{"id":1094,"date":"2021-07-15T10:16:00","date_gmt":"2021-07-15T13:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=1094"},"modified":"2025-12-18T22:53:40","modified_gmt":"2025-12-19T01:53:40","slug":"identidade-e-autoestima-criadoras-de-conteudo-exaltam-beleza-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/identidade-e-autoestima-criadoras-de-conteudo-exaltam-beleza-negra\/","title":{"rendered":"Identidade e autoestima criadoras de conte\u00fado exaltam beleza negra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"673\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-216.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1095\" style=\"aspect-ratio:0.934738057439746;width:254px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-216.png 673w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-216-280x300.png 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 673px) 100vw, 673px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde crian\u00e7a, Andila Nahusi recebeu todo o incentivo para amar a imagem que via no espelho. A m\u00e3e e o pai faziam quest\u00e3o de mostrar imagens de mulheres com cabelo crespo e volumoso, de contar sobre suas origens e a hist\u00f3ria do povo negro. No entanto, foi na escola que Andila se deparou com o racismo em suas mais diversas formas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu era uma menina gorda, crespa e preta. Era muito dif\u00edcil conseguir construir uma autoestima numa fase que \u00e9 extremamente importante que a gente aprenda o nosso valor. Dentro de casa, eu tinha total apoio, mas a partir do momento que eu estava com pessoas da minha idade, eu era rejeitada\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, Andila n\u00e3o viu refer\u00eancias de beleza negra nas m\u00eddias. Dessa forma, era quase imposs\u00edvel n\u00e3o se comparar com outras garotas que estavam dentro do padr\u00e3o de beleza branco. \u201c\u00c9 quase inevit\u00e1vel que uma menina preta n\u00e3o se encontre em questionamento ou n\u00e3o tente se padronizar para poder ser aceita minimamente e conseguir viver coisas b\u00e1sicas. \u00c9 uma coisa que eu ou\u00e7o das minhas clientes at\u00e9 hoje, principalmente de quem nasceu nas d\u00e9cadas de 70, 80 ou 90. Isso \u00e9 um fato: a gente \u00e9 rejeitada e foi rejeitada pela imagem que a gente tinha\u201d, argumenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, Andila \u00e9 cabeleireira especialista em cabelos naturais e uma das idealizadoras do Studio Balacoch\u00ea, um espa\u00e7o de beleza e identidade voltado para cabelos ondulados, cacheados e crespos, situado em Jo\u00e3o Pessoa. O est\u00fadio est\u00e1 aberto h\u00e1 seis anos e conta com oito profissionais. Al\u00e9m de servi\u00e7os presenciais como cortes e tratamentos, o Balacoch\u00ea tamb\u00e9m oferece consultoria capilar online para que as mulheres possam conhecer mais sobre seu tipo de cabelo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela revela que quando crian\u00e7a n\u00e3o se imaginava trabalhando com um setor voltado para beleza e autoestima, mas que sua busca por espa\u00e7os onde pudesse se ver, acabou guiando-a para o atual trabalho. &#8220;Os caminhos foram me levando a essa trajet\u00f3ria de buscar um lugar onde eu conseguisse me enxergar e me cuidar. E eu queria proporcionar isso para outras mulheres porque fez muita falta na minha inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e juventude\u201d, comenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, mesmo em seus estudos e cursos de est\u00e9tica, era poss\u00edvel ver a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do cabelo natural e\u00a0das caracter\u00edsticas negras e crespas como express\u00f5es de beleza.\u00a0\u201cEra sempre uma quest\u00e3o de apagamento e a gente sabe que apagar a imagem de algu\u00e9m \u00e9 apagar sua identidade. Ent\u00e3o, fica mais f\u00e1cil dominar um povo quando ele n\u00e3o sabe de onde ele vem\u201d, argumenta.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"573\" height=\"716\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-217.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1096\" style=\"aspect-ratio:0.8002822311943867;width:280px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-217.png 573w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-217-240x300.png 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram tamb\u00e9m as cr\u00edticas ao cabelo crespo que marcaram a inf\u00e2ncia da criadora de conte\u00fado e social media, Gabs Ferrera. Ela relembra que seu cabelo era sempre visto como algo a ser domado e nunca recebeu um elogio sobre ele. Por isso, aos dez anos come\u00e7ou a alisar os fios. Com o tempo e a qu\u00edmica, o cabelo ficou fragilizado at\u00e9 sofrer corte qu\u00edmico, mas ainda assim ela continuou com o processo at\u00e9 queimar o couro cabeludo aos 20 anos e precisar cortar bem baixinho, revelando uma situa\u00e7\u00e3o corriqueira para as mulheres negras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente ap\u00f3s a adolesc\u00eancia e o processo de maturidade Gabs compreendeu que o padr\u00e3o de beleza vigente na sociedade faz parte de um sistema racista. \u201cPercebi que perdi anos da vida tentando me encaixar em algo que n\u00e3o era eu. Fui ouvindo, aprendendo e vendo que realmente se trata de um sistema opressor que come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s na falsa miscigena\u00e7\u00e3o\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje em dia, mulheres como Gabs e Andila s\u00e3o refer\u00eancias para outras que est\u00e3o em processo de aceita\u00e7\u00e3o de sua imagem e identidade. Para Andila \u00e9 mais f\u00e1cil ver representatividade negra dentro de revistas e programas de beleza, mas que grande parte do est\u00edmulo vem da internet. \u201cA gente n\u00e3o precisa mais somente da televis\u00e3o para poder se enxergar numa outra posi\u00e7\u00e3o de beleza e protagonismo\u201d, observa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo di\u00e1rio <\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"242\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-218.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1097\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-218.png 242w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-218-182x300.png 182w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a paraibana Maria Mariana Figueiredo, 25, social media e criadora de conte\u00fado sobre moda e autocuidado, o fato de que as futuras gera\u00e7\u00f5es ter\u00e3o mais refer\u00eancias na m\u00eddia \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m alerta que outras mudan\u00e7as ainda precisam ser feitas. \u201cA vis\u00e3o da mulher negra que \u00e9 bonita ainda segue um padr\u00e3o, tem muita coisa pra ser desconstru\u00edda, estamos no processo. Muitos passos importantes e muitas mudan\u00e7as j\u00e1 ocorreram, mas ainda \u00e9 um caminho que est\u00e1 sendo trilhado\u201d, avalia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/identidade-e-autoestima\/MariaMariana_editado.jpg\/@@images\/59e496e6-38d1-42c7-a917-537a0f92e287.jpeg\" alt=\"\">Maria Mariana incentiva mulheres pretas a amarem seus tra\u00e7os e buscarem o autocuidado. Ela conta que come\u00e7ou a produzir conte\u00fado sobre o assunto por gosto, mas continua no ramo por saber que motiva outras pessoas. Segundo a jovem, o padr\u00e3o de beleza branco e euroc\u00eantrico afeta toda a vida da mulher negra, desde suas refer\u00eancias at\u00e9 seu empoderamento. \u201cEnt\u00e3o, a mulher negra tendo apenas essa vis\u00e3o, esse posicionamento, essa refer\u00eancia, vai estar sempre buscando uma coisa que n\u00e3o \u00e9 dela, que n\u00e3o tem como ela atingir. Que n\u00e3o se parece com ela\u201d, fala a criadora de conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o processo para quebrar esse padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mariana diz que hoje adora sua pele, seu cabelo e seus tra\u00e7os, mas houve momentos que n\u00e3o e tamb\u00e9m entende que para muitas mulheres isso ainda \u00e9 muito dif\u00edcil. \u201c\u00c9 um processo e n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil. A gente n\u00e3o muda a vis\u00e3o de uma sociedade ou a nossa vis\u00e3o em um ano, por exemplo\u201d, avisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, Mariana diz que se sente muito mais segura sobre sua imagem, mas ainda h\u00e1 lugares e momentos em que ela sente a press\u00e3o est\u00e9tica sobre seu cabelo e seu corpo. Por isso, avisa que \u00e9 uma desconstru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. \u201cO primeiro passo \u00e9 voc\u00ea se reconhecer e entender esse padr\u00e3o de beleza eurocentrado e, depois, desconstruir isso na sua cabe\u00e7a. \u00c9 realmente um processo que eu sinto que estou muito mais avan\u00e7ada do que um dia eu j\u00e1 fui. N\u00e3o \u00e9 todo dia que eu vou estar me amando. Ent\u00e3o \u00e9 paci\u00eancia e resist\u00eancia\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00a0Extensionista: Al\u00e9ssia Guedes | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde crian\u00e7a, Andila Nahusi recebeu todo o incentivo para amar a imagem que via no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":481,"featured_media":1095,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1094","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/481"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1094"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1094\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1098,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1094\/revisions\/1098"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}