Unhandeijara Lisboa nasceu em 1944, em João Pessoa, na Paraíba, e faleceu em 11 de fevereiro de 2020, aos 71 anos. Ele foi um artista bastante completo, atuando como gravador, escultor, fotógrafo, jornalista e professor, sendo reconhecido como um dos principais nomes da xilogravura popular paraibana.
Desde o início da sua trajetória, sua produção esteve muito ligada às artes gráficas e à experimentação visual. Ele tinha formação em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e também em Comunicação Social (Jornalismo), o que contribuiu para uma atuação ampla dentro do campo artístico e cultural. Além de produzir suas próprias obras, também trabalhou como fotógrafo no jornal A União e atuou como professor de artes gráficas, o que mostra que sua atuação não se limitava só à criação, mas também à formação e circulação da arte.
Em relação às linguagens artísticas, Unhandeijara trabalhou principalmente com xilogravura, mas também utilizava outras técnicas, como fotografia, colagem, arte postal e experimentações com carimbos e objetos do cotidiano. Sua produção dialogava tanto com a tradição da gravura quanto com propostas mais contemporâneas e experimentais, o que faz com que ele seja considerado um artista que transitava entre o popular e o conceitual.
Um dos pontos mais importantes da sua trajetória foi a fundação do Clube da Gravura da Paraíba, em 1984, do qual foi presidente desde o início. Esse espaço teve um papel fundamental na valorização da gravura no estado, funcionando como um local de produção, troca entre artistas e resistência cultural. Além disso, ele também coordenou o projeto “Arte para o Futuro”, na UFPB, entre as décadas de 1970 e 1980, contribuindo diretamente para a formação de novos artistas.
Outro aspecto relevante da sua produção foi sua participação na arte postal e em projetos experimentais, como a revista “Karimbada”, criada entre 1978 e 1979, que reunia trabalhos de diferentes artistas a partir do uso de carimbos e gravuras. Esse tipo de iniciativa mostra como ele estava inserido em redes artísticas mais amplas, inclusive com circulação internacional dentro desse circuito alternativo.
Ao longo da carreira, Unhandeijara também participou de exposições coletivas, como a mostra “7 Talhos”, realizada no Espaço Cultural em João Pessoa, além de ter sido homenageado em eventos e salões de arte na Paraíba. Após sua morte, inclusive, sua obra continuou sendo exibida em exposições póstumas, reunindo produções feitas entre as décadas de 1960 e 2010, o que reforça a continuidade e a importância do seu trabalho.
De forma geral, sua trajetória não foi marcada por uma mudança de área, mas sim por uma ampliação constante das linguagens que utilizava, sempre com base na gravura. Ele conseguiu unir tradição e experimentação, atuando tanto na preservação da cultura nordestina quanto na criação de novas formas de expressão artística.
A contribuição de Unhandeijara Lisboa para a arte brasileira, especialmente na Paraíba, é muito significativa. Além de sua produção artística, ele teve um papel importante como articulador cultural, criando espaços, incentivando outros artistas e fortalecendo a cena da gravura no estado. Seu trabalho permanece como referência tanto pela diversidade de técnicas quanto pelo impacto cultural que gerou ao longo da sua vida.

Última atualização: segunda-feira, 6 de abril de 2026