UFPB reúne três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia em evento nacional

CiMOL, INCT-Preconceitos e INCT Trabalho articulam pesquisadores, instituições e estudantes em diferentes áreas do conhecimento

quinta-feira, 1 de outubro de 2026
atualizado em quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Da investigação de fenômenos moleculares ao estudo dos preconceitos e das transformações no mundo do trabalho, três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) sediados na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) articulam pesquisadores, instituições e estudantes em redes nacionais e internacionais de pesquisa. Juntos, o INCT-CiMol, o INCT-Preconceitos e o INCT Trabalho, Inclusão e Equidade atuam em áreas distintas, com projetos que envolvem produção científica, formação de pesquisadores, cooperação entre instituições e geração de conhecimento para diferentes setores da sociedade.

A atuação dos três institutos foi apresentada durante o Seminário INCT 2026, realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 22 e 24 de setembro, em Brasília. O encontro reuniu coordenadores e representantes dos 243 INCTs atualmente em atividade no país. Pela UFPB, participaram os coordenadores Júlio Santos Rebouças, do INCT-CiMol; Ana Raquel Rosas Torres, do INCT-Preconceitos; e Roberto Véras de Oliveira, do INCT Trabalho.

O INCT-CiMol, coordenado por Júlio Santos Rebouças, é o mais antigo dos três institutos atualmente sediados na UFPB. Com quatro anos de atuação, reúne 23 instituições brasileiras, duas empresas e pesquisadores em cooperação com 15 países. Suas pesquisas abrangem fundamentos moleculares, química da biologia, medicina e saúde, química ambiental e biogeoquímica, energia e sustentabilidade, ciência molecular dos alimentos, materiais e nanociência.

A rede já registra 450 artigos científicos, 110 dissertações, 58 teses, 23 pedidos de patentes ou registros e 822 vínculos de formação. Além dos recursos destinados ao próprio instituto, o CiMol ampliou sua infraestrutura científica com a captação de cerca de R$ 21 milhões adicionais em editais. Durante o Seminário INCT 2026, o instituto apresentou os resultados de seus quatro primeiros anos: das 13 metas estabelecidas, 12 foram cumpridas ou superadas. O CiMol foi um dos três institutos da área de Ciências Exatas e da Terra selecionados para apresentar sua experiência na programação do evento.

Na área de Ciências Humanas e Sociais, o INCT-Preconceitos, coordenado pela professora Ana Raquel Rosas Torres, é um observatório nacional dedicado ao estudo dos preconceitos e das discriminações. As pesquisas do instituto abrangem diferentes ambientes, como escolas, redes sociais e espaços de trabalho e conta com iniciativas como o Monitor do Preconceito e o Radar do Ódio On-line, além de uma comissão de formação e extensão. São docentes, doutorandos e estudantes de iniciação científica de mais de 15 universidades no Brasil e colaboradores de 8 países.

A proposta, que acaba de completar um ano de implantação, é produzir conhecimento sobre os mecanismos relacionados aos preconceitos e às discriminações e desenvolver instrumentos que possam contribuir para a promoção da diversidade e para o enfrentamento das desigualdades, inclusive no apoio à formulação de políticas públicas.

Já o INCT Trabalho, Inclusão e Equidade reúne 97 pesquisadores doutores vinculados a aproximadamente 45 universidades brasileiras, institutos de pesquisa e outras organizações. A rede conta ainda com 30 colaboradores internacionais de instituições de cerca de 12 países e reúne mais de 20 grupos de pesquisa. Entre as parcerias institucionais estão a Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET) e o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

Coordenado pelo professor Roberto Véras de Oliveira, o instituto foi aprovado em 2025 e tem programação de pesquisas e produtos prevista até 2030. A rede está organizada em oito eixos temáticos, que abordam desenvolvimento, desigualdades, mudanças demográficas, flexibilização e desconstrução de direitos, inovações tecnológicas, crise ambiental, organização coletiva e políticas de inclusão laboral.

O coordenador conta que entre as iniciativas previstas está a Pesquisa Integrada Multitemas, que reúne os oito eixos do instituto para produzir um diagnóstico amplo sobre as transformações do mundo do trabalho no Brasil. A pesquisa combina análise de bases de dados, levantamentos quantitativos, entrevistas e estudos qualitativos, com o objetivo de compreender as mudanças no mundo do trabalho e contribuir para a formulação de diretrizes de políticas públicas de inclusão, proteção social e redução das desigualdades.

A atuação dos três INCTs segue o modelo do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, criado em 2008 a partir da experiência dos Institutos do Milênio, iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, executada pelo CNPq . O programa organiza grupos de pesquisa em redes interinstitucionais e interdisciplinares e articula atividades de pesquisa, formação, internacionalização, divulgação científica e transferência de conhecimentos.

Em cinco chamadas, o programa apoiou 470 projetos, com mais de R$3,8 bilhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e de instituições parceiras.

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Texto: Elidiane Poquiviqui
Foto: Divulgação