{"id":3469,"date":"2026-08-12T12:12:49","date_gmt":"2026-08-12T15:12:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=3469"},"modified":"2026-08-17T12:52:37","modified_gmt":"2026-08-17T15:52:37","slug":"cuidado-em-saude-mental-para-autistas-escuta-acessibilidade-e-respeito-as-singularidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/cuidado-em-saude-mental-para-autistas-escuta-acessibilidade-e-respeito-as-singularidades\/","title":{"rendered":"Cuidado em sa\u00fade mental para autistas: escuta, acessibilidade e respeito \u00e0s singularidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Atendimentos volunt\u00e1rios da psiquiatra Thais Terehoff no Coletivo Autista da UFPB mostram a import\u00e2ncia de um cuidado que considere as necessidades de cada pessoa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuidar da sa\u00fade mental de pessoas autistas exige mais do que oferecer atendimento. \u00c9 preciso compreender as diferentes formas de comunica\u00e7\u00e3o, as <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/hipersensibilidade-auditiva-e-o-processamento-de-informacoes-em-pessoas-autistas\/\">necessidades sensoriais<\/a>, os tempos de processamento e as particularidades de cada pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa perspectiva orienta o trabalho desenvolvido pela psiquiatra <strong>Thais Terehoff<\/strong>, que tamb\u00e9m \u00e9 autista. Desde setembro de 2025, ela realiza atendimentos psiqui\u00e1tricos volunt\u00e1rios para integrantes do <strong>Coletivo Autista da Universidade Federal da Para\u00edba<\/strong> (UFPB).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o faz parte do projeto de extens\u00e3o <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/contato\/\">Voluntariado no Coletivo Autista da UFPB<\/a>\u201d<\/strong>, que desde 2025 busca promover acolhimento e ampliar o acesso a atendimentos psiqui\u00e1tricos humanizados e especializados para discentes que integram o Coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2026, <strong>Dra. Thais Terehoff<\/strong> continua realizando esses atendimentos. At\u00e9 o momento, foram realizados <strong>13 atendimentos volunt\u00e1rios em psiquiatria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Atendimento remoto amplia a acessibilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como a UFPB ainda n\u00e3o oferece \u00e0s pessoas autistas com matr\u00edcula ativa na institui\u00e7\u00e3o um espa\u00e7o pr\u00f3prio para autorregula\u00e7\u00e3o, os atendimentos psiqui\u00e1tricos continuam sendo realizados de forma remota e t\u00eam dura\u00e7\u00e3o de 60 minutos. Vale ressaltar que o <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/inclusao-e-acessibilidade-para-docentes-autistas\/\">Departamento de Artes C\u00eanicas \u2013 CCTA\/UFPB disp\u00f5e de uma Sala de Autorregula\u00e7\u00e3o<\/a>, mas o espa\u00e7o comporta apenas pessoas vinculadas ao DAC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para discentes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong>, o formato <em>on line<\/em> tem contribu\u00eddo para reduzir algumas barreiras relacionadas ao deslocamento e \u00e0 perman\u00eancia em ambientes presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A modalidade <em>on line<\/em> tamb\u00e9m pode oferecer maior conforto sensorial e previsibilidade, aspectos que podem ser determinantes para muitas pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa experi\u00eancia est\u00e1 relacionada a desafios identificados pela literatura cient\u00edfica sobre o <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/boas-praticas-com-o-coletivo-autista-da-ufpb-ambientes-de-saude\/\">acesso de pessoas autistas aos servi\u00e7os de sa\u00fade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em estudo publicado na revista <em>Autism<\/em>, Radev, Freeth e Thompson (2024) analisaram 15 pesquisas sobre as experi\u00eancias de pessoas adultas autistas no sistema de sa\u00fade do Reino Unido. A meta-etnografia identificou tr\u00eas temas principais: a) <strong>a falta de conhecimento dos profissionais pode causar danos; <\/strong>b) <strong>\u00e9 necess\u00e1rio reduzir as demandas de processamento; <\/strong>e c)<strong> adapta\u00e7\u00f5es podem melhorar o envolvimento com o cuidado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Radev, Freeth e Thompson (2024) identificaram <strong>dificuldades relacionadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, ao processamento de informa\u00e7\u00f5es, \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/hipersensibilidade-auditiva-no-autismo\/\">sensibilidades sensoriais<\/a> e ao acesso aos servi\u00e7os<\/strong>. O estudo tamb\u00e9m apontou a <strong>import\u00e2ncia de tornar os atendimentos mais previs\u00edveis e adaptar os servi\u00e7os \u00e0s necessidades individuais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Escuta e comunica\u00e7\u00e3o fazem diferen\u00e7a<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os relatos de integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> destacam a postura \u00e9tica, emp\u00e1tica e tecnicamente qualificada da <strong>Dra. Thais Terehoff<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os aspectos mencionados est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>linguagem direta, objetiva e gentil;<\/li>\n\n\n\n<li>tom de voz sereno;<\/li>\n\n\n\n<li>respeito \u00e0s pausas necess\u00e1rias para o processamento das informa\u00e7\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li>escuta ativa;<\/li>\n\n\n\n<li>respeito \u00e0s necessidades sensoriais e comunicacionais;<\/li>\n\n\n\n<li>explica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas n\u00edtidas;<\/li>\n\n\n\n<li>respeito aos limites pessoais;<\/li>\n\n\n\n<li>valida\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias autistas, inclusive em situa\u00e7\u00f5es de crise.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas pr\u00e1ticas dialogam com os resultados da meta-etnografia de Radev, Freeth e Thompson (2024). O estudo aponta que <strong>a forma como as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas pode influenciar a experi\u00eancia de pessoas autistas durante o atendimento<\/strong>. O <strong>excesso de comunica\u00e7\u00e3o verbal<\/strong> pode ser dif\u00edcil de processar, especialmente quando h\u00e1 ansiedade, e <strong>diferen\u00e7as no processamento sensorial<\/strong> tamb\u00e9m podem tornar determinados ambientes cl\u00ednicos mais dif\u00edceis de suportar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, tornar o atendimento acess\u00edvel n\u00e3o significa apenas garantir que a pessoa consiga chegar ao servi\u00e7o. Significa tamb\u00e9m criar condi\u00e7\u00f5es para que ela consiga <strong>compreender as informa\u00e7\u00f5es, expressar suas necessidades e participar das decis\u00f5es sobre o pr\u00f3prio cuidado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o cuidado considera a pessoa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os relatos de integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> indicam impactos positivos associados aos atendimentos da <strong>Dra. Thais Terehoff<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Discentes reportaram melhora na qualidade de vida, no desempenho acad\u00eamico e na ades\u00e3o ao tratamento. Um dos relatos veio de uma pessoa que estava em processo de <em><a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/teste-2\/\">burnout<\/a> <\/em>e pr\u00f3xima de desistir da gradua\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o atendimento, ela relatou ter recuperado a confian\u00e7a e o sentimento de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas pessoas do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> que foram atendidas pela <strong>Dra. Thais Terehoff<\/strong> destacaram o equil\u00edbrio entre conhecimento t\u00e9cnico e humanidade, al\u00e9m da clareza das explica\u00e7\u00f5es e do respeito aos limites individuais providos pela psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acompanhamento cont\u00ednuo tamb\u00e9m foi percebido como uma experi\u00eancia de representatividade. Para discentes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong>, ter uma profissional autista como refer\u00eancia no cuidado em sa\u00fade mental fortaleceu sentimentos de autoestima, identifica\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses relatos partiram de experi\u00eancias de integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> em 2025 e n\u00e3o constituem, por si s\u00f3, uma avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da efic\u00e1cia do atendimento. Eles, contudo, ajudam a mostrar como pr\u00e1ticas de cuidado baseadas em escuta, respeito e acessibilidade podem ser percebidas por quem utiliza o servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que a pesquisa cient\u00edfica mostra sobre o atendimento de pessoas autistas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia de integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> encontra pontos de aproxima\u00e7\u00e3o com a literatura cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Radev, Freeth e Thompson (2024) identificaram que <strong>pessoas adultas autistas podem enfrentar dificuldades desde o agendamento de consultas at\u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o durante o atendimento<\/strong>. Algumas pessoas participantes dos estudos analisados relataram dificuldades especialmente quando o agendamento dependia de liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas. A pesquisa tamb\u00e9m identificou a <strong>necessidade de maior previsibilidade e consist\u00eancia nos atendimentos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro problema apontado foi a <strong>falta de conhecimento sobre autismo entre profissionais de sa\u00fade<\/strong>. Segundo a revis\u00e3o, essa falta de conhecimento pode contribuir para incompreens\u00f5es, diagn\u00f3sticos inadequados, suporte insuficiente e interven\u00e7\u00f5es que n\u00e3o atendem \u00e0s necessidades da pessoa autista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Radev, Freeth e Thompson (2024) defendem a <strong>amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o sobre autismo entre profissionais de sa\u00fade<\/strong>, <strong>constru\u00edda tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o de pessoas autistas<\/strong>. O estudo recomenda, ainda,<strong> adapta\u00e7\u00f5es individualizadas<\/strong> para melhorar o acesso e o envolvimento das pessoas autistas com os servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cuidar tamb\u00e9m \u00e9 reduzir barreiras<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong>, a experi\u00eancia do voluntariado evidencia que a promo\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/saude-mental-em-pessoas-adultas-autistas-de-etapas-da-jornada-do-sofrimento-psicologico-a-recuperacao\/\">sa\u00fade mental<\/a> passa pela redu\u00e7\u00e3o das barreiras que dificultam o acesso e a perman\u00eancia das pessoas autistas na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto de voluntariado procura integrar conhecimento t\u00e9cnico, experi\u00eancia autista e solidariedade. A proposta \u00e9 oferecer um espa\u00e7o de escuta e suporte que reconhe\u00e7a a diversidade das experi\u00eancias autistas, sem reduzir a pessoa ao diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o da <strong>Dra. Thais Terehoff<\/strong> tamb\u00e9m refor\u00e7a a import\u00e2ncia da representatividade no cuidado. Sua experi\u00eancia como profissional da psiquiatria e como pessoa autista contribui para uma perspectiva que considera tanto o conhecimento t\u00e9cnico quanto as viv\u00eancias relacionadas \u00e0 neurodiverg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que oferecer consultas, \u00e9 necess\u00e1rio construir rela\u00e7\u00f5es de cuidado baseadas em <strong>\u00e9tica, empatia, escuta ativa, acessibilidade e respeito \u00e0s singularidades<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ambiente universit\u00e1rio, essas pr\u00e1ticas podem contribuir para que estudantes autistas encontrem melhores condi\u00e7\u00f5es para permanecer, estudar e participar da vida acad\u00eamica, al\u00e9m de trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>cuidado em sa\u00fade mental<\/strong>, nesse sentido, n\u00e3o deve ser pensado apenas como atendimento cl\u00ednico. Ele tamb\u00e9m <strong>envolve reconhecer barreiras, adaptar formas de comunica\u00e7\u00e3o e criar condi\u00e7\u00f5es para que cada pessoa seja ouvida e respeitada em suas necessidades<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fonte<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente conte\u00fado foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por&nbsp;<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\"><strong>GRALHA<\/strong><\/a>, intelig\u00eancia artificial criada por&nbsp;<strong>Marcia Ditzel Goulart<\/strong>, com base nos relatos de integrantes do <strong>Coletivo Autista da UFPB<\/strong> e nas informa\u00e7\u00f5es do seguinte artigo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RADEV, S.; FREETH, M.; THOMPSON, A. R. How healthcare systems are experienced by autistic adults in the United Kingdom: A meta-ethnography. <strong>Autism<\/strong>, [<em>s. l.<\/em>], v. 28, n. 9, p. 2166, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11403927\/\">https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11403927\/<\/a>. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-vivid-purple-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea \u00e9&nbsp;professor(a) autista&nbsp;-da rede p\u00fablica ou privada- e deseja participar de um&nbsp;grupo de&nbsp;<em>WhatsApp<\/em>&nbsp;para troca de experi\u00eancias,<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Dq9C6bFxdFUGbOt1aPOFjY?mode=gi_t\">&nbsp;entre em contato<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atendimentos volunt\u00e1rios da psiquiatra Thais Terehoff no Coletivo Autista da UFPB mostram a import\u00e2ncia de um cuidado que considere as necessidades de cada pessoa. 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