{"id":1134,"date":"2021-06-04T09:44:00","date_gmt":"2021-06-04T12:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=1134"},"modified":"2025-12-19T13:06:15","modified_gmt":"2025-12-19T16:06:15","slug":"violencia-contra-mulheres-pode-comecar-ainda-no-namoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/violencia-contra-mulheres-pode-comecar-ainda-no-namoro\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra mulheres pode come\u00e7ar ainda no namoro"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"511\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-239.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1136\" style=\"aspect-ratio:1.5029516704508596;width:298px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-239.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-239-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-239-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se discute viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, geralmente se pensa naquelas entre adultos. Os debates relacionados \u00e0s viv\u00eancias entre os jovens, principalmente, no que diz respeito \u00e0 presen\u00e7a\u00a0 da\u00a0 viol\u00eancia no namoro n\u00e3o s\u00e3o comuns.\u00a0Dados da ONU Mulheres, de 2019, mostram que a cada hora 526 mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de agress\u00e3o. Entre aquelas com idades entre 16 e 24 anos, a pesquisa\u00a0 aponta que 42,6% haviam sofrido viol\u00eancia nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estudante Patr\u00edcia (nome fict\u00edcio), 20 anos, est\u00e1 entre as jovens que vivenciaram viol\u00eancia em um namoro.&nbsp;Aos 17 anos, iniciou um relacionamento com um jovem da sua idade e com o decorrer do tempo percebeu mudan\u00e7as nas atitudes do namorado. Priva\u00e7\u00e3o da liberdade e chantagens emocionais eram recorrentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela relata que n\u00e3o podia sair com os familiares se o namorado n\u00e3o estivesse presente ou uma s\u00e9rie de chantagens seriam feitas. O rapaz culpava Patr\u00edcia pela tristeza que sentia, alegando que a causa era eles n\u00e3o estarem juntos o tempo todo. \u201cQuando eu viajava sozinha com minha fam\u00edlia, ele me mandava diversas mensagens dizendo que estava triste e que eu n\u00e3o podia fazer nada por ele, pois n\u00e3o est\u00e1vamos no mesmo lugar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda essa situa\u00e7\u00e3o fazia com que Patr\u00edcia se sentisse culpada e, com o tempo, parou de questionar as atitudes de cerceamento dele. &#8220;Passei a fazer coisas que ele desejava s\u00f3 para poder ficar em paz&#8221;, desabafa.&nbsp;Ap\u00f3s dois anos em uma rela\u00e7\u00e3o violenta, o namoro chegou ao fim. Patr\u00edcia afirma que o processo foi dif\u00edcil, mas que as refer\u00eancias de conte\u00fados feministas foram essenciais para a identifica\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias sofridas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estudante conta que est\u00e1 em outro relacionamento, mas&nbsp; que ainda lida com os traumas que ficaram do anterior. A jovem alega que tem tentado prosseguir confiante e certa de que n\u00e3o \u00e9 culpada pelos sofrimentos aos quais foi submetida.&nbsp;\u201cTodas as vezes que penso que consegui sair daquilo, eu choro de felicidade, mas sinto tristeza ao lembrar pelo que passei. Ainda n\u00e3o consigo lidar totalmente com os traumas que ficaram, mas tento n\u00e3o me culpar por tudo que passei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Rela\u00e7\u00f5es homoafetivas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia n\u00e3o ocorrem apenas em rela\u00e7\u00f5es heterossexuais. A&nbsp;psic\u00f3loga e pesquisadora Fernanda Sardelich&nbsp;explica que as rela\u00e7\u00f5es violentas independem da orienta\u00e7\u00e3o sexual e que os relacionamentos n\u00e3o heterossexuais tamb\u00e9m podem apresentar viol\u00eancia. A ideia de condi\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria que \u00e9 colocada sobre relacionamentos entre homens gays e mulheres l\u00e9sbicas gera dificuldades na identifica\u00e7\u00e3o dessas viol\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa foi a experi\u00eancia vivenciada pela estudante Izabelle Almeida, 20 anos. Ela narra que aos 17 anos namorou uma garota de sua idade e que essa foi uma rela\u00e7\u00e3o marcada por priva\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias verbais e amea\u00e7as de t\u00e9rmino. A jovem conta tamb\u00e9m que o enorme cansa\u00e7o e ang\u00fastia que sentia ajudaram na identifica\u00e7\u00e3o de que\u00a0 havia algo errado.\u00a0&#8220;Eu n\u00e3o podia ser eu mesma. N\u00e3o podia sair de casa, nem\u00a0 fazer o que eu gostava&#8221;.\u00a0 <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-238.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1135\" style=\"width:317px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-238.png 400w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-238-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-238-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/violencia-contra-mulheres-pode-comecar-ainda-no-namoro\/WhatsAppImage20210602at14.41.03.jpeg\/@@images\/fcd933db-7dec-411f-ab40-f1ef7f621dd9.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o durou tr\u00eas anos. Izabelle afirma que a situa\u00e7\u00e3o vivenciada fez com que percebesse a urg\u00eancia de tratar sobre o assunto entre relacionamentos n\u00e3o heterossexuais. \u201cO meu relacionamento abusivo foi em uma rela\u00e7\u00e3o entre mulheres l\u00e9sbicas. N\u00e3o entendo como uma mulher pode machucar outra. Precisamos falar ainda mais sobre isso, pois existe. O comportamento abusivo \u00e9 enraizado em todos os g\u00eaneros e \u00e9 preciso reconhecer e falar ainda mais sobre essa realidade\u201d, defende. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psic\u00f3loga e pesquisadora Fernanda Sardelich, realizou estudos sobre a viol\u00eancia entre casais de namorados em sua disserta\u00e7\u00e3o e tese, defendidas na UFPE. Com a disserta\u00e7\u00e3o \u2018Namoro e Viol\u00eancia: Um estudo sobre amor, namoro entre jovens de grupos populares e camadas m\u00e9dias\u2019, Fernanda analisou a percep\u00e7\u00e3o dos jovens sobre o significado de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas das rela\u00e7\u00f5es observadas pela pesquisadora, tanto na pesquisa como tamb\u00e9m nos atendimentos cl\u00ednicos, s\u00e3o similares ao que ocorreu com Patr\u00edcia. \u201cO cerceamento gerado por quem comete a viol\u00eancia, deixa o outro em uma situa\u00e7\u00e3o de total domina\u00e7\u00e3o, gerando um controle sobre a outra pessoa\u201d, avalia Fernanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), o projeto \u2018<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ext.amor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quando \u00e9 amor s\u00f3 quem bate \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o: promovendo a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no namoro de jovens e adolescentes\u2019<\/a>, coordenado pela professora do curso de Psicologia, Patr\u00edcia Fonseca, tem promovido debates com jovens de escolas da capital paraibana sobre o assunto. Esse \u00e9 o segundo ano da a\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo do projeto \u00e9 ajudar adolescentes na identifica\u00e7\u00e3o de comportamentos violentos. Atualmente, as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas na Escola&nbsp;Cidad\u00e3 Integral T\u00e9cnica Olivina Ol\u00edvia Carneiro da Cunha, em Jo\u00e3o Pessoa.&nbsp;Entre os assuntos debatidos com os estudantes est\u00e3o as diferen\u00e7as entre o ficar, namorar e noivar, al\u00e9m de uma avalia\u00e7\u00e3o dos relacionamentos e interven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das atividades executadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda Sardelich alerta que ao identificar sinais violentos na rela\u00e7\u00e3o que de alguma forma n\u00e3o sejam resolvidos atrav\u00e9s do di\u00e1logo, procurar ajuda psicol\u00f3gica e prote\u00e7\u00e3o devida \u00e9 o mais&nbsp; indicado. \u201cNa psicologia h\u00e1 algumas especializa\u00e7\u00f5es que tratam sobre relacionamento, que pensam sobre g\u00eanero, e o ideal \u00e9 procurar profissionais sens\u00edveis a essa quest\u00e3o, com escuta atenta e reflex\u00e3o\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Extensionista: Crislaine Hon\u00f3rio | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se discute viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, geralmente se pensa naquelas entre adultos. 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