{"id":236,"date":"2024-06-17T20:48:22","date_gmt":"2024-06-17T23:48:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=236"},"modified":"2026-03-04T15:17:03","modified_gmt":"2026-03-04T18:17:03","slug":"fadiga-de-acesso-o-trabalho-retorico-da-deficiencia-na-vida-cotidiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/fadiga-de-acesso-o-trabalho-retorico-da-deficiencia-na-vida-cotidiana\/","title":{"rendered":"Fadiga de acesso: o trabalho ret\u00f3rico da defici\u00eancia na vida cotidiana"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conte\u00fado a seguir foi amplamente elaborado pela\u00a0<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\">GRALHA<\/a>, intelig\u00eancia artificial criada por\u00a0<strong>Marcia Ditzel Goulart<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ensaio de Konrad (2021), a <strong>fadiga de acesso<\/strong> descreve o desgaste f\u00edsico, mental e emocional que a pessoa com condi\u00e7\u00e3o diversamente h\u00e1bil (PcD) pode enfrentar ao principalmente buscar acesso a espa\u00e7os p\u00fablicos e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora explica que o acesso exige um esfor\u00e7o constante entre dois movimentos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>autoinven\u00e7\u00e3o<\/strong>: criar uma forma de se apresentar ao p\u00fablico que seja socialmente aceit\u00e1vel;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>autopreserva\u00e7\u00e3o<\/strong>: proteger a pr\u00f3pria energia diante do desgaste causado por esse processo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Konrad (2021), buscar acesso envolve quatro dimens\u00f5es principais:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Construir uma identidade p\u00fablica como pessoa com condi\u00e7\u00e3o diversamente h\u00e1bil.<\/li>\n\n\n\n<li>Enfrentar as rea\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es do p\u00fablico.<\/li>\n\n\n\n<li>Avaliar se cada intera\u00e7\u00e3o vale o esfor\u00e7o emocional.<\/li>\n\n\n\n<li>Ensinar outras pessoas a participar do processo de tornar os espa\u00e7os acess\u00edveis.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora tamb\u00e9m destaca que as pessoas com condi\u00e7\u00f5es diversamente h\u00e1beis s\u00e3o frequentemente incentivadas a defender seu pr\u00f3prio acesso, sem que se reconhe\u00e7a o trabalho mental e emocional envolvido nessa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ensaio mostra que o acesso n\u00e3o depende apenas das necessidades individuais, mas tamb\u00e9m das atitudes, h\u00e1bitos e estruturas sociais que moldam a forma como a defici\u00eancia \u00e9 percebida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>fadiga de acesso<\/strong> revela que a marginaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas exclus\u00e3o direta. Ela tamb\u00e9m se manifesta no ac\u00famulo di\u00e1rio de exig\u00eancias: falar ou silenciar, participar ou se afastar, aparecer ou se resguardar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, Konrad (2021) afirma que a responsabilidade pelo acesso n\u00e3o deve recair apenas sobre as pessoas com condi\u00e7\u00f5es diversamente h\u00e1beis. \u00c9 necess\u00e1rio identificar e transformar os h\u00e1bitos e estruturas sociais que produzem inacessibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela define, de forma sint\u00e9tica, a fadiga de acesso como:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a <strong>exaust\u00e3o f\u00edsica e mental resultante do trabalho de buscar acesso<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O conte\u00fado a seguir foi extra\u00eddo do ensaio de Konrad (2021)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fadiga de acesso, no ensaio de Konrad (2021), \u00e9 contemplada ao:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mostrar (p. 180) \u201c[&#8230;] como a procura pelo acesso exige que as pessoas com defici\u00eancia alternem constantemente entre a autoinven\u00e7\u00e3o e a autopreserva\u00e7\u00e3o, porque inventar um eu que seja adequado para o envolvimento p\u00fablico requer confrontar a forma como as outras pessoas pensam e sentem sobre a defici\u00eancia, o que, por sua vez, pode reinformar o pr\u00f3prio senso de identidade. Na pr\u00e1tica, ent\u00e3o, nem toda troca vale o esfor\u00e7o [&#8230;]\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Salientar que (p. 180) \u201cas pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o frequentemente encorajadas a defender o seu pr\u00f3prio acesso sem considerar o trabalho mental e emocional necess\u00e1rio para faz\u00ea-lo.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Identificar quatro dimens\u00f5es exaustivas necess\u00e1rias ao acesso (p. 182): \u201c[&#8230;] (1) inventando um eu deficiente que seja adequado para o envolvimento p\u00fablico, uma atividade que pode envolver (2) confrontar as rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico \u00e0 defici\u00eancia, o que pode reinformar o sentido de identidade de uma pessoa com defici\u00eancia e ser t\u00e3o desgastante que ela precise preservar a sua pr\u00f3pria energia (3) pesando o valor de cada troca e (4) ensinando outros a participarem do acesso.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Exibir (p. 183) \u201c[&#8230;] como o acesso relaciona-se tanto com as outras pessoas, seus pensamentos e sentimentos sobre a defici\u00eancia, quanto com as pr\u00f3prias necessidades das pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Demonstrar (p. 184) \u201c[&#8230;] como a busca pelo acesso necessita de uma esp\u00e9cie de trabalho de diversidade, uma pedagogia ret\u00f3rica da interdepend\u00eancia neste caso, no qual as pessoas com defici\u00eancia t\u00eam que ensinar e reensinar constantemente formas n\u00e3o normativas de ser e de se movimentar no espa\u00e7o social.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Fornecer (p. 184) \u201c[&#8230;] uma estrutura para perceber os h\u00e1bitos cotidianos que todos n\u00f3s temos e que tornam o trabalho de busca pelo acesso intensamente desgastante mental e emocionalmente para as pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Mostrar (p. 184-185)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">[...] como o acesso depende tanto da autoinven\u00e7\u00e3o como da autopreserva\u00e7\u00e3o. Por meio da fadiga de acesso, podemos ver como a marginaliza\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o s\u00e3o experi\u00eancias de simultaneamente agir e atrair, falar e calar, aparecer e ficar em casa, porque as l\u00f3gicas que estruturam os nossos h\u00e1bitos de envolvimento com a diferen\u00e7a dependem das pr\u00f3prias atividades ret\u00f3ricas dos indiv\u00edduos e da capacidade de lidar com as consequ\u00eancias de faz\u00ea-lo. A fadiga de acesso nos sintoniza com as maneiras pelas quais as exig\u00eancias cotidianas de ret\u00f3rica se acumulam e provocam momentos de envolvimento e descomprometimento, mostrando como tanto a autoinven\u00e7\u00e3o como a autopreserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para responder \u00e0s l\u00f3gicas de responsabilidade individual pelo acesso. Ao basear-se em estudos anteriores sobre ra\u00e7a, g\u00eanero e defici\u00eancia, a fadiga de acesso participa do imperativo de compreender melhor as condi\u00e7\u00f5es sociais que pressionam as pessoas com defici\u00eancia a confiarem em si mesmas - em vez de em todas as pessoas e na sua participa\u00e7\u00e3o c\u00famplice em sistemas de poder que criam espa\u00e7os inacess\u00edveis. Em vez de depender das pessoas com defici\u00eancia para continuarem a satisfazer as expectativas do p\u00fablico, a fadiga de acesso proporciona meios para identificar os h\u00e1bitos e as estruturas que precisam de mudar para apoiar uma vida p\u00fablica mais inclusiva.<br><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><p>Descrever, superficialmente, essa forma de capacitismo como (p. 187) \u201ca exaust\u00e3o f\u00edsica e mental que resulta do trabalho de buscar acesso.\u201d<\/p><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fonte<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KONRAD, A. M. Access fatigue: the rhetorical work of disability in everyday life. <strong>College English<\/strong>, v. 83, n. 3, p. 21, 2021. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/publicationsncte.org\/docserver\/fulltext\/ce\/83\/3\/collegeenglish31093.pdf?expires=1718668897&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=ABFE4693182F9D2609CF3B9BECAFC426\"> https:\/\/publicationsncte.org\/docserver\/fulltext\/ce\/83\/3\/collegeenglish31093.pdf?expires=1715980129&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=DDFCCB431C37C65B2BF6C80A0419FED8<\/a>. Acesso em: 10 abr. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conte\u00fado a seguir foi amplamente elaborado pela\u00a0GRALHA, intelig\u00eancia artificial criada por\u00a0Marcia Ditzel Goulart. No ensaio de Konrad (2021), a fadiga de acesso descreve o desgaste f\u00edsico, mental e emocional que a pessoa com condi\u00e7\u00e3o diversamente h\u00e1bil (PcD) pode enfrentar ao principalmente buscar acesso a espa\u00e7os p\u00fablicos e sociais. A autora explica que o acesso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":122,"featured_media":159,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2550,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236\/revisions\/2550"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}