{"id":1169,"date":"2020-12-30T15:51:00","date_gmt":"2020-12-30T18:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=1169"},"modified":"2025-12-19T13:55:28","modified_gmt":"2025-12-19T16:55:28","slug":"grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-e-posicionamento-para-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-e-posicionamento-para-mulheres\/","title":{"rendered":"Grafitti \u00e9 ferramenta de comunica\u00e7\u00e3o e posicionamento para mulheres"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-261.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1174\" style=\"width:299px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-261.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-261-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-261-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 quem ache bonito e outros que acreditam deixar a cidade suja, mas o grafite ou\u00a0<em>grafitti<\/em>\u00a0\u00e9 entendido como uma forma de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0para tantos outros. Esse tipo de arte \u00e9 um dos quatro pilares do movimento do hip-hop no qual os artistas fazem interven\u00e7\u00f5es urbanas atrav\u00e9s da pintura. Como a maioria das culturas que surge na periferia,\u00a0o grafite segue sendo um meio de enaltecer vozes oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversas artistas paraibanas usam\u00a0dessa ferramenta para ecoar seus posicionamentos, sentimentos, inquietudes, milit\u00e2ncias e egos. Taynha \u00e9 uma delas.\u00a0Iniciada nas artes em 2007 como uma brincadeira de adolescente, atualmente, aos 29 anos \u00e9 grafiteira profissional. Nas suas artes o imagin\u00e1rio do \u201cser mulher\u201d ganha destaque. \u201cMeu trabalho traz em evid\u00eancias constru\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas de mulheres, ent\u00e3o \u00e9 nelas que me inspiro. Ultimamente vem sendo fortalecida uma liga\u00e7\u00e3o com a natureza, formas org\u00e2nicas e cores. Talvez eu j\u00e1 me encontre em outro processo art\u00edstico, mas sempre tento respeitar e vivenciar o que preciso para desenvolver meu trabalho\u201d, discorre a artista sobre seu processo criativo. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"230\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-260.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1173\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-260.png 230w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-260-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produzir arte urbana n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil para as mulheres, uma vez que a rua&nbsp;\u00e9 um dos espa\u00e7os onde&nbsp;as mulheres mais sofrem importuna\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e outras viol\u00eancias. Taynha acredita na rua como um ambiente democr\u00e1tico para se&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-para-mulheres\/taynha2.jpg\/@@images\/e7ff3f4e-4a7b-4593-9207-568769991307.jpeg\" alt=\"\">&nbsp;manifestar apesar das adversidades. \u201cPara n\u00f3s mulheres, sempre foi uma luta conquistar espa\u00e7os p\u00fablicos e n\u00e3o estamos protegidas ao andar numa rua sozinha. Acho qualquer mulher que se arrisca em ocupar espa\u00e7os p\u00fablicos em nome&nbsp;da&nbsp;arte corajosa ao cubo.&nbsp;Ent\u00e3o sim, real\u00e7amos lutas feministas ocupando os espa\u00e7os urbanos com a arte\u201d, defende.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O picho \u00e9 uma forma de interven\u00e7\u00e3o urbana criminalizada e na maior parte das vezes tem rela\u00e7\u00e3o marca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio e resist\u00eancia. Quando as engrenagens do sistema capitalista apertam, elas saem nas ruas, pichando os muros e demonstrando que est\u00e3o vivas e resistindo. Uma delas \u00e9 a grafiteira Maga, integrante do grupo PDA.&nbsp;Criada&nbsp;em Mandacar\u00fa e outras comunidades vizinhas&nbsp;teve acesso a v\u00e1rios tipos de artes, mas s\u00f3 produziu interven\u00e7\u00f5es quando teve contato com outras estudantes da UFPB, onde estudava psicologia. \u201cComecei a me relacionar com pessoas de movimento negro, LGBTQIA+, feministas e durante a minha gradua\u00e7\u00e3o participei de algumas interven\u00e7\u00f5es pela descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto.&nbsp;Nesse momento que comecei a produzir efetivamente\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A correria de andar a p\u00e9, de bicicleta\u00a0ou\u00a0de \u00f4nibus fez com que Maga se tornasse \u00edntima das ruas e a tornasse um\u00a0di\u00e1rio para desabafar frustra\u00e7\u00f5es. \u201cA gente pode se colocar nas estruturas da cidade, j\u00e1 que ela por si s\u00f3 ergue suas estruturas sem perguntar nem pedir permiss\u00e3o a ningu\u00e9m. Quanto mais o sistema vai contra a gente mais a gente se coloca nas ruas nossa exist\u00eancia\u201d, reflete a grafiteira.\u00a0 <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"230\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-259.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1172\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-259.png 230w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-259-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-para-mulheres\/amaga2.jpg\/@@images\/4508125d-d9c6-4b1f-89e9-bcb6eacd6518.jpeg\" alt=\"\">Atualmente, aos 26 anos, rec\u00e9m-formada em psicologia, destaca a import\u00e2ncia das mulheres estarem ocupando as artes urbanas. \u201cNo picho n\u00e3o tem um jeito certo ou errado, voc\u00ea tem que ser \u00fanica e ter compromisso com a rua. A gente tem que se cuidar, at\u00e9 porque passamos por diversas situa\u00e7\u00f5es, mas buscamos nos fortalecer umas com as outras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maternidade \u00e9 o que tem inspirado a artista paraibana&nbsp;DayBlue. Em suas&nbsp;obras s\u00e3o destacadas a rela\u00e7\u00e3o com o seu filho e a mulheridade. \u201cTodas as minhas artes est\u00e3o voltadas para o feminino, de como ele pode ser diverso e ser forte em todos os sentidos.&nbsp;As nossas diferen\u00e7as \u00e9 o que nos torna&nbsp;unicamente fortes\u201d,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A artista teve seu primeiro contato com grafite em 2014, atrav\u00e9s de uma oficina, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o consegue viver apenas da arte. \u201cAcho que o sonho de todo artista \u00e9 viver daquilo que ama, mas na nossa sociedade ainda \u00e9 muito dif\u00edcil. O nosso estado comparado com os demais tem um retrocesso muito grande, \u00e9 preciso mudar nossa vis\u00e3o art\u00edstica e aprendermos mais a consumir arte \u201d, defende. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"230\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-258.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1171\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-258.png 230w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-258-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A parede foi mais uma superf\u00edcie para Nicotinta, que&nbsp;come\u00e7ou desenhando em papeis,&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-para-mulheres\/dayblue3.jpg\/@@images\/d4e785f1-654d-4487-a8ee-e330f0f2bd95.jpeg\" alt=\"\">&nbsp;mas percebeu que a sua arte n\u00e3o cabia mais numa folha de A4.&nbsp;Foi nesse momento que come\u00e7ou a fazer interven\u00e7\u00f5es; primeiro em banheiros pois o julgamento da rua lhe intimidava e s\u00f3 depois se sentiu mais confort\u00e1vel para pintar nos muros. \u201cNa rua existem outras intera\u00e7\u00f5es, as pessoas acabam interagindo na sua arte&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No come\u00e7o, ela conta que o processo criativo era bem intuitivo, mas agora est\u00e1 com uma narrativa mais pol\u00edtica. \u201cMeu trabalho sempre foi muito relacionado a g\u00eanero, mas recentemente tenho buscado introduzir sexualidade, corpo, montagem e mem\u00f3ria. A partir do momento que eu me entendi como uma pessoa que transita entre g\u00eaneros&nbsp;e desrespeita as f\u00f3rmulas prontas, isso se tornou um gatilho para minha cria\u00e7\u00e3o, que considero fora da feminilidade e masculinidade normativa.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"230\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-257.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1170\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-257.png 230w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-257-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/grafitti-e-ferramenta-de-comunicacao-para-mulheres\/NICO1.jpg\/@@images\/54f08e35-4dc5-4cae-8e2b-d96735312b03.jpeg\" alt=\"\">A arte para Nicotinta \u00e9 uma possibilidade de fugir da realidade e proporcionar transforma\u00e7\u00f5es. \u201cEu penso minha arte para que fuja da realidade cis, h\u00e9tero,\u00a0branca, para real\u00e7ar novas imagens e novos sentidos. Acredito que criar essas mem\u00f3rias \u00e9 uma ferramenta para naturalizar e mudar as coisas que a gente n\u00e3o gosta no mundo\u201d, diz. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As artistas t\u00eam viv\u00eancias diferentes do que \u00e9 e o que significa o movimento do grafite para si, mas essa \u00e9\u00a0a\u00a0autenticidade do movimento: mostrar a pluralidade das vozes e diferentes mundos. A arte urbana questiona no\u00e7\u00f5es do privado e p\u00fablico, de classe, de poder, basta um olhar atento para as ruas que \u00e9 f\u00e1cil entender o que a rua quer falar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gleyce Marques | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem ache bonito e outros que acreditam deixar a cidade suja, mas o grafite [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":481,"featured_media":1174,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1169","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/481"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1169"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1175,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions\/1175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}