{"id":113,"date":"2024-06-13T14:42:29","date_gmt":"2024-06-13T17:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=113"},"modified":"2025-11-12T10:00:48","modified_gmt":"2025-11-12T13:00:48","slug":"teste-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/teste-2\/","title":{"rendered":"Burnout autista"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\"><strong>&#8220;Ter todos os seus recursos internos esgotados al\u00e9m do limite e ficar sem equipe de limpeza&#8221;: definindo o <em>burnout<\/em> autista<\/strong><\/h2>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que o estudo de Raymaker\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2020) foi feito?<\/strong><br><br>O\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0autista (ou aut\u00edstico) \u00e9 muito discutido entre autistas, mas n\u00e3o foi formalmente abordado por pesquisadores. \u00c9 uma quest\u00e3o importante para a comunidade autista porque \u00e9 descrita como causadora de sofrimento, com preju\u00edzos no contexto do trabalho, da escola, da sa\u00fade e da qualidade de vida, podendo at\u00e9 levar a comportamento suicida.<\/p>\n\n\n\n<p><br><br><strong>Qual foi o objetivo do estudo de Raymaker\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2020)?<\/strong><br><br>O estudo em quest\u00e3o teve como objetivo caracterizar o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0autista, entender como \u00e9, o que as pessoas acham que o causa e o que ajuda as pessoas a se recuperarem ou prevenirem. \u00c9 um primeiro passo para come\u00e7ar a compreender o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0aut\u00edstico bem o suficiente para abord\u00e1-lo.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O que os(as) pesquisadores fizeram?<\/strong><br><br>O grupo de pesquisa de Raymaker\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2020) -Parceria Acad\u00eamica do Espectro do Autismo em Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o- utilizou uma abordagem de pesquisa participativa baseada na comunidade com a comunidade autista em todas as fases do estudo. Foram analisadas nove entrevistas do referido estudo sobre emprego, dez entrevistas sobre\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0aut\u00edstico e 19 fontes p\u00fablicas da\u00a0<em>internet\u00a0<\/em>(cinco em profundidade). Foram recrutados participantes nos Estados Unidos da Am\u00e9rica por meio de divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais, boca a boca e por conex\u00f5es comunit\u00e1rias. Ao serem analisadas as entrevistas foi contemplado o que as pessoas expuseram e em um contexto social mais profundo, procurando nos dados temas fortemente expressivos.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Quais foram os resultados do estudo?<\/strong><br><br>As principais caracter\u00edsticas do\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0aut\u00edstico foram exaust\u00e3o cr\u00f4nica, perda de habilidades e toler\u00e2ncia reduzida a est\u00edmulos. Participantes descreveram o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0como causado por fatores de estresse da vida que se somaram \u00e0 carga cumulativa que experienciaram, bem como a barreiras que proporcionaram incapacidade de obter al\u00edvio da carga vivenciada. Essas press\u00f5es fizeram com que as expectativas superassem as habilidades, resultando em\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0autista. A partir disso, Raymaker\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2020) criaram a seguinte defini\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>autista \u00e9 uma s\u00edndrome resultante do estresse cr\u00f4nico da vida e de uma incompatibilidade entre expectativas e habilidades sem suporte adequado. Esse\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0espec\u00edfico \u00e9 caracterizado por exaust\u00e3o generalizada e de longo prazo (normalmente mais de tr\u00eas meses), perda de fun\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia reduzida a est\u00edmulos. Participantes descreveram impactos negativos em suas vidas, abrangendo sa\u00fade, capacidade de vida independente, qualidade de vida e comportamento suicida. Eles(as) tamb\u00e9m discutiram a falta de empatia por parte de pessoas neurot\u00edpicas. Participantes tiveram ideias para promover a recupera\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0autista, incluindo aceita\u00e7\u00e3o e apoio social, folga\/redu\u00e7\u00e3o das expectativas e intera\u00e7\u00f5es sem mascaramento (atuando de maneira autenticamente aut\u00edstica).<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Como essas descobertas s\u00e3o somadas ao que j\u00e1 era conhecido?<\/strong><br><br>Agora h\u00e1 dados mais expl\u00edcitos sobre o&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;autista, que se refere a um conjunto claro de caracter\u00edsticas e \u00e9 diferente do&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;ocupacional e da depress\u00e3o cl\u00ednica. A partir dos resultados da pesquisa, existe um in\u00edcio de modelo que explica o motivo pelo qual o&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;autista pode acontecer. E como foram identificadas pessoas que conseguiram recuperar-se do&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;autista, houve identifica\u00e7\u00e3o das suas estrat\u00e9gias.<\/p>\n\n\n\n<p><br><br><strong>Quais s\u00e3o os potenciais pontos fracos do estudo?<\/strong><br><br>Esse pequeno estudo explorat\u00f3rio teve amostragem por conveni\u00eancia. Embora Raymaker&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;(2020) tenham trazido alguma diversidade ao serem utilizadas tr\u00eas fontes de dados, trabalhos futuros beneficiariam a \u00e1rea ao entrevistarem uma gama mais ampla de participantes, especialmente aqueles que n\u00e3o s\u00e3o brancos, t\u00eam maiores necessidades de apoio e t\u00eam n\u00edveis de escolaridade muito elevados ou muito baixos. Mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para entender como medir, prevenir e tratar o&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;autista.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Como essas descobertas ajudar\u00e3o os adultos autistas agora ou no futuro?<\/strong><br><br>Os achados dessa pesquisa validam a experi\u00eancia de pessoas adultas autistas. Compreender o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0aut\u00edstico pode levar a maneiras de ajudar a alivi\u00e1-lo ou preveni-lo. As descobertas podem ajudar terapeutas e outros profissionais a reconhecerem o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0autista, bem como os perigos potenciais de ensinar pessoas autistas a mascararem tra\u00e7os autistas. Os programas de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio devem considerar o papel potencial do\u00a0<em>burnout<\/em>. Essas descobertas destacam a necessidade de reduzir a discrimina\u00e7\u00e3o e o estigma em torno do autismo e da defici\u00eancia.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Refer\u00eancia<\/strong><br><br>RAYMAKER, D. M.&nbsp;<em>et al.<\/em>&nbsp;\u201cHaving all of your internal resources exhausted beyond measure and being left with no clean-up crew\u201d: defining autistic burnout.&nbsp;<strong>Autism in adulthood: challenges and management<\/strong>, v. 2, n. 2, p. 132\u2013143, 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32851204\/\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32851204\/<\/a>. Acesso em: 31 maio 2024.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ter todos os seus recursos internos esgotados al\u00e9m do limite e ficar sem equipe de limpeza&#8221;: definindo o burnout autista Por que o estudo de Raymaker\u00a0et al.\u00a0(2020) foi feito? 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