Conforto térmico pode afetar autistas de forma diferente

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Um estudo de Zaniboni e colaboradores publicado em 2025 investigou como pessoas autistas e alísticas (não autistas) percebem diferentes condições de temperatura em ambientes internos. Essa pesquisa avaliou se ter acesso à vista de áreas externas, especialmente de paisagens naturais, poderia influenciar essa percepção.

O estudo foi realizado durante o inverno, em ambientes semelhantes a escritórios, com três condições térmicas: ligeiramente fria, neutra e ligeiramente quente. Participantes responderam a questionários sobre sua percepção térmica enquanto os pesquisadores também registravam características ambientais e medidas fisiológicas.

Os resultados indicaram diferenças importantes entre os grupos. Embora pessoas autistas e alísticas tenham relatado sensação térmica semelhante nas condições consideradas neutras, as situações de frio e calor foram percebidas como mais desconfortáveis pelas pessoas autistas quando não havia acesso à vista externa. Nessa condição, participantes autistas apresentaram, em média, maior percepção de frio na situação mais fria (−1,71) e maior percepção de calor na situação mais quente (1,53), enquanto o grupo alístico apresentou menor percepção de frio (−0,85) e de calor (0,90), respectivamente.

O estudo também identificou que uma proporção maior de participantes autistas relatou desconforto térmico localizado nas extremidades do corpo, como pernas, pés, braços, mãos e cabeça. Entretanto, quando havia vista para uma paisagem natural externa, a diferença na percepção térmica entre os grupos deixou de ser estatisticamente significativa, e o desconforto localizado relatado pelas pessoas autistas também foi reduzido.

Zaniboni e colaboradores (2025) não encontraram correlação significativa entre as respostas de percepção térmica e medidas fisiológicas, como frequência cardíaca e temperatura da pele. Mas os resultados reforçam que diferenças individuais na sensibilidade sensorial podem exigir diferentes condições ambientais para promover conforto e bem-estar de pessoas autistas.

O que foi ressaltado na conclusão da pesquisa?

Na conclusão, Zaniboni e colaboradores (2025) ressaltam a necessidade de projetar cuidadosamente os ambientes internos considerando as características das pessoas autistas. Como as respostas apresentadas no estudo também evidenciam elevada subjetividade na percepção do ambiente, Zaniboni e colaboradores (2025) consideram fundamental possibilitar maior controle individual sobre as condições ambientais. Em ambientes de trabalho, por exemplo, uma possibilidade seria oferecer espaços individuais ou soluções personalizadas, permitindo que as condições do ambiente sejam ajustadas às necessidades de cada pessoa.

Outro resultado destacado por Zaniboni e colaboradores (2025) foi a importância do acesso à vista pelas janelas. No contexto de uma avaliação que considera diferentes dimensões do conforto e do bem-estar, a presença de uma vista para o ambiente externo esteve associada a uma melhora geral do bem-estar das pessoas autistas e apresentou impacto ainda maior nesse grupo do que entre os participantes alísticos.

Zaniboni e colaboradores (2025) reforçam, entretanto, que ainda são necessárias pesquisas para compreender como esse efeito pode ser traduzido em recomendações específicas de projeto, incluindo aspectos como tamanho das janelas, distância entre o local de permanência e a janela e características dos dispositivos de sombreamento. Eles também apontam a possibilidade de investigar outros recursos relacionados à natureza, como elementos biofílicos (recursos que aproximam as pessoas da natureza no ambiente construído, como plantas, materiais naturais, iluminação natural, formas inspiradas na natureza e outros elementos que podem favorecer o bem-estar) e sons naturais, além dos possíveis efeitos de longo prazo da luz natural e da vista para o ambiente externo sobre os ciclos de sono e vigília.

Segundo Zaniboni e colaboradores (2025), a integração desses resultados com outras pesquisas pode contribuir para o desenvolvimento de recomendações para o planejamento de espaços destinados a pessoas autistas. A aproximação com áreas como medicina e neurociência também é considerada, a fim de ampliar a compreensão dos mecanismos neurológicos envolvidos na percepção do ambiente térmico e de sua relação com diferentes condições visuais.

Dessa forma, o estudo reforça que acessibilidade ambiental não significa oferecer necessariamente as mesmas condições para todas as pessoas, mas considerar diferentes formas de perceber e interagir com o ambiente. Essa perspectiva amplia a discussão sobre acessibilidade ao incluir aspectos sensoriais, ambientais e de possibilidade de escolha no planejamento dos espaços.

Esses achados são relevantes para a discussão sobre acessibilidade e qualidade ambiental em espaços educacionais, profissionais e de convivência. O conforto de pessoas autistas não depende apenas da temperatura definida em um ambiente: características como acesso visual ao ambiente externo e à natureza também podem influenciar a experiência sensorial.

Para instituições de ensino, estudos desse tipo contribuem para ampliar a compreensão de que a acessibilidade envolve também a adequação das condições ambientais às diferentes formas de percepção sensorial. Considerar essas diferenças pode favorecer ambientes mais acolhedores e adequados à diversidade das pessoas que utilizam esses espaços.

Fonte

O presente conteúdo foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base no seguinte artigo:

ZANIBONI, L. et al. Thermal comfort of autistic people with and without a view out. Building and Environment, [s. l.], v. 270, p. 112483, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0360132324013246. Acesso em: 29 set. 2026.

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