{"id":606,"date":"2021-10-07T15:31:00","date_gmt":"2021-10-07T18:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=606"},"modified":"2025-12-12T14:49:38","modified_gmt":"2025-12-12T17:49:38","slug":"violencia-obstetrica-ainda-e-naturalizada-por-profissionais-e-hospitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/violencia-obstetrica-ainda-e-naturalizada-por-profissionais-e-hospitais\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia obst\u00e9trica ainda \u00e9 naturalizada por profissionais e hospitais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"565\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-28.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-607\" style=\"aspect-ratio:1.359318044832238;width:304px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-28.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-28-300x221.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 20 anos, Karla Germana, 47, estava gr\u00e1vida pela segunda vez e prestes a dar \u00e0 luz. No entanto, o momento que deveria ter sido sens\u00edvel e cheio de afeto, ficou marcado pela frieza e rigidez da m\u00e9dica que conduzia o parto ces\u00e1rea. Karla ainda relembra que sentiu-se horrorizada quando a m\u00e9dica usou palavras ofensivas ao ridicularizar suas partes \u00edntimas e que em momento algum sentiu a confian\u00e7a que a profissional havia mencionado durante as consultas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o parto, Karla ainda havia combinado previamente com a m\u00e9dica que ela tamb\u00e9m faria laqueadura. Mas, a vontade da parturiente n\u00e3o parece ter sido o suficiente para a profissional que, durante a cirurgia, procurou o marido de Karla para questionar se realmente deveria fazer o procedimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu me senti agredida\u201d, recorda. Karla ainda revela o quanto foi dif\u00edcil encarar a cirurgia sem um acompanhante.&nbsp; \u201cEu espero que nenhuma mulher v\u00e1 para uma sala de parto ou de cirurgia sem a companhia de algu\u00e9m, porque \u00e9 um momento em que voc\u00ea se sente muito s\u00f3 e vulner\u00e1vel\u201d , desabafa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que as mulheres, assim como Karla, n\u00e3o precisem enfrentar a sala de parto sozinhas, a Lei&nbsp;n\u00ba&nbsp;11.108\/2005&nbsp;foi promulgada com o intuito de garantir que a gestante tenha direito \u00e0 presen\u00e7a de um acompanhante de sua escolha durante&nbsp; o parto e o p\u00f3s-parto. Embora a lei trate dos partos realizados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a norma tamb\u00e9m foi regulamentada pela ANS e passou a valer para os planos de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, esse direito ainda est\u00e1 longe de ser assegurado nos hospitais do pa\u00eds. Em 2017, a doula Thayana Jovino havia optado pelo parto domiciliar, mas, por ter precisado fazer transfer\u00eancia para o hospital, sofreu toda a discrimina\u00e7\u00e3o que \u00e9 provocada por este tipo de situa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela conta que o pai de seu filho precisou chamar a pol\u00edcia para que tivesse assegurado o direito de acompanh\u00e1-la durante o processo de triagem no hospital. Thayana tamb\u00e9m lembra que durante a cesariana foi tratada com bastante rispidez pela m\u00e9dica e teve diversas escolhas ignoradas pela pediatra que acompanhou seu filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela ainda recorda que no p\u00f3s-parto, enquanto estava no bloco cir\u00fargico, as m\u00e9dicas questionaram sua escolha de parir em casa. \u201cFiquei conhecida como a doula que tentou parir em casa, deu errado e o beb\u00ea nasceu em sofrimento. A hist\u00f3ria que ficou \u00e9 que meu filho estava em sofrimento fetal, mas n\u00e3o estava\u201d, relembra o momento dif\u00edcil que viveu.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u201cD\u00f3i nada, quando foi fazer n\u00e3o doeu\u201d&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os anos passaram, mas as agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas \u00e0s gestantes continuam sendo usuais nos hospitais particulares e p\u00fablicos do pa\u00eds. Em janeiro deste ano, Maria Aparecida, 41, tamb\u00e9m se sentiu agredida durante o tempo em que passou internada esperando o momento do seu parto.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"593\" height=\"604\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-29.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-608\" style=\"aspect-ratio:0.981820794711504;width:348px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-29.png 593w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-29-295x300.png 295w\" sizes=\"auto, (max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das m\u00e9dicas que a atendeu durante os oito dias em que passou internada, deixou lembran\u00e7as horr\u00edveis para Aparecida. Ela relembra que teve sua dor questionada e diminu\u00edda pela profissional, al\u00e9m de fazer piadinhas sobre n\u00e3o ter do\u00eddo na hora de engravidar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exame de toque, realizado para verificar a dilata\u00e7\u00e3o do colo do \u00fatero durante o trabalho de parto, foi outro momento dif\u00edcil. Maria Aparecida conta que a m\u00e9dica realizou o exame enquanto ela estava sentada em uma cadeira na frente de outras gestantes e suas acompanhantes. Al\u00e9m de ter ficado dias com dores por conta do exame, tamb\u00e9m permaneceu com a lembran\u00e7a do constrangimento da situa\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto Karla Germana quanto Maria Aparecida vivenciaram situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia obst\u00e9trica, que consiste em toda a\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o ou agress\u00e3o que ocorre no decorrer da gravidez, parto ou puerp\u00e9rio e que pode acarretar dano f\u00edsico, emocional ou ps\u00edquico para a mulher. No Brasil, esse fen\u00f4meno \u00e9 recorrente nos hospitais do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados de um levantamento da&nbsp;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo<\/a>&nbsp;apontam que uma em cada quatro mulheres brasileiras passam por viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enfermeira obst\u00e9trica e doula Thayana Jovino conta que, na maioria dos casos, as mulheres nem sabem que sofreram viol\u00eancia e acreditam que as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o normais e necess\u00e1rias no parto. Al\u00e9m disso, a enfermeira ressalta que h\u00e1 casos em que mesmo com conhecimento e experi\u00eancia sobre o assunto, as mulheres vivenciam a agress\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNos tornamos extremamente vulner\u00e1veis no ciclo grav\u00eddico- puerperal e somos desrespeitadas em nossas escolhas! Infelizmente, a maioria das mulheres ir\u00e1 sofrer algum tipo de viol\u00eancia obst\u00e9trica, principalmente no momento do parto\u201d, alerta a doula.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enfermeira defende que as gestantes sejam informadas acerca dos tipos de viol\u00eancia que podem sofrer e sobre seus direitos, assim podem identificar e talvez usar estrat\u00e9gias que evitem a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Ela tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de denunciar os casos. \u201cPrecisamos entender que s\u00f3 iremos diminuir os casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica denunciando e cobrando a puni\u00e7\u00e3o devida\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Protagonistas de suas gesta\u00e7\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto de extens\u00e3o Percep\u00e7\u00f5es do Parto tem o intuito de incentivar que as mulheres sejam as protagonistas durante suas gesta\u00e7\u00f5es. A ideia \u00e9 fornecer informa\u00e7\u00f5es \u00e0s gestantes para que elas tenham autonomia sobre suas escolhas. Por\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/violencia-obstetrica-naturalizada-profissionais-hospitais\/Thayana_editado.jpg\/@@images\/ed42d496-f1e6-430e-adec-c3fa159b0e71.jpeg\" alt=\"\">\u00a0conta da pandemia, o projeto tem atuado por meio do Instagram, divulgando cartilhas informativas e produzindo posts e v\u00eddeos que abordam assuntos importantes sobre a gesta\u00e7\u00e3o, parto e p\u00f3s parto.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"543\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-30.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-609\" style=\"aspect-ratio:1.4144078144078145;width:364px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-30.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-30-300x212.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Segundo Vaitssa Jorge, bolsista do projeto e estudante do oitavo per\u00edodo de medicina, a equipe tamb\u00e9m aposta em caixas de perguntas para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e responde as d\u00favidas que surgem pelo direct.\u00a0\u00a0A inten\u00e7\u00e3o da equipe \u00e9 que em breve estejam atuando tamb\u00e9m presencialmente no ambulat\u00f3rio de obstetr\u00edcia do Hospital Universit\u00e1rio Lauro Wanderley (HULW-UFPB), onde pretendem fazer rodas de conversas e a\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Denuncie<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Para\u00edba, o Governo do Estado lan\u00e7ou, ano passado, por meio da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana, com colabora\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado da Sa\u00fade, uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/paraiba.pb.gov.br\/diretas\/secretaria-da-mulher-e-da-diversidade-humana\/arquivos\/cartilha-sobre-violencia-obstetrica.pdf\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cartilha<\/a>&nbsp;sobre viol\u00eancia obst\u00e9trica para gr\u00e1vidas e pu\u00e9rperas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cartilha exp\u00f5e os tipos de viol\u00eancias e orienta as mulheres sobre os meios para formalizar uma den\u00fancia. Al\u00e9m disso, o conte\u00fado tamb\u00e9m oferece mecanismos de interven\u00e7\u00e3o que podem ser adotados por profissionais de sa\u00fade que presenciaram algum tipo de viola\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as mulheres que sofreram algum tipo de agress\u00e3o, alguns dos canais de den\u00fancia s\u00e3o: Ouvidoria da maternidade, conselhos de classe profissionais, Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade (para maternidade privada), Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria p\u00fablica (maternidade p\u00fablica e privada) e Disque 180.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Extensionista: Al\u00e9ssia Guedes | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 20 anos, Karla Germana, 47, estava gr\u00e1vida pela segunda vez e prestes a dar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=606"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":610,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606\/revisions\/610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}