{"id":612,"date":"2021-08-30T08:57:00","date_gmt":"2021-08-30T11:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=612"},"modified":"2025-12-12T14:59:13","modified_gmt":"2025-12-12T17:59:13","slug":"violencia-psicologica-e-tao-devastadora-quanto-agressoes-fisicas-alerta-psicologa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/violencia-psicologica-e-tao-devastadora-quanto-agressoes-fisicas-alerta-psicologa\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e9 t\u00e3o devastadora quanto agress\u00f5es f\u00edsicas, alerta psic\u00f3loga"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-31.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-613\" style=\"aspect-ratio:1.5000323729362253;width:372px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-31.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-31-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-31-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Definir uma agress\u00e3o quando ela \u00e9 concreta e deixa marcas \u00e9 mais f\u00e1cil do que perceber viol\u00eancias que avan\u00e7am quase que silenciosamente. H\u00e1 certas condutas em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar diretamente quem est\u00e1 nos fazendo sentir humilhada ou oprimida, quem est\u00e1 destruindo a nossa autoestima. Podemos at\u00e9 pensar que a culpa est\u00e1 dentro da gente e n\u00e3o no outro. \u00c9 assim que avan\u00e7am os relacionamentos violentos e que se materializa o novo crime de viol\u00eancia psicol\u00f3gica sancionado no \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 7, inciso II, da Lei Maria da Penha, j\u00e1 definia a viol\u00eancia psicol\u00f3gica como uma das formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. A Lei n\u00ba 14.188, sancionada pelo Governo Federal no \u00faltimo dia 29 de Julho, altera agora o C\u00f3digo Penal, criando a tipifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher. Ou seja, agora algu\u00e9m pode ser enquadrado na lei e sofrer pena de seis meses a dois anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>O crime consiste no ato de causar dano emocional, de forma que perturbe o desenvolvimento da v\u00edtima e tenha o objetivo de degradar e controlar suas a\u00e7\u00f5es, comportamentos, cren\u00e7as, entre outros. A agress\u00e3o pode ocorrer atrav\u00e9s de um constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, manipula\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, a limita\u00e7\u00e3o do ir e vir. Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas nesses casos, s\u00e3o tamb\u00e9m enquadradas todas as a\u00e7\u00f5es que causem preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade psicol\u00f3gica e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher s\u00e3o mais comuns do que contra os homens, \u00e9 o que revela a \u00faltima\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/30658-violencia-atingiu-29-1-milhoes-de-pessoas-em-2019-mulheres-jovens-e-negros-sao-as-principais-vitimas#:~:text=Em%202019%2C%2017%2C4%25,0%25)%20para%20as%20v%C3%ADtimas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pesquisa Nacional de Sa\u00fade<\/a>\u00a0(PNS), realizada em 2019. \u00c9 mais comum que os agressores das mulheres sejam parceiros ou parentes, pr\u00f3ximos ou distantes, e tamb\u00e9m aqueles que n\u00e3o possuem mais nenhum relacionamento com a v\u00edtima, como ex-maridos ou ex-namorados (32% ante 14,7% para os homens). J\u00e1 para os homens, a agress\u00e3o ocorre principalmente fora do c\u00edrculo familiar.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"544\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-32.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-614\" style=\"aspect-ratio:1.411822059719683;width:359px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-32.png 768w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-32-300x213.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A advogada Raphaelly&nbsp;Keller&nbsp;enxerga a lei como mais uma medida bem vinda de enfrentamento a viol\u00eancia contra a mulher. Ela entende que a possibilidade de tipifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de v\u00e1rias formas \u00e9 extremamente necess\u00e1ria, j\u00e1 que as mulheres se encontram em uma realidade de ass\u00e9dio e persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Raphaelly relembra que \u00e9 muito importante realizar a den\u00fancia, e a v\u00edtima tem o direito de faz\u00ea-la a partir do momento em que foi amea\u00e7ada, ridicularizada, constrangida ou qualquer outra forma de ataque psicol\u00f3gico. Afinal, o crime \u00e9 &#8220;consumado quando a v\u00edtima \u00e9 abalada emocionalmente&#8221;, explica a advogada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O impacto psicol\u00f3gico da viol\u00eancia<\/h3>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Marisia da Silva, professora do Departamento de Psicologia da UFPB, explica que a viol\u00eancia psicol\u00f3gica causa um preju\u00edzo direto \u00e0 sa\u00fade mental, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 dif\u00edcil para a v\u00edtima compreender as agress\u00f5es, porque ela n\u00e3o consegue identificar de onde vem os sentimentos de opress\u00e3o, ang\u00fastia e ansiedade, por exemplo. Isso acontece porque o relacionamento passa por um processo de romantiza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, por tamb\u00e9m estarem envolvidos sentimentos de amor, afeto e paix\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"614\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-33.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-615\" style=\"aspect-ratio:0.7994945723967607;width:348px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-33.png 614w, https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-33-240x300.png 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>S\u00e3o sentimentos que podem se voltar contra a v\u00edtima, fazendo com que ela acredite que \u00e9 a culpada por ser imatura, fr\u00e1gil ou n\u00e3o compreender. Marisia explica que mulheres possuem dificuldade em identificar problemas na sua rela\u00e7\u00e3o com o outro, mas possuem muita facilidade em acreditar no contr\u00e1rio, que o problema est\u00e1 nelas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas v\u00edtimas n\u00e3o compreendem que est\u00e3o em um relacionamento violento porque ele \u00e9 mascarado por sentimentos de amor, cuidado e prote\u00e7\u00e3o, que aparentam n\u00e3o ser agressivos. \u00c9 uma viol\u00eancia muito sutil, diferente de outras que deixam marcas f\u00edsicas ou patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A lei \u00e9 fundamental porque vivemos em uma sociedade que tendemos a considerar viol\u00eancia apenas aquilo que \u00e9 f\u00edsico ou material. Sofrimentos ps\u00edquicos, que historicamente vivemos, s\u00e3o muito desconsiderados e criticados, muitas vezes entendido como fragilidade, fraqueza e incapacidade&#8221;, defende a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecer a autoria e o sofrimento \u00e9 muito dif\u00edcil, mas as pessoas ao redor podem identificar. A psic\u00f3loga explica que amigas ou familiares podem identificar com mais facilidade e ajudar a v\u00edtima a sair desse contexto. Caso contr\u00e1rio, a tend\u00eancia \u00e9 que a mulher entre em um contexto depressivo, com quadros de p\u00e2nico e ansiedade. &#8220;A mulher sofre porque vive um dilema entre amor e a busca de liberdade&#8221;, esclarece Marisia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Denuncie viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher<\/h3>\n\n\n\n<p>V\u00edtimas e testemunhas podem denunciar casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, f\u00edsica, sexual ou qualquer outro tipo, nas 14 Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAM) espalhadas pela Para\u00edba. Outra alternativa \u00e9 ligar para o 197 (Pol\u00edcia Civil), 190 (Pol\u00edcia Militar, para chamado de urg\u00eancia) ou o 180.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se a ocorr\u00eancia n\u00e3o envolver viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual, como casos caracter\u00edsticos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, que envolvem amea\u00e7as ou humilha\u00e7\u00f5es, a v\u00edtima poder\u00e1 ser denunciar no site da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.delegaciaonline.pb.gov.br\/pages\/index.xhtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Delegacia Online<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Extensionista: Grace Vasconcelos | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Definir uma agress\u00e3o quando ela \u00e9 concreta e deixa marcas \u00e9 mais f\u00e1cil do que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":613,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=612"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":616,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/612\/revisions\/616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}