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Pesquisadores da UFPB publicam artigo pioneiro em periódico uruguaio

Texto relaciona motivação para leitura e procrastinação acadêmica
publicado: 29/07/2020 23h48, última modificação: 29/07/2020 23h48
No artigo, os pesquisadores da UFPB, Paulo Gregório, Mayara de Oliveira, Ricardo Neves e Lays Brunnyeli, analisam explicações para a procrastinação acadêmica. Foto: Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Humano, Educacional e Social/Reprodução

No artigo, os pesquisadores da UFPB, Paulo Gregório, Mayara de Oliveira, Ricardo Neves e Lays Brunnyeli, analisam explicações para a procrastinação acadêmica. Foto: Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Humano, Educacional e Social/Reprodução

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) publicaram o artigo “Motivação para leitura e variáveis sociodemográficas como preditoras da procrastinação acadêmica”, na última edição da revista uruguaia Psicología, Conocimiento y Sociedad.

Publicação da Universidade de la República, o periódico é ligado a distintas plataformas científicas do mundo. No artigo, os pesquisadores da UFPB, Paulo Gregório, Mayara de Oliveira, Ricardo Neves e Lays Brunnyeli, analisam explicações para a procrastinação acadêmica.

“A pesquisa buscou conhecer o poder preditivo da motivação para leitura e de variáveis sociodemográficas (sexo, idade, autopercepção estudantil e categoria da instituição) na explicação da procrastinação acadêmica. Trata-se de um estudo quantitativo, no qual utilizamos medidas previamente adaptadas ao contexto brasileiro”, explica Paulo Gregório. 

O pesquisador da UFPB ressalta que o conceito de procrastinação acadêmica, utilizado no estudo, refere-se a comportamentos para adiar ações ou compromissos acadêmicos considerados relevantes.

Para os pesquisadores, no caso específico do artigo, a atividade acadêmica foi considerada como estressante e, por causa disso, os estudantes optam por evitá-la ou adiá-la. 

“A partir dos resultados, concluímos que quanto mais os universitários apresentaram motivações particulares e identificação pelo assunto que estavam estudando, menos tiveram condutas de procrastinação acadêmica”, destaca Gregório. 

A análise do grupo de pesquisadores da UFPB foi realizada com 429 estudantes universitários de instituições públicas e privadas das cidades de João Pessoa e de Petrolina, no interior de Pernambuco. 

Os estudantes tinham idade média de 23 anos e a maioria se definiu do sexo feminino. Quase 90% da amostragem era formada por mulheres solteiras e cerca de 30% dos estudantes faziam o curso de Psicologia. 

“Foi verificado que quanto maiores os índices de ações controladoras de estudantes (como provas, trabalhos obrigatórios e obter notas), mais comportamentos de procrastinação se apresentaram. Além disso, quanto mais os estudantes se definiram como bons alunos, menos relataram comportamentos ditos procrastinatórios”, revela Gregório. 

A pesquisa realizada na UFPB é pioneira no Brasil por relacionar motivação para leitura de estudantes universitários e a procrastinação acadêmica. 

No cenário nacional, os estudos referentes à motivação para ler vinculam-se mais a amostras com estudantes do Ensino Fundamental e Médio. 

Os pesquisadores da UFPB realizaram a análise a partir da “Teoria da Autodeterminação”, que compreende a motivação para a leitura como uma ação que poderá ocorrer em função de questões internas (prazer e curiosidade) e externas (reconhecimento social e incentivos). 

“São motivações intrínsecas ou extrínsecas. A motivação intrínseca refere-se a um interesse pessoal, que estimula o indivíduo a ler, valorizar e ter prazer com a execução da atividade. Já a motivação extrínseca é o reconhecimento social, a busca de recompensas externas para sua efetivação, a exemplo da obtenção de notas”, define Gregório. 

De acordo com o pesquisador da UFPB, no artigo, foram utilizadas medidas internacionais, adaptadas para o Brasil, da “Escala de Procrastinação” e da “Escala de Motivação para Leitura”. 

A primeira avaliou, de forma global, as tendências do que consideram “perder tempo e procrastinar coisas que deveriam fazer”. Já a segunda, verificou motivações para ler livros acadêmicos, sugeridos ou prescritos, em disciplinas curriculares. 

“Analisamos motivações como a controlada (indivíduo que endossa razões para fazer algo, mas a partir de uma forma controladora) e a instrumental (meio para alcançar algo, com alguma interiorização e o motivo principal sendo ‘mostrar-se para os outros’). Averiguamos também como sexo, idade, autoconhecimento e vínculo institucional explicam o que seria a procrastinação acadêmica”, pontua Gregório. 

Os autores acreditam que os resultados do artigo podem munir educadores para elaborar estratégias motivadoras nos estudantes universitários. Segundo eles, os alunos devem desenvolver percepções condizentes enquanto indivíduos e aprendizes. 

“Isso diminuirá a denominada procrastinação. Quando um indivíduo apresenta um adequado autoconceito, é mais provável que confie em suas capacidades e desenvolva satisfatoriamente atividades diversas, a exemplo da leitura”, acentua o pesquisador da UFPB. 

O reconhecimento do estudo pela publicação uruguaia se deu diante dos êxitos nos pareceres realizados em revistas fora do Brasil pelo Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Humano, Educacional e Social da UFPB, que conta com a coordenação da professora Patrícia Nunes. 

“Eles dão mais visibilidade às pesquisas brasileiras. O Brasil é um país importante para a América do Sul e Latina. No intuito de agregar os países latino-americanos, optamos também por publicar na revista uruguaia. Ela tem por objetivo difundir o conhecimento na área de Psicologia, considerando as diferentes áreas e vertentes”, finaliza Gregório. 

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Reportagem: Jonas Lucas Vieira | Edição: Pedro Paz
Ascom/UFPB