Pesquisa mostra que traços de personalidade podem influenciar mais a representação de Deus do que o diagnóstico de autismo ou de transtorno de ansiedade.
Um estudo publicado na revista Religions analisou a relação entre autismo, ansiedade, religião e traços de personalidade. Os resultados indicam que a forma como uma pessoa representa Deus (o jeito que a pessoa vê Deus ou o divino) está mais relacionada a características psicológicas e ao grau de importância que ela atribui à religião do que ao diagnóstico de autismo ou de transtorno de ansiedade.
A pesquisa também identificou dois tipos diferentes de ansiedade relacionada a Deus: a causada pela culpa e a causada pela incerteza.
A ansiedade relacionada à incerteza esteve principalmente associada ao sofrimento psicológico geral. Já a ansiedade relacionada à culpa esteve mais ligada à importância que a religião tem na vida da pessoa.
Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) identificaram associações entre alguns traços de personalidade e representações mais positivas ou negativas de Deus.
Pessoas com menor autodirecionamento, por exemplo, apresentaram mais ansiedade em relação a Deus e tenderam a perceber suas ações como mais passivas. Pessoas com menor dependência de recompensa relataram menos sentimentos positivos em relação a Deus.
O estudo também encontrou relação entre menor autotranscendência e menos sentimentos positivos em relação a Deus. Já pessoas com maior persistência relataram menos experiências de Deus como fonte de apoio e também menos percepções de ações de controle ou punição.
Esses resultados sugerem que características individuais podem ajudar a explicar a forma como as pessoas vivenciam sua religiosidade.
De modo geral, o estudo confirmou resultados anteriores que apontam menor frequência de religiosidade entre pessoas autistas.
No entanto, Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) destacam que o diagnóstico, sozinho, não explica a forma como essas pessoas vivenciam a religião ou representam Deus.
O estudo anterior de Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) havia encontrado representações mais negativas de Deus entre pessoas autistas. A pesquisa atual, porém, mostrou que essas representações podem estar mais relacionadas a determinados traços de personalidade do que ao diagnóstico de autismo em si.
A pesquisa também mostrou que pessoas que consideram a religião importante tendem a relatar mais sentimentos positivos em relação a Deus e a perceber mais apoio divino.
Ao mesmo tempo, essas pessoas também podem apresentar mais sentimentos de ansiedade e raiva em relação a Deus e perceber mais ações de controle ou punição.
Segundo Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025), isso ocorre porque a religião pode envolver experiências positivas e negativas ao mesmo tempo.
Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) consideram que os resultados podem contribuir para o trabalho de profissionais de saúde mental e de aconselhamento espiritual.
A pesquisa sugere que esses profissionais devem considerar não apenas o diagnóstico de autismo ou de transtorno de ansiedade, mas também as características individuais, as crenças religiosas e a importância que a religião tem para cada pessoa.
Essa avaliação individualizada pode ajudar na identificação e no tratamento do sofrimento religioso, entendido como dificuldades ou conflitos relacionados à fé e à relação com o divino.
Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) sugerem ainda que intervenções podem incluir estratégias de enfrentamento religioso e reformulação cognitiva, técnica que busca ajudar a pessoa a rever e reorganizar a maneira como interpreta determinadas situações ou pensamentos.
Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) destacam algumas limitações. A amostra foi pequena e reuniu pessoas atendidas em uma única instituição de saúde mental. Por isso, os resultados não podem ser generalizados para todas as pessoas autistas.
O grupo de participantes com transtornos de ansiedade também foi pequeno.
Além disso, os dados foram obtidos por meio de questionários respondidos pelas próprias pessoas participantes da investigação. Esse método pode sofrer influência da forma como cada pessoa deseja apresentar suas respostas.
Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025) recomendam novos estudos com grupos maiores e com diferentes denominações religiosas, crenças e contextos culturais.
O estudo conclui que a ansiedade relacionada a Deus pode ter diferentes origens. Ela pode estar relacionada à culpa, a aspectos religiosos, ou à incerteza, mais ligada a fatores psicológicos.
Os resultados também indicam que alguns traços de personalidade estão associados a representações menos positivas de Deus.
Para Nieuw Amerongen-Meeuse e colaboradores (2025), compreender essas diferenças pode ajudar profissionais de saúde mental a oferecer um atendimento mais individualizado e a identificar maneiras de transformar a religião e a espiritualidade em possíveis fontes de apoio para pessoas que enfrentam sofrimento religioso.
O presente conteúdo foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base nas informações do seguinte artigo:
NIEUW AMERONGEN-MEEUSE, J. van et al. Autism Spectrum Disorders, anxiety, and religion: the role of personality traits. Religions, [s. l.], v. 16, n. 3, p. 371, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-1444/16/3/371/htm. Acesso em: 12 ago. 2026.
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