J. Borges


J. Borges, cujo nome completo é José Francisco Borges, nasceu em 1935, em Bezerros, Pernambuco, e faleceu em julho de 2024. Ele é considerado um dos principais nomes da arte popular brasileira, principalmente por sua atuação na xilogravura e na literatura de cordel, sendo reconhecido não só no Brasil, mas também internacionalmente.
A trajetória artística dele começou de forma bem espontânea. Nos anos 1960, ele começou a escrever e vender folhetos de cordel em feiras e mercados do interior nordestino. Como precisava ilustrar essas histórias, acabou aprendendo a técnica da xilogravura por conta própria. A partir daí, desenvolveu um estilo muito característico, com imagens diretas, narrativas e profundamente ligadas à cultura popular do sertão.
O trabalho de J. Borges sempre esteve muito conectado ao cotidiano nordestino. Suas obras retratam cenas do dia a dia, festas populares, religiosidade, lendas e crenças do povo. Ao longo da carreira, ele produziu centenas de folhetos de cordel e milhares de gravuras, mantendo sempre uma preocupação com uma arte acessível, que dialogasse com as pessoas comuns e com a cultura da região.
Entre suas produções mais conhecidas, está o cordel “O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina”, de 1964, que foi o primeiro que ele publicou. Também se destaca a obra “A Vida na Floresta”, que foi escolhida para ilustrar o calendário das Nações Unidas em 2002, mostrando o alcance internacional do seu trabalho.
Com o tempo, suas xilogravuras passaram a ser reconhecidas como obras de arte por si só, indo além da função de ilustrar cordéis. Seus trabalhos foram adquiridos por instituições importantes, como o Museu do Louvre, o Smithsonian e o Museu de Arte Moderna de Nova York, o que reforça a relevância da sua produção no cenário artístico mundial.
J. Borges também teve forte reconhecimento dentro do Brasil. Foi considerado por Ariano Suassuna um dos maiores mestres da arte popular. Suas obras fazem parte de acervos de instituições como o Museu de Arte do Rio, o Museu do Pontal e a Fundação Joaquim Nabuco. Além disso, participou de exposições em vários países, como França, Alemanha, Cuba, Itália e Venezuela.
Um episódio marcante que mostra a importância simbólica da sua obra aconteceu em 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva presenteou o Papa Francisco com uma xilogravura de J. Borges chamada “Sagrada Família”. Esse gesto levou a arte nordestina até o Vaticano, representando a cultura brasileira em um contexto internacional.
Ao longo da vida, sua obra também foi preservada e divulgada por meio do Memorial J. Borges, criado em sua cidade natal, que funciona como um espaço de memória, exposição e formação artística. Mesmo após sua morte, seu trabalho continua presente em coleções, exposições e projetos culturais que mantêm viva sua produção.
O legado de J. Borges é muito forte dentro da arte brasileira. Ele não só produziu uma quantidade enorme de obras, como também ajudou a consolidar a xilogravura como uma linguagem artística relevante. Além disso, teve um papel importante na formação de novos artistas, compartilhando seu conhecimento e fortalecendo a continuidade dessa tradição. Sua obra permanece como um registro visual da cultura nordestina e como uma forma de resistência e valorização das expressões populares.

Obras

Título: Arrancando Botija. Técnica: Gravura. Dimensão: 48cm x 66,2cm. Data: 2021. Doação de Gabriel Bechara Filho
Título: Gaivota. Técnica: Gravura. Dimensão: 24cm x 33,5cm. Data: 2022. Doação de Gabriel Bechara Filho
Título: Pássaros. Técnica: Xilogravura. Dimensões: 23,6 cm x 33 cm. Data: 2022. Doação: Gabriel Bechara Filho.
Briga da Onça com a Serpente“, 1988. Xilogravura. Doação de Humberto Peixoto

Última atualização: quarta-feira, 1 de abril de 2026