Severino Borges


Severino Borges é um artista pernambucano reconhecido por sua forte ligação com a xilogravura e com a cultura popular nordestina. Nascido em 1968, na cidade de Escada, mudou-se ainda criança, em 1974, para Bezerros, no interior de Pernambuco. Foi nesse ambiente que cresceu cercado pela arte e pela tradição familiar. A presença do pai, o xilogravador Amaro Francisco, foi fundamental para sua formação moral e artística. A mãe, Dona Nena, também trabalhava talhando suas próprias matrizes, assim como outros parentes. Entre as maiores referências estava o tio J. Borges, poeta e xilogravador consagrado, de quem Severino sempre demonstrou admiração e orgulho.


Apesar desse convívio com a arte desde cedo, Severino seguiu inicialmente outros caminhos. Casou se aos dezenove anos, interrompeu os estudos no segundo grau e passou a exercer diversos trabalhos, atuando como ajudante de pedreiro e também como funcionário na indústria de plásticos. Com a saúde prejudicada pelas atividades pesadas, decidiu mudar-se para Olinda em meados da década de 1990. Incentivado pelo pai, começou a experimentar a gravura. Produziu suas primeiras dez matrizes, fez cópias e iniciou a venda dos trabalhos, encontrando nessa prática a esperança de uma nova trajetória. Com o passar do tempo, Severino Borges amadureceu sua obra e desenvolveu um estilo próprio. Domina com habilidade as goivas e ferramentas improvisadas, muitas vezes feitas a partir de facas afiadas. Seus desenhos nascem tanto da imaginação quanto da observação das manifestações populares, da leitura e da pesquisa. Com traço simples e expressivo, retrata o cotidiano e o folclore nordestino, explorando contrastes entre preto e branco, além de experimentar cores e texturas com diferentes tipos de madeira, como umburana e cedro.


Além da produção artística, Severino também se destacou como empreendedor. Buscou formação para administrar seus negócios e, em 2005, abriu uma loja na Casa da Cultura do Recife, onde comercializa suas gravuras e trabalhos de outros artistas. Suas obras passaram a ser aplicadas não apenas em papel, mas também em azulejos, canecas, camisetas e diversos objetos. Atualmente, o artista mora em Olinda, participa de congressos e feiras de artesanato em todo o país e é considerado uma referência na xilogravura brasileira, mantendo viva a tradição da arte popular nordestina.

Obras

Sem título, 2022. Xilogravura. 21cm x 15cm. P. A. Doação de Gabriel Bechara Filho.
Caboclo de lança, 2024. Xilogravura. 29,8cm x 21cm. Doação de Gabriel Bechara Filho.
BEIJA-FLOR, 2024. Xilogravura. 48cm x 33cm. Doação de Gabriel Bechara Filho.

Última atualização: segunda-feira, 6 de abril de 2026