{"id":3417,"date":"2026-08-11T11:25:37","date_gmt":"2026-08-11T14:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=3417"},"modified":"2026-08-12T10:40:08","modified_gmt":"2026-08-12T13:40:08","slug":"autismo-espiritualidade-e-inclusao-quando-os-espacos-religiosos-tambem-precisam-aprender-a-acolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/autismo-espiritualidade-e-inclusao-quando-os-espacos-religiosos-tambem-precisam-aprender-a-acolher\/","title":{"rendered":"Autismo, espiritualidade e inclus\u00e3o: quando os espa\u00e7os religiosos tamb\u00e9m precisam aprender a acolher"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"http:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2026\/08\/KatiaDiniz.pdf\">Reflex\u00e3o de K\u00e1tia Diniz<\/a>, doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es da UFPB, aborda a exclus\u00e3o de pessoas autistas nos espa\u00e7os religiosos. E relatos do padre Rodrigo Trindade mostram como essas barreiras podem aparecer no cotidiano de uma celebra\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na sua religi\u00e3o, voc\u00ea percebe a presen\u00e7a de pessoas autistas?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cultos, giras, missas e outros espa\u00e7os de viv\u00eancia religiosa, voc\u00ea consegue ver pessoas autistas frequentando esses lugares sagrados? E, quando est\u00e3o presentes, elas conseguem participar, ser compreendidas e vivenciar sua f\u00e9 de maneira saud\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta proposta por <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong>, doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es (PPGCR) da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), chama aten\u00e7\u00e3o para uma realidade ainda pouco discutida: <strong>a exclus\u00e3o de pessoas autistas dos espa\u00e7os religiosos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong>, essa exclus\u00e3o precisa ser compreendida dentro de um processo hist\u00f3rico mais amplo de marginaliza\u00e7\u00e3o de grupos considerados diferentes dos padr\u00f5es sociais predominantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso das pessoas autistas, esse processo esteve relacionado a ideias e pr\u00e1ticas de confinamento, loucura, isolamento e medicaliza\u00e7\u00e3o. Segundo a pesquisadora, essas marcas ainda podem reverberar nas pr\u00e1ticas, no imagin\u00e1rio, nas normas e nas condutas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como cultura, sociedade e religi\u00e3o est\u00e3o intimamente ligadas, os espa\u00e7os religiosos tamb\u00e9m podem reproduzir mecanismos de repress\u00e3o, estigma, preconceito e exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o espa\u00e7o religioso n\u00e3o considera a pessoa autista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong>, uma das formas de exclus\u00e3o ocorre quando as pr\u00e1ticas religiosas ignoram a exist\u00eancia de pessoas autistas e n\u00e3o consideram suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/hipersensibilidade-auditiva-e-o-processamento-de-informacoes-em-pessoas-autistas\/\">Celebra\u00e7\u00f5es ruidosas<\/a> ou com ilumina\u00e7\u00e3o inadequada<\/strong>, por exemplo,<strong> podem provocar sobrecarga e crises sensoriais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia pode ser o <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/estudo-relaciona-personalidade-autismo-e-relacao-com-deus\/\">afastamento da pessoa autista de sua religi\u00e3o<\/a> e de sua comunidade religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse afastamento n\u00e3o acontece necessariamente porque ela deixou de ter f\u00e9 ou porque n\u00e3o deseja participar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode acontecer porque <strong>o ambiente n\u00e3o oferece as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que ela consiga permanecer ali<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato do padre (pe.) Rodrigo Trindade ajuda a dimensionar essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao falar sobre sua experi\u00eancia em missas e sobre as crian\u00e7as autistas que frequentam sua par\u00f3quia, ele afirmou:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPorque eu olho para aquelas crian\u00e7as e na minha par\u00f3quia n\u00f3s conhecemos algumas que s\u00e3o autistas, e eu penso, eu sei que a missa, assim como o mundo n\u00e3o foi feita para elas, <strong>o mundo n\u00e3o foi feito para os autistas<\/strong>. O mundo foi feito para os neurot\u00edpicos.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia relatada pelo Pe. Rodrigo aproxima-se da reflex\u00e3o de <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> sobre ambientes religiosos constru\u00eddos sem considerar diferentes formas de percep\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O comportamento autista tamb\u00e9m pode ser incompreendido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> destaca que as caracter\u00edsticas da neurodiverg\u00eancia nem sempre s\u00e3o compreendidas nos espa\u00e7os religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando determinado comportamento n\u00e3o corresponde ao que a comunidade espera de uma pessoa durante uma celebra\u00e7\u00e3o, ele pode ser interpretado apenas como inadequado ou inconveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe. Rodrigo contou, por exemplo, que algumas crian\u00e7as fazem brincadeiras durante as missas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O padre afirmou que procura n\u00e3o repreend\u00ea-las. Ao pensar nessas crian\u00e7as, lembra que, quando seus familiares o levavam \u00e0 missa, ele tamb\u00e9m costumava brincar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe <strong>o mundo muitas vezes n\u00e3o compreende, n\u00e3o ajuda, n\u00e3o d\u00e1 suporte, aqui, na minha missa eu n\u00e3o posso fazer muita coisa, mas tamb\u00e9m brigar eu n\u00e3o vou<\/strong>, n\u00e3o. E eu digo \u00e0s m\u00e3es, aos pais, \u2018deixa, se quebrar alguma coisa voc\u00eas aumentam o d\u00edzimo\u2019. Nunca nenhuma quebrou nada. Eu gosto de usar umas lamparinas, quem quebrou duas lamparinas foi gente adulta.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato evidencia a diferen\u00e7a entre simplesmente exigir que uma pessoa autista se comporte de acordo com determinada expectativa e buscar compreender o que est\u00e1 por tr\u00e1s de seu comportamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A barreira tamb\u00e9m pode estar na comunica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exclus\u00e3o pode aparecer de maneiras menos vis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as missas, Pe. Rodrigo relatou que, quando algu\u00e9m que o auxilia nas leituras lit\u00fargicas leva um livro de cabe\u00e7a para baixo, ele n\u00e3o consegue pedir que a pessoa corrija a posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tenta fazer a leitura mesmo assim.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor isso eu <strong>digo que todo autista tem algum algum n\u00edvel de n\u00e3o verbalidade. Um sil\u00eancio involunt\u00e1rio<\/strong>. Se a luz estiver forte demais e o coroinha traz o ritual de cabe\u00e7a para baixo, eu n\u00e3o consigo dizer para o menino \u2018vira esse livro que eu n\u00e3o estou vendo\u2019, eu vou tentar ler de cabe\u00e7a para baixo.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio mostra como uma dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o pode passar despercebida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem est\u00e1 ao redor, pode parecer que n\u00e3o existe qualquer problema. Para a pessoa autista, por\u00e9m, pode existir uma barreira que interfere diretamente na participa\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A necessidade de justificar o diagn\u00f3stico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reflex\u00e3o de <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> tamb\u00e9m aborda processos de invalida\u00e7\u00e3o que atingem pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe. Rodrigo relatou ter recebido o diagn\u00f3stico na vida adulta, depois de um processo de investiga\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o padre:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDepois de dois anos de terapia, a psic\u00f3loga suspeitou. A\u00ed encaminhou para o neuropsic\u00f3logo. Foram muitos testes, muitas sess\u00f5es, muito cansa\u00e7o. [&#8230;] Depois ele me entrega um laudo que eu n\u00e3o aceitei. Eu fui querendo que n\u00e3o fosse. <strong>A gente tem que aguentar que digam que se vai atr\u00e1s de regalias e benesses, atr\u00e1s de laudo f\u00e1cil. Machuca isso<\/strong>.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato mostra uma dimens\u00e3o da exclus\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 necessariamente relacionada ao ambiente f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pessoa autista tamb\u00e9m pode enfrentar a necessidade de provar sua condi\u00e7\u00e3o para que suas caracter\u00edsticas e necessidades sejam reconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe. Rodrigo expressou essa experi\u00eancia ao falar sobre pessoas autistas que precisam de mais suporte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu chamo de meus irm\u00e3os de espectro que precisam de bem mais suporte do que eu e eu olho para eles e penso, \u00e9 dif\u00edcil para eles. \u00c9 dif\u00edcil para eles. \u00c9 severo para eles. Mas tem uma coisa que eles n\u00e3o enfrentam. Eles n\u00e3o precisam justificar que s\u00e3o autistas. <strong>Eu tenho que justificar, para poder ser aceito<\/strong>.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cPor tr\u00e1s de quem aparentemente d\u00e1 conta de tudo existe muita dor\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> chama aten\u00e7\u00e3o para as formas de viol\u00eancia e exclus\u00e3o que podem atingir pessoas autistas mesmo quando suas caracter\u00edsticas n\u00e3o s\u00e3o imediatamente percebidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe. Rodrigo tamb\u00e9m relatou essa experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor tr\u00e1s de quem aparentemente d\u00e1 conta de tudo existe muita dor. <strong>A invalida\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico<\/strong> por seus amigos, por seus familiares, <strong>por seus irm\u00e3os de voca\u00e7\u00e3o<\/strong>. Sem contar a invalida\u00e7\u00e3o da sociedade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo seu relato, at\u00e9 mesmo a utiliza\u00e7\u00e3o de um cord\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o pode provocar questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele contou que, ao solicitar prioridade em uma fila utilizando o cord\u00e3o, ouviu coment\u00e1rios que interpretavam a situa\u00e7\u00e3o como um privil\u00e9gio concedido ao padre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe. Rodrigo explicou:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o, o padre n\u00e3o tem prioridade em coisa nenhuma. Eu tenho outra prioridade. <strong>Enfrentar essa invalida\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel.<\/strong>\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o exemplifica como a falta de compreens\u00e3o sobre o autismo pode produzir novas barreiras para quem precisa ter suas necessidades reconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O \u201cespectroc\u00eddio\u201d como forma de viol\u00eancia simb\u00f3lica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua reflex\u00e3o, <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> apresenta o conceito de <strong>\u201cespectroc\u00eddio\u201d<\/strong>, criado em 2024 pelo pesquisador Rodrigo Freitas, da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisadora, o termo busca nomear diferentes formas de viol\u00eancia simb\u00f3lica que atravessam os corpos de pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito trata, nessa perspectiva, de uma <strong>tentativa sist\u00eamica de apagamento, silenciamento e corre\u00e7\u00e3o da subjetividade aut\u00edstica<\/strong>. Isso pode ocorrer quando institui\u00e7\u00f5es de poder tentam moldar a maneira como a pessoa autista deve se expressar ou agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre essas institui\u00e7\u00f5es, <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> inclui as institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o \u201cespectroc\u00eddio religioso\u201d?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do conceito de espectroc\u00eddio, <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> apresenta a possibilidade do <strong>\u201cespectroc\u00eddio religioso\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo sua an\u00e1lise, ele <strong>pode ocorrer quando pr\u00e1ticas e narrativas religiosas estabelecem uma ideia de espiritualidade normativa<\/strong> e fazem com que a pessoa autista precise negar sua neurodiverg\u00eancia para permanecer em determinado grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em situa\u00e7\u00f5es mais extremas, caracter\u00edsticas aut\u00edsticas podem receber interpreta\u00e7\u00f5es m\u00edsticas ou demonizadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, o autismo pode ser tratado como algo que precisa ser curado por meio da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong>, essa situa\u00e7\u00e3o representa uma forma grave de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pessoa autista pode ser afastada n\u00e3o apenas da pr\u00f3pria comunidade, mas tamb\u00e9m da possibilidade de vivenciar sua espiritualidade de maneira saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando a religi\u00e3o deixa de ser espa\u00e7o de acolhimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> destaca que a espiritualidade pode ter papel importante na vida das pessoas. Ela pode oferecer suporte para enfrentar adversidades, conflitos, incertezas e crises emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas surge uma quest\u00e3o fundamental:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como a espiritualidade pode exercer esse papel na vida de pessoas autistas se os espa\u00e7os religiosos n\u00e3o conseguem acolh\u00ea-las?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta coloca em evid\u00eancia uma contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A religi\u00e3o pode ser uma fonte de apoio, pertencimento e significado. Mas, quando a comunidade n\u00e3o reconhece a neurodiverg\u00eancia ou interpreta suas caracter\u00edsticas de maneira preconceituosa, <strong>o pr\u00f3prio espa\u00e7o que deveria acolher pode se transformar em fonte de sofrimento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato do Pe. Rodrigo ilustra essa contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo sendo respons\u00e1vel por celebrar missas, ele descreve situa\u00e7\u00f5es em que precisa lidar com <strong>barreiras de comunica\u00e7\u00e3o, dificuldades relacionadas aos est\u00edmulos do ambiente e a necessidade de justificar sua condi\u00e7\u00e3o<\/strong> para ser compreendido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desafio de reconhecer a espiritualidade autista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito recentemente, pesquisadores das Ci\u00eancias das Religi\u00f5es passaram a se dedicar de forma mais espec\u00edfica \u00e0 compreens\u00e3o da espiritualidade aut\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong>, essa discuss\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria porque pessoas autistas n\u00e3o devem ser vistas apenas a partir de suas dificuldades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elas tamb\u00e9m s\u00e3o pessoas que constroem v\u00ednculos, desenvolvem cren\u00e7as, encontram significados e podem desejar participar de comunidades religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, pensar em inclus\u00e3o religiosa significa reconhecer a exist\u00eancia dessas experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata apenas de permitir que pessoas autistas frequentem os espa\u00e7os sagrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso questionar se esses espa\u00e7os est\u00e3o preparados para que elas possam <strong>expressar sua f\u00e9, participar das pr\u00e1ticas religiosas e permanecer em suas comunidades sem precisar negar quem s\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia do Pe. Rodrigo ajuda a mostrar que esse desafio n\u00e3o \u00e9 abstrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele aparece no cotidiano de uma missa, na dificuldade de falar em determinado momento, na necessidade de lidar com est\u00edmulos, na forma como uma crian\u00e7a se comporta durante uma celebra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 na necessidade de explicar repetidamente a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma pergunta que permanece<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reflex\u00e3o de <strong>K\u00e1tia Diniz<\/strong> e os relatos do Pe. Rodrigo Trindade levam a uma pergunta que pode ser feita por qualquer comunidade religiosa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O espa\u00e7o sagrado est\u00e1 preparado para acolher pessoas autistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta exige olhar <strong>n\u00e3o apenas para quem consegue estar presente, mas tamb\u00e9m para quem se afastou ou nunca conseguiu permanecer<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a espiritualidade pode ser uma fonte de suporte diante das <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/fatores-que-aumentam-o-risco-de-suicidio-em-autistas-com-mais-de-50-anos\/\">dificuldades da vida<\/a>, garantir que pessoas autistas tamb\u00e9m possam vivenci\u00e1-la passa pelo reconhecimento de suas caracter\u00edsticas, pelo combate ao estigma e pela constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que n\u00e3o exijam que elas deixem parte de sua identidade do lado de fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/inclusao-tambem-previne-o-suicidio\/\">inclus\u00e3o<\/a> come\u00e7a quando a exist\u00eancia da pessoa autista \u00e9 reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E continua quando sua presen\u00e7a, sua forma de comunica\u00e7\u00e3o, suas caracter\u00edsticas e sua maneira de viver a espiritualidade tamb\u00e9m encontram espa\u00e7o dentro da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Algumas iniciativas relacionando autismo e religi\u00e3o <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rede Adventista de Apoio \u00e0 Fam\u00edlia Autista (RAAFA)<\/strong><br>Iniciativa voltada ao apoio e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias de pessoas autistas, com conte\u00fados e recursos relacionados ao autismo e \u00e0 inclus\u00e3o:<br><a href=\"https:\/\/somosraafa.org\/#HOME\">https:\/\/somosraafa.org\/#HOME<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Autistic Catholics<\/em><\/strong><br>Comunidade cat\u00f3lica dos EUA dedicada a pessoas autistas e suas fam\u00edlias, com conte\u00fados em ingl\u00eas sobre autismo, f\u00e9 e viv\u00eancia na Igreja:<br><a href=\"https:\/\/www.autisticcatholics.org\/\">https:\/\/www.autisticcatholics.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Apoio Cat\u00f3lico<\/strong><br>Comunidade criada no <em>WhatsApp<\/em>, organizada em grupos com diferentes propostas, incluindo conte\u00fado cat\u00f3lico di\u00e1rio, materiais did\u00e1ticos, ora\u00e7\u00f5es e pessoas autistas: <a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/CSRXbSFSPiVKdZlgGugZF0\">https:\/\/chat.whatsapp.com\/CSRXbSFSPiVKdZlgGugZF0<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fonte<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente conte\u00fado foi amplamente adaptado para a Linguagem Simples por&nbsp;<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\">GRALHA<\/a>, intelig\u00eancia artificial criada por&nbsp;<strong>Marcia Ditzel Goulart<\/strong>, com base na not\u00edcia de <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/05\/07\/padre-viraliza-ao-relatar-desafios-por-autismo-na-pb-missa-assim-como-o-mundo-nao-foi-feita-para-autistas.ghtml\">G1 PB<\/a> e na contribui\u00e7\u00e3o de <strong><a href=\"http:\/\/www.ufpb.br\/cau\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/188\/2026\/08\/KatiaDiniz.pdf\">K\u00e1tia Diniz<\/a><\/strong> &#8211; doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es da UFPB e integrante do Coletivo Autista da UFPB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-vivid-purple-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea \u00e9&nbsp;professor(a) autista&nbsp;-da rede p\u00fablica ou privada- e deseja participar de um&nbsp;grupo de&nbsp;<em>WhatsApp<\/em>&nbsp;para troca de experi\u00eancias,<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Dq9C6bFxdFUGbOt1aPOFjY?mode=gi_t\">&nbsp;entre em contato<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o de K\u00e1tia Diniz, doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es da UFPB, aborda a exclus\u00e3o de pessoas autistas nos espa\u00e7os religiosos. E relatos do padre Rodrigo Trindade mostram como essas barreiras podem aparecer no cotidiano de uma celebra\u00e7\u00e3o. Na sua religi\u00e3o, voc\u00ea percebe a presen\u00e7a de pessoas autistas? 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