{"id":1150,"date":"2020-12-21T09:56:00","date_gmt":"2020-12-21T12:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=1150"},"modified":"2025-12-19T13:25:02","modified_gmt":"2025-12-19T16:25:02","slug":"ser-mulher-e-estar-sempre-em-risco-95-afirmam-ter-medo-de-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/ser-mulher-e-estar-sempre-em-risco-95-afirmam-ter-medo-de-estupro\/","title":{"rendered":"\u201cSer mulher \u00e9 estar sempre em risco\u201d: 95% afirmam ter medo de estupro"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"384\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-247.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1152\" style=\"width:361px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-247.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-247-300x150.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre os v\u00e1rios crimes sofridos pelas mulheres em raz\u00e3o do g\u00eanero, o estupro \u00e9 aquele que mais viola a integridade f\u00edsica e moral das v\u00edtimas. Apesar de tipificado em lei, esse crime encontra barreiras sociais e culturais para ser coibido. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados da pesquisa&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia\/violencia-sexual\/pesquisa-brasileiros-reconhecem-impacto-do-estupro-e-direito-das-vitimas-ao-aborto-previsto-por-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cPercep\u00e7\u00f5es sobre estupro e aborto previsto em lei\u201d<\/a>, do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, mostrou&nbsp;que 52% dos entrevistados afirmaram conhecer uma mulher ou menina que j\u00e1 foi v\u00edtima de estupro. Enquanto 95% das mulheres revelaram ter o medo cotidiano de serem estupradas.&nbsp;Esse sentimento n\u00e3o \u00e9 por acaso. Segundo o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/aumento-da-violencia-contra-a-mulher-expoe-a-insuficiencia-das-leis-apontam-pesquisadoras\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2020<\/a>, o Brasil registrou um estupro a cada oito minutos, sendo 85,7% das v\u00edtimas do sexo feminino. Em 84,1% dos casos, o criminoso era conhecido da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crime&nbsp;de estupro n\u00e3o est\u00e1 ligado apenas ao desejo sexual do abusador, mas se relaciona tamb\u00e9m com a manuten\u00e7\u00e3o de uma sociedade machista, em que o homem estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de superioridade \u00e0 mulher. \u00c9 o que explica&nbsp;a assistente social&nbsp;Jessica Juliana, &nbsp;pesquisadora da \u00e1rea de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;\u201cOs homens se colocam em uma posi\u00e7\u00e3o em que sentem e t\u00eam certeza de que podem violar o corpo de uma mulher quando ela est\u00e1 em maior situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade\u201d, afirma a pesquisadora. Essa estrutura social \u00e9 definida por estudiosos como uma \u201ccultura do estupro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Janine Oliveira, mestra em Servi\u00e7o Social e pesquisadora de direitos sexuais, explica que a cultura do estupro n\u00e3o \u00e9 traduzida apenas nos casos isolados de viol\u00eancia, mas tem ra\u00edzes desde o in\u00edcio da vida da mulher. \u201cEssa cultura come\u00e7a antes mesmo de nosso sexo ser definido socialmente, est\u00e1 no ide\u00e1rio social de como uma sociedade se estrutura\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Jessica, desde cedo as meninas s\u00e3o ensinadas a como se vestirem e como se portarem.&nbsp;\u201cNos pedem para esconder os nossos corpos porque os homens s\u00e3o incontrol\u00e1veis. Isso significa dizer que nosso corpo pode ser a todo momento violado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Obst\u00e1culos para a den\u00fancia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em virtude desse cen\u00e1rio machista, as mulheres encontram dificuldades para denunciar o crime de viol\u00eancia sexual. Embora o C\u00f3digo Penal Brasileiro tipifique os crimes de estupro e estupro de vulner\u00e1vel, a Justi\u00e7a refor\u00e7a a criminaliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. Um desses exemplos foi o caso da&nbsp;<em>digital influencer<\/em>&nbsp;Mari Ferrer. No julgamento do caso de estupro, a jovem foi intimidada pelo advogado do acusado e chegou a chorar em raz\u00e3o da forte press\u00e3o psicol\u00f3gica sofrida durante a audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o casos que tiveram repercuss\u00e3o midi\u00e1tica, como o de Mari Ferrer, que refor\u00e7am a impunidade dos agressores e fazem com que outras mulheres se sintam desencorajadas a buscar ajuda. Ainda h\u00e1, tamb\u00e9m, a vergonha de expor a viol\u00eancia a qual foi v\u00edtima j\u00e1 que h\u00e1 o risco da fala ser invalidada.\u00a0 <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"391\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-246.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1151\" style=\"width:289px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-246.png 391w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-246-293x300.png 293w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/201cser-mulher-e-estar-sempre-em-risco201d-95-afirmam-ter-medo-de-ser-estupradas\/DadosdapesquisadoInstitutoPatrciaGalvo.jpg\/@@images\/1d6d78da-12ba-4c58-9966-a78af7bbb171.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao serem questionadas pelas roupas que usaram, pelos lugares em que estiveram e como se comportaram, as mulheres t\u00eam as suas den\u00fancias deslegitimadas. \u201cQuando ela tem coragem de denunciar, j\u00e1 passou por muitos processos de viol\u00eancias simb\u00f3licas, morais e no seu pr\u00f3prio corpo. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de contar, extrapolar ou adoecer\u201d, afirma Jessica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 um entendimento defendido tamb\u00e9m pela psic\u00f3loga Marcela Amaral. \u201cO processo de den\u00fancia pode ser revitimizante para a mulher\u201d, explica. \u201cEntrar em contato, novamente, com mem\u00f3rias e sensa\u00e7\u00f5es vivenciadas nos momentos de viol\u00eancia pode gerar um preju\u00edzo emocional gigantesco. Isso pode ser agravado quando os profissionais de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam qualifica\u00e7\u00e3o que os prepare para fazer entrevistas emp\u00e1ticas e humanizadas e para oferecer suporte\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Al\u00e9m da culpa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje, na nossa sociedade, discutimos muitos temas de direitos das mulheres. Mas ser mulher \u00e9 ainda estar sempre em risco\u201d, aponta Jessica. &nbsp;Apesar do cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, a pesquisadora refor\u00e7a a import\u00e2ncia da den\u00fancia para que as mulheres possam buscar puni\u00e7\u00f5es aos agressores e romper o ciclo de viol\u00eancia, j\u00e1 que pode evitar que outras mulheres tamb\u00e9m sejam v\u00edtimas do mesmo agressor. A den\u00fancia \u00e9, principalmente, uma maneira de fazer com que a mulher fale sobre o que lhe aconteceu e n\u00e3o se culpe pela viol\u00eancia sofrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aliado a isso, as pesquisadoras defendem que \u00e9 preciso que o Estado crie mecanismos e estrat\u00e9gias de den\u00fancia que n\u00e3o exponham ainda mais a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia ao sofrimento psicol\u00f3gico. A discuss\u00e3o constante e os esfor\u00e7os da sociedade civil s\u00e3o outras iniciativas que podem reverter esse cen\u00e1rio, eliminando o entendimento de que existem justificativas para os casos de estupro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ana L\u00edvia Mac\u00eado | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre os v\u00e1rios crimes sofridos pelas mulheres em raz\u00e3o do g\u00eanero, o estupro \u00e9 aquele [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":481,"featured_media":1152,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1150","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/481"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1150"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1153,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150\/revisions\/1153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}