{"id":668,"date":"2024-08-05T11:38:46","date_gmt":"2024-08-05T14:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/?p=668"},"modified":"2024-09-27T20:04:23","modified_gmt":"2024-09-27T23:04:23","slug":"espacos-sensoriais-inclusivos-para-pessoas-autistas-precisamos-construir-a-base-de-evidencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/cau\/espacos-sensoriais-inclusivos-para-pessoas-autistas-precisamos-construir-a-base-de-evidencias\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7os sensoriais inclusivos para autistas: precisamos construir a base de evid\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p>Conforme Manning, Williams e MacLennan (2023),<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">em vista dos impactos consider\u00e1veis \u200b\u200bque o processamento sensorial pode ter na sa\u00fade mental e na qualidade de vida de pessoas autistas (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2020; PFEIFFER <em>et al.<\/em>, 2005), \u00e9 encorajador ver uma literatura cada vez maior sobre o processamento sensorial autista. No entanto, at\u00e9 o momento, a maioria das pesquisas se concentrou nas caracter\u00edsticas de processamento sensorial dos pr\u00f3prios indiv\u00edduos autistas (por exemplo, PROFF <em>et al.<\/em>, 2022, para revis\u00e3o), com muito menos considera\u00e7\u00e3o dos ambientes sensoriais aversivos que colocam demandas t\u00e3o altas no processamento sensorial de pessoas autistas. No entanto, pessoas autistas nos disseram que os ambientes sensoriais podem ser extremamente opressivos e podem apresentar barreiras para acessar certos lugares como supermercados, restaurantes, grandes lojas, escolas e ambientes m\u00e9dicos (DOHERTY <em>et al.<\/em>, 2022; HOWE, STAGG, 2016; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; PARMAR <em>et al.<\/em>, 2021; WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023). Consequentemente, no Reino Unido (onde estamos sediados), a Estrat\u00e9gia Nacional para Crian\u00e7as, Jovens e Adultos Autistas (2021\u20132026) visa que &#8220;muito mais empresas, servi\u00e7os do setor p\u00fablico e diferentes partes do sistema de transporte se tornem mais inclusivos para o autismo, para que autistas possam acessar esses espa\u00e7os e servi\u00e7os, assim como todas as outras pessoas&#8221; (GOVERNO DO REINO UNIDO, 2021). E internacionalmente, as Na\u00e7\u00f5es Unidas (2022) pediram o fornecimento de espa\u00e7os p\u00fablicos inclusivos e acess\u00edveis para todos at\u00e9 2030, exigindo o equil\u00edbrio de diferentes necessidades de acesso. Essas pol\u00edticas reconhecem a necessidade de adaptar ambientes sensoriais para melhorar a inclus\u00e3o e a sa\u00fade f\u00edsica e mental de autistas.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">H\u00e1 um n\u00famero crescente de recomenda\u00e7\u00f5es, muitas coproduzidas com autistas, para ajudar organiza\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os a se tornarem mais acess\u00edveis para autistas. Por exemplo, a Equipe Nacional de Desenvolvimento para a Inclus\u00e3o do Reino Unido (NDTI, 2020) divulgou um relat\u00f3rio sobre como atender \u00e0s necessidades sensoriais de jovens autistas em servi\u00e7os de interna\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental, e o <i>ASPECTSS Design Index<\/i> prop\u00f5e sete princ\u00edpios de design para melhorar o ambiente constru\u00eddo para autistas (MOSTAFA, 2015). Mais recentemente, a Institui\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica de Normas (BSI, 2022) publicou o Padr\u00e3o de Design sobre Neurodiversidade e Ambiente Constru\u00eddo (PAS 6463), que fornece orienta\u00e7\u00e3o sobre a cria\u00e7\u00e3o de ambientes sensoriais inclusivos para uma variedade de grupos neurodivergentes, a fim de atender \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es sociais e legais.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Al\u00e9m dos padr\u00f5es de design, iniciativas foram colocadas em pr\u00e1tica para modificar como os espa\u00e7os s\u00e3o usados \u200b\u200bem todo o mundo com a inten\u00e7\u00e3o de tornar os lugares mais inclusivos sensorialmente para autistas e outras pessoas com diferen\u00e7as de processamento sensorial. Por exemplo, o cord\u00e3o de girassol foi introduzido para permitir que pessoas com defici\u00eancias ocultas comuniquem que podem precisar de suporte ou tempo adicionais em locais p\u00fablicos, como aeroportos (HIDDEN DISABILITIES SUNFLOWER SCHEME, n.d.). V\u00e1rias grandes redes de supermercados e centros de varejo introduziram &#8220;hor\u00e1rios de sil\u00eancio&#8221;, nos quais est\u00edmulos sensoriais s\u00e3o minimizados, por exemplo, desligando a m\u00fasica de fundo e reduzindo o volume nas m\u00e1quinas de pagamento (DE LA FUENTE, WALSH, 2022). Tamb\u00e9m tem havido uma crescente oferta de espa\u00e7os silenciosos designados em locais esportivos e de entretenimento (por exemplo, espa\u00e7os &#8220;sensoriais amig\u00e1veis&#8221; na cidade de Surrey (s.d.), Canad\u00e1; est\u00e1dios de futebol na Copa do Mundo da FIFA [El AKOUM, DYER, 2022]). No teatro, foram introduzidas &#8220;performances relaxadas&#8221;, que reduzem est\u00edmulos sensoriais e fornecem um ambiente sem julgamentos para membros autistas do p\u00fablico (FLETCHER-WATSON, MAY, 2018). Embora essas iniciativas sejam relativamente recentes, autistas h\u00e1 muito consideram esses fatores ao criar espa\u00e7os autistas, como a confer\u00eancia <em>Autscape<\/em> iniciada em 2005 (AUTSCAPE, 2023).<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Tamb\u00e9m foram tomadas medidas para tornar cidades inteiras mais inclusivas para autistas. Clonakilty se tornou a primeira cidade &#8220;amiga do autismo&#8221; da Irlanda depois que uma s\u00e9rie de servi\u00e7os p\u00fablicos, escolas e empresas fizeram mudan\u00e7as para se tornarem mais inclusivas para o autismo (CLONAKILTY, n.d.). O Conselho de Blackpool no Reino Unido come\u00e7ou a desenvolver sua estrat\u00e9gia &#8220;Ambi\u00e7\u00e3o de Blackpool para Autistas &#8220;, com a vis\u00e3o de adotar uma abordagem intersetorial de toda a cidade para permitir o desenvolvimento autista (CONSELHO DE BLACKPOOL, 2022). No Canad\u00e1, uma iniciativa conduzida pela comunidade levou Channel-Port aux Basques\/Newfoundland a receber o <i>status<\/i> oficial de &#8220;amiga do autismo&#8221; (HOWES, 2023).<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">No entanto, a base de evid\u00eancias emp\u00edricas para substanciar essas diretrizes e iniciativas \u00e9 escassa. Pesquisas identificaram que h\u00e1 m\u00faltiplos fatores que precisam ser considerados ao tornar os espa\u00e7os mais prop\u00edcios para pessoas autistas, e estes v\u00e3o muito al\u00e9m de apenas reduzir a entrada sensorial (DOHERTY <em>et al.<\/em>, 2023; GARNER <em>et al.<\/em>, 2022; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; STOGIANNOS <em>et al.<\/em>, 2022). MacLennan <em>et al.<\/em> (2022) identificaram seis princ\u00edpios que determinam o qu\u00e3o incapacitantes ou habilitadores s\u00e3o os ambientes sensoriais, que incluem (1) a \u2018Paisagem sensorial\u2019 (ou seja, a intensidade e a natureza dos est\u00edmulos sensoriais), (2) Restri\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o, (3) Previsibilidade, (4) Compreens\u00e3o de outros, (5) Ajustes e (6) Oportunidade de recupera\u00e7\u00e3o (ver <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541\">Figura 1<\/a>). Muitos desses princ\u00edpios s\u00e3o capturados em iniciativas e recomenda\u00e7\u00f5es existentes. Por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u2018Previsibilidade\u2019, a BSI (2022) recomendou fornecer mapas sensoriais para tornar os espa\u00e7os mais previs\u00edveis, referindo-se a um exemplo do Museu de Londres\/Reino Unido. Enquanto isso, em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u2018Compreens\u00e3o\u2019, a NDTI (2020) reconheceu a necessidade de aumentar o entendimento da equipe em ambientes de interna\u00e7\u00e3o, e o <i>status<\/i> de cidade \u2018amiga do autismo\u2019 de Clonakilty exigia treinamento da equipe em servi\u00e7os, escolas e empresas. No entanto, a pesquisa de MacLennan <em>et al.<\/em> (2022) exp\u00f4s que alguns ajustes n\u00e3o s\u00e3o adequados ao prop\u00f3sito. Por exemplo, algumas pessoas autistas disseram que os hor\u00e1rios de sil\u00eancio em supermercados s\u00e3o inadequados, pois s\u00e3o pouco frequentes e em hor\u00e1rios inconvenientes, e que o cord\u00e3o do girassol foi frequentemente mal compreendido e n\u00e3o foi eficaz em dar a autistas o apoio que precisam. \u00c9 importante ressaltar que as iniciativas e diretrizes de design n\u00e3o podem ser consideradas como realmente representando a inclus\u00e3o at\u00e9 que autistas confirmem que se sentem inclu\u00eddos(as).<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Precisamos de uma base de evid\u00eancias muito mais forte para impulsionar mudan\u00e7as pol\u00edticas e garantir que iniciativas e diretrizes sejam eficazes e ben\u00e9ficas para autistas. Precisamos avaliar rigorosamente o impacto das adapta\u00e7\u00f5es implementadas ou recomendadas na disposi\u00e7\u00e3o de autistas irem a espa\u00e7os p\u00fablicos, o qu\u00e3o inclu\u00eddos(as) eles(as) se sentem nesses espa\u00e7os e sua qualidade de vida. Por exemplo, \u00e9 importante testar o impacto das adapta\u00e7\u00f5es recomendadas para ambientes de interna\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental no bem-estar e nas taxas de recupera\u00e7\u00e3o de autistas (WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023). Tamb\u00e9m \u00e9 importante identificar os par\u00e2metros espec\u00edficos subjacentes aos ambientes sensoriais ideais para autistas. Por exemplo, embora os padr\u00f5es visuais tenham sido identificados como desconfort\u00e1veis \u200b\u200bpara muitas pessoas autistas (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2021; PARMAR <em>et al.<\/em>, 2021), faltam pesquisas sistem\u00e1ticas sobre par\u00e2metros visuais precisos (por exemplo, n\u00edveis de contraste) que s\u00e3o particularmente dif\u00edceis e como isso pode variar entre pessoas autistas. Curiosamente, autistas frequentemente relatam desconforto com a ilumina\u00e7\u00e3o LED, mas as vari\u00e1veis \u200b\u200bprecisas que contribuem para esse desconforto, como a taxa de oscila\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram determinadas empiricamente (Buro Happold e NDTI, 2021). Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de import\u00e2ncia urgente, pois a ilumina\u00e7\u00e3o LED est\u00e1 sendo cada vez mais adotada como uma op\u00e7\u00e3o ecologicamente correta. Desenvolver uma base de evid\u00eancias sobre isso ajudar\u00e1 a projetar adapta\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas e destacar quais adapta\u00e7\u00f5es devem ser priorizadas, garantindo, por sua vez, que as organiza\u00e7\u00f5es implementem adapta\u00e7\u00f5es eficazes e adequadas.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Ao desenvolver esta base de evid\u00eancias crucial, tamb\u00e9m devemos considerar a representatividade e generaliza\u00e7\u00e3o das pesquisas. Estudos sobre ambientes sensoriais e autismo t\u00eam se concentrado at\u00e9 agora principalmente em crian\u00e7as em idade escolar e entre adultos jovens e de meia-idade (por exemplo, BLACK <em>et al.<\/em>, 2022; MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022; NDTI, 2020; STR\u00d6MBERG <em>et al.<\/em>, 2022). A menos que incluamos uma ampla gama de pessoas, incluindo pessoas autistas mais velhas (MICHAEL, 2016) e aquelas com defici\u00eancias intelectuais, n\u00e3o podemos ter certeza de que os designs e adapta\u00e7\u00f5es funcionar\u00e3o para todos(as). Como as necessidades sensoriais variam entre pessoas autistas, e at\u00e9 mesmo mudam no mesmo indiv\u00edduo ao longo do tempo (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2021), a pesquisa deve considerar como as adapta\u00e7\u00f5es podem ser personalizadas, em vez de serem &#8220;tamanho \u00fanico&#8221; (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022). Onde as adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser flex\u00edveis para atender \u00e0s necessidades individuais, \u00e9 particularmente importante garantir que o que torna o ambiente acess\u00edvel para algumas pessoas autistas n\u00e3o o torne inacess\u00edvel para outras pessoas autistas e, al\u00e9m disso, que as adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o afetem adversamente outros grupos. \u00c9 comumente assumido que as adapta\u00e7\u00f5es feitas para pessoas autistas tamb\u00e9m beneficiar\u00e3o pessoas n\u00e3o autistas (WILLIAMS <em>et al.<\/em>, 2023), mas essa suposi\u00e7\u00e3o precisa ser testada empiricamente. Por exemplo, os efeitos da redu\u00e7\u00e3o geral de sons em caixas de autoatendimento ou da redu\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o em supermercados precisariam ser testados cuidadosamente para garantir que essas adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam prejudiciais a outras pessoas, como aquelas com defici\u00eancia auditiva ou visual. No entanto, \u00e9 f\u00e1cil ver como outras modifica\u00e7\u00f5es, como fornecer informa\u00e7\u00f5es antecipadas sobre ambientes sensoriais (por exemplo, fotos em um <i>website<\/i>), tamb\u00e9m podem ajudar outras pessoas, como usu\u00e1rios de cadeira de rodas ou pessoas com ansiedade ou dem\u00eancia, a navegar no espa\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Enquanto muitas iniciativas existentes envolvem adapta\u00e7\u00f5es relativamente pequenas a estruturas existentes (por exemplo, hor\u00e1rios de sil\u00eancio em supermercados), o modelo de Design Universal garante que os ambientes sejam constru\u00eddos com pessoas com defici\u00eancia em mente desde o in\u00edcio. A aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do Design Universal pode garantir que o design beneficie pessoas com diversas prefer\u00eancias e habilidades, em vez de restringir o foco a pessoas autistas (MILTON <em>et al.<\/em>, 2017). Mais pesquisas baseadas em design, idealmente produzidas ou coproduzidas por pessoas autistas, s\u00e3o necess\u00e1rias para permitir uma abordagem de Design Universal com autistas em mente.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Tamb\u00e9m precisamos ampliar os contextos estudados, j\u00e1 que pesquisas sobre autismo e o ambiente constru\u00eddo se concentrou principalmente em escolas e lares (BLACK <em>et al.<\/em>, 2022). Mais pesquisas s\u00e3o particularmente necess\u00e1rias em lugares que pessoas autistas gostam de frequentar, o que pode incluir espa\u00e7os ao ar livre, mas tamb\u00e9m est\u00e1dios, casas de espet\u00e1culos e clubes (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022), e considerar as maneiras pelas quais esses lugares podem ser otimizados para as necessidades sensoriais de autistas. Outro cen\u00e1rio a ser considerado em pesquisas futuras \u00e9 o sistema de justi\u00e7a criminal. Embora autistas tenham mais probabilidade de serem v\u00edtimas de crimes do que infratores, pessoas autistas s\u00e3o, no entanto, super-representadas internacionalmente em todas as \u00e1reas do sistema de justi\u00e7a criminal, incluindo pris\u00f5es (BALDRY, 2014; CRIMINAL JUSTICE JOINT INSPECTORATE, 2021). No Reino Unido, uma recente Revis\u00e3o de Inspe\u00e7\u00e3o Conjunta de Justi\u00e7a Criminal de Evid\u00eancias (CRIMINAL JUSTICE JOINT INSPECTORATE, 2021) fez uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es para melhorar os servi\u00e7os para indiv\u00edduos neurodivergentes, incluindo um apelo para criar e habilitar ambientes &#8220;favor\u00e1veis \u200b\u200b\u00e0 neurodiversidade&#8221;. A resposta do Servi\u00e7o Prisional e de Liberdade Condicional de Sua Majestade e do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a (2023) a este relat\u00f3rio reconheceu que eles eram limitados pelos ambientes f\u00edsicos existentes, mas que os futuros programas de constru\u00e7\u00e3o de pris\u00f5es seriam informados pelas evid\u00eancias sobre esses princ\u00edpios de design. Portanto, \u00e9 importante construir esta base de evid\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"padding-left: 40px\">Igualmente \u00e9 importante considerar como podemos garantir que os avan\u00e7os obtidos com as pesquisas sejam traduzidos em impacto. Um desafio potencial \u00e9 que pesquisas sobre ambientes sensoriais no autismo seja inerentemente interdisciplinar, abrangendo campos como arquitetura, geografia, psicologia e estudos de defici\u00eancia, bem como as pol\u00edticas e iniciativas existentes em diferentes contextos geogr\u00e1ficos n\u00e3o sejam d\u00edspares e desconectadas. Portanto, um esfor\u00e7o concentrado \u00e9 necess\u00e1rio para conectar conhecimento e pol\u00edticas entre disciplinas e contextos. Tamb\u00e9m \u00e9 importante trabalhar com empresas e provedores de servi\u00e7os para identificar barreiras \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es ao ambiente sensorial e maneiras pelas quais elas podem ser superadas, por exemplo, identificando adapta\u00e7\u00f5es de baixo custo (GARNER <em>et al.<\/em>, 2022). Contudo, para uma mudan\u00e7a significativa, precisamos olhar al\u00e9m das empresas individuais e trabalhar em dire\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as no n\u00edvel de pol\u00edticas e mudan\u00e7as sociais. N\u00e3o s\u00e3o apenas ambientes sensoriais adversos que criam barreiras \u00e0 inclus\u00e3o autista, mas tamb\u00e9m a estigmatiza\u00e7\u00e3o de pessoas autistas que s\u00e3o sobrecarregadas por ambientes sensoriais (MACLENNAN <em>et al.<\/em>, 2022). Ao construir uma base de evid\u00eancias, podemos identificar as melhores maneiras de tornar os espa\u00e7os mais inclusivos sensorialmente e capacitadores para pessoas autistas.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>MANNING, C.; WILLIAMS, G.; MACLENNAN, K. Sensory-inclusive spaces for autistic people: we need to build the evidence base. <strong>Autism<\/strong>, v. 27, n. 6, p. 1511\u20131515, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/13623613231183541<\/a>. Acesso em: 5 ago. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme Manning, Williams e MacLennan (2023), em vista dos impactos consider\u00e1veis \u200b\u200bque o processamento sensorial pode ter na sa\u00fade mental e na qualidade de vida de pessoas autistas (MACLENNAN et al., 2020; PFEIFFER et al., 2005), \u00e9 encorajador ver uma literatura cada vez maior sobre o processamento sensorial autista. 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