u00e7\u00f5es sobre:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>sexo, idade e etnia;<\/li>\n\n\n\n<li>diagn\u00f3stico e coocorr\u00eancias;<\/li>\n\n\n\n<li>tra\u00e7os autistas;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00edveis de ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pessoas adultas autistas apresentaram n\u00edveis mais altos de ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do que pessoas adultas n\u00e3o autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Mulheres apresentaram n\u00edveis mais altos do que homens, em ambos os grupos.<\/li>\n\n\n\n<li>Quase uma em cada tr\u00eas pessoas adultas autistas apresentou n\u00edveis clinicamente significativos de ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\n\n\n\n<li>Houve associa\u00e7\u00e3o positiva entre tra\u00e7os autistas e ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade nos dois grupos.<\/li>\n\n\n\n<li>Essa associa\u00e7\u00e3o permaneceu significativa mesmo ap\u00f3s o controle de outras vari\u00e1veis.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este foi o primeiro estudo que investigou ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade em pessoas adultas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostraram que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pessoas autistas podem ter maior vulnerabilidade a esse tipo de ansiedade.<\/li>\n\n\n\n<li>Quanto mais intensos os tra\u00e7os autistas, maior tende a ser a ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os achados t\u00eam implica\u00e7\u00f5es importantes para a pr\u00e1tica cl\u00ednica e para futuras pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GALVIN, J.; RICHARDS, G. Health anxiety in autistic adults.&nbsp;<strong>Research in Autism Spectrum Disorders<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 104, n. 6, p. 102146, 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.rasd.2023.102146\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.rasd.2023.102146<\/a>. Acesso em: 22 fev. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Flexibilidade cognitiva no autismo: como a previsibilidade da tarefa e o sexo influenciam o desempenho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas autistas frequentemente apresentam dificuldades de\u00a0flexibilidade cognitiva.<br>Flexibilidade cognitiva \u00e9 a capacidade de mudar estrat\u00e9gias, adaptar-se a novas regras e ajustar o comportamento diante de mudan\u00e7as. No entanto, os estudos sobre o tema mostram resultados diferentes entre si. Isso indica que outros fatores podem influenciar essa habilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de Lacroix e colaboradores (2024) investigou se caracter\u00edsticas espec\u00edficas do chamado\u00a0\u201cc\u00e9rebro preditivo\u201d\u00a0em pessoas autistas poderiam explicar parte desses desafios, potencialmente variando de acordo com o sexo. O termo \u201cc\u00e9rebro preditivo\u201d refere-se \u00e0 capacidade do c\u00e9rebro de antecipar acontecimentos com base em experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Objetivo do estudo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo buscou verificar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Se a previsibilidade da tarefa influencia a flexibilidade cognitiva.<\/li>\n\n\n\n<li>Se existem diferen\u00e7as entre homens e mulheres autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Se essas diferen\u00e7as tamb\u00e9m aparecem em pessoas n\u00e3o autistas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o estudo foi realizado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lacroix e colaboradores (2024) conduziram um estudo&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;com 263 pessoas adultas, com quantidade semelhante de homens e mulheres. Entre as pessoas participantes da pesquisa, 127 tinham diagn\u00f3stico de autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as pessoas participantes realizaram uma tarefa de flexibilidade cognitiva em tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Tarefa imprevis\u00edvel.<\/li>\n\n\n\n<li>Tarefa moderadamente previs\u00edvel.<\/li>\n\n\n\n<li>Tarefa previs\u00edvel.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Principais resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostraram que:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Quanto maior a previsibilidade da tarefa, melhor foi o desempenho geral.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c0 medida que a previsibilidade aumentou, tamb\u00e9m aumentou a diferen\u00e7a no tempo de resposta entre pessoas autistas e n\u00e3o autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Houve diferen\u00e7as significativas entre homens autistas e mulheres autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Essas diferen\u00e7as n\u00e3o seguiram o mesmo padr\u00e3o observado entre homens e mulheres n\u00e3o autistas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Esses achados indicam que o sexo \u00e9 um fator importante nas pesquisas sobre cogni\u00e7\u00e3o no autismo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desenho inovador do estudo sugere que\u00a0pessoas adultas autistas podem desenvolver processos pr\u00f3prios de constru\u00e7\u00e3o de previs\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esses processos podem:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Dificultar a flexibilidade cognitiva.<\/li>\n\n\n\n<li>Influenciar comportamentos adaptativos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No entanto, os resultados n\u00e3o confirmaram totalmente a hip\u00f3tese inicial de Lacroix e colaboradores (2024). Isso indica que as teorias do \u201cc\u00e9rebro preditivo\u201d, embora promissoras para explicar caracter\u00edsticas do autismo, ainda precisam de pesquisas mais precisas e consistentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferen\u00e7as entre homens e mulheres autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo identificou um perfil espec\u00edfico de diferen\u00e7as entre os sexos em pessoas autistas e n\u00e3o autistas. Esses dados podem estar relacionados \u00e0 hip\u00f3tese de que mulheres autistas sem defici\u00eancia intelectual apresentam melhores habilidades para lidar com demandas do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, os resultados variam entre estudos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio cautela antes de tirar conclus\u00f5es definitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, os dados refor\u00e7am a import\u00e2ncia de investigar diferen\u00e7as entre homens e mulheres no autismo, especialmente para compreender melhor as caracter\u00edsticas espec\u00edficas das mulheres autistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Lacroix e colaboradores (2024) contribui para:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ampliar a compreens\u00e3o da flexibilidade cognitiva no autismo.<\/li>\n\n\n\n<li>Destacar a import\u00e2ncia das diferen\u00e7as entre os sexos.<\/li>\n\n\n\n<li>Avaliar o papel das teorias do &#8220;c\u00e9rebro preditivo&#8221; na explica\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do autismo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esses resultados indicam caminhos relevantes para pesquisas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>LACROIX, A.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Cognitive flexibility in autism: how task predictability and sex influence performances.&nbsp;<strong>Autism Research<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 18, n. 2, p. 281\u2013294, 2024. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1002\/aur.3281\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1002\/aur.3281<\/a>. Acesso em: 10 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>O autismo \u00e9 uma defici\u00eancia? A percep\u00e7\u00e3o de pessoas adultas autistas em Quebec<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi, por muito tempo, descrito como um conjunto de d\u00e9ficits. Express\u00f5es como \u201cpessoa com TEA\u201d tendem a destacar o transtorno e n\u00e3o, a pessoa. Essa vis\u00e3o negativa do autismo, no entanto, come\u00e7a a mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Normand e colaboradores (2025) &nbsp;entrevistou quatorze adultos autistas que falam franc\u00eas em Quebec (prov\u00edncia do Canad\u00e1). A pesquisa analisou como essas pessoas compreendem o autismo e a defici\u00eancia, al\u00e9m de investigar se consideram o autismo uma defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes afirmaram que o autismo n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a e n\u00e3o exige cura. Tamb\u00e9m relataram que n\u00e3o o entendem como uma defici\u00eancia. Ainda assim, pessoas autistas frequentemente se sentem em situa\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia devido \u00e0s suas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o social dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPessoas que controlam como o ambiente \u00e9 constru\u00eddo t\u00eam determinadas necessidades e constroem esse ambiente para atender \u00e0s pr\u00f3prias necessidades e n\u00e3o, \u00e0s necessidades de certas minorias. E quando uma pessoa tem necessidades que n\u00e3o s\u00e3o atendidas pelo ambiente existente, ela est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia. Gosto muito do termo \u2018situa\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia\u2019 porque ele coloca a defici\u00eancia na situa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o na pessoa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe uma pessoa tem determinados recursos, ou se s\u00e3o feitas acomoda\u00e7\u00f5es ou adapta\u00e7\u00f5es no ambiente (especialmente no trabalho), ent\u00e3o o autismo n\u00e3o \u00e9 uma defici\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tenho uma defici\u00eancia porque n\u00e3o estou adaptada a esta sociedade. E a sociedade n\u00e3o muda para nos aceitar; somos n\u00f3s que precisamos usar uma m\u00e1scara, que precisamos nos encaixar no molde da sociedade\u2026 \u00c9 a sociedade que reflete em mim a imagem de uma pessoa com defici\u00eancia, mas, para mim, eu n\u00e3o tenho uma defici\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo permitiu definir o autismo a partir da perspectiva de pessoas autistas. Os resultados mostram que as caracter\u00edsticas espec\u00edficas da neurominoria autista, quando inseridas em um ambiente neurot\u00edpico, geram desafios. Em determinadas situa\u00e7\u00f5es, esses desafios fazem com que essas pessoas se sintam em condi\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as pessoas que participaram do estudo, a defici\u00eancia \u00e9 situacional. Ela surge da intera\u00e7\u00e3o entre fatores pessoais &#8211; como as caracter\u00edsticas do autismo &#8211; e as condi\u00e7\u00f5es do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sociedade que reconhece a neurodiversidade pode reduzir o estigma associado \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de defici\u00eancia vivenciadas por pessoas autistas, no Quebec e em outros contextos. A inclus\u00e3o social efetiva e a realiza\u00e7\u00e3o pessoal de pessoas autistas e de outras pessoas neurodivergentes dependem de adapta\u00e7\u00f5es no ambiente f\u00edsico, mas, sobretudo, da mudan\u00e7a de perspectivas e das intera\u00e7\u00f5es sociais ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Adapta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas ampliam a inclus\u00e3o de pessoas autistas. E o movimento da neurodiversidade pode ter papel relevante na redu\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o enfrentada por essas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NORMAND, C. L.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Is autism a idsability? The perception of autistic adults in Quebec.&nbsp;<strong>Neurodiversity<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 3, p. 1\u201310, 2025. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/27546330251328438\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/27546330251328438<\/a>. Acesso em: 3 fev. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Uma an\u00e1lise conceitual da camuflagem autista: compreendendo a narrativa do estigma e a ilus\u00e3o da escolha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que esse tema \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>camuflagem autista<\/strong>&nbsp;\u00e9 um tema complexo. Hoje entendemos que camuflagem inclui atitudes como fazer contato visual mesmo quando isso causa desconforto ou evitar falar sobre seus pr\u00f3prios interesses por receio de parecer \u201cesquisita\u201d.<br>Ainda sabemos pouco sobre esse fen\u00f4meno. Mesmo assim, precisamos estud\u00e1-lo porque acreditamos que a camuflagem pode prejudicar a sa\u00fade e o bem-estar de pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Qual foi o prop\u00f3sito deste artigo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo analisou as explica\u00e7\u00f5es atuais sobre camuflagem e buscou identificar o que ainda falta entender sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a conclus\u00e3o do artigo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, Pearson e Rose (2021) afirmam que a pesquisa sobre camuflagem precisa considerar as pessoas autistas de outro modo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas autistas crescem em um ambiente social marcado por vis\u00f5es negativas sobre o autismo e sobre quem \u00e9 autista. Esse contexto pode gerar traumas e influenciar o desenvolvimento da camuflagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores tamb\u00e9m contestam a ideia de que a camuflagem seja um comportamento \u201cfeminino\u201d. Essa vis\u00e3o sugere a exist\u00eancia de um subtipo \u201cespec\u00edfico feminino\u201d de autismo, o que pode dificultar o diagn\u00f3stico de pessoas que n\u00e3o se encaixam nesse padr\u00e3o \u2014 como pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias, homens, e mulheres que n\u00e3o correspondem aos crit\u00e9rios atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os autores, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que o autismo n\u00e3o corresponde a um \u00fanico \u201ctipo\u201d de pessoa. Por isso, precisamos separar as ideias sobre camuflagem das ideias baseadas em estere\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pearson e Rose prop\u00f5em considerar a camuflagem como um&nbsp;<strong>construto multidimensional e interativo<\/strong>. Os autores defendem que a pesquisa precisa se apoiar em&nbsp;<strong>teorias sociais<\/strong>, que reconhecem a influ\u00eancia do ambiente social e das normas coletivas na vida da pessoa autista. Essa abordagem reconhece que pessoas autistas s\u00e3o seres sociais e n\u00e3o se desenvolvem isoladamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores tamb\u00e9m sugerem que a camuflagem seja vista como um&nbsp;<strong>processo<\/strong>. Eles comparam esse processo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma rocha: o que observamos \u00e9 apenas a superf\u00edcie, como o contato visual for\u00e7ado ou a imita\u00e7\u00e3o de express\u00f5es faciais. Por\u00e9m, essas estrat\u00e9gias s\u00e3o resultado de press\u00f5es e camadas acumuladas ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>O que Pearson e Rose (2021) recomendam para futuras pesquisas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora a camuflagem seja chamada de&nbsp;<strong>\u201cestrat\u00e9gia social\u201d<\/strong>, ainda h\u00e1 pouca aplica\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong>teoria social<\/strong>&nbsp;nesse campo de estudo. Os autores recomendam que pesquisadores usem teorias sobre:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>como as pessoas tentam se encaixar em grupos;<\/li>\n\n\n\n<li>como grupos excluem ou prejudicam quem \u00e9 visto como diferente.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas teorias podem esclarecer por que pessoas autistas camuflam seus tra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores tamb\u00e9m enfatizam que a camuflagem nem sempre \u00e9 consciente ou volunt\u00e1ria. Por isso, sugerem investigar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>quando a camuflagem come\u00e7a (possivelmente ainda na inf\u00e2ncia);<\/li>\n\n\n\n<li>o que faz uma pessoa sentir que precisa manter essa \u201cm\u00e1scara\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os autores incentivam mais estudos sobre&nbsp;<strong>identidade autista<\/strong>. Tamb\u00e9m recomendam analisar como g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia e outras condi\u00e7\u00f5es influenciam a necessidade de camuflar \u2014 e como isso pode ocorrer com mais ou menos intensidade, ou de modos diferentes, entre as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Como essa an\u00e1lise pode ajudar pessoas adultas autistas agora e no futuro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pearson e Rose (2021) esperam que sua an\u00e1lise ajude pesquisadores a compreender que alguns aspectos da camuflagem s\u00e3o espec\u00edficos das pessoas autistas. No entanto, outros aspectos se parecem com formas de \u201cfingir ser normal\u201d usadas por pessoas socialmente exclu\u00eddas para tentar se adaptar.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que essas reflex\u00f5es aumentem o entendimento sobre a camuflagem e incentivem pesquisas que melhorem a qualidade de vida de pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PEARSON, A.; ROSE, K. A conceptual analysis of autistic masking: understanding the narrative of stigma and the illusion of choice.&nbsp;<strong>Autism in adulthood<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 3, n. 1, p. 52\u201360, 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8992880\/\">https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8992880\/<\/a>. Acesso em: 9 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Sa\u00fade f\u00edsica em autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas mostram que pessoas adultas autistas costumam ter mais problemas de sa\u00fade f\u00edsica do que pessoas adultas n\u00e3o autistas. Elas tamb\u00e9m relatam piores experi\u00eancias no atendimento m\u00e9dico e maior risco de morte. Mas muitos estudos eram feitos s\u00f3 em jovens (at\u00e9 35 anos) ou em locais geogr\u00e1ficos espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Ward e colaboradores (2023) quis responder a duas perguntas:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Pessoas autistas t\u00eam mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas que n\u00e3o passam de pessoa para pessoa?<\/li>\n\n\n\n<li>Isso acontece por causa de fatores como sexo, pa\u00eds, etnia, escolaridade, consumo de \u00e1lcool, cigarro, \u00edndice de massa corporal\/IMC (peso) ou hist\u00f3rico familiar?<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Como o estudo foi feito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pesquisa&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;an\u00f4nima com&nbsp;<strong>2305 adultos<\/strong>&nbsp;(idade m\u00e9dia: 41 anos).<\/li>\n\n\n\n<li>Quase metade era autista (49%).<\/li>\n\n\n\n<li>Foram feitas perguntas sobre dados demogr\u00e1ficos, diagn\u00f3stico de autismo, dieta, exerc\u00edcios, sono, sa\u00fade sexual, uso de subst\u00e2ncias, hist\u00f3rico m\u00e9dico pessoal e hist\u00f3rico m\u00e9dico familiar (de parentes biol\u00f3gicos de primeiro grau).<\/li>\n\n\n\n<li>Pesquisadores compararam a sa\u00fade de autistas e n\u00e3o autistas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Principais resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Pessoas autistas tiveram&nbsp;<strong>mais condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o-transmiss\u00edveis em quase todos os \u00f3rg\u00e3os<\/strong>, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>est\u00f4mago e intestino (gastrointestinais)<\/li>\n\n\n\n<li>c\u00e9rebro e nervos (neurol\u00f3gicos)<\/li>\n\n\n\n<li>horm\u00f4nios (end\u00f3crinos)<\/li>\n\n\n\n<li>olhos, ouvidos, nariz e garganta<\/li>\n\n\n\n<li>pele<\/li>\n\n\n\n<li>f\u00edgado e rins<\/li>\n\n\n\n<li>sangue<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>&nbsp;Diferen\u00e7as muito grandes foram vistas em&nbsp;<strong>sintomas neurol\u00f3gicos e gastrointestinais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.ehlers-danlos.com\/what-is-eds\/\">S\u00edndrome de Ehlers-Danlos<\/a>&nbsp;(SED)<\/strong>&nbsp;apareceu mais em&nbsp;<strong>mulheres autistas<\/strong>&nbsp;do que em mulheres n\u00e3o autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A&nbsp;<strong>doen\u00e7a cel\u00edaca<\/strong>&nbsp;tamb\u00e9m foi mais comum em pessoas autistas, mas esse dado ficou menos certo quando foi considerado o hist\u00f3rico familiar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Limita\u00e7\u00f5es do estudo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A maioria das pessoas participantes da pesquisa era mulher, branca, com ensino superior e morava no Reino Unido.<\/li>\n\n\n\n<li>S\u00f3 quem tinha acesso \u00e0 internet e conseguia responder p\u00f4de participar.<\/li>\n\n\n\n<li>Isso pode ter deixado alguns grupos de pessoas de fora.<\/li>\n\n\n\n<li>A quantidade de pessoas pesquisadas limitou algumas an\u00e1lises.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas autistas t\u00eam&nbsp;<strong>mais chances de ter v\u00e1rias doen\u00e7as f\u00edsicas ao mesmo tempo<\/strong>&nbsp;do que pessoas n\u00e3o autistas. Por isso:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Profissionais de sa\u00fade<\/strong>&nbsp;precisam estar atentos a esse risco.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 preciso fazer&nbsp;<strong>mais pesquisas<\/strong>, especialmente sobre a rela\u00e7\u00e3o do autismo com a doen\u00e7a cel\u00edaca e a S\u00edndrome de Ehlers-Danlos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>WARD, J. H.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Increased rates of chronic physical health conditions across all organ systems in autistic adolescents and adults.&nbsp;<strong>Molecular Autism<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 14, n. 1, p. 1\u201320, 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/molecularautism.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s13229-023-00565-2\">https:\/\/molecularautism.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s13229-023-00565-2<\/a>. Acesso em: 25 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Repensando estereotipias no autismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Movimentos estereotipados (\u201cestereotipias\u201d) s\u00e3o movimentos repetitivos semivolunt\u00e1rios que constituem uma caracter\u00edstica cl\u00ednica proeminente do espectro do autismo. S\u00e3o descritos em relatos em primeira pessoa por autistas como relaxantes, que ajudam a focar a mente e lidar com ambientes sensoriais avassaladores.<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente \u00e9 recomendado evitar t\u00e9cnicas que busquem suprimir as estereotipias em autistas. As autoras hipotetizam que compreender a neurobiologia das estereotipias poderia orientar o desenvolvimento de tratamentos capazes de proporcionar os benef\u00edcios das estereotipias sem a necessidade de gerar movimentos motores repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo relaciona relatos em primeira pessoa e achados cl\u00ednicos com neuroanatomia e fisiologia b\u00e1sicas para produzir um modelo test\u00e1vel das estereotipias. As autoras indicam que as estereotipias melhoram o processamento sensorial e a aten\u00e7\u00e3o ao regular os ritmos cerebrais, seja diretamente pelo comando motor r\u00edtmico, ou por meio do feedback sensorial r\u00edtmico gerado pelos movimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ligando estereotipias aos ritmos cerebrais<\/h2>\n\n\n\n<p>Por que a pr\u00e1tica de movimentos estereotipados \u00e9 t\u00e3o comum na popula\u00e7\u00e3o geral e, em particular, em autistas? As autoras hipotetizam que o sinal cerebral r\u00edtmico gerado para criar o movimento e\/ou o feedback sensorial r\u00edtmico produzido pelo movimento sincroniza os ritmos cerebrais para melhorar o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/topics\/neuroscience\/information-processing\">processamento da informa\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"625\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-625x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1726\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-625x1024.jpg 625w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-183x300.jpg 183w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-768x1259.jpg 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-937x1536.jpg 937w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-1250x2048.jpg 1250w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/08\/Stereotypies-scaled.jpg 1562w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Figura 1. Papel hipotetizado das estereotipias motoras na normaliza\u00e7\u00e3o dos ritmos cerebrais em \u00e1reas de processamento sensorial.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A. Caso 1: c\u00f3pia eferente t\u00edpica. 1. O centro de comando motor gera um sinal r\u00edtmico. 2. \u00c1reas sensoriais s\u00e3o sincronizadas ao ritmo do comando via caminho direto. 3. Como o sinal r\u00edtmico tamb\u00e9m \u00e9 enviado \u00e0s \u00e1reas motoras efetoras, um movimento r\u00edtmico (a estereotipia) \u00e9 gerado como um \u201cefeito colateral\u201d. 4. O movimento estereotipado\/r\u00edtmico produz uma experi\u00eancia sensorial r\u00edtmica. 5. A experi\u00eancia sensorial r\u00edtmica modula os ritmos cerebrais nas \u00e1reas sensoriais (\u201ccaminho indireto\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>B. Caso 2: c\u00f3pia eferente at\u00edpica. 1. O centro de comando motor gera um sinal r\u00edtmico. 2. Como os ax\u00f4nios ramificados n\u00e3o se formaram de maneira t\u00edpica, ou funcionam de maneira at\u00edpica, esse sinal de comando motor n\u00e3o \u00e9 transmitido diretamente \u00e0s \u00e1reas sensoriais. 3. O sinal r\u00edtmico \u00e9 enviado \u00e0s \u00e1reas motoras efetoras e um movimento r\u00edtmico (a estereotipia) \u00e9 gerado. 4. O movimento estereotipado\/r\u00edtmico produz uma experi\u00eancia sensorial r\u00edtmica. 5. A experi\u00eancia sensorial r\u00edtmica modula os ritmos cerebrais nas \u00e1reas sensoriais (\u201ccaminho indireto\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>As autoras concluem que estereotipias s\u00e3o uma caracter\u00edstica pouco compreendida do autismo. Elas esperam que a compreens\u00e3o da anatomia e fisiologia das estereotipias motoras possa reduzir seu estigma e desenvolver formas de aproveitar seus benef\u00edcios para ajudar pessoas autistas e n\u00e3o-autistas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>MCCARTY, M. J.; BRUMBACK, A. C. Rethinking stereotypies in autism.&nbsp;<strong>Seminars in Pediatric Neurology<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 38, p. 100897, 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1071909121000255\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1071909121000255<\/a>. Acesso em: 23 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Quais s\u00e3o as experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es de docentes autistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resultados de uma pesquisa&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;no Reino Unido<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Muitos estudos j\u00e1 investigaram a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens autistas, al\u00e9m dos direitos de pessoas adultas autistas no mercado de trabalho. Mas pouco se sabe sobre&nbsp;<strong>professores(as) autistas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa&nbsp;<em>online&nbsp;<\/em>no Reino Unido (Wood; Happ\u00e9, 2023) reuniu&nbsp;<strong>149 profissionais da educa\u00e7\u00e3o autistas<\/strong>, incluindo docentes e demais funcion\u00e1rios(as) de escolas, que relataram:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Falta de compreens\u00e3o sobre o autismo.<\/li>\n\n\n\n<li>Dificuldades sensoriais no ambiente escolar.<\/li>\n\n\n\n<li>Problemas de sa\u00fade mental.<\/li>\n\n\n\n<li>Dilemas ao decidir se revelavam ou n\u00e3o o diagn\u00f3stico no trabalho.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas dificuldades atrapalham tanto&nbsp;<strong>entrar<\/strong>&nbsp;na profiss\u00e3o quanto&nbsp;<strong>permanecer<\/strong>&nbsp;nela.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, surgiram tamb\u00e9m experi\u00eancias positivas. Do ponto de vista da&nbsp;<strong>justi\u00e7a social<\/strong>, docentes autistas podem ser&nbsp;<strong>modelos importantes para estudantes autistas<\/strong>&nbsp;e ajudar na&nbsp;<strong>inclus\u00e3o escolar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos principais da pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>H\u00e1 poucas pesquisas sobre docentes e outros(as) profissionais autistas nas escolas.<\/li>\n\n\n\n<li>Esses(as) profissionais enfrentam dificuldades na forma\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o, satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho e carreira.<\/li>\n\n\n\n<li>Muitos disseram n\u00e3o receber apoio. Relataram que o ambiente escolar causa sobrecarga sensorial e problemas de sa\u00fade mental.<\/li>\n\n\n\n<li>Alguns tinham medo de revelar que eram autistas; outros relataram experi\u00eancias positivas ao faz\u00ea-lo.<\/li>\n\n\n\n<li>Quando recebem apoio, docentes autistas contribuem muito para a inclus\u00e3o, especialmente de estudantes autistas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Achados espec\u00edficos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Falta de compreens\u00e3o e apoio<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitos disseram que&nbsp;<strong>gestores escolares<\/strong>&nbsp;n\u00e3o entendem o autismo nem fazem ajustes necess\u00e1rios. Esse foi um dos motivos para deixarem a profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ambiente escolar<\/h4>\n\n\n\n<p>O ambiente f\u00edsico da escola causa&nbsp;<strong>sobrecarga sensorial<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ru\u00eddos e dificuldade de filtrar sons.<\/li>\n\n\n\n<li>Luzes fortes.<\/li>\n\n\n\n<li>Aglomera\u00e7\u00f5es e excesso de movimento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Isso gera exaust\u00e3o ao fim do dia e at\u00e9 crises (<em>meltdowns<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade mental<\/h4>\n\n\n\n<p>A falta de apoio e os problemas do ambiente aumentaram os casos de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ansiedade.<\/li>\n\n\n\n<li>Fadiga extrema.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Burnout<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li>Colapso nervoso.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas desistiram da profiss\u00e3o por considerarem o trabalho&nbsp;<strong>\u201cdesgastante e destrutivo\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">M\u00e1 conduta com estudantes autistas<\/h4>\n\n\n\n<p>Docentes que trabalhavam com&nbsp;<strong>educa\u00e7\u00e3o especial<\/strong>&nbsp;relataram frustra\u00e7\u00e3o ao ver o tratamento inadequado dado a estudantes autistas. Isso tamb\u00e9m levou algumas pessoas a deixarem a \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Revelar ou n\u00e3o o diagn\u00f3stico<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Algumas pessoas sofreram preconceito ao revelar que eram autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Outras pessoas que se sentiram seguras para contar disseram que isso as ajudou a servir de&nbsp;<strong>modelo positivo<\/strong>&nbsp;para colegas, pais e estudantes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o e pontos fortes<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitas pessoas relataram que ser autista as ajudam a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Entender e se comunicar melhor com estudantes autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Ter foco intenso (hiperfoco).<\/li>\n\n\n\n<li>Alcan\u00e7ar resultados positivos e produtivos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o para profissionais autistas<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa mostra uma&nbsp;<strong>lacuna importante<\/strong>: faltam estudos sobre docentes autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com leis de prote\u00e7\u00e3o a pessoas com condi\u00e7\u00f5es diversamente h\u00e1beis que trabalham, a realidade mostra que esses(as) profissionais ainda n\u00e3o recebem apoio suficiente. Isso representa uma&nbsp;<strong>perda de potencial humano<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A inclus\u00e3o escolar s\u00f3 ser\u00e1 completa se tamb\u00e9m houver inclus\u00e3o para profissionais autistas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Incluir a tem\u00e1tica nos programas de forma\u00e7\u00e3o docente.<\/li>\n\n\n\n<li>Orientar l\u00edderes escolares a apoiar profissionais neurodivergentes.<\/li>\n\n\n\n<li>Reconhecer n\u00e3o apenas as dificuldades, mas tamb\u00e9m as&nbsp;<strong>for\u00e7as e habilidades \u00fanicas<\/strong>&nbsp;de docentes autistas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Quando bem apoiadas, essas pessoas podem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Facilitar a inclus\u00e3o de estudantes com necessidades educacionais especiais.<\/li>\n\n\n\n<li>Ser refer\u00eancia positiva para estudantes autistas.<\/li>\n\n\n\n<li>Contribuir com dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia em diversas \u00e1reas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais detalhes sobre a pesquisa de Wood e Happ\u00e9 (2023)<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Falta de compreens\u00e3o e apoio<\/strong>: Participantes que haviam deixado a profiss\u00e3o de doc\u00eancia destacaram particularmente a \u201ctotal falta de compreens\u00e3o\u201d e a aus\u00eancia de adapta\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis necess\u00e1rias que marcaram seu tempo trabalhando em escolas, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos gestores escolares;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ambiente<\/strong>: Talvez sem surpresas, dada a associa\u00e7\u00e3o do autismo com hiper ou hipossensibilidade a est\u00edmulos sensoriais (Bogdashina, 2016), o ambiente f\u00edsico impactou significativamente participantes deste estudo. Ru\u00eddos, incluindo a incapacidade de filtrar sons de fundo, luzes fortes, movimenta\u00e7\u00e3o geral e multid\u00f5es surgiram como quest\u00f5es particularmente dif\u00edceis, levando \u00e0 \u201csobrecarga sensorial\u201d, exaust\u00e3o ou sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdespeda\u00e7amento\u201d ap\u00f3s o dia escolar, chegando at\u00e9 a provocar crises intensas (<em>meltdowns<\/em>);<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Problemas de sa\u00fade mental<\/strong>: Os dados indicaram uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre a falta de apoio e as dificuldades ambientais enfrentadas por trabalhadores(as) autistas nas escolas, al\u00e9m de problemas de sa\u00fade mental e ansiedade, resultando em altos n\u00edveis de fadiga e at\u00e9<em>&nbsp;burnout<\/em>. Para certos(as) ex-funcion\u00e1rios(as), essa foi uma raz\u00e3o para deixar a profiss\u00e3o, j\u00e1 que o trabalho se tornou \u201cdestruidor de alma\u201d e at\u00e9 proporcionou colapso nervoso para participantes do estudo;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tratamento inadequado de estudantes autistas<\/strong>: Para trabalhadores(as) em fun\u00e7\u00f5es de Necessidades Educacionais Especiais e Defici\u00eancias (NEED), principalmente aqueles(as) que trabalham especificamente com autismo, houve evid\u00eancias de frustra\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao modo como estudantes autistas \u00e0s vezes eram tratados(as), o que tamb\u00e9m esteve ligado \u00e0s raz\u00f5es para deixarem a profiss\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Problemas ao revelar o diagn\u00f3stico de autismo<\/strong>: Algumas pessoas experimentaram rea\u00e7\u00f5es depreciativas e preconceito ap\u00f3s revelarem seu diagn\u00f3stico, o que impactou negativamente seu bem-estar e emprego no setor. Certos(as) participantes, especialmente aqueles(as) ainda atuando em escolas e que se sentiram \u00e0 vontade para compartilhar sua condi\u00e7\u00e3o autista, consideraram que ofereciam um modelo positivo para colegas, pais e estudantes autistas;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Facilitando a inclus\u00e3o<\/strong>: Apesar das dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o em aspectos do trabalho com colegas, participantes do estudo sentiram que conseguiam entender, empatizar e comunicar-se particularmente bem com estudantes autistas e com NEED. Al\u00e9m disso, consideraram que o fato de serem autistas lhes conferia habilidades espec\u00edficas, como \u201chiperfoco\u201d, levando a \u201cresultados positivos e produtivos\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><br>A falta de pesquisas sobre trabalhadores(as) autistas em escolas representa uma lacuna significativa na \u00e1rea, que este estudo come\u00e7a a abordar. Embora algumas quest\u00f5es, como dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e lidar com complexidades sociais, bem como aspectos positivos relacionados ao espectro autista como aten\u00e7\u00e3o aos detalhes, persist\u00eancia e forte \u00e9tica de trabalho, tenham sido destacadas na literatura mais ampla sobre autismo e emprego (Scott et al., 2017; Vincent, 2020), h\u00e1 escassez de estudos aprofundados sobre a natureza \u00fanica do ambiente escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece apesar de pesquisas consider\u00e1veis sobre as dificuldades enfrentadas por crian\u00e7as autistas nas escolas (Ashburner, Ziviani e Rodger, 2008; 2010; Brede et al., 2017) e dos direitos bem estabelecidos de trabalhadores(as) com condi\u00e7\u00f5es diversamente h\u00e1beis (ADA 1990; CRPD [UN DESA] 2006; Autism Act 2009; Equality Act 2010). Aparentemente, a legisla\u00e7\u00e3o isoladamente n\u00e3o tem possibilitado o florescimento de trabalhadores(as) autistas, resultando em \u201cuma grande defici\u00eancia e um desperd\u00edcio de potencial humano\u201d (Hendricks, 2010, 131).<\/p>\n\n\n\n<p>Como esperar incluir efetivamente estudantes com condi\u00e7\u00f5es diversamente h\u00e1beis se n\u00e3o apoiamos a condi\u00e7\u00e3o, diversidade e inclus\u00e3o no corpo escolar? Al\u00e9m disso, o estudo revela a necessidade de maior considera\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades de professores(as) autistas em programas de forma\u00e7\u00e3o e da oferta de orienta\u00e7\u00f5es para l\u00edderes escolares sobre como apoiar trabalhadores(as) neurodivergentes em todas as equipes. A preocupa\u00e7\u00e3o com os custos da popula\u00e7\u00e3o autista e o foco nas limita\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao emprego t\u00eam feito com que o potencial e as necessidades espec\u00edficas de profissionais autistas recebam aten\u00e7\u00e3o limitada (Richards, 2012; Moore, Kinnear e Freeman, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>De forma animadora, o estudo de Wood e Happ\u00e9 (2023) indica que, quando educadores(as) autistas s\u00e3o compreendidos(as) e apoiados(as), podem oferecer uma contribui\u00e7\u00e3o \u00fanica \u00e0s escolas, facilitando a inclus\u00e3o de estudantes com NEED, sendo modelos para estudantes autistas e fornecendo expertise em diversas disciplinas e fun\u00e7\u00f5es. Devemos, portanto, fazer mais para compreender, apoiar e viabilizar o recrutamento, a forma\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento profissional e o bem-estar dessa importante, mas at\u00e9 ent\u00e3o negligenciada, popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>WOOD, R.; HAPP\u00c9, F. What are the views and experiences of autistic teachers? Findings from an online survey in the UK.&nbsp;<strong>Disability and Society<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 38, n. 1, p. 47\u201372, 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/ndconnection.co.uk\/resources\/p\/what-are-the-views-and-experiences-of-autistic-teachers\">https:\/\/ndconnection.co.uk\/resources\/p\/what-are-the-views-and-experiences-of-autistic-teachers<\/a>. Acesso em: 22 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Preditores do uso de medicamentos psicotr\u00f3picos em pessoas autistas adultas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Objetivo<\/strong><br><strong>Nenhum tratamento com medicamento psicotr\u00f3pico tem efeito comprovado sobre os sinais centrais do autismo<\/strong>. O estudo retrospectivo de &nbsp;Mah\u00e9 et. al (2025) buscou identificar quais fatores demogr\u00e1ficos, diagn\u00f3sticos e funcionais est\u00e3o associados ao uso de psicotr\u00f3picos em pessoas autistas adultas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e9todo<\/strong><br>Foram analisados 391 prontu\u00e1rios de pessoas adultas (idade m\u00e9dia: 28,2 \u00b1 9,6 anos) atendidas no&nbsp;<em>Centre de Ressources Autisme Centre Val de Loire<\/em>. Participantes formaram tr\u00eas grupos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Autismo<\/strong>&nbsp;(TEA)&nbsp;<strong>sem defici\u00eancia intelectual<\/strong>&nbsp;(n = 129)<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Apenas defici\u00eancia intelectual e do desenvolvimento<\/strong>&nbsp;(DID) (n = 48)<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Autismo + defici\u00eancia intelectual<\/strong>&nbsp;(TEA + DID) (n = 214)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Foi utilizada an\u00e1lise de regress\u00e3o log\u00edstica multinomial para identificar fatores relacionados ao uso de medicamentos psicotr\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>17% das pessoas autistas adultas sem DID e&nbsp;<strong>44,9% das pessoas autistas adultas + DID<\/strong>&nbsp;<strong>usavam mais de um psicotr\u00f3pico<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>A probabilidade de&nbsp;<strong>uso de m\u00faltiplos medicamentos aumentava com<\/strong>&nbsp;a&nbsp;<strong>idade<\/strong>, presen\u00e7a de&nbsp;<strong>epilepsia<\/strong>&nbsp;e de&nbsp;<strong>dist\u00farbios comportamentais graves<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transtornos de ansiedade<\/strong>&nbsp;estavam<strong>&nbsp;ligados ao uso de um<\/strong>&nbsp;\u00fanico&nbsp;<strong>psicotr\u00f3pico<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transtornos de humor<\/strong>&nbsp;fortemente previam&nbsp;<strong>tanto&nbsp;<\/strong>o&nbsp;<strong>uso de um quanto de v\u00e1rios psicotr\u00f3picos<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<strong>defici\u00eancia intelectual<\/strong>&nbsp;foi um&nbsp;<strong>fator explicativo para&nbsp;<\/strong>o uso de&nbsp;<strong>m\u00faltiplos medicamentos<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Pessoas autistas + DID recebiam mais prescri\u00e7\u00f5es que aquelas com TEA isolado<\/strong>, especialmente de antiepil\u00e9pticos, benzodiazep\u00ednicos e neurol\u00e9pticos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br>O&nbsp;<strong>uso de psicotr\u00f3picos em pessoas autistas \u00e9 semelhante ao observado em condi\u00e7\u00f5es como esquizofrenia ou Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade<\/strong>, para as quais esses medicamentos s\u00e3o aprovados. Os principais preditores de uso de medicamentos psicotr\u00f3picos em pessoas adultas autistas foram:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Defici\u00eancia intelectual<\/li>\n\n\n\n<li>Idade avan\u00e7ada<\/li>\n\n\n\n<li>Transtornos de sa\u00fade associados<\/li>\n\n\n\n<li>Coocorr\u00eancias neurol\u00f3gicas<\/li>\n\n\n\n<li>Gravidade de sinais n\u00e3o espec\u00edficos de autismo (mais precisamente, a gravidade da insufici\u00eancia moduladora)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>n\u00famero elevado de pessoas autistas que ingerem muitos medicamentos preocupa<\/strong>, pois h\u00e1 poucas evid\u00eancias sobre a efic\u00e1cia desses tratamentos para o autismo e seus&nbsp;<strong>efeitos colaterais podem ser importantes<\/strong>. Em alguns casos complexos, combinar medicamentos com mecanismos diferentes, ou usar um segundo medicamento para reduzir efeitos colaterais, pode ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem pode permitir sinergia terap\u00eautica e fornecer uma resposta mais adequada \u00e0s necessidades de pacientes, especialmente na presen\u00e7a de condi\u00e7\u00f5es concomitantes, como ansiedade severa, dist\u00farbios do sono, transtornos de humor, epilepsia, comportamentos autoagressivos ou comportamentos heteroagressivos. Mas essa pr\u00e1tica deve ser exce\u00e7\u00e3o, pois muitas vezes a polimedica\u00e7\u00e3o \u00e9 excessiva em pessoas autistas, \u00e0s vezes sem indica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas claras ou acompanhamento adequado, especialmente em pessoas autistas n\u00e3o verbais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na maioria dos casos, interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o medicamentosas s\u00e3o mais adequadas<\/strong>. Toda prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos deve ser:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Personalizada<\/li>\n\n\n\n<li>Avaliada regularmente<\/li>\n\n\n\n<li>Acompanhada de suporte educacional e terap\u00eautico<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente desenvolver novas interven\u00e7\u00f5es psicoeducacionais e ambientais adaptadas a esses perfis espec\u00edficos, evitando prescri\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias e os riscos da ingest\u00e3o de v\u00e1rios medicamentos.&nbsp;<strong>O acesso limitado a profissionais treinados leva m\u00e9dicos a prescreverem medicamentos por falta de alternativa<\/strong>. Ampliar o acesso a apoios comportamentais e psicoeducacionais deve ser prioridade de sa\u00fade p\u00fablica, para que o uso de medicamentos seja apenas a segunda op\u00e7\u00e3o, seguindo diretrizes t\u00e9cnicas. \u00c9 essencial investir em pesquisas sobre autismo para criar tratamentos mais espec\u00edficos e eficazes, alinhados \u00e0 medicina personalizada, considerando a grande diversidade dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o estudo de&nbsp;Mah\u00e9 et. al (2025) demonstra que a&nbsp;<strong>coocorr\u00eancia de DID, idade avan\u00e7ada, epilepsia, transtornos de ansiedade e humor e transtornos comportamentais externalizantes predizem o uso de medicamentos psicotr\u00f3picos em pessoas adultas autistas<\/strong>. A preval\u00eancia e os preditores de polimedica\u00e7\u00e3o nesse grupo levantam preocupa\u00e7\u00f5es, enfatizando a necessidade de desenvolver novos apoios psicoeducacionais e promover tratamentos mais direcionados e eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>MAH\u00c9, O.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Predictors of psychotropic medication use among autistic adults.&nbsp;<strong>Journal of Autism and Developmental Disorders 2025<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], p. 1\u201312, 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10803-025-06966-x\">https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10803-025-06966-x<\/a>. Acesso em: 10 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Abordagens mais atuais para apoiar pessoas adultas autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que mudou na forma de entender o autismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 10 anos, muita coisa mudou no que sabemos sobre o autismo.<br>Antes, autismo era visto como um dist\u00farbio grave da inf\u00e2ncia, geralmente associado a dificuldades intensas de linguagem e pensamento.<br>Hoje, sabemos que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A maioria das pessoas autistas<\/strong>&nbsp;(cerca de 60%)&nbsp;<strong>tem intelig\u00eancia m\u00e9dia ou acima da m\u00e9dia<\/strong>&nbsp;(QI \u2265 86).<\/li>\n\n\n\n<li>Menos de um ter\u00e7o tem dificuldades cognitivas ou de comunica\u00e7\u00e3o mais graves (QI &lt; 50).<\/li>\n\n\n\n<li>O autismo \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que acompanha a pessoa por toda a vida, mas seu impacto varia muito de pessoa para pessoa e ao longo do tempo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Como pessoas autistas t\u00eam ajudado a mudar a forma de pensar sobre o autismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas pessoas adultas autistas t\u00eam pedido que o autismo&nbsp;<strong>n\u00e3o seja mais visto como uma doen\u00e7a<\/strong>&nbsp;ou um defeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas dizem que o autismo \u00e9 uma forma de diversidade humana \u2014 o que chamamos de&nbsp;<strong>neurodiversidade<\/strong>.<br>Por isso, est\u00e3o questionando interven\u00e7\u00f5es que tentam \u201ccorrigir\u201d o autismo. Em vez disso, prop\u00f5em que o foco seja nos fatores do ambiente (sociais, f\u00edsicos e emocionais) que afetam o bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, muitas pesquisas e interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas em&nbsp;<strong>parceria entre pessoas autistas e n\u00e3o autistas<\/strong>, para criar solu\u00e7\u00f5es que realmente fa\u00e7am sentido para quem \u00e9 autista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Qual o principal desafio para pessoas adultas autistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em geral,&nbsp;<strong>n\u00e3o \u00e9 o autismo em si<\/strong>&nbsp;que mais dificulta a inclus\u00e3o social.<br>O problema maior \u00e9 a&nbsp;<strong>sa\u00fade mental<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas autistas t\u00eam mais chances de desenvolver:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ansiedade,<\/li>\n\n\n\n<li>depress\u00e3o,<\/li>\n\n\n\n<li>transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (TDAH),<\/li>\n\n\n\n<li>e est\u00e3o sob&nbsp;<strong>maior risco de suic\u00eddio<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Problemas de sa\u00fade f\u00edsica tamb\u00e9m s\u00e3o mais comuns, o que aumenta o risco de morte precoce.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Quais fatores afetam o bem-estar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas pessoas adultas autistas enfrentam dificuldades como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>n\u00e3o conseguir emprego ou perd\u00ea-lo com frequ\u00eancia,<\/li>\n\n\n\n<li>falta de acesso a lazer, moradia ou transporte adequado,<\/li>\n\n\n\n<li>depend\u00eancia excessiva da fam\u00edlia,<\/li>\n\n\n\n<li><strong>estigma, isolamento e baixa autoestima<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Tudo isso piora a sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Como as terapias psicol\u00f3gicas podem ajudar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Algumas t\u00e9cnicas se mostraram \u00fateis, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Terapia cognitivo-comportamental (TCC),<\/li>\n\n\n\n<li>T\u00e9cnicas de aten\u00e7\u00e3o plena (<em>mindfulness<\/em>).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas abordagens ajudaram a&nbsp;<strong>reduzir ansiedade, obsess\u00f5es, sintomas depressivos e fobia social.<\/strong><br>Mas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ainda faltam pesquisas com pessoas em situa\u00e7\u00f5es mais graves.<\/li>\n\n\n\n<li>Poucos estudos incluem adultos mais velhos ou pessoas com defici\u00eancia intelectual.<\/li>\n\n\n\n<li>A maioria dos participantes dos estudos \u00e9 composta por homens jovens sem defici\u00eancia intelectual.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>E sobre o treino de habilidades sociais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns estudos mostram melhora na compreens\u00e3o emocional e na conviv\u00eancia com outras pessoas.<br>Outros n\u00e3o mostram melhora significativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00edticos dizem que esses programas focam s\u00f3 na pessoa autista, e n\u00e3o consideram que a intera\u00e7\u00e3o social envolve&nbsp;<strong>a forma como as outras pessoas percebem e tratam quem \u00e9 autista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Quais abordagens t\u00eam sido usadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns programas ajudam pessoas autistas a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>desenvolver habilidades acad\u00eamicas e profissionais,<\/li>\n\n\n\n<li>se preparar para o mercado de trabalho,<\/li>\n\n\n\n<li><strong>lidar com tarefas do dia a dia<\/strong>,<\/li>\n\n\n\n<li>participar de atividades de lazer.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es podem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>diminuir o estresse<\/strong>,<\/li>\n\n\n\n<li>melhorar a sa\u00fade mental,<\/li>\n\n\n\n<li>aumentar a qualidade de vida.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Empregos com apoio especializado tamb\u00e9m ajudam a manter as pessoas no trabalho, com melhores sal\u00e1rios e mais satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses programas ensinam empregadores a criar&nbsp;<strong>ambientes de trabalho amig\u00e1veis para pessoas autistas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os desafios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo em pa\u00edses ricos, o acesso a programas especializados ainda \u00e9 limitado.<br>Depois que o programa termina, muitos servi\u00e7os somem.<br>Algumas pessoas autistas tamb\u00e9m relatam que os programas&nbsp;<strong>n\u00e3o consideram seus objetivos pessoais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltam pesquisas grandes e bem feitas para descobrir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>que tipo de apoio funciona melhor para cada pessoa,<\/li>\n\n\n\n<li>quais elementos tornam um programa realmente eficaz.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>O que mais pode afetar o bem-estar de pessoas adultas autistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outros obst\u00e1culos importantes incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>barreiras para acessar servi\u00e7os de sa\u00fade<\/strong>,<\/li>\n\n\n\n<li><strong>hipersensibilidades sensoriais<\/strong>&nbsp;(luz, som, cheiro, texturas, alimentos),<\/li>\n\n\n\n<li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/teste-2\/\">esgotamento (<em>burnout<\/em>) aut\u00edstico<\/a><\/strong>: tamb\u00e9m decorrente do intenso esfor\u00e7o da pessoa para esconder seus tra\u00e7os do espectro do autismo e parecer \u201cnormal\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas dificuldades podem ser melhoradas com&nbsp;<strong>mudan\u00e7as no ambiente<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>educa\u00e7\u00e3o da sociedade<\/strong>, e n\u00e3o tentando mudar a pessoa autista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>O que falta para atender melhor as mulheres autistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres autistas precisam de mais aten\u00e7\u00e3o<\/strong>. Seus sinais de autismo podem ser diferentes dos homens.<br>Elas tamb\u00e9m precisam de servi\u00e7os adaptados durante:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a gravidez,<\/li>\n\n\n\n<li>a maternidade,<\/li>\n\n\n\n<li>e a menopausa.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>E as pessoas autistas com maior n\u00edvel de depend\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 30% das pessoas autistas tamb\u00e9m t\u00eam:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>defici\u00eancia intelectual severa,<\/li>\n\n\n\n<li>dificuldades graves de comunica\u00e7\u00e3o,<\/li>\n\n\n\n<li>problemas de comportamento, como autoles\u00e3o,<\/li>\n\n\n\n<li>doen\u00e7as f\u00edsicas como epilepsia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas pessoas correm mais risco de sofrer abusos, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns estudiosos propuseram o termo \u201c<strong>autismo profundo<\/strong>\u201d para destacar as pessoas com&nbsp;<strong>necessidades mais intensas de apoio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse termo \u00e9 criticado por parte do movimento da neurodiversidade, mas ajuda a mostrar que&nbsp;<strong>algumas pessoas adultas vivem situa\u00e7\u00f5es muito graves<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>O que pode ser feito?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>garantir oportunidades de desenvolvimento cont\u00ednuo<\/strong>,<\/li>\n\n\n\n<li>oferecer atividades de trabalho, lazer e moradia adequadas,<\/li>\n\n\n\n<li>apoiar emocional, social e financeiramente os cuidadores.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 um cuidado de qualidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo pesquisadores autistas, um bom atendimento para pessoas adultas deve incluir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>promo\u00e7\u00e3o da autonomia<\/strong>,<\/li>\n\n\n\n<li>apoio \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o,<\/li>\n\n\n\n<li>combate ao estresse,<\/li>\n\n\n\n<li>remo\u00e7\u00e3o de barreiras,<\/li>\n\n\n\n<li>enfrentamento do estigma,<\/li>\n\n\n\n<li>cuidado centrado na pessoa,<\/li>\n\n\n\n<li>e forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e espec\u00edfica das equipes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Cada pessoa tem necessidades diferentes.<br>Por isso, o&nbsp;<strong>apoio deve ser personalizado e dispon\u00edvel ao longo de toda a vida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este texto mostra que&nbsp;<strong>o cuidado com pessoas adultas autistas precisa mudar<\/strong>.<br>Mais do que mudar quem \u00e9 autista, \u00e9 preciso<strong>&nbsp;mudar<\/strong>&nbsp;o&nbsp;<strong>ambiente<\/strong>&nbsp;<strong>e&nbsp;<\/strong>a<strong>&nbsp;forma como a sociedade se relaciona com essas pessoas<\/strong>.<br>Elas devem participar da constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e servi\u00e7os que lhes dizem respeito.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>HOWLIN, P.&nbsp;<a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11733429\/\">Changing approaches to interventions for autistic adults<\/a>.&nbsp;<strong>World Psychiatry<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 24, n. 1, p. 131\u2013132, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Pessoas autistas adultas evitam a imprevisibilidade na tomada de decis\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A tomada de decis\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis pode causar desconforto em autistas devido \u00e0 sua prefer\u00eancia por previsibilidade. Dificuldades na tomada de decis\u00e3o tamb\u00e9m podem estar associadas \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios sexuais e do estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo prospectivo e transversal de Macchia&nbsp;<em>et. al<\/em>&nbsp;(2024) investigou a tomada de decis\u00e3o em 32 participantes autistas (14 mulheres) e 31 participantes n\u00e3o autistas (20 mulheres), com idades entre 18 e 64 anos. A Tarefa do Jogo de Iowa (IGT) e a Tarefa de Risco de Cambridge (CRT) foram utilizadas para avaliar a tomada de decis\u00e3o sob ambiguidade e sob risco com probabilidades de resultado conhecidas, respectivamente. Os n\u00edveis s\u00e9ricos de cortisol, estradiol e testosterona foram relacionados ao desempenho nas tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grupos n\u00e3o diferiram no desempenho geral na IGT e na CRT, mas, em compara\u00e7\u00e3o aos participantes n\u00e3o autistas, os participantes autistas preferiram baralhos menos lucrativos, por\u00e9m com resultados previs\u00edveis, evitando aqueles com desfechos imprevis\u00edveis.&nbsp;<strong>Participantes autistas<\/strong>&nbsp;tamb\u00e9m&nbsp;<strong>precisaram de mais tempo para tomar decis\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o aos participantes n\u00e3o autistas<\/strong>. Al\u00e9m disso, participantes autistas sem depress\u00e3o coocorrente tiveram desempenho significativamente inferior aos participantes n\u00e3o autistas na IGT.<\/p>\n\n\n\n<p>As concentra\u00e7\u00f5es de estradiol e cortisol foram preditores significativos dos escores na CRT entre os participantes n\u00e3o autistas, mas n\u00e3o entre os participantes autistas. Os resultados do estudo sugerem que&nbsp;<strong>participantes autistas s\u00e3o \u201caversos ao risco\u201d na tomada de decis\u00e3o sob ambiguidade<\/strong>, evitando op\u00e7\u00f5es com perdas imprevis\u00edveis quando comparados aos participantes n\u00e3o autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os achados de Macchia&nbsp;<em>et. al<\/em>&nbsp;(2024) ressaltam a intoler\u00e2ncia \u00e0 incerteza, especialmente em situa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas. Assim, esses(as) pesquisadores(as) recomendam que,&nbsp;<strong>ao interagir com autistas, seja adotada uma<\/strong>&nbsp;<strong>comunica\u00e7\u00e3o o mais transparente e precisa poss\u00edvel<\/strong>. Pesquisas futuras devem explorar a tomada de decis\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es sociais entre autistas, considerando vari\u00e1veis individuais como a depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>MACCHIA, A.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/39158770\/\">Autistic adults avoid unpredictability in decision-making.<\/a>&nbsp;<strong>Journal of Autism and Developmental Disorders<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], p. 1\u201313, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Pesquisa destaca dificuldades de pessoas autistas e trans no acesso \u00e0 sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado a seguir, do artigo de Bruce, Munday e Kapp publicado em 2023, foi traduzido e adaptado para a Linguagem Simples com a intelig\u00eancia artificial&nbsp;<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\">GRALHA<\/a>, de &nbsp;M\u00e1rcia Ditzel Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 o estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa investigou as experi\u00eancias de pessoas adultas que s\u00e3o&nbsp;<strong>autistas e tamb\u00e9m transg\u00eanero e\/ou n\u00e3o bin\u00e1rias<\/strong>&nbsp;no acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade voltados para identidade de g\u00eanero (<em>Gender Identity Health Care&nbsp;<\/em>\u2013 GIH).<\/p>\n\n\n\n<p>Este tipo de atendimento inclui:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Terapia hormonal<\/li>\n\n\n\n<li>Treinamento de voz<\/li>\n\n\n\n<li>Psicoterapia<\/li>\n\n\n\n<li>Cirurgias de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Por que este tema \u00e9 relevante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estudos mostram que tanto pessoas autistas quanto pessoas de g\u00eanero diverso enfrentam&nbsp;<strong>barreiras semelhantes<\/strong>&nbsp;no sistema de sa\u00fade, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ambientes pouco acess\u00edveis<\/li>\n\n\n\n<li>Desinforma\u00e7\u00e3o dos profissionais<\/li>\n\n\n\n<li>Processos burocr\u00e1ticos e excludentes<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Garantir acesso adequado e respeitoso \u00e9 um direito e uma necessidade urgente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a pesquisa foi realizada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Harley Bruce, cisg\u00eanero e n\u00e3o autista, desenvolveu o estudo com colabora\u00e7\u00e3o de Katie Munday, pesquisador(a) autista e transg\u00eanero. Foram entrevistadas 17 pessoas autistas e trans para mapear:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Barreiras enfrentadas<\/li>\n\n\n\n<li>Pr\u00e1ticas positivas<\/li>\n\n\n\n<li>Propostas de melhoria<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Principais resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Falta de preparo profissional<\/strong>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pouco conhecimento sobre autismo e sa\u00fade trans<\/li>\n\n\n\n<li>Diagn\u00f3sticos incorretos em sa\u00fade mental<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ambientes n\u00e3o acess\u00edveis<\/strong>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Luzes fortes, ru\u00eddos, mudan\u00e7as de rotina<\/li>\n\n\n\n<li>Dist\u00e2ncia f\u00edsica dos servi\u00e7os<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Obst\u00e1culos estruturais<\/strong>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Filas de espera longas<\/li>\n\n\n\n<li>Dificuldades com cobertura dos planos de sa\u00fade<\/li>\n\n\n\n<li>Processos padronizados e pouco acolhedores<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es dos(as) participantes do estudo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mais&nbsp;<strong>forma\u00e7\u00e3o profissional<\/strong>&nbsp;sobre autismo e identidade de g\u00eanero<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Adapta\u00e7\u00f5es no ambiente e no atendimento<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Escuta ativa<\/strong>&nbsp;\u00e0s pessoas usu\u00e1rias dos servi\u00e7os<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00f5es para pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo oferece insumos para a formula\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong>pol\u00edticas de sa\u00fade mais inclusivas<\/strong>, destacando a import\u00e2ncia de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Respeitar as especificidades de cada pessoa<\/li>\n\n\n\n<li>Garantir equidade no acesso \u00e0 sa\u00fade<\/li>\n\n\n\n<li>Reconhecer o conhecimento de quem vive essas experi\u00eancias<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Limita\u00e7\u00e3o do estudo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos participantes era branca, falava ingl\u00eas e foi recrutada&nbsp;<em>online<\/em>. Assim, os resultados n\u00e3o representam toda a diversidade de pessoas autistas e trans.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e profissionais de sa\u00fade podem se beneficiar das recomenda\u00e7\u00f5es deste estudo ao revisar pr\u00e1ticas e pol\u00edticas de atendimento. O compromisso com a inclus\u00e3o come\u00e7a pela escuta e pelo reconhecimento das necessidades reais das pessoas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Fonte: BRUCE, Harley; MUNDAY, Katie; KAPP, Steven K.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/10.1089\/aut.2023.0003\">Exploring the experiences of autistic transgender and non-binary adults in seeking gender identity health care<\/a>.&nbsp;<strong>Autism in Adulthood<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 5, n. 2, p. 191\u2013203, 2023. Dispon\u00edvel em: \/doi\/pdf\/10.1089\/aut.2023.0003?download=true. Acesso em: 18 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Flow aut\u00edstico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O seguinte conte\u00fado do artigo de Heasman e colaboradores (2024) foi adaptado do texto gerado pela intelig\u00eancia artificial&nbsp;<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\">Gralha<\/a>&nbsp;(Gerador de Respostas e Apoio em Linguagem Humanizada e Acess\u00edvel), criada por Marcia Ditzel Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 o estado de fluxo ou&nbsp;<em>flow<\/em>?<\/strong><br>O&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;acontece quando algu\u00e9m est\u00e1 totalmente concentrado em uma atividade. A pessoa sente prazer e motiva\u00e7\u00e3o, perdendo a no\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existe rela\u00e7\u00e3o entre&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;e autismo?<\/strong><br>Sim. Algumas pessoas autistas relatam experi\u00eancias parecidas com o estado de&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;em suas atividades do dia a dia. Pesquisadores compararam esses relatos com a teoria do&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;para melhorar a compreens\u00e3o da teoria do&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;aut\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que isso importa?<\/strong><br>Essa compara\u00e7\u00e3o ajuda a entender o autismo sem usar uma vis\u00e3o negativa ou patologizante, j\u00e1 que autismo n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a. Tamb\u00e9m mostra que muitos comportamentos fazem sentido no contexto da pessoa autista (alinhamento entre a situa\u00e7\u00e3o e o que est\u00e1 acontecendo na mente daquela pessoa).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os relatos mostram?<\/strong><br>Com base em relatos de autistas, os pesquisadores identificaram quatro pontos importantes:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Autistas t\u00eam uma maneira \u00fanica de descobrir e gerenciar o&nbsp;<em>flow<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li>O&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;aut\u00edstico pode ser diferente do&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;dos modelos tradicionais.<\/li>\n\n\n\n<li>Dificuldades de autistas manterem e sa\u00edrem do<em>&nbsp;flow<\/em>&nbsp;aut\u00edstico tornam importante a necessidade de examinar transi\u00e7\u00f5es para dentro e para fora desse&nbsp;<em>flow.<\/em><\/li>\n\n\n\n<li>Existem barreiras internas (como sobrecarga sensorial) e externas (como falta de apoio) que impedem o&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;aut\u00edstico. Isso mostra um potencial ainda pouco explorado.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os impactos?<\/strong><br>A teoria do&nbsp;<em>flow<\/em>&nbsp;aut\u00edstico pode trazer benef\u00edcios como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Entender melhor o autismo<\/strong>, com explica\u00e7\u00f5es mais humanas e contextualizadas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Criar ambientes mais adequados<\/strong>, especialmente em escolas, pesquisas e a\u00e7\u00f5es voltadas ao bem-estar de autistas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>HEASMAN, Brett&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jtsb.12427\">Towards autistic flow theory: a non-pathologising conceptual approach<\/a>.&nbsp;<strong>Journal for the Theory of Social Behaviour<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], 2024. Dispon\u00edvel em: Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Adaptando a comunica\u00e7\u00e3o com usu\u00e1rios de servi\u00e7os que atendem autistas: adapta\u00e7\u00f5es coproduzidas para servi\u00e7os de sa\u00fade, empregadores e para o terceiro setor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autistas precisam acessar v\u00e1rios servi\u00e7os, como os relacionados \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 assist\u00eancia social e \u00e0 justi\u00e7a.&nbsp;<strong>No entanto, pesquisas com autistas e com seus cuidadores identificaram diversas barreiras na tentativa de acessar esses servi\u00e7os, incluindo a falta de compreens\u00e3o do autismo, a relut\u00e2ncia em fazer adapta\u00e7\u00f5es e as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Norris, Lei e Maras (2024) teve como objetivo desenvolver com autistas adapta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e baseadas em evid\u00eancias para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o entre prestadores de servi\u00e7os e autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em uma revis\u00e3o de evid\u00eancias publicadas em pesquisas atuais, uma lista inicial de adapta\u00e7\u00f5es foi desenvolvida, dividida em quatro categorias: (1)&nbsp;<strong>adaptar o ambiente para reduzir os estressores sensoriais<\/strong>, (2)&nbsp;<strong>facilitar a divulga\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico de autismo (quando desejado)<\/strong>, (3)&nbsp;<strong>adaptar a comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;e (4)&nbsp;<strong>adaptar a informa\u00e7\u00e3o visual\/escrita<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, foi ministrada uma oficina (<em>workshop<\/em>) com a participa\u00e7\u00e3o de autistas para prestadores de servi\u00e7os, ajustando essas adapta\u00e7\u00f5es aos seus setores. Uma grande amostra da comunidade aut\u00edstica tamb\u00e9m avaliou essas adapta\u00e7\u00f5es e teve a chance de fazer suas pr\u00f3prias sugest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os prestadores de servi\u00e7os que participaram da oficina sentiram-se mais confiantes trabalhando e se comunicando com autistas, demonstraram maior conhecimento sobre o autismo e implementaram diversas adapta\u00e7\u00f5es em seus servi\u00e7os. Os resultados da pesquisa envolvendo a comunidade aut\u00edstica indicaram que houve concord\u00e2ncia sobre a utilidade das adapta\u00e7\u00f5es realizadas, sugerindo adapta\u00e7\u00f5es adicionais que gostariam que tamb\u00e9m fossem oferecidas pelos prestadores de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados do estudo de Norris, Lei e Maras (2024) demonstram que as&nbsp;<strong>adapta\u00e7\u00f5es que autistas consideram \u00fateis podem ser implantadas em servi\u00e7os distintos. Isso ajudar\u00e1 n\u00e3o somente autistas, mas tamb\u00e9m seus cuidadores no acesso de servi\u00e7os cruciais e permitir\u00e1 que os provedores de servi\u00e7os ofere\u00e7am um atendimento eficaz a essas pessoas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NORRIS, Jade Eloise; LEI, Jiedi; MARAS, Katie.&nbsp;<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/27546330241266723\">Adapting communication with autistic service users: co-produced adaptations for medical services, employers, and the third sector<\/a>.&nbsp;<strong>Neurodiversity<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 2, p. 1\u201316, 2024. Dispon\u00edvel em: \/doi\/pdf\/10.1177\/27546330241266723?download=true. Acesso em: 6 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Um mundo desafiador e imprevis\u00edvel para autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O autismo \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurodesenvolvimental generalizada, caracterizada por comprometimento da comunica\u00e7\u00e3o e da intera\u00e7\u00e3o social, bem como por altos n\u00edveis de comportamentos repetitivos e ritual\u00edsticos. Esta \u00faltima dimens\u00e3o resulta em grandes dificuldades na vida di\u00e1ria:&nbsp;<strong>relatos cl\u00ednicos de indiv\u00edduos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) mostram que essas pessoas apresentam crises como resposta \u00e0 mudan\u00e7a, ou interesses restritos e comportamentos repetitivos para prevenir ou minimizar a mudan\u00e7a<\/strong>. Essa necessidade crucial de manter a invariabilidade sugere diferen\u00e7as substanciais na forma como o c\u00e9rebro aut\u00edstico prev\u00ea o ambiente e isso pode ter um papel fundamental no d\u00e9ficit revelado em um mundo social altamente imprevis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias linhas de evid\u00eancia indicando dificuldades na gera\u00e7\u00e3o ou no uso de previs\u00f5es no TEA devido ao processamento de informa\u00e7\u00f5es de autistas s\u00e3o apresentadas na revis\u00e3o de Gomot e Wicker (2012). Por exemplo,&nbsp;<strong>diversos estudos revelaram que autistas demonstram um perfil \u00fanico de habilidades cognitivas, com estrat\u00e9gias que dependem em grande parte dos sistemas sensoriais, em detrimento de um processamento mais integrativo, que requer uma consci\u00eancia das sutilezas contextuais necess\u00e1rias para a previs\u00e3o<\/strong>. Em um n\u00edvel mais elementar,&nbsp;<strong>autistas manifestam processamento incomum de eventos imprevis\u00edveis, o que pode estar enraizado em uma diferen\u00e7a b\u00e1sica na forma como o c\u00e9rebro se orienta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a, incluindo novos est\u00edmulos sensoriais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A revis\u00e3o de literatura de Gomot e Wicker (2012) apresenta resultados de estudos que utilizaram t\u00e9cnicas de neuroimagem usadas para estudar a atividade cerebral, como Potenciais Relacionados a Eventos e Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Funcional, ilustrando os mecanismos psicofisiol\u00f3gicos e as bases neurais subjacentes a tais fen\u00f4menos no TEA. Os autores propuseram que tal disfun\u00e7\u00e3o na capacidade de construir previs\u00f5es flex\u00edveis no TEA pode se originar de uma influ\u00eancia descendente prejudicada sobre uma variedade de processamento de informa\u00e7\u00f5es sensoriais e de n\u00edvel superior, uma hip\u00f3tese fisiopatol\u00f3gica que se encaixa em teoria de conectividade cortical.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma tarefa auditiva ativa, pesquisa citada na revis\u00e3o de Gomot e Wicker publicada em 2012 (Gomot&nbsp;<em>et al<\/em>., 2008) demonstrou ativa\u00e7\u00e3o aumentada das regi\u00f5es parietal inferior e pr\u00e9-frontal em autistas em resposta a novos alvos (o L\u00f3bulo Parietal Inferior, segundo pesquisa publicada em 2004 por Jaaskelainen e colaboradores, estaria envolvido no controle pr\u00e9-atencional que determina a extens\u00e3o em que novos est\u00edmulos n\u00e3o atendidos s\u00e3o conscientemente percebidos pela pessoa). Curiosamente, utilizando a mesma sequ\u00eancia auditiva, mas apresentada em condi\u00e7\u00f5es passivas, descobriu-se que o L\u00f3bulo Parietal Inferior foi hipoativado em crian\u00e7as autistas em resposta a novos est\u00edmulos, enquanto essa mesma regi\u00e3o foi hiperativada durante condi\u00e7\u00e3o ativa, de acordo com outra pesquisa (Gomot&nbsp;<em>et al<\/em>., 2006) citada na revis\u00e3o dos dois autores (figura 1, a seguir).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Figura 1.&nbsp;<\/strong>Imagem de pesquisa de Gomot&nbsp;<em>et al<\/em>. (2006) que abordou a detec\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es relacionadas a eventos auditivos por crian\u00e7as autistas<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"357\" height=\"286\" src=\"http:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/05\/Atividade_atipica_do_lobulo_parietal_inferior_esquerdo_associada_a_deteccao_de_novidades_em_criancas_autistas_depende_da_instrucao.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1177\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/05\/Atividade_atipica_do_lobulo_parietal_inferior_esquerdo_associada_a_deteccao_de_novidades_em_criancas_autistas_depende_da_instrucao.png 357w, https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2025\/05\/Atividade_atipica_do_lobulo_parietal_inferior_esquerdo_associada_a_deteccao_de_novidades_em_criancas_autistas_depende_da_instrucao-300x240.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: Gomot e Wicker (2012, p. 243).<\/p>\n\n\n\n<p>A figura 1 ilustra que a atividade at\u00edpica do L\u00f3bulo Parietal Inferior esquerdo associada \u00e0 detec\u00e7\u00e3o de novidades em crian\u00e7as autistas depende da instru\u00e7\u00e3o (condi\u00e7\u00f5es expressando novo est\u00edmulo n\u00e3o atendido e atendido s\u00e3o sinalizadas com cores diferentes).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O poder das previs\u00f5es reside no fato de termos a capacidade de antecipar alguns aspectos espec\u00edficos do contexto, aos quais n\u00e3o precisamos dedicar tanta aten\u00e7\u00e3o, e, portanto, permanecermos com os recursos necess\u00e1rios para explorar nosso ambiente em busca de novidades com as quais possamos aprender e de surpresas que devemos evitar<\/strong>, de acordo com o artigo publicado por Bar em 2009 citado na revis\u00e3o de Gomot e Wicker (2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em evid\u00eancias de Potenciais Relacionados a Eventos, Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Funcional e estudos de conectividade cerebral, Gomot e Wicker (2012) propuseram que a&nbsp;<strong>neurofisiologia do TEA pode ser caracterizada por comprometimento na capacidade de construir previs\u00f5es flex\u00edveis<\/strong>.&nbsp;<strong>Essa incapacidade de esperar novos est\u00edmulos sensoriais e eventos pode levar a dificuldades na percep\u00e7\u00e3o e nas fun\u00e7\u00f5es executivas, como flexibilidade e planejamento<\/strong>. D\u00e9ficits na previs\u00e3o tamb\u00e9m podem explicar diferen\u00e7as conhecidas nos padr\u00f5es de processamento de informa\u00e7\u00f5es locais e globais e levar a uma coer\u00eancia central fraca.<\/p>\n\n\n\n<p>Comportamentos e interesses restritos e repetitivos, assim como rituais e rotinas podem ter significado adaptativo, como compensar a falha em prever eventos e regular a incerteza preservando-se a invariabilidade.&nbsp;<strong>No TEA, a disfun\u00e7\u00e3o da previs\u00e3o baseada no contexto pode prejudicar a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida a um mundo socioemocional em constante mudan\u00e7a<\/strong>.&nbsp;<strong>A incapacidade de prever o futuro relevante levaria a rea\u00e7\u00f5es estressantes e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de superestimula\u00e7\u00e3o, para a qual o \u00fanico rem\u00e9dio seria evitar situa\u00e7\u00f5es sociais complexas e focar em eventos e rotinas altamente previs\u00edveis.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento apresentado por Gomot e Wicker em 2012 foi citado por 261 pesquisas publicadas at\u00e9 maio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>GOMOT, Marie; WICKER, Bruno.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0167876011002832\">A challenging, unpredictable world for people with Autism Spectrum Disorder<\/a>. [<em>s. l.<\/em>], 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0167876011002832?via%3Dihub. Acesso em: 9 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Vivenciando a independ\u00eancia: perspectivas de adultos autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos do autismo est\u00e3o relacionados a dificuldades de funcionamento em m\u00faltiplos dom\u00ednios do desenvolvimento, que frequentemente impactam a independ\u00eancia de uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diferentes maneiras de conceituar e exercer a independ\u00eancia, mas nenhum estudo anterior questionou como adultos autistas fazem isso. O estudo qualitativo de Bhattacharya&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2025) teve como objetivo compreender como adultos autistas definem e vivenciam a independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi elaborada para aprofundar nossa compreens\u00e3o de como adultos autistas consideram e utilizam estrat\u00e9gias de enfrentamento para superar barreiras \u00e0 vida independente e navegar em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel desejado de independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Doze entrevistas semiestruturadas foram conduzidas com adultos autistas residentes no Reino Unido. Os dados foram analisados \u200b\u200bpor meio de an\u00e1lise tem\u00e1tica reflexiva. Os pesquisadores geraram tr\u00eas temas principais. O primeiro tema, \u2018Independ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma \u201csolu\u00e7\u00e3o \u00fanica para todos\u201d\u2019, destaca que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o ou conceito \u00fanico de independ\u00eancia para pessoas autistas; estes s\u00e3o relativos e singularmente individuais. O segundo tema, \u2018\u201dSer autista tem seus contratempos\u201d em um mundo neurot\u00edpico\u2019, descreve os obst\u00e1culos encontrados por adultos autistas que buscam independ\u00eancia em uma sociedade que favorece normas neurot\u00edpicas. O terceiro tema, \u201cEncontrando maneiras de fazer funcionar\u201d, aborda as estrat\u00e9gias que adultos autistas utilizam para alcan\u00e7ar ou manter a independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As seguintes perspectivas relacionadas \u00e0 independ\u00eancia tamb\u00e9m foram identificadas a partir dos(as) participantes do estudo: &nbsp;independ\u00eancia \u2013 uma \u201cnecessidade\u201d e\/ou uma \u201cescolha\u201d; h\u00e1 dimens\u00f5es invis\u00edveis relacionadas \u00e0 independ\u00eancia; impacto da sa\u00fade mental, trauma e abuso; falta de acomoda\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas aut\u00edsticas essenciais; vivendo \u00e0 margem da exaust\u00e3o e sobrecarga; n\u00e3o indo sozinho(a); camuflagem como uma t\u00e9cnica de sobreviv\u00eancia; construindo pontes de empoderamento e compreens\u00e3o, evitar jogar fora o bom com o mau.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados deste estudo fornecem uma base para pesquisas futuras que explorem os dom\u00ednios da independ\u00eancia para adultos autistas. A percep\u00e7\u00e3o da desejabilidade de alcan\u00e7ar diferentes graus de in(ter)depend\u00eancia e a natureza flutuante da autossufici\u00eancia s\u00e3o exploradas por meio da experi\u00eancia vivida. Aumentar a compreens\u00e3o das barreiras e desafios \u00e0 independ\u00eancia tem o potencial de empoderar adultos autistas al\u00e9m de aprimorar servi\u00e7os e suporte.<\/p>\n\n\n\n<p>BHATTACHARYA, P.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10803-025-06812-0\">Experiencing independence: perspectives from autistic adults<\/a>.&nbsp;<strong>Journal of Autism and Developmental Disorders<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], p. 1\u201316, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10803-025-06812-0. Acesso em: 23 abr. 2025.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Incongru\u00eancia relacional em grupos de trabalho neurodiversos:<\/strong> <strong>pr\u00e1ticas para cultivar a autenticidade e o pertencimento de funcion\u00e1rios(as) autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Longmire, Vogus e Colella (2024),<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitas pesquisas tenham buscado entender como funcion\u00e1rios(as) chegam a se alinhar com as normas sociais e rotinas de seus grupos de trabalho, a teoria da gest\u00e3o tem amplamente negligenciado a possibilidade de que tal alinhamento possa estar fundamentalmente em desacordo com o que significa ser autista.<\/p>\n\n\n\n<p>O autismo, que responde por uma grande parcela da neurodiversidade organizacional, est\u00e1 associado a ver e processar o mundo de forma diferente da norma social n\u00e3o-autista (al\u00edstica). No local de trabalho, funcion\u00e1rios(as) autistas frequentemente enfrentam barreiras \u00e0 inclus\u00e3o, em grande parte devido a diferen\u00e7as fundamentais em como eles(as) interagem e se conectam com outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para identificar as barreiras \u00e0 inclus\u00e3o de funcion\u00e1rios(as) autistas no grupo de trabalho, desenvolvemos uma estrutura multin\u00edvel centrada em torno da incongru\u00eancia relacional, que pode ser compreendida como diferen\u00e7as em padr\u00f5es de inter-rela\u00e7\u00e3o entre neurotipos (rela\u00e7\u00e3o entre pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas).<\/p>\n\n\n\n<p>Propomos que normas de grupos de trabalho de pessoas al\u00edsticas (ex.: uso de linguagem imprecisa) agravam a incongru\u00eancia relacional, que por sua vez dificulta experi\u00eancias de autenticidade e pertencimento para o(a) membro autista do grupo de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, identificamos pr\u00e1ticas gerenciais (ex.: cria\u00e7\u00e3o de trabalho relacional) que provavelmente proteger\u00e3o contra as consequ\u00eancias negativas da incongru\u00eancia relacional ao promover climas de grupo de trabalho de vari\u00e2ncia normalizada em padr\u00f5es de inter-relacionamento e entendimentos compartilhados entre pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir encontram-se considera\u00e7\u00f5es de Longmire, Vogus e Colella (2024) sobre o assunto:<\/p>\n\n\n\n<p>.Falta de similaridade entre autistas e pessoas al\u00edsticas produz incongru\u00eancia relacional em d\u00edades (pares) de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Normas de grupo de trabalho de sociabilidade multiplex (muitos elementos constituindo complexa rela\u00e7\u00e3o) intensificam experi\u00eancias de incongru\u00eancia relacional em conex\u00f5es entre autistas e pessoas al\u00edsticas dentro de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Normas de grupo de trabalho de linguagem imprecisa intensificam experi\u00eancias de incongru\u00eancia relacional em conex\u00f5es entre autistas e pessoas al\u00edsticas dentro de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Normas de grupo de trabalho de comunica\u00e7\u00e3o intensiva agravam experi\u00eancias de incongru\u00eancia relacional em conex\u00f5es entre autistas e pessoas al\u00edsticas dentro de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Diferen\u00e7as em padr\u00f5es de inter-rela\u00e7\u00e3o entre pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas leva a uma menor autenticidade para o(a) funcion\u00e1rio(a) autista em pares formados por autistas e pessoas al\u00edsticas;<\/p>\n\n\n\n<p>.Diferen\u00e7as em padr\u00f5es de inter-rela\u00e7\u00e3o entre pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas leva a um menor pertencimento para o(a) funcion\u00e1rio(a) autista em pares formados por autistas e pessoas al\u00edsticas;<\/p>\n\n\n\n<p>.Pr\u00e1ticas gerenciais que encorajam tanto a autonomia em padr\u00f5es individuais de comunica\u00e7\u00e3o quanto a elabora\u00e7\u00e3o de trabalho relacional normalizar\u00e3o a varia\u00e7\u00e3o em padr\u00f5es de inter-relacionamento dentro de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Normaliza\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o em padr\u00f5es de inter-relacionamento proteger\u00e1 contra o efeito negativo da incongru\u00eancia relacional tanto na autenticidade quanto no pertencimento do(a) funcion\u00e1rio(a) autista;<\/p>\n\n\n\n<p>.Pr\u00e1ticas gerenciais que fomentam tanto padr\u00f5es de inter-relacionamento de grupo de trabalho mais expl\u00edcitos (ou seja, menos t\u00e1citos) quanto corretagem relacional (pessoas independentes que estabelecem rela\u00e7\u00f5es entre fronteiras organizacionais ou sociais) moldar\u00e3o entendimentos compartilhados entre neurotipos (ex.: pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas) dentro de grupos de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>.Constru\u00e7\u00e3o de entendimento compartilhado por pessoas aut\u00edsticas e al\u00edsticas proteger\u00e1 contra o efeito negativo da incongru\u00eancia relacional tanto na autenticidade quanto no pertencimento do(a) funcion\u00e1rio(a) autista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>LONGMIRE, N. H.; VOGUS, T. J.; COLELLA, A. Relational incongruence in neurodiverse workgroups: practices for cultivating autistic employee authenticity and belonging. <strong>Human Resource Management<\/strong>, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/hrm.22248\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/hrm.22248<\/a>. Acesso em: 30 ago. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>\u201cN\u00e3o sou louca, m\u00e1 e perigosa\u2026 simplesmente sou conectada de forma diferente\u201d: explorando fatores que contribuem para uma boa qualidade de vida em mulheres autistas<\/strong><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=Acesse%20esta%20p%C3%A1gina:%20https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/nao-sou-louca-ma-e-perigosa-simplesmente-sou-conectada-de-forma-diferente-explorando-fatores-que-contribuem-para-uma-boa-qualidade-de-vida-em-mulheres-autistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/nao-sou-louca-ma-e-perigosa-simplesmente-sou-conectada-de-forma-diferente-explorando-fatores-que-contribuem-para-uma-boa-qualidade-de-vida-em-mulheres-autistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/nao-sou-louca-ma-e-perigosa-simplesmente-sou-conectada-de-forma-diferente-explorando-fatores-que-contribuem-para-uma-boa-qualidade-de-vida-em-mulheres-autistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-59a2014deb2d4ad5c7a3a3b089713476\">De acordo com Paricos&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2024),<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7ab2d39940c9c5d30e437684869f2d1a\">H\u00e1 um reconhecimento crescente da sub-representa\u00e7\u00e3o de mulheres autistas na literatura acad\u00eamica e do impacto disso na compreens\u00e3o, diagn\u00f3stico e suporte. Pesquisas anteriores sugeriram que mulheres autistas t\u00eam pior qualidade de vida (QV) do que a popula\u00e7\u00e3o em geral. No entanto, essas descobertas foram estabelecidas por meio do uso de medidas de QV com base em normas e prioridades n\u00e3o-aut\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-e04d1af5dba004fad6224c3b4b2c8d41\">Este estudo qualitativo&nbsp;usou m\u00e9todos de an\u00e1lise tem\u00e1tica reflexiva&nbsp;<em>bottom-up<\/em>&nbsp;(de baixo para cima) para explorar como dez mulheres autistas definiram uma boa QV e os fatores identificados como essenciais para alcan\u00e7\u00e1-la usando entrevistas individuais semiestruturadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-8145b7eac9b8f85a737237eed52e7b85\">As descobertas indicam quatro temas principais que representam caminhos para uma boa QV: senso positivo de si mesma; sentir-se suportada; autonomia; inclus\u00e3o. Participantes notaram que ser autista em si n\u00e3o era um determinante da redu\u00e7\u00e3o da QV. Em vez disso, a QV das participantes foi sustentada pela extens\u00e3o em que as participantes se compreendiam, que outros entenderam e acomodaram suas necessidades e do ajuste entre a pessoa e o ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b04e4f4355de2636b9c1cc007b62204b\">Os achados do presente estudo se alinham com uma abordagem positiva para a diferen\u00e7a neurol\u00f3gica e t\u00eam implica\u00e7\u00f5es para o diagn\u00f3stico, suporte p\u00f3s-diagn\u00f3stico e aplica\u00e7\u00f5es de medidas atuais de QV para mulheres autistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4f9f106a1cd4e3e0911bd8b01f49b423\">Alguns relatos de acordo com o tema da QV investigado por Paricos&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2024) encontram-se a seguir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Autocompreens\u00e3o e diagn\u00f3stico: \u201cAntes [do diagn\u00f3stico] havia tantos surtos e sil\u00eancios onde eu simplesmente n\u00e3o conseguia dizer uma palavra\u2026 agora sei que eram desligamentos e colapsos (<em>shutdowns<\/em>)\u201d (Jackie).<\/li>\n\n\n\n<li>Suporte apropriado que atendeu \u00e0s necessidades de sa\u00fade mental e neurotipo do indiv\u00edduo: \u201cOutros terapeutas deram\u2026 conselhos mais gerais, [com o especialista em autismo] \u00e9 mais direcionado \u00e0 maneira como eu penso\u201d (Chloe).<\/li>\n\n\n\n<li>Pontos fortes pessoais associados ao senso de prop\u00f3sito: \u201cSe eu n\u00e3o tiver esse contato profundo, se eu n\u00e3o estiver realmente sentindo que estou\u2026 apenas me conectando com as pessoas\u2026 por meio do meu trabalho, ajudando as pessoas\u2026 ent\u00e3o h\u00e1 algo faltando na minha vida\u201d (Eve).<\/li>\n\n\n\n<li>Fonte de apoio da comunidade autista: \u201c\u00c9 como voltar para casa, \u00e9 como encontrar seu povo, sabe, de repente as pessoas pensam como voc\u00ea, voc\u00ea n\u00e3o precisa explicar as coisas para elas\u201d (Grace).<\/li>\n\n\n\n<li>Membros da fam\u00edlia acolhendo o novo diagn\u00f3stico: \u201cSou muito grata \u00e0 minha fam\u00edlia por isso, uma vez que eles souberam\u2026 meu irm\u00e3o em particular, pesquisou muito, eles me ouviram. Eles ouviram o que eu precisava\u201d (Vicky). \u201cFoi muito triste que eles n\u00e3o necessariamente quiseram me apoiar da maneira que eu precisava, apenas tentando entender sobre neurodiverg\u00eancia e, por esse motivo, me entender de uma maneira diferente\u201d (Rachel).<\/li>\n\n\n\n<li>Compreens\u00e3o de profissionais sobre as necessidades aut\u00edsticas ou espec\u00edficas de um indiv\u00edduo: \u201c[Eles] n\u00e3o me explicaram quais eram as op\u00e7\u00f5es. E ent\u00e3o eu disse, \u2018bem, se voc\u00ea n\u00e3o pode me dizer quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o eu n\u00e3o posso te dizer o que voc\u00ea pode fazer por mim\u2019. Ent\u00e3o eles ficaram tipo, \u2018ah, vamos embora ent\u00e3o\u2019. Ent\u00e3o eles simplesmente foram embora\u201d (Lisa).<\/li>\n\n\n\n<li>Relacionamentos rom\u00e2nticos: \u201cSomos melhores amigos e fazemos muitas coisas juntos, nos apoiamos e ajudamos a cuidar de nossas fam\u00edlias juntos\u201d (Eve).<\/li>\n\n\n\n<li>Amizades: \u201cA melhor coisa \u00e9 conversar com outra pessoa autista com o mesmo interesse especial porque voc\u00ea pode falar sem parar sobre isso\u201d (Grace). \u201cH\u00e1 tamb\u00e9m algo sobre n\u00f3s dois sermos muito cuidadosos com nossos pr\u00f3prios cuidados pessoais\u2026 Eu sei que se eu ligar para ele e disser olha, voc\u00ea pode ouvir ou voc\u00ea pode resolver isso, se ele n\u00e3o puder, ele dir\u00e1, e ele sabe o mesmo sobre mim.\u201d (Freya).<\/li>\n\n\n\n<li>Autonomia e ambiente ideal: \u201cViver onde eu quero, como eu quero, fazer meu trabalho dos sonhos\u2026 ter meus gatos, minha harpa, meus amigos. \u00c9 algo que eu tenho criado\u201d (Freya).<\/li>\n\n\n\n<li>Sa\u00fade f\u00edsica: \u201cEstou com muito medo se algo acontecer comigo fisicamente porque estou t\u00e3o acostumada\u2026 a ter a capacidade de fazer tudo, realmente me assustaria [ser dependente], porque seria uma grande mudan\u00e7a na minha vida\u201d (Eve).<\/li>\n\n\n\n<li>Capacidade de efetivar autoacomoda\u00e7\u00f5es: \u201c[o tempo sozinho \u00e9] muito importante, \u00e9 o espa\u00e7o dele, n\u00e3o ter que atuar, apenas ser. \u00c9 muito importante depois da socializa\u00e7\u00e3o porque leva muito tempo de sil\u00eancio para superar\u201d (Jackie).<\/li>\n\n\n\n<li>Sentir-se no controle de seus gastos energ\u00e9ticos (esfor\u00e7o): \u201cA beleza de ser autista \u00e9 que\u2026 se gostamos de algo, podemos realmente nos aprofundar nisso\u2026 ent\u00e3o acho que \u00e9 de certa forma legal se permitir fazer isso\u201d (Chloe).<\/li>\n\n\n\n<li>Capacidade de priorizar interesses especiais: \u201cEles t\u00eam vida pr\u00f3pria, se eu n\u00e3o reservar um tempo para eles, eles me for\u00e7am a fazer isso, em termos de aten\u00e7\u00e3o, e isso me mant\u00e9m em movimento, porque o prazer \u00e9 [proveniente] da euforia com um interesse especial\u201d (Alice).<\/li>\n\n\n\n<li>Compreens\u00e3o al\u00edstica (fora do espectro do autismo) de experi\u00eancias aut\u00edsticas: \u201cParece que sou uma pessoa canhota no mundo de uma pessoa destra\u201d (Eve). \u201cN\u00e3o quero que eles fa\u00e7am julgamentos sobre o que eu posso fazer porque eles t\u00eam um estere\u00f3tipo na cabe\u00e7a sobre o que \u00e9 uma pessoa autista\u201d (Grace).<\/li>\n\n\n\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o das necessidades: \u201cEu disse, muito nervosa, receio n\u00e3o poder trabalhar em uma sala interna, por causa da luz, e eles disseram que tudo bem, vamos apenas trocar voc\u00ea para uma sala com luz natural\u201d (Freya).<\/li>\n\n\n\n<li>Acomoda\u00e7\u00f5es proativas: \u201cSe voc\u00ea for for\u00e7ada a tentar trabalhar de uma forma que envolva muitas de suas fraquezas e n\u00e3o aproveita seus pontos fortes, voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir alcan\u00e7ar muito. Mas se permitirem que algu\u00e9m trabalhe com seus pontos fortes, ele(a) pode ser seu\/sua funcion\u00e1rio(a) que mais se destaca\u201d (Eve).<\/li>\n\n\n\n<li>Inclus\u00e3o relacionada a servi\u00e7os m\u00e9dicos: \u201cEu n\u00e3o deveria ter mencionado que eu era autista, porque eu poderia ter recebido aconselhamento\u2026 eles disseram que n\u00e3o achavam que seus servi\u00e7os seriam capazes de me dar suporte porque eu precisava de um servi\u00e7o mais especializado\u201d (Bethany). \u201cEncontrei um novo terapeuta especializado em\u2026 autismo\u2026 e tamb\u00e9m encontrei um suporte muito bom na minha universidade, eles t\u00eam uma equipe que atua com pessoas com defici\u00eancia muito boa\u201d (Chloe).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PARICOS, A.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1750946724000138?via%3Dihub\">\u201cI\u2019m not mad, bad, and dangerous \u2026 simply wired differently\u201d: exploring factors contributing to good quality of life with autistic women<\/a>.&nbsp;<strong>Research in Autism Spectrum Disorders<\/strong>, v. 112, p. 102338, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Espa\u00e7os sensoriais inclusivos para autistas: precisamos construir a base de evid\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Manning, Williams e MacLennan (2023), <\/p>\n\n\n\n<p>Em vista dos impactos consider\u00e1veis \u200b\u200bque o processamento sensorial pode ter na sa\u00fade mental e na qualidade de vida de pessoas autistas (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2020; PFEIFFER <em>et al.<\/em>, 2005), \u00e9 encorajador ver uma literatura cada vez maior sobre o processamento sensorial autista. No entanto, at\u00e9 o momento, a maioria das pesquisas se concentrou nas caracter\u00edsticas de processamento sensorial dos pr\u00f3prios indiv\u00edduos autistas (por exemplo, PROFF <em>et al.<\/em>, 2022, para revis\u00e3o), com muito menos considera\u00e7\u00e3o dos ambientes sensoriais aversivos que colocam demandas t\u00e3o altas no processamento sensorial de pessoas autistas. No entanto, pessoas autistas nos disseram que os ambientes sensoriais podem ser extremamente opressivos e podem apresentar barreiras para acessar certos lugares como supermercados, restaurantes, grandes lojas, escolas e ambientes m\u00e9dicos (DOHERTY <em>et al.<\/em>, 2022; HOWE, STAGG, 2016; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; PARMAR <em>et al.<\/em>, 2021; WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023). Consequentemente, no Reino Unido (onde estamos sediados), a Estrat\u00e9gia Nacional para Crian\u00e7as, Jovens e Adultos Autistas (2021\u20132026) visa que &#8220;muito mais empresas, servi\u00e7os do setor p\u00fablico e diferentes partes do sistema de transporte se tornem mais inclusivos para o autismo, para que autistas possam acessar esses espa\u00e7os e servi\u00e7os, assim como todas as outras pessoas&#8221; (GOVERNO DO REINO UNIDO, 2021). E internacionalmente, as Na\u00e7\u00f5es Unidas (2022) pediram o fornecimento de espa\u00e7os p\u00fablicos inclusivos e acess\u00edveis para todos at\u00e9 2030, exigindo o equil\u00edbrio de diferentes necessidades de acesso. Essas pol\u00edticas reconhecem a necessidade de adaptar ambientes sensoriais para melhorar a inclus\u00e3o e a sa\u00fade f\u00edsica e mental de autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um n\u00famero crescente de recomenda\u00e7\u00f5es, muitas coproduzidas com autistas, para ajudar organiza\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os a se tornarem mais acess\u00edveis para autistas. Por exemplo, a Equipe Nacional de Desenvolvimento para a Inclus\u00e3o do Reino Unido (NDTI, 2020) divulgou um relat\u00f3rio sobre como atender \u00e0s necessidades sensoriais de jovens autistas em servi\u00e7os de interna\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental, e o <em>ASPECTSS Design Index<\/em> prop\u00f5e sete princ\u00edpios de design para melhorar o ambiente constru\u00eddo para autistas (MOSTAFA, 2015). Mais recentemente, a Institui\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica de Normas (BSI, 2022) publicou o Padr\u00e3o de Design<em> <\/em>sobre Neurodiversidade e Ambiente Constru\u00eddo (PAS 6463), que fornece orienta\u00e7\u00e3o sobre a cria\u00e7\u00e3o de ambientes sensoriais inclusivos para uma variedade de grupos neurodivergentes, a fim de atender \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es sociais e legais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos padr\u00f5es de design, iniciativas foram colocadas em pr\u00e1tica para modificar como os espa\u00e7os s\u00e3o usados \u200b\u200bem todo o mundo com a inten\u00e7\u00e3o de tornar os lugares mais inclusivos sensorialmente para autistas e outras pessoas com diferen\u00e7as de processamento sensorial. Por exemplo, o cord\u00e3o de girassol foi introduzido para permitir que pessoas com defici\u00eancias ocultas comuniquem que podem precisar de suporte ou tempo adicionais em locais p\u00fablicos, como aeroportos (HIDDEN DISABILITIES SUNFLOWER SCHEME,&nbsp;n.d.). V\u00e1rias grandes redes de supermercados e centros de varejo introduziram &#8220;hor\u00e1rios de sil\u00eancio&#8221;, nos quais est\u00edmulos sensoriais s\u00e3o minimizados, por exemplo, desligando a m\u00fasica de fundo e reduzindo o volume nas m\u00e1quinas de pagamento (DE LA FUENTE, WALSH, 2022). Tamb\u00e9m tem havido uma crescente oferta de espa\u00e7os silenciosos designados em locais esportivos e de entretenimento (por exemplo, espa\u00e7os &#8220;sensoriais amig\u00e1veis&#8221; na cidade de Surrey (s.d.), Canad\u00e1; est\u00e1dios de futebol na Copa do Mundo da FIFA [El AKOUM, DYER, 2022]). No teatro, foram introduzidas &#8220;performances relaxadas&#8221;, que reduzem est\u00edmulos sensoriais e fornecem um ambiente sem julgamentos para membros autistas do p\u00fablico (FLETCHER-WATSON, MAY, 2018). Embora essas iniciativas sejam relativamente recentes, autistas h\u00e1 muito consideram esses fatores ao criar espa\u00e7os autistas, como a confer\u00eancia <em>Autscape<\/em> iniciada em 2005 (AUTSCAPE, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foram tomadas medidas para tornar cidades inteiras mais inclusivas para autistas. Clonakilty se tornou a primeira cidade &#8220;amiga do autismo&#8221; da Irlanda depois que uma s\u00e9rie de servi\u00e7os p\u00fablicos, escolas e empresas fizeram mudan\u00e7as para se tornarem mais inclusivas para o autismo (CLONAKILTY, n.d.). O Conselho de Blackpool no Reino Unido come\u00e7ou a desenvolver sua estrat\u00e9gia &#8220;Ambi\u00e7\u00e3o de Blackpool para Autistas &#8220;, com a vis\u00e3o de adotar uma abordagem intersetorial de toda a cidade para permitir o desenvolvimento autista (CONSELHO DE BLACKPOOL, 2022). No Canad\u00e1, uma iniciativa conduzida pela comunidade levou Channel-Port aux Basques\/Newfoundland a receber o <em>status<\/em> oficial de &#8220;amiga do autismo&#8221; (HOWES, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a base de evid\u00eancias emp\u00edricas para substanciar essas diretrizes e iniciativas \u00e9 escassa. Pesquisas identificaram que h\u00e1 m\u00faltiplos fatores que precisam ser considerados ao tornar os espa\u00e7os mais prop\u00edcios para pessoas autistas, e estes v\u00e3o muito al\u00e9m de apenas reduzir a entrada sensorial (DOHERTY <em>et al.<\/em>, 2023; GARNER <em>et al.<\/em>, 2022; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; STOGIANNOS <em>et al.<\/em>, 2022). MacLennan <em>et al.<\/em> (2022) identificaram seis princ\u00edpios que determinam o qu\u00e3o incapacitantes ou habilitadores s\u00e3o os ambientes sensoriais, que incluem (1) a \u2018Paisagem sensorial\u2019 (ou seja, a intensidade e a natureza dos est\u00edmulos sensoriais), (2) Restri\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o, (3) Previsibilidade, (4) Compreens\u00e3o de outros, (5) Ajustes e (6) Oportunidade de recupera\u00e7\u00e3o (ver <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541\">Figura 1<\/a>). Muitos desses princ\u00edpios s\u00e3o capturados em iniciativas e recomenda\u00e7\u00f5es existentes. Por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u2018Previsibilidade\u2019, a BSI (2022) recomendou fornecer mapas sensoriais para tornar os espa\u00e7os mais previs\u00edveis, referindo-se a um exemplo do Museu de Londres\/Reino Unido. Enquanto isso, em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u2018Compreens\u00e3o\u2019, a NDTI (2020) reconheceu a necessidade de aumentar o entendimento da equipe em ambientes de interna\u00e7\u00e3o, e o <em>status<\/em> de cidade \u2018amiga do autismo\u2019 de Clonakilty exigia treinamento da equipe em servi\u00e7os, escolas e empresas. No entanto, a pesquisa de MacLennan <em>et al.<\/em> (2022) exp\u00f4s que alguns ajustes n\u00e3o s\u00e3o adequados ao prop\u00f3sito. Por exemplo, algumas pessoas autistas disseram que os hor\u00e1rios de sil\u00eancio em supermercados s\u00e3o inadequados, pois s\u00e3o pouco frequentes e em hor\u00e1rios inconvenientes, e que o cord\u00e3o do girassol foi frequentemente mal compreendido e n\u00e3o foi eficaz em dar a autistas o apoio que precisam. \u00c9 importante ressaltar que as iniciativas e diretrizes de design n\u00e3o podem ser consideradas como realmente representando a inclus\u00e3o at\u00e9 que autistas confirmem que se sentem inclu\u00eddos(as).<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de uma base de evid\u00eancias muito mais forte para impulsionar mudan\u00e7as pol\u00edticas e garantir que iniciativas e diretrizes sejam eficazes e ben\u00e9ficas para autistas. Precisamos avaliar rigorosamente o impacto das adapta\u00e7\u00f5es implementadas ou recomendadas na disposi\u00e7\u00e3o de autistas irem a espa\u00e7os p\u00fablicos, o qu\u00e3o inclu\u00eddos(as) eles(as) se sentem nesses espa\u00e7os e sua qualidade de vida. Por exemplo, \u00e9 importante testar o impacto das adapta\u00e7\u00f5es recomendadas para ambientes de interna\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental no bem-estar e nas taxas de recupera\u00e7\u00e3o de autistas (WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023). Tamb\u00e9m \u00e9 importante identificar os par\u00e2metros espec\u00edficos subjacentes aos ambientes sensoriais ideais para autistas. Por exemplo, embora os padr\u00f5es visuais tenham sido identificados como desconfort\u00e1veis \u200b\u200bpara muitas pessoas autistas (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2021; PARMAR <em>et al.<\/em>, 2021), faltam pesquisas sistem\u00e1ticas sobre par\u00e2metros visuais precisos (por exemplo, n\u00edveis de contraste) que s\u00e3o particularmente dif\u00edceis e como isso pode variar entre pessoas autistas. Curiosamente, autistas frequentemente relatam desconforto com a ilumina\u00e7\u00e3o LED, mas as vari\u00e1veis \u200b\u200bprecisas que contribuem para esse desconforto, como a taxa de oscila\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram determinadas empiricamente (Buro Happold e NDTI, 2021). Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de import\u00e2ncia urgente, pois a ilumina\u00e7\u00e3o LED est\u00e1 sendo cada vez mais adotada como uma op\u00e7\u00e3o ecologicamente correta. Desenvolver uma base de evid\u00eancias sobre isso ajudar\u00e1 a projetar adapta\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas e destacar quais adapta\u00e7\u00f5es devem ser priorizadas, garantindo, por sua vez, que as organiza\u00e7\u00f5es implementem adapta\u00e7\u00f5es eficazes e adequadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desenvolver esta base de evid\u00eancias crucial, tamb\u00e9m devemos considerar a representatividade e generaliza\u00e7\u00e3o das pesquisas. Estudos sobre ambientes sensoriais e autismo t\u00eam se concentrado at\u00e9 agora principalmente em crian\u00e7as em idade escolar e entre adultos jovens e de meia-idade (por exemplo, BLACK <em>et al.<\/em>, 2022; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; NDTI, 2020; STR\u00d6MBERG <em>et al.<\/em>, 2022). A menos que incluamos uma ampla gama de pessoas, incluindo pessoas autistas mais velhas (MICHAEL, 2016) e aquelas com defici\u00eancias intelectuais, n\u00e3o podemos ter certeza de que os designs e adapta\u00e7\u00f5es funcionar\u00e3o para todos(as). Como as necessidades sensoriais variam entre pessoas autistas, e at\u00e9 mesmo mudam no mesmo indiv\u00edduo ao longo do tempo (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2021), a pesquisa deve considerar como as adapta\u00e7\u00f5es podem ser personalizadas, em vez de serem &#8220;tamanho \u00fanico&#8221; (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022). Onde as adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser flex\u00edveis para atender \u00e0s necessidades individuais, \u00e9 particularmente importante garantir que o que torna o ambiente acess\u00edvel para algumas pessoas autistas n\u00e3o o torne inacess\u00edvel para outras pessoas autistas e, al\u00e9m disso, que as adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o afetem adversamente outros grupos. \u00c9 comumente assumido que as adapta\u00e7\u00f5es feitas para pessoas autistas tamb\u00e9m beneficiar\u00e3o pessoas n\u00e3o autistas (WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023), mas essa suposi\u00e7\u00e3o precisa ser testada empiricamente. Por exemplo, os efeitos da redu\u00e7\u00e3o geral de sons em caixas de autoatendimento ou da redu\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o em supermercados precisariam ser testados cuidadosamente para garantir que essas adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam prejudiciais a outras pessoas, como aquelas com defici\u00eancia auditiva ou visual. No entanto, \u00e9 f\u00e1cil ver como outras modifica\u00e7\u00f5es, como fornecer informa\u00e7\u00f5es antecipadas sobre ambientes sensoriais (por exemplo, fotos em um <em>website<\/em>), tamb\u00e9m podem ajudar outras pessoas, como usu\u00e1rios de cadeira de rodas ou pessoas com ansiedade ou dem\u00eancia, a navegar no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto muitas iniciativas existentes envolvem adapta\u00e7\u00f5es relativamente pequenas a estruturas existentes (por exemplo, hor\u00e1rios de sil\u00eancio em supermercados), o modelo de Design Universal garante que os ambientes sejam constru\u00eddos com pessoas com defici\u00eancia em mente desde o in\u00edcio. A aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do Design<em> <\/em>Universal pode garantir que o design beneficie pessoas com diversas prefer\u00eancias e habilidades, em vez de restringir o foco a pessoas autistas (MILTON <em>et al.<\/em>, 2017). Mais pesquisas baseadas em design, idealmente produzidas ou coproduzidas por pessoas autistas, s\u00e3o necess\u00e1rias para permitir uma abordagem de Design Universal com autistas em mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m precisamos ampliar os contextos estudados, j\u00e1 que pesquisas sobre autismo e o ambiente constru\u00eddo se concentrou principalmente em escolas e lares (BLACK <em>et al.<\/em>, 2022). Mais pesquisas s\u00e3o particularmente necess\u00e1rias em lugares que pessoas autistas gostam de frequentar, o que pode incluir espa\u00e7os ao ar livre, mas tamb\u00e9m est\u00e1dios, casas de espet\u00e1culos e clubes (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022), e considerar as maneiras pelas quais esses lugares podem ser otimizados para as necessidades sensoriais de autistas. Outro cen\u00e1rio a ser considerado em pesquisas futuras \u00e9 o sistema de justi\u00e7a criminal. Embora autistas tenham mais probabilidade de serem v\u00edtimas de crimes do que infratores, pessoas autistas s\u00e3o, no entanto, super-representadas internacionalmente em todas as \u00e1reas do sistema de justi\u00e7a criminal, incluindo pris\u00f5es (BALDRY, 2014; CRIMINAL JUSTICE JOINT INSPECTORATE, 2021). No Reino Unido, uma recente Revis\u00e3o de Inspe\u00e7\u00e3o Conjunta de Justi\u00e7a Criminal de Evid\u00eancias (CRIMINAL JUSTICE JOINT INSPECTORATE, 2021) fez uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es para melhorar os servi\u00e7os para indiv\u00edduos neurodivergentes, incluindo um apelo para criar e habilitar ambientes &#8220;favor\u00e1veis \u200b\u200b\u00e0 neurodiversidade&#8221;. A resposta do Servi\u00e7o Prisional e de Liberdade Condicional de Sua Majestade e do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a (2023) a este relat\u00f3rio reconheceu que eles eram limitados pelos ambientes f\u00edsicos existentes, mas que os futuros programas de constru\u00e7\u00e3o de pris\u00f5es seriam informados pelas evid\u00eancias sobre esses princ\u00edpios de design. Portanto, \u00e9 importante construir esta base de evid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente \u00e9 importante considerar como podemos garantir que os avan\u00e7os obtidos com as pesquisas sejam traduzidos em impacto. Um desafio potencial \u00e9 que pesquisas sobre ambientes sensoriais no autismo seja inerentemente interdisciplinar, abrangendo campos como arquitetura, geografia, psicologia e estudos de defici\u00eancia, bem como as pol\u00edticas e iniciativas existentes em diferentes contextos geogr\u00e1ficos n\u00e3o sejam d\u00edspares e desconectadas. Portanto, um esfor\u00e7o concentrado \u00e9 necess\u00e1rio para conectar conhecimento e pol\u00edticas entre disciplinas e contextos. Tamb\u00e9m \u00e9 importante trabalhar com empresas e provedores de servi\u00e7os para identificar barreiras \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es ao ambiente sensorial e maneiras pelas quais elas podem ser superadas, por exemplo, identificando adapta\u00e7\u00f5es de baixo custo (GARNER <em>et al.<\/em>, 2022). Contudo, para uma mudan\u00e7a significativa, precisamos olhar al\u00e9m das empresas individuais e trabalhar em dire\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as no n\u00edvel de pol\u00edticas e mudan\u00e7as sociais. N\u00e3o s\u00e3o apenas ambientes sensoriais adversos que criam barreiras \u00e0 inclus\u00e3o autista, mas tamb\u00e9m a estigmatiza\u00e7\u00e3o de pessoas autistas que s\u00e3o sobrecarregadas por ambientes sensoriais (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022). Ao construir uma base de evid\u00eancias, podemos identificar as melhores maneiras de tornar os espa\u00e7os mais inclusivos sensorialmente e capacitadores para pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MANNING, C.; WILLIAMS, G.; MACLENNAN, K. Sensory-inclusive spaces for autistic people: we need to build the evidence base. <strong>Autism<\/strong>, v. 27, n. 6, p. 1511\u20131515, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541<\/a>. Acesso em: 5 ago. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong><em>SPACE<\/em> aut\u00edstico: uma nova estrat\u00e9gia para atender necessidades de autistas em ambientes de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Doherty, McCowan e Shaw (2023), <\/p>\n\n\n\n<p>Autistas vivenciam disparidades significativas de sa\u00fade e expectativa de vida reduzida. Barreiras ao acesso \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica e salutar est\u00e3o associadas a resultados prejudiciais \u00e0 sa\u00fade de autistas. O treinamento em autismo e o conhecimento dos profissionais de sa\u00fade sobre autismo s\u00e3o vari\u00e1veis, e a heterogeneidade entre autistas leva a complexidades educacionais e cl\u00ednicas adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O autismo permanece enigm\u00e1tico para muitos profissionais, que n\u00e3o t\u00eam clareza sobre diferen\u00e7as de comunica\u00e7\u00e3o, necessidades de acesso ou experi\u00eancias de vida comuns a autistas. Ambientes de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade podem ser desafiadores para todos(as) os(as) pacientes, mas autistas podem exigir acomoda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para permitir um acesso equitativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Doherty, McCowan e Shaw (2023) desenvolveram uma estrat\u00e9gia simples que pode facilitar servi\u00e7os cl\u00ednicos com equidade em todos os pontos de acesso e atendimento, usando a sigla &#8220;<em>SPACE<\/em>&#8221; (em ingl\u00eas). A sigla abrange cinco necessidades aut\u00edsticas principais: necessidades <strong>S<\/strong>ensoriais, <strong>P<\/strong>revisibilidade, <strong>A<\/strong>ceita\u00e7\u00e3o, <strong>C<\/strong>omunica\u00e7\u00e3o e <strong>E<\/strong>mpatia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas dom\u00ednios adicionais s\u00e3o representados por espa\u00e7o f\u00edsico (necessidade de maior distanciamento para favorecer a toler\u00e2ncia de autistas), espa\u00e7o de processamento (tempo adicional para autistas processarem novas informa\u00e7\u00f5es ou imprevistos) e espa\u00e7o emocional (para evitar sobrecarga sensorial ou emo\u00e7\u00f5es avassaladoras que podem levar ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/a-experiencia-de-meltdowns-vivenciada-por-adultos-autistas\/\">colapso<\/a>\/<em>meltdown<\/em>&nbsp;ou desligamento\/<em>shutdown<\/em>&nbsp;de autistas).<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir encontram-se recomenda\u00e7\u00f5es para apoiar autistas com a proposta&nbsp;<em>SPACE<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>.Vis\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Desligue ou diminua as luzes artificiais<\/li>\n\n\n\n<li>Remova dispositivos ambientais oscilantes ou cintilantes (ex.: luzes que piscam)<\/li>\n\n\n\n<li>Evite decora\u00e7\u00e3o altamente estimulante<\/li>\n\n\n\n<li>Promova o uso de \u00f3culos escuros<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Audi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Considere os sons ambientais<\/li>\n\n\n\n<li>Reduza a desordem auditiva (ex.: ru\u00eddos de fundo)<\/li>\n\n\n\n<li>Evite conversas em ambientes barulhentos<\/li>\n\n\n\n<li>Promova o uso de fones de ouvido com cancelamento de ru\u00eddo e\/ou protetores auriculares<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Olfato:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Evite usar perfume ou cosm\u00e9ticos ou produtos de higiene pessoal altamente perfumados<\/li>\n\n\n\n<li>Evite aeross\u00f3is ou \u201cdesodorizantes de ambiente\u201d qu\u00edmicos<\/li>\n\n\n\n<li>Evite produtos de limpeza com cheiro forte<\/li>\n\n\n\n<li>Considere a ventila\u00e7\u00e3o, abrindo as janelas sempre que poss\u00edvel<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Paladar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Respeite as prefer\u00eancias sensoriais ao considerar a nutri\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Considere o sabor e a textura dos medicamentos<\/li>\n\n\n\n<li>Considere formula\u00e7\u00f5es de medicamentos n\u00e3o padronizadas quando necess\u00e1rio<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Toque:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Verifique as prefer\u00eancias t\u00e1teis e modifique a t\u00e9cnica de exame<\/li>\n\n\n\n<li>Evite o toque casual<\/li>\n\n\n\n<li>Promova escolhas de roupas amistosas \u200b\u200baos sentidos<\/li>\n\n\n\n<li>Use aux\u00edlios sensoriais, como cobertores pesados<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Temperatura:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Considere a temperatura ambiente<\/li>\n\n\n\n<li>Ajuste a temperatura quando necess\u00e1rio<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Propriocep\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Entenda a necessidade de captar e processar est\u00edmulos relacionados \u00e0 propriocep\u00e7\u00e3o (inclusive favorecendo que articula\u00e7\u00f5es e m\u00fasculos sejam mais responsivos)<\/li>\n\n\n\n<li>Evite fazer infer\u00eancias a partir de postura corporal incomum<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Interocep\u00e7\u00e3o e dor:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pergunte diretamente sobre sensa\u00e7\u00f5es internas, mas entenda que a resposta pode ser dif\u00edcil (e mais demorada)<\/li>\n\n\n\n<li>Preste aten\u00e7\u00e3o aos relatos verbais de dor sempre que poss\u00edvel<\/li>\n\n\n\n<li>Esteja ciente de que a express\u00e3o n\u00e3o verbal da dor pode ser diferente<\/li>\n\n\n\n<li>Considere a necessidade de usar escalas de dor adaptadas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Previsibilidade:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Forne\u00e7a informa\u00e7\u00f5es realistas com anteced\u00eancia<\/li>\n\n\n\n<li>Garanta sinaliza\u00e7\u00e3o direcional (ex.: placa) clara e precisa em espa\u00e7os f\u00edsicos<\/li>\n\n\n\n<li>Forne\u00e7a fotografias ou v\u00eddeos do ambiente f\u00edsico e da equipe<\/li>\n\n\n\n<li>Permita a espera em um ambiente familiar, como no pr\u00f3prio carro do\/a autista, ou do lado de fora dos ambientes de sa\u00fade<\/li>\n\n\n\n<li>Garanta que o atendimento seja fornecido por uma equipe familiar ao\/\u00e0 autista sempre que poss\u00edvel<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>.Aceita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Oferte abordagem afirmativa ben\u00e9fica da neurodiversidade<\/li>\n\n\n\n<li>Entenda estereotipias aut\u00edsticas e os padr\u00f5es de pensamento&nbsp;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/qUFDAevkd3E\">monotr\u00f3pico<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>Forne\u00e7a informa\u00e7\u00f5es detalhadas<\/li>\n\n\n\n<li>Entenda comportamentos distressantes\/angustiantes adotados pelo(a) autista<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A sigla&nbsp;<em>SPACE<\/em>&nbsp;\u00e9 simples, mas memor\u00e1vel, abrangendo importantes caracter\u00edsticas compartilhadas por autistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DOHERTY, M.; MCCOWAN, S.; SHAW, S. C. K. Autistic SPACE: a novel framework for meeting the needs of autistic people in healthcare settings.&nbsp;<strong>British Journal of Hospital Medicine<\/strong>, v. 84, n. 4, 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37127416\/\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37127416\/<\/a>. Acesso em: 26 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Compreendendo as prioridades de apoio p\u00f3s-diagn\u00f3stico de adultos autistas no Reino Unido:<\/strong> <strong>um estudo Delphi (modificado) coproduzido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Crowson&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2024), <\/p>\n\n\n\n<p>Adultos autistas no Reino Unido relatam que o apoio para si mesmos(as) e para os seus pares n\u00e3o \u00e9 adequado \u00e0s suas necessidades. Ainda assim, tem havido um aumento no n\u00famero de adultos que recebem diagn\u00f3stico de autismo, que muitas pessoas relataram como impactando positivamente suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a falta de apoio e de compreens\u00e3o ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, combinadas aos longos per\u00edodos de espera por uma avalia\u00e7\u00e3o para obter um diagn\u00f3stico e para acessar o apoio de acompanhamento, apresenta impacto negativo na vida de muitos(as) autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, o presente estudo, realizado para identificar qual tipo de apoio autistas precisam e desejam ap\u00f3s receberem o diagn\u00f3stico, foi projetado de maneira colaborativa, envolvendo tanto um grupo de 10 adultos autistas quanto um grupo de pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Adultos autistas (n = 43) diagnosticados, com 18 anos ou mais de idade, preencheram tr\u00eas question\u00e1rios. Em seguida, um quarto question\u00e1rio foi respondido por 139 autistas que receberam o diagn\u00f3stico na idade adulta. Esses question\u00e1rios tinham como objetivo ajudar as pessoas a identificarem suas prioridades no que diz respeito ao apoio que gostariam de receber ap\u00f3s terem obtido o diagn\u00f3stico de autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Participantes do estudo classificaram como as suas principais prioridades o acesso efetivo ao apoio provido no local onde residem (inclusive possibilitando o combate \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/fadiga-de-acesso-o-trabalho-retorico-da-deficiencia-na-vida-cotidiana\/\">fadiga de acesso<\/a>), a adequada forma\u00e7\u00e3o de profissionais relacionada ao autismo, o apoio para processar o impacto de um diagn\u00f3stico tardio, a utiliza\u00e7\u00e3o do modo de contato preferido (ex.: contato individual) e um plano de apoio personalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados indicam que pol\u00edticas p\u00fablicas e provedores de servi\u00e7os devem considerar como importantes informa\u00e7\u00f5es o que foi altamente valorizado pelos adultos autistas pesquisados(as), contemplando efetiva acessibilidade ao apoio local, treinamento adequado de profissionais que oferecem uma ampla gama de op\u00e7\u00f5es de contato, apoio para autistas processarem seus diagn\u00f3sticos tardios do Transtorno do Espectro do Autismo, bem como ajuda para desenvolver e implementar planos de suporte individualizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CROWSON, S.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Understanding the post-diagnostic support priorities of autistic adults in the United Kingdom: a co-produced modified Delphi study.&nbsp;<strong>Autism<\/strong>, v. 28, n. 4, p. 854\u2013865, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/13623613231196805\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/13623613231196805<\/a>. Acesso em: 22 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>O efeito das rotinas de sono-vig\u00edlia nos estados emocionais negativos e nos comportamentos agressivos em adultos com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) durante o surto de COVID-19<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Levante&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2022), <\/p>\n\n\n\n<p>A &nbsp;interrup\u00e7\u00e3o da rotina pode estar relacionada \u00e0 viv\u00eancia de estados emocionais negativos e comportamentos agressivos em autistas. O confinamento devido \u00e0 COVID-19 contribuiu para a perturba\u00e7\u00e3o das rotinas dos indiv\u00edduos, incluindo o ciclo sono-vig\u00edlia. O presente estudo testou uma rela\u00e7\u00e3o entre a ades\u00e3o \u00e0 rotina sono-vig\u00edlia e comportamentos agressivos por meio do papel mediador de estados emocionais negativos (ansiedade e raiva).<\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta e tr\u00eas pais de adultos autistas preencheram um question\u00e1rio&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de vida durante o primeiro per\u00edodo de confinamento (abril-maio \u200b\u200bde 2020). An\u00e1lises preliminares mostraram uma piora nos comportamentos agressivos dos adultos durante o confinamento em compara\u00e7\u00e3o com antes desse per\u00edodo (Z = \u22123,130; p = 0,002). Nos modelos de media\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre a ades\u00e3o \u00e0s rotinas de sono-vig\u00edlia e os comportamentos agressivos foi significativa. Os modelos mostraram as rela\u00e7\u00f5es mediadas hipot\u00e9ticas entre a ades\u00e3o \u00e0s rotinas de sono-vig\u00edlia, estados emocionais negativos e comportamentos agressivos (Modelo 1: F (1, 41) = 10,478, p &lt; 0,001; Modelo 2: F (1, 41) = 9,826, p = 0,003).<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados confirmaram o potencial papel protetor da ades\u00e3o \u00e0s rotinas de sono-vig\u00edlia para o ajustamento emocional e comportamental de adultos com autismo. Foram discutidas as contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas do estudo; de fato, os resultados podem colaborar para o aconselhamento dos pais, bem como para programas de interven\u00e7\u00e3o para autistas, uma vez que a higiene adequada do sono pode contribuir para melhorias nos comportamentos de internaliza\u00e7\u00e3o\/externaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>LEVANTE, A.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/1660-4601\/19\/9\/4957\">The effect of sleep\u2013wake routines on the negative emotional states and aggressive behaviors in adults with Autism Spectrum Disorders (ASD) during the COVID-19 outbreak<\/a>.&nbsp;<strong>International Journal of Environmental Research and Public Health<\/strong>, v. 19, n. 9, p. 4957, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Uma an\u00e1lise dos h\u00e1bitos de leitura de adultos autistas em compara\u00e7\u00e3o com adultos neurot\u00edpicos e implica\u00e7\u00f5es para interven\u00e7\u00f5es futuras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Chapple <em>et al.<\/em> (2021), <\/p>\n\n\n\n<p>Embora pesquisas tenham destacado consistentemente a utilidade dos textos narrativos para o desenvolvimento social, isto n\u00e3o foi totalmente explorado com adultos autistas. H\u00e1 muito se sup\u00f5e que autistas n\u00e3o t\u00eam compreens\u00e3o social para contemplar a fic\u00e7\u00e3o, preferindo a n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo teve como objetivo explorar os h\u00e1bitos de leitura autorreferidos de adultos autistas em compara\u00e7\u00e3o com adultos neurot\u00edpicos, levando em conta demandas educacionais mais elevadas. Foi utilizado um desenho qualitativo, com 43 participantes (22 autistas; 21 neurot\u00edpicos) preenchendo um question\u00e1rio sobre h\u00e1bitos de leitura e posterior entrevista semiestruturada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes neurot\u00edpicos tenderam a preferir a fic\u00e7\u00e3o, com os participantes autistas n\u00e3o mostrando prefer\u00eancia entre fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o. Quatro temas foram identificados a partir dos dados das entrevistas (1) escolhas de materiais de leitura; (2) investimento no texto; (3) compreens\u00e3o social do texto; e (4) leitura como dispositivo social de aprendizagem. Ambos os grupos relataram evid\u00eancias de empatia, tomada de perspectiva e compreens\u00e3o social durante a leitura. O grupo autista adicionalmente relatou resultados de aprendizagem social decorrentes da leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados contradizem suposi\u00e7\u00f5es anteriores de que os indiv\u00edduos autistas carecem da compreens\u00e3o social exigida pela fic\u00e7\u00e3o. Em vez disso, os resultados mostram que os benef\u00edcios sociais dos textos narrativos se estendem aos leitores autistas, proporcionando importantes experi\u00eancias de aprendizagem social.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas deste estudo contestam suposi\u00e7\u00f5es anteriores de que autistas n\u00e3o gostam de fic\u00e7\u00e3o (Baron-Cohen et al., 2001). Os presentes achados concordaram e expandiram o artigo de Barnes (2012), mostrando uma prefer\u00eancia igual por fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o nos adultos autistas inclu\u00eddos nesta pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas descobertas tamb\u00e9m criticam suposi\u00e7\u00f5es anteriores excessivamente simples relacionadas \u00e0s dificuldades emp\u00e1ticas e da Teoria da Mente (ToM, em ingl\u00eas) em autistas (Baron-Cohen, 1997). Os participantes de todos os grupos demonstraram respostas de texto afetivas e emp\u00e1ticas, bem como uma capacidade de assumir a perspectiva dos personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta pesquisa descobriu-se que leitores adultos autistas demonstraram uma aprecia\u00e7\u00e3o profunda pela literatura narrativa, tornando poss\u00edveis investimentos emocionais e uma compreens\u00e3o social mais ampla. Isto, juntamente com as descobertas sobre a aprendizagem social vivenciada pelos participantes autistas, mostra que a leitura \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o de apoio potencialmente vantajosa para adultos autistas que desejam construir a sua confian\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a leitura pode ser uma ferramenta importante para interven\u00e7\u00f5es de dupla empatia, para melhorar a <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/pagina-4\/\">compreens\u00e3o social m\u00fatua entre grupos autistas e neurot\u00edpicos<\/a> (Milton, 2012) e como meio de reduzir a solid\u00e3o. No entanto, mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para explorar como a leitura poderia ser implementada no paradigma da dupla empatia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CHAPPLE, M. <em>et al.<\/em> <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0891422221001529?via%3Dihub\">An analysis of the reading habits of autistic adults compared to neurotypical adults and implications for future interventions<\/a>. <strong>Research in Developmental Disabilities<\/strong>, v. 115, p. 104003, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Experi\u00eancias de sobrecarga sensorial e barreiras de comunica\u00e7\u00e3o de adultos autistas<\/strong> <strong>em ambientes de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Str\u00f6nberg&nbsp;<em>et al.&nbsp;<\/em>(2022), <\/p>\n\n\n\n<p>As necessidades de cuidados de sa\u00fade dos adultos autistas muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o atendidas. Isto pode contribuir para piores resultados de sa\u00fade em adultos autistas em compara\u00e7\u00e3o com adultos n\u00e3o autistas. As diferen\u00e7as aut\u00edsticas podem n\u00e3o ser \u00f3bvias neste grupo devido a estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o comportamental. Os(as) prestadores(as) de servi\u00e7os relacionados \u00e0 sa\u00fade podem subestimar as necessidades de apoio dos adultos autistas, levando \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da qualidade dos cuidados. Ao analisar as experi\u00eancias de adultos autistas podemos compreender melhor as barreiras a cuidados de sa\u00fade eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da pesquisa de Str\u00f6nberg&nbsp;<em>et al.&nbsp;<\/em>(2022) foi identificar padr\u00f5es de experi\u00eancias sensoriais e comunicativas que os adultos autistas consideram problem\u00e1ticos em ambientes de sa\u00fade. Por meio de question\u00e1rio&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;foi perguntado a adultos autistas e n\u00e3o autistas como eles vivenciavam v\u00e1rios ambientes m\u00e9dicos. Foram investigadas informa\u00e7\u00f5es sensoriais espec\u00edficas, como n\u00edveis de luz e sons de fundo, em salas de espera e outros contextos m\u00e9dicos, al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o entre pacientes e prestadores(as) de servi\u00e7os de sa\u00fade. Foi realizada an\u00e1lise qualitativa das respostas (texto livre) sobre ambientes sensoriais para ambos os grupos e sobre comunica\u00e7\u00e3o para o grupo autista.<\/p>\n\n\n\n<p>Participaram deste estudo 98 pessoas, dentre as quais 62 eram autistas. A maior parte era composta por mulheres ou pessoas de g\u00eanero diversificado, por pessoas de meia-idade e com boa escolaridade. Os(as) participantes autistas identificaram os est\u00edmulos auditivos como um dos maiores estressores em ambientes m\u00e9dicos. Eles(as) discutiram o impacto dos n\u00edveis de luz e da presen\u00e7a de outras pessoas nos seus n\u00edveis de energia, bem como na sua capacidade de comunica\u00e7\u00e3o. Os(as) prestadores de servi\u00e7os de sa\u00fade muitas vezes interpretavam mal seus\/suas pacientes autistas, levando a uma falha na transfer\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Os(as) participantes descreveram como esses(as) prestadores(as) subestimavam as suas necessidades, mesmo quando estavam cientes do diagn\u00f3stico de autismo. Participantes queriam que as informa\u00e7\u00f5es fossem providas em um ritmo mais lento e com maior quantidade de detalhes para serem mais capazes de processar informa\u00e7\u00f5es ou procedimentos m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo em quest\u00e3o contribui com informa\u00e7\u00f5es sobre desafios sensoriais espec\u00edficos e sugere que o ru\u00eddo captado pela audi\u00e7\u00e3o de autistas \u00e9 particularmente problem\u00e1tico. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, os resultados apontam para o problema de dupla empatia, no qual as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es do(a) prestador(a) de servi\u00e7o de sa\u00fade contribuem significativamente para as barreiras de comunica\u00e7\u00e3o. Isto ficou evidente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-verbal, na qual as expectativas do(a) prestador(a) de servi\u00e7o de sa\u00fade sobre a linguagem corporal neurot\u00edpica causaram mal-entendidos dif\u00edceis de superar.<\/p>\n\n\n\n<p>A amostra era pequena e compreendia um grupo demogr\u00e1fico etnicamente restrito. Assim, os resultados n\u00e3o s\u00e3o generaliz\u00e1veis \u200b\u200bpara outras popula\u00e7\u00f5es autistas, como adultos minimamente verbais. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi investigado o estado de sa\u00fade al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es diagnosticadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias das barreiras sensoriais e comunicativas podem passar totalmente despercebidas quando as diferen\u00e7as aut\u00edsticas n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis. Intera\u00e7\u00f5es malsucedidas com o sistema de sa\u00fade podem ter enormes efeitos na sa\u00fade e na qualidade de vida de autistas. Portanto, educadores(as) e prestadores(as) de servi\u00e7os de sa\u00fade podem usar as perspicazes informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos participantes autistas deste estudo para informar decis\u00f5es relacionadas ao treinamento de pessoal ou ao<em>&nbsp;design<\/em>&nbsp;de ambientes sensoriais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>STR\u00d6MBERG, M.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;Experiences of sensory overload and communication barriers by autistic adults in health care settings.&nbsp;<strong>Autism in adulthood: challenges and management<\/strong>, v. 4, n. 1, p. 66\u201375, 2022. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/36600905\/\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/36600905\/<\/a>. Acesso em: 5 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Transtorno do Espectro do Autismo e Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico: uma coocorr\u00eancia inexplorada de condi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Haruvi-Lamdan <em>et al.<\/em> (2020), <\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam um risco aumentado de vivenciar eventos potencialmente traum\u00e1ticos e particularmente, vitimiza\u00e7\u00e3o social. No entanto, a coocorr\u00eancia de TEA e Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico (TEPT) foi pouco estudada.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que coocorr\u00eancia \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o atualmente utilizada para caracterizar a ocorr\u00eancia de mais de uma condi\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, como autismo e Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade (TDAH), substituindo o termo comorbidade (MONK; WHITEHOUSE; WADDINGTON, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Haruvi-Lamdan <em>et al.<\/em> (2020) examinaram a exposi\u00e7\u00e3o a eventos potencialmente traum\u00e1ticos durante a vida e sintomas de TEPT em adultos autistas e em adultos t\u00edpicos. Os 25 adultos autistas e os 25 adultos t\u00edpicos estudados apresentaram idade e sexo compar\u00e1veis. Os participantes relataram eventos de vida potencialmente traum\u00e1ticos de natureza social e n\u00e3o social, al\u00e9m de sintomas de TEPT relacionados ao evento mais angustiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostraram taxas mais altas de prov\u00e1vel TEPT no grupo do TEA (32%) em compara\u00e7\u00e3o ao grupo de adultos t\u00edpicos (4%). Indiv\u00edduos com TEA relataram mais sintomas de TEPT, particularmente repeti\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o vivenciada (reexperi\u00eancia) e hiperexcita\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com adultos t\u00edpicos, embora este \u00faltimo resultado tenha sido elevado apenas em mulheres autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes com TEA, especialmente mulheres autistas, relataram mais eventos de vida negativos, particularmente eventos sociais, do que os adultos t\u00edpicos. Sessenta por cento dos participantes autistas, mas apenas 20% dos adultos t\u00edpicos, indicaram um evento social como o evento mais angustiante. Indiv\u00edduos com TEA e coocorr\u00eancia de prov\u00e1vel TEPT apresentaram habilidades sociais mais pobres em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que eram apenas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados indicam aumento da vulnerabilidade de autistas ao trauma e ao TEPT especialmente devido a fatores sociais distressantes (estresse negativo). Mulheres autistas podem ser particularmente vulner\u00e1veis \u200b\u200bao TEPT.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>HARUVI-LAMDAN, N. <em>et al.<\/em> Autism Spectrum Disorder and Post-Traumatic Stress Disorder: an unexplored co-occurrence of conditions. <strong>Autism<\/strong>, v. 24, n. 4, p. 884\u2013898, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/1362361320912143\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/1362361320912143<\/a>. Acesso em: 02 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>MONK, R.; WHITEHOUSE, A. J. O.; WADDINGTON, H. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/36184384\/\">The use of language in autism research<\/a>. <strong>Trends in Neurosciences<\/strong>, v. 45, n. 11, p. 791\u2013793, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>Fadiga de acesso: o trabalho ret\u00f3rico da defici\u00eancia na vida cotidiana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fadiga de acesso, no ensaio de Konrad (2021), \u00e9 contemplada ao:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mostrar (p. 180) \u201c[&#8230;] como a procura pelo acesso exige que as pessoas com defici\u00eancia alternem constantemente entre a autoinven\u00e7\u00e3o e a autopreserva\u00e7\u00e3o, porque inventar um eu que seja adequado para o envolvimento p\u00fablico requer confrontar a forma como as outras pessoas pensam e sentem sobre a defici\u00eancia, o que, por sua vez, pode reinformar o pr\u00f3prio senso de identidade. Na pr\u00e1tica, ent\u00e3o, nem toda troca vale o esfor\u00e7o [&#8230;]\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Salientar que (p. 180) \u201cas pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o frequentemente encorajadas a defender o seu pr\u00f3prio acesso sem considerar o trabalho mental e emocional necess\u00e1rio para faz\u00ea-lo.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Identificar quatro dimens\u00f5es exaustivas necess\u00e1rias ao acesso (p. 182): \u201c[&#8230;] (1) inventando um eu deficiente que seja adequado para o envolvimento p\u00fablico, uma atividade que pode envolver (2) confrontar as rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico \u00e0 defici\u00eancia, o que pode reinformar o sentido de identidade de uma pessoa com defici\u00eancia e ser t\u00e3o desgastante que ela precise preservar a sua pr\u00f3pria energia (3) pesando o valor de cada troca e (4) ensinando outros a participarem do acesso.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Exibir (p. 183) \u201c[&#8230;] como o acesso relaciona-se tanto com as outras pessoas, seus pensamentos e sentimentos sobre a defici\u00eancia, quanto com as pr\u00f3prias necessidades das pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Demonstrar (p. 184) \u201c[&#8230;] como a busca pelo acesso necessita de uma esp\u00e9cie de trabalho de diversidade, uma pedagogia ret\u00f3rica da interdepend\u00eancia neste caso, no qual as pessoas com defici\u00eancia t\u00eam que ensinar e reensinar constantemente formas n\u00e3o normativas de ser e de se movimentar no espa\u00e7o social.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Fornecer (p. 184) \u201c[&#8230;] uma estrutura para perceber os h\u00e1bitos cotidianos que todos n\u00f3s temos e que tornam o trabalho de busca pelo acesso intensamente desgastante mental e emocionalmente para as pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Mostrar (p. 184-185) \u201c[&#8230;] como o acesso depende tanto da autoinven\u00e7\u00e3o como da autopreserva\u00e7\u00e3o. Por meio da fadiga de acesso, podemos ver como a marginaliza\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o s\u00e3o experi\u00eancias de simultaneamente agir e atrair, falar e calar, aparecer e ficar em casa, porque as l\u00f3gicas que estruturam os nossos h\u00e1bitos de envolvimento com a diferen\u00e7a dependem das pr\u00f3prias atividades ret\u00f3ricas dos indiv\u00edduos e da capacidade de lidar com as consequ\u00eancias de faz\u00ea-lo. A fadiga de acesso nos sintoniza com as maneiras pelas quais as exig\u00eancias cotidianas de ret\u00f3rica se acumulam e provocam momentos de envolvimento e descomprometimento, mostrando como tanto a autoinven\u00e7\u00e3o como a autopreserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para responder \u00e0s l\u00f3gicas de responsabilidade individual pelo acesso. Ao basear-se em estudos anteriores sobre ra\u00e7a, g\u00eanero e defici\u00eancia, a fadiga de acesso participa do imperativo de compreender melhor as condi\u00e7\u00f5es sociais que pressionam as pessoas com defici\u00eancia a confiarem em si mesmas &#8211; em vez de em todas as pessoas e na sua participa\u00e7\u00e3o c\u00famplice em sistemas de poder que criam espa\u00e7os inacess\u00edveis. Em vez de depender das pessoas com defici\u00eancia para continuarem a satisfazer as expectativas do p\u00fablico, a fadiga de acesso proporciona meios para identificar os h\u00e1bitos e as estruturas que precisam de mudar para apoiar uma vida p\u00fablica mais inclusiva.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Descrever, superficialmente, essa forma de capacitismo como (p. 187) \u201ca exaust\u00e3o f\u00edsica e mental que resulta do trabalho de buscar acesso.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>KONRAD, A. M. Access fatigue: the rhetorical work of disability in everyday life. <strong>College English<\/strong>, v. 83, n. 3, p. 21, 2021. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/publicationsncte.org\/docserver\/fulltext\/ce\/83\/3\/collegeenglish31093.pdf?expires=1718668897&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=ABFE4693182F9D2609CF3B9BECAFC426\"> https:\/\/publicationsncte.org\/docserver\/fulltext\/ce\/83\/3\/collegeenglish31093.pdf?expires=1715980129&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=DDFCCB431C37C65B2BF6C80A0419FED8<\/a>. Acesso em: 10 abr. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>O autismo representa o pr\u00f3ximo est\u00e1gio da evolu\u00e7\u00e3o humana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seu artigo te\u00f3rico, Diviricean (2018) informa que <\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios especialistas na \u00e1rea do Transtorno do Espectro do Autismo responderiam firmemente \u201csim\u201d \u00e0 quest\u00e3o \u201cO autismo poderia representar o pr\u00f3ximo est\u00e1gio da evolu\u00e7\u00e3o humana?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os defensores dessa ideia referem-se especificamente \u00e0queles indiv\u00edduos que fazem parte do espectro, mas sem defici\u00eancia intelectual, embora n\u00e3o exista uma teoria bem definida e demonstrada para essa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas pessoas com autismo t\u00eam habilidades de mem\u00f3ria excepcionais, alta acuidade em sentidos como vis\u00e3o, paladar e olfato, bem como um n\u00edvel de compreens\u00e3o altamente desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de algumas dessas compet\u00eancias na sociedade teria desempenhado um papel vital no desenvolvimento geral da humanidade ao transmitir as descobertas feitas por essas pessoas \u00e0s suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa l\u00f3gica \u00e9 sugerida em relat\u00f3rio antropol\u00f3gico publicado em 2016 na revista acad\u00eamica \u2018Tempo e Mente\u2019 por Spikins, Wright e Hodgson, pesquisadores da Universidade de York.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DIVIRICEAN, M. <a href=\"https:\/\/www.rjcbth.ro\/image\/data\/v5-12\/V5I1-2_Article%205_RJCBTH_2018.pdf\">Does autism represent the next stage of human evolution?<\/a> <strong>Romanian Journal of Cognitive Behavioral Therapy and Hypnosis<\/strong>, v. 5, n. 1\u20132, p. 1\u20137, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>A experi\u00eancia de <em>meltdowns<\/em> vivenciada por adultos autistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como ainda \u00e9 relativamente desconhecida a sensa\u00e7\u00e3o de uma pessoa com autismo ter um <em>meltdown<\/em> (colapso, explos\u00e3o), Lewis e Stevens (2023) entrevistaram 32 adultos autistas, registrando pensamentos e sentimentos sobre como \u00e9 vivenciar essa terr\u00edvel experi\u00eancia<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos diferentes significados provenientes de pessoas \u00fanicas, a maioria relatou ficar sobrecarregada por informa\u00e7\u00f5es, est\u00edmulos sensoriais, estresse social e estresse emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas com autismo inclusive descreveram uma sensa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o devido a mudan\u00e7as no planejamento ou na rotina, \u00e0s suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es ou a outras tens\u00f5es que levaram ao &nbsp;<em>meltdown<\/em>. Exemplos dessas situa\u00e7\u00f5es inclu\u00edram estar em atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica movimentada, receber um mau atendimento ao cliente, sentir-se decepcionado(a) por um(a) parceiro(a) ou amigo(a) e ter uma profunda discuss\u00e3o filos\u00f3fica em sala de aula. Muitos at\u00e9 descreveram cenas nas quais os fatores estressores eram agrupados, como quando se sentiram sobrecarregados(as) por est\u00edmulos sensoriais e suas estrat\u00e9gias para superarem a situa\u00e7\u00e3o provocaram aten\u00e7\u00e3o social indesejada, aumentando seu distresse (estresse negativo).<\/p>\n\n\n\n<p>Eles(as) relataram que emo\u00e7\u00f5es extremas, como raiva, tristeza e medo, frequentemente eram experimentadas durante o&nbsp;<em>meltdown<\/em>, al\u00e9m de vivenciarem&nbsp;dificuldade com processamento de pensamentos e mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos(as) descreveram ter uma raiva incontrol\u00e1vel durante o&nbsp;<em>meltdown<\/em>, desconhecendo como processar a intensidade das suas emo\u00e7\u00f5es. Eles(as) igualaram suas emo\u00e7\u00f5es a dores f\u00edsicas, como uma dor c\u00edclica sem possibilidade de ser interrompida ou como se sangrassem e ningu\u00e9m pudesse ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, participantes do estudo relataram que tentavam manter o autocontrole, apesar de muitas vezes sentirem que n\u00e3o eram eles(as) pr\u00f3prios(as) durante os&nbsp;<em>meltdowns.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esses(as) autistas descreveram o <em>meltdown<\/em> como um modo de extravasar as extremas emo\u00e7\u00f5es que sentiam, tentando afastar-se de pessoas e outras fontes que poderiam desencadear o <em>meltdown <\/em>ou certificando-se de que estariam sozinhos(as) se percebiam que um <em>meltdown<\/em> poderia acontecer a fim de evitarem danos, inclusive aos seus pr\u00f3prios corpos, suas emo\u00e7\u00f5es e seus relacionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados dessa pesquisa oferecem importante entendimento sobre <em>meltdowns<\/em> de adultos(as) autistas, a partir de seus pontos de vista<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>LEWIS, L. F.; STEVENS, K. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/367054654_The_lived_experience_of_meltdowns_for_autistic_adults\">The lived experience of meltdowns for autistic adults<\/a>. <strong>Autism<\/strong>, v. 27, n. 6, p. 1817\u20131825, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613221145783?url_ver=Z39.88-2003&amp;rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&amp;rfr_dat=cr_pub++0pubmed. Acesso em: 14 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>&#8220;Ter todos os seus recursos internos esgotados al\u00e9m do limite e ficar sem equipe de limpeza&#8221;: definindo o <em>burnout<\/em> autista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que o estudo de Raymaker <em>et al.<\/em> (2020) foi feito?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>burnout<\/em> autista \u00e9 muito discutido entre autistas, mas n\u00e3o foi formalmente abordado por pesquisadores. \u00c9 uma quest\u00e3o importante para a comunidade autista porque \u00e9 descrita como causadora de sofrimento, com preju\u00edzos no contexto do trabalho, da escola, da sa\u00fade e da qualidade de vida, podendo at\u00e9 levar a comportamento suicida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual foi o objetivo do estudo de Raymaker <em>et al.<\/em> (2020)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo em quest\u00e3o teve como objetivo caracterizar o <em>burnout<\/em> autista, entender como \u00e9, o que as pessoas acham que o causa e o que ajuda as pessoas a se recuperarem ou prevenirem. \u00c9 um primeiro passo para come\u00e7ar a compreender o <em>burnout<\/em> autista bem o suficiente para abord\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os(as) pesquisadores fizeram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O grupo de pesquisa de Raymaker <em>et al.<\/em> (2020) -Parceria Acad\u00eamica do Espectro do Autismo em Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o- utilizou uma abordagem de pesquisa participativa baseada na comunidade com a comunidade autista em todas as fases do estudo. Foram analisadas nove entrevistas do referido estudo sobre emprego, dez entrevistas sobre <em>burnout<\/em> autista e 19 fontes p\u00fablicas da <em>internet <\/em>(cinco em profundidade). Foram recrutados participantes nos Estados Unidos da Am\u00e9rica por meio de divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais, boca a boca e por conex\u00f5es comunit\u00e1rias. Ao serem analisadas as entrevistas foi contemplado o que as pessoas expuseram e em um contexto social mais profundo, procurando nos dados temas fortemente expressivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais foram os resultados do estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As principais caracter\u00edsticas do <em>burnout<\/em> autista foram exaust\u00e3o cr\u00f4nica, perda de habilidades e toler\u00e2ncia reduzida a est\u00edmulos. Os participantes descreveram o <em>burnout<\/em> como causado por fatores de estresse da vida que se somaram \u00e0 carga cumulativa que experienciaram, bem como por barreiras que proporcionaram incapacidade de obter al\u00edvio da carga vivenciada. Essas press\u00f5es fizeram com que as expectativas superassem as habilidades, resultando em <em>burnout<\/em> autista. A partir disso, Raymaker <em>et al.<\/em> (2020) criaram a seguinte defini\u00e7\u00e3o: <em>burnout <\/em>autista \u00e9 uma s\u00edndrome resultante do estresse cr\u00f4nico da vida e de uma incompatibilidade entre expectativas e habilidades sem suporte adequado. Esse <em>burnout<\/em> espec\u00edfico \u00e9 caracterizado por exaust\u00e3o generalizada e de longo prazo (normalmente mais de tr\u00eas meses), perda de fun\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia reduzida a est\u00edmulos. Participantes descreveram impactos negativos em suas vidas, abrangendo sa\u00fade, capacidade de vida independente, qualidade de vida e comportamento suicida. Eles(as) tamb\u00e9m discutiram a falta de empatia por parte de pessoas neurot\u00edpicas. Participantes tiveram ideias para promover a recupera\u00e7\u00e3o do <em>burnout<\/em> autista, incluindo aceita\u00e7\u00e3o e apoio social, folga\/redu\u00e7\u00e3o das expectativas e intera\u00e7\u00f5es sem mascaramento (atuando de maneira autenticamente aut\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como essas descobertas s\u00e3o somadas ao que j\u00e1 era conhecido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora h\u00e1 dados mais expl\u00edcitos sobre o <em>burnout<\/em> autista, que se refere a um conjunto claro de caracter\u00edsticas e \u00e9 diferente do <em>burnout<\/em> ocupacional e da depress\u00e3o cl\u00ednica. A partir dos resultados da pesquisa, existe um in\u00edcio de modelo que explica o motivo pelo qual o <em>burnout<\/em> autista pode acontecer. E como foram identificadas pessoas que conseguiram recuperar-se do <em>burnout<\/em> autista, houve identifica\u00e7\u00e3o das suas estrat\u00e9gias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os potenciais pontos fracos do estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse pequeno estudo explorat\u00f3rio teve amostragem por conveni\u00eancia. Embora Raymaker <em>et al.<\/em> (2020) tenham trazido alguma diversidade ao serem utilizadas tr\u00eas fontes de dados, trabalhos futuros beneficiariam a \u00e1rea ao entrevistarem uma gama mais ampla de participantes, especialmente aqueles que n\u00e3o s\u00e3o brancos, t\u00eam maiores necessidades de apoio e t\u00eam n\u00edveis de escolaridade muito elevados ou muito baixos. Mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para entender como medir, prevenir e tratar o <em>burnout<\/em> autista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como essas descobertas ajudar\u00e3o os adultos autistas agora ou no futuro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os achados dessa pesquisa validam a experi\u00eancia de adultos autistas. Compreender o <em>burnout<\/em> autista pode levar a maneiras de ajudar a alivi\u00e1-lo ou preveni-lo. As descobertas podem ajudar terapeutas e outros profissionais a reconhecerem o <em>burnout<\/em> autista, bem como os perigos potenciais de ensinar pessoas autistas a mascararem tra\u00e7os autistas. Os programas de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio devem considerar o papel potencial do <em>burnout<\/em>. Essas descobertas destacam a necessidade de reduzir a discrimina\u00e7\u00e3o e o estigma em torno do autismo e da defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>RAYMAKER, D. M. <em>et al.<\/em> \u201cHaving all of your internal resources exhausted beyond measure and being left with no clean-up crew\u201d: defining autistic burnout. <strong>Autism in adulthood: challenges and management<\/strong>, v. 2, n. 2, p. 132\u2013143, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32851204\/\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32851204\/<\/a>. Acesso em: 31 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong><strong>\u2018\u00c9 uma viol\u00eancia simb\u00f3lica\u2019: experi\u00eancias de discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas autistas em universidades na Austr\u00e1lia<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00e247c51b89355f1e152210530a9104\">De acordo com Tan <em>et al.<\/em> (2024), uma barreira significativa identificada em pesquisas anteriores foram as experi\u00eancias de universit\u00e1rios autistas relacionadas \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o (serem tratados de forma diferente) e ao estigma (serem julgados de forma diferente).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d62bfc19b0a1af085f3ac7206d215f11\">A equipe de Tan <em>et al.<\/em> (2024), integrada por pesquisadores(as) autistas e n\u00e3o autistas, explorou as experi\u00eancias de estigma e discrimina\u00e7\u00e3o de estudantes autistas em universidades australianas, entrevistando 21 universit\u00e1rios(as) com autismo (alguns tinham finalizado seus cursos e outros n\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-f2c981c4ae9bcf6a3d9d02ecd7a50b79\">Nas entrevistas foram identificados quatro temas: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8216;minha defici\u00eancia \u00e9 algo que as pessoas simplesmente n\u00e3o t\u00eam ideia&#8217; &#8211; exemplo de relato de participante do estudo: &#8216;Voc\u00ea obviamente est\u00e1 bem. Voc\u00ea obviamente tem alto funcionamento. Voc\u00ea obviamente n\u00e3o precisa de suporte&#8217;;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8216;o sistema est\u00e1 realmente contra voc\u00ea&#8217; &#8211; no estudo foi constatado que professores n\u00e3o s\u00e3o responsabilizados &#8216;por algumas pr\u00e1ticas profundamente injustas e discriminat\u00f3rias que t\u00eam causado preju\u00edzos reais a estudantes&#8217; autistas e outros;<\/li>\n\n\n\n<li>o \u00f4nus incide sobre estudantes autistas &#8211; participantes da pesquisa expressaram frustra\u00e7\u00e3o pelo tempo e o esfor\u00e7o empregados na solicita\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es, que muitas vezes superavam os benef\u00edcios do suporte requisitado;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8216;coragem e teimosia&#8217; &#8211; participantes do estudo relataram que aprenderam a identificar em quais situa\u00e7\u00f5es poderiam efetivamente agir, impondo limites quando perceberam a sobrecarga causada, ainda que essa aprendizagem tenha sido altamente desgastante.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2b77dbeca3511fa75ede595fbe8f3597\">Em vista dos resultados, recomenda-se a ado\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na forma como os cursos s\u00e3o planejados e ministrados para que autistas tenham oportunidades que atendam \u00e0s suas formas de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4591fa499644522658efd1c7df1901ec\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante que t\u00e9cnico-administrativos(as) e docentes das universidades compreendam o impacto do trauma vivenciado por pessoas com autismo e que as universidades trabalhem em conjunto com autistas para conceberem cursos e suporte que incluam formas aut\u00edsticas de aprendizagem, processos burocr\u00e1ticos acess\u00edveis e identifica\u00e7\u00e3o de necessidades de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TAN, D. W. <em>et al.<\/em> \u2018It\u2019s a symbolic violence\u2019: autistic people\u2019s experiences of discrimination at universities in Australia. <strong>Autism<\/strong>, v. 28, n. 6, p. 1345\u20131356, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/13623613231219744\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/13623613231219744<\/a>. Acesso em: 10 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><strong>Por favor, se verificar que <em>links<\/em> n\u00e3o est\u00e3o funcionando, <strong>entre em <a href=\"mailto:coletivoautistaufpb@gmail.com\">contato<\/a><\/strong><\/strong> <strong>indicando as falhas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reprodu\u00e7\u00e3o do seguinte conte\u00fado \u00e9 livre mediante a cita\u00e7\u00e3o dos artigos mencionados a partir do Coletivo Autista da UFPB, favorecendo o acesso ao nosso website.&nbsp;Esta p\u00e1gina exibe adapta\u00e7\u00f5es de conte\u00fado extra\u00eddo de pesquisas cient\u00edficas relacionadas ao autismo, cujos artigos podem ser obtidos por meio dos links em suas refer\u00eancias. 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