{"id":993,"date":"2020-07-14T18:06:00","date_gmt":"2020-07-14T21:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/?p=993"},"modified":"2025-12-17T18:08:22","modified_gmt":"2025-12-17T21:08:22","slug":"solidao-substantivo-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/elas-noticias-de-interesse-para-mulheres\/solidao-substantivo-feminino\/","title":{"rendered":"Solid\u00e3o, substantivo feminino"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"129\" src=\"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-content\/uploads\/sites\/79\/sites\/269\/2025\/12\/image-179.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-994\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa\u00a0da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2017\/10\/26\/pesquisa-revela-como-brasileiro-encara-envelhecimento-solidao-e-maior-medo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sociedade de Geriatria e Gerontologia de S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0apontou que um dos maiores medo dos brasileiros \u00e9 a solid\u00e3o. Com as medidas de isolamento social para impedir a propaga\u00e7\u00e3o do novo Coronav\u00edrus, muitas mulheres lidado com esse desafio e buscado maneiras de manter a sa\u00fade f\u00edsica e mental sem a companhia de familiares ou amigos. At\u00e9 mesmo para aquelas que j\u00e1 moravam sozinhas, a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o tem se acentuado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 20 anos, Vit\u00f3ria Soares nunca havia morado sozinha desde que saiu de S\u00e3o Paulo para estudar em Jo\u00e3o Pessoa. H\u00e1 dois anos, estava acostumada a dividir um apartamento com a prima, que precisou se mudar quando a quarentena teve in\u00edcio. Em meio a uma pandemia mundial, Vit\u00f3ria teve que encarar a mudan\u00e7a e, sozinha, entender como se adequar ao novo cen\u00e1rio. \u201cNo in\u00edcio foi bem complicado, eu estava tendo problemas com meu sono, com minha produtividade e estava me sentindo perdida sobre como seria passar por tudo isso\u201d, conta.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/solidao-substantivo-feminino\/1.jpg\/@@images\/eb4ca254-845d-4f7b-9a0f-8543c1571678.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente de Vit\u00f3ria, Kerolyne Stefane morava sozinha h\u00e1 seis anos. \u201cEu nunca me vi muito tempo dentro de casa a n\u00e3o ser para dormir\u201d, diz. A int\u00e9rprete de Libras estava acostumada com uma rotina agitada, em que conciliava o trabalho com a faculdade e n\u00e3o lhe sobrava tempo livre nem mesmo nos fins de semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, Kerolyne j\u00e1 se sentia sozinha pela falta de uma companhia f\u00edsica para conversar depois de um dia cheio de atividades. Com mais tempo em casa, a jovem percebeu a situa\u00e7\u00e3o piorar. \u201cEu n\u00e3o imaginava a dura\u00e7\u00e3o que teria a pandemia, por isso piorei bastante. Passei a ter sentimentos de inutilidade, perdi peso, choro quase todos os dias. Me vejo extremamente perdida\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Maria Graciete, que mora sozinha h\u00e1 11 anos, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem sido dif\u00edcil. Acostumada a uma rotina de trabalho, frequentar a igreja e sair com amigos, atualmente h\u00e1 tr\u00eas meses em isolamento, suas \u00fanicas sa\u00eddas t\u00eam sido para o supermercado e a farm\u00e1cia. \u201cSe antes eu j\u00e1 me sentia s\u00f3, hoje eu me sinto ainda mais. Apesar de ter sido uma escolha minha morar sozinha, antes [da pandemia] era diferente\u201d, avalia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Distanciamento social e a solid\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a psic\u00f3loga Mayara Almeida, o distanciamento denuncia algo que j\u00e1 havia na vida das pessoas, mesmo que silenciosamente. Por essa raz\u00e3o, esse momento pode afetar de maneira mais intensa o equil\u00edbrio emocional, trazendo sintomas como a frustra\u00e7\u00e3o, o t\u00e9dio, a raiva, a irritabilidade e a ins\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo distanciamento social, a casa nem sempre se torna um local confort\u00e1vel\u201d, afirma Mayara. A profissional defende a import\u00e2ncia de manter uma rotina amena: valorizar o autocuidado, fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos, aprender um novo idioma. A psic\u00f3loga tamb\u00e9m indica a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/B_5twwNn6-s\/?utm_source=ig_web_copy_link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">terapia on-line<\/a>&nbsp;, que pode ser acessada pelas mulheres mesmo de casa, e \u201cn\u00e3o perder de vista os contatos a partir do uso da tecnologia para que estar sozinho n\u00e3o se torne solid\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ser uma alternativa de distra\u00e7\u00e3o recorrente, o uso das redes sociais em excesso pode ser prejudicial.Esse \u00e9 um ponto defendido tamb\u00e9m pela psic\u00f3loga Mayara Almeida, que alerta para o perigo do uso excessivo da internet. \u201cPara quem mora sozinho, [\u00e9 importante] perceber que outras tarefas est\u00e3o sendo feitas e essa intensidade de modo que ela n\u00e3o atrapalhe o bem-estar e outras atividades que venham a surgir durante o dia\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kerolyne Stefane mantinha uma conta ativa nas redes sociais para dividir com seguidores e amigos um pouco de seu cotidiano, mas agora encontra na internet um espa\u00e7o cansativo. Aos poucos, ela tenta buscar prazer em atividades que costumava praticar, como a dan\u00e7a. Al\u00e9m disso, tem tentado fazer yoga atrav\u00e9s de aulas virtuais, uma pr\u00e1tica que sempre quis fazer, mas nunca conseguiu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/solidao-substantivo-feminino\/2.jpg\/@@images\/d9329563-9fd5-49e4-bcda-48ad7c6d0008.jpeg\" alt=\"\" title=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Graciete, por sua vez, tem dispensado o uso em excesso e defende que \u201cn\u00e3o \u00e9 a mesma coisa do contato f\u00edsico, do olho no olho\u201d. Bordadeira de vestidos de noiva, Graciete tem aproveitado os momentos em que o chefe leva algum trabalho para fazer, para se distrair com a atividade manual. \u201cTenho tamb\u00e9m um livro de pintura para adultos que eu vou pintar. D\u00e1 pra esquecer um pouco a solid\u00e3o\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda realizando atividades \u00e0 dist\u00e2ncia, a estudante Vit\u00f3ria Soares busca manter a mente ocupada n\u00e3o s\u00f3 com as obriga\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m reservando um per\u00edodo para ler, assistir s\u00e9ries de TV e fazer exerc\u00edcios: \u201cNo come\u00e7o, eu me cobrava muita produtividade, mas depois de conversar com amigos e ver relatos de outras pessoas, eu comecei a compreender melhor sobre isso e n\u00e3o me cobro tanto, tento atender \u00e0s demandas do est\u00e1gio e das aulas sem muita press\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Esperan\u00e7a para o p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria psic\u00f3loga Mayara Almeida tem precisado readaptar a pr\u00e1tica profissional e entender o per\u00edodo de isolamento social. Ela tem mantido registros nas redes sociais buscando inspirar outras pessoas a enfrentarem esse momento: \u201cA minha maneira de lidar com a pandemia \u00e9 uma maneira que fala, porque eu escrevo, eu converso, eu reflito, eu procuro estrat\u00e9gias para atravessar e construir uma situa\u00e7\u00e3o menos dif\u00edcil, menos pesada\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/plone.ufpb.br\/comu\/contents\/noticias\/solidao-substantivo-feminino\/3.jpg\/@@images\/f0af3603-c5ec-4ee5-9c8e-849d798bc0cf.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de Kerolyne, a esperan\u00e7a para enfrentar os dias dif\u00edceis est\u00e1 na possibilidade de, em breve, poder rever seus familiares e amigos. J\u00e1 para Maria Graciete, suas expectativas se depositam no seu encontro espiritual, no seu ritual de f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como defende a psic\u00f3loga, \u00e9 um processo de readequar a solid\u00e3o e torn\u00e1-la um momento de solitude em que se reconhece a necessidade de estar sozinho e poder aproveitar a experi\u00eancia. \u201cEu estou ciente de que h\u00e1 uma diversidade de maneiras de lidar com isso, n\u00e3o estamos todos no mesmo barco, mas eu costumo valorizar uma esperan\u00e7a por dia\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ana L\u00edvia Mac\u00eado | Edi\u00e7\u00e3o: Lis Lemos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa\u00a0da\u00a0Sociedade de Geriatria e Gerontologia de S\u00e3o Paulo\u00a0apontou que um dos maiores medo dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":236,"featured_media":994,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elas-noticias-de-interesse-para-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/236"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=993"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":995,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions\/995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufpb.br\/comu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}