{"id":3551,"date":"2026-09-30T11:11:24","date_gmt":"2026-09-30T14:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=3551"},"modified":"2026-09-30T11:11:27","modified_gmt":"2026-09-30T14:11:27","slug":"conforto-termico-pode-afetar-autistas-de-forma-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/conforto-termico-pode-afetar-autistas-de-forma-diferente\/","title":{"rendered":"Conforto t\u00e9rmico pode afetar autistas de forma diferente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo de Zaniboni e colaboradores publicado em 2025 investigou como pessoas autistas e al\u00edsticas (n\u00e3o autistas) percebem diferentes condi\u00e7\u00f5es de temperatura em ambientes internos. Essa pesquisa avaliou se ter acesso \u00e0 vista de \u00e1reas externas, especialmente de paisagens naturais, poderia influenciar essa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado durante o inverno, em ambientes semelhantes a escrit\u00f3rios, com tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas: <strong>ligeiramente fria, neutra e ligeiramente quente<\/strong>. Participantes responderam a question\u00e1rios sobre sua percep\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica enquanto os pesquisadores tamb\u00e9m registravam caracter\u00edsticas ambientais e medidas fisiol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados indicaram diferen\u00e7as importantes entre os grupos. Embora pessoas autistas e al\u00edsticas tenham relatado sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica semelhante nas condi\u00e7\u00f5es consideradas neutras, as situa\u00e7\u00f5es de frio e calor foram percebidas como mais desconfort\u00e1veis pelas pessoas autistas quando <strong>n\u00e3o havia acesso \u00e0 vista externa<\/strong>. Nessa condi\u00e7\u00e3o, participantes autistas apresentaram, em m\u00e9dia, <strong>maior percep\u00e7\u00e3o de frio na situa\u00e7\u00e3o mais fria<\/strong> (\u22121,71) <strong>e maior percep\u00e7\u00e3o de calor na situa\u00e7\u00e3o mais quente<\/strong> (1,53), enquanto o grupo al\u00edstico apresentou <strong>menor percep\u00e7\u00e3o de frio<\/strong> (\u22120,85) <strong>e de calor<\/strong> (0,90), respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m identificou que uma propor\u00e7\u00e3o maior de participantes autistas relatou <strong>desconforto t\u00e9rmico localizado nas extremidades do corpo<\/strong>, como pernas, p\u00e9s, bra\u00e7os, m\u00e3os e cabe\u00e7a. Entretanto, quando havia <strong>vista para uma paisagem natural externa<\/strong>, a diferen\u00e7a na percep\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica entre os grupos deixou de ser estatisticamente significativa, e o desconforto localizado relatado pelas pessoas autistas tamb\u00e9m foi reduzido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zaniboni e colaboradores (2025) n\u00e3o encontraram correla\u00e7\u00e3o significativa entre as respostas de percep\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e medidas fisiol\u00f3gicas, como frequ\u00eancia card\u00edaca e temperatura da pele. Mas os resultados refor\u00e7am que <strong>diferen\u00e7as individuais na sensibilidade sensorial podem exigir diferentes condi\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong> para promover conforto e bem-estar de pessoas autistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que foi ressaltado na conclus\u00e3o da pesquisa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na conclus\u00e3o, Zaniboni e colaboradores (2025) ressaltam a necessidade de <strong>projetar cuidadosamente os ambientes internos considerando as caracter\u00edsticas das pessoas autistas<\/strong>. Como as respostas apresentadas no estudo tamb\u00e9m evidenciam elevada subjetividade na percep\u00e7\u00e3o do ambiente, Zaniboni e colaboradores (2025) consideram <strong>fundamental possibilitar maior controle individual sobre as condi\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong>. Em ambientes de trabalho, por exemplo, uma possibilidade seria oferecer <strong>espa\u00e7os individuais ou solu\u00e7\u00f5es personalizadas<\/strong>, permitindo que as condi\u00e7\u00f5es do ambiente sejam ajustadas \u00e0s necessidades de cada pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro resultado destacado por Zaniboni e colaboradores (2025) foi a import\u00e2ncia do <strong>acesso \u00e0 vista pelas janelas<\/strong>. No contexto de uma avalia\u00e7\u00e3o que considera diferentes dimens\u00f5es do conforto e do bem-estar, a presen\u00e7a de <strong>uma vista para o ambiente externo esteve associada a uma melhora geral do bem-estar das pessoas autistas<\/strong> e apresentou impacto ainda maior nesse grupo do que entre os participantes al\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zaniboni e colaboradores (2025) refor\u00e7am, entretanto, que ainda s\u00e3o necess\u00e1rias pesquisas para compreender como esse efeito pode ser traduzido em recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de projeto, incluindo aspectos como <strong>tamanho das janelas, dist\u00e2ncia entre o local de perman\u00eancia e a janela e caracter\u00edsticas dos dispositivos de sombreamento<\/strong>. Eles tamb\u00e9m apontam a possibilidade de investigar outros recursos relacionados \u00e0 natureza, como <strong>elementos biof\u00edlicos<\/strong> (recursos que aproximam as pessoas da natureza no ambiente constru\u00eddo, como plantas, materiais naturais, ilumina\u00e7\u00e3o natural, formas inspiradas na natureza e outros elementos que podem favorecer o bem-estar) <strong>e sons naturais<\/strong>, al\u00e9m dos poss\u00edveis efeitos de longo prazo da luz natural e da vista para o ambiente externo sobre os ciclos de sono e vig\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Zaniboni e colaboradores (2025), a integra\u00e7\u00e3o desses resultados com outras pesquisas pode contribuir para o desenvolvimento de <strong>recomenda\u00e7\u00f5es para o planejamento de espa\u00e7os destinados a pessoas autistas<\/strong>. A aproxima\u00e7\u00e3o com \u00e1reas como medicina e neuroci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 considerada, a fim de ampliar a compreens\u00e3o dos mecanismos neurol\u00f3gicos envolvidos na percep\u00e7\u00e3o do ambiente t\u00e9rmico e de sua rela\u00e7\u00e3o com diferentes condi\u00e7\u00f5es visuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, o estudo refor\u00e7a que <strong>acessibilidade ambiental n\u00e3o significa oferecer necessariamente as mesmas condi\u00e7\u00f5es para todas as pessoas<\/strong>, mas considerar diferentes formas de perceber e interagir com o ambiente. Essa perspectiva amplia a discuss\u00e3o sobre acessibilidade ao incluir aspectos sensoriais, ambientais e de possibilidade de escolha no planejamento dos espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses achados s\u00e3o relevantes para a discuss\u00e3o sobre acessibilidade e qualidade ambiental em espa\u00e7os educacionais, profissionais e de conviv\u00eancia. O <strong>conforto de pessoas autistas n\u00e3o depende apenas da temperatura definida em um ambiente<\/strong>: caracter\u00edsticas como <strong>acesso visual ao ambiente externo e \u00e0 natureza tamb\u00e9m podem influenciar a experi\u00eancia sensorial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para institui\u00e7\u00f5es de ensino, estudos desse tipo contribuem para ampliar a compreens\u00e3o de que a acessibilidade envolve tamb\u00e9m a <strong>adequa\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais \u00e0s diferentes formas de percep\u00e7\u00e3o sensorial<\/strong>. Considerar essas diferen\u00e7as pode favorecer ambientes mais acolhedores e adequados \u00e0 diversidade das pessoas que utilizam esses espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fonte<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente conte\u00fado foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por\u00a0<a href=\"https:\/\/chatgpt.com\/g\/g-67ab8c842b148191b497b2e150fa993b-gralha\/c\/68307ae4-34c4-800c-abcd-872ab36a7983\"><strong>GRALHA<\/strong><\/a>, intelig\u00eancia artificial criada por\u00a0<strong>Marcia Ditzel Goulart<\/strong>, com base no seguinte artigo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ZANIBONI, L. <em>et al.<\/em> Thermal comfort of autistic people with and without a view out. <strong>Building and Environment<\/strong>, [s. l.], v. 270, p. 112483, 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0360132324013246\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0360132324013246<\/a>. Acesso em: 29 set. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-vivid-purple-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea \u00e9&nbsp;professor(a) autista&nbsp;-da rede p\u00fablica ou privada- e deseja participar de um&nbsp;grupo de&nbsp;<em>WhatsApp<\/em>&nbsp;para troca de experi\u00eancias,<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Dq9C6bFxdFUGbOt1aPOFjY?mode=gi_t\">&nbsp;entre em contato<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo de Zaniboni e colaboradores publicado em 2025 investigou como pessoas autistas e al\u00edsticas (n\u00e3o autistas) percebem diferentes condi\u00e7\u00f5es de temperatura em ambientes internos. Essa pesquisa avaliou se ter acesso \u00e0 vista de \u00e1reas externas, especialmente de paisagens naturais, poderia influenciar essa percep\u00e7\u00e3o. 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