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TABAGISMO X IMUNIDADE: OS EFEITOS DO TABACO SOBRE O SISTEMA IMUNE

por Coordenação publicado 10/07/2020 16h34, última modificação 10/07/2020 16h34
Texto elaborado pelos acadêmicos do Projeto Escolhas Responsáveis, revisado pelo Professor Dr. Gabriel Rodrigues Martins de Freitas e Professora Dra. SILVANA TERESA LACERDA JALES

O tabagismo pode ser considerado uma doença neurocomportamental decorrente da dependência da nicotina; somado a isto, outros fatores psicossociais como ansiedade, depressão, gatilhos e costumes, bem como fatores culturais e genéticos, são indutores da adesão e dificultam a cessação.

O tabagismo, além de ser uma doença crônica de dependência da nicotina, é um dos maiores fatores de risco para outras doenças. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de um bilhão de fumantes no mundo e o tabagismo representa uma das maiores ameaças à saúde pública, sendo responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes são resultados do uso direto do tabaco, enquanto mais de 1,2 milhão de mortes são resultados de não-fumantes expostos ao fumo passivo.

Os efeitos do tabaco estão associados às substâncias que o formam, as quais estão divididas entre a parte gasosa composta por monóxido de carbono, nicotina, amônia, cetonas, formaldeído, dentre outros, que é responsável por causar lesão tecidual; e a porção particulada composta por nicotina e alcatrão, que minimiza a capacidade de defesa da imunidade celular e humoral.

A fumaça do cigarro reduz a quantidade de células ciliares do trato respiratório, tornando as células caliciformes mais prevalentes e aumentando, consequentemente, a aderência de antígenos ao muco produzido em excesso por estas células. 

A porção gasosa é responsável ainda por reduzir a produção do Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α), um agente importante na resposta imunológica às neoplasias; e da Interleucina 12 (IL12), principal mediador da resposta imune natural a microrganismos intracelulares como os vírus. 

Há, ainda, evidências de que o nível sérico de imunoglobulinas esteja entre 10 e 20% menor nos fumantes e que estes apresentam os níveis de Linfócitos TCD4 diminuídos, o que resulta em minimização da capacidade de opsonização de antígenos.

A nicotina, presente em ambas as porções do tabaco, vem sendo relacionado com a elevação na contagem de leucócitos em fumantes ao induzir a liberação de catecolaminas. Sendo responsável também por inibir as ligações antígeno-anticorpo ao atuar na redução das concentrações intracelulares de cálcio dos Linfócitos T.

Além disto, o tabaco prejudica também a imunidade humoral ao reduzir os níveis de TAP1, que é a proteína transportadora responsável por conduzir o Complexo Principal de Histocompatibilidade 1 (MCH1) do citosol até a membrana celular. As moléculas do MHC1 exibem na membrana das células fragmentos proteicos que permitem que os Linfócitos T verifiquem se a célula está infectada por vírus, por exemplo.

Desta forma, fica evidente a ação prejudicial do tabaco sobre a capacidade de defesa do organismo, o que pode estar relacionado com uma maior suscetibilidade dos fumantes, ativos e passivos, as infecções, especialmente aquelas que atingem o trato respiratório

 

REFERÊNCIAS



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GIUSTI, A. L. Interferência do Tabaco no Sistema Imunitário- estado atual e perspectivas Revisão de literatura. Con Sientiae Saude, 2007.

 

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RABAHI, M. F. Tuberculose e Tabagismo. Pulmão RJ, 2012. 46-49. Disponível em: http://www.sopterj.com.br/wpcontent/themes/_sopterj_redesign_2017/_revista/2012/n_01/11.pdf. Acesso em: Junho de 2020