Hipersensibilidade auditiva e o processamento de informações em pessoas autistas

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Barulhos que passam despercebidos para muitas pessoas podem causar dor, desconforto ou dificultar a compreensão de informações para pessoas autistas. Entender essa realidade é um passo importante para promover mais acessibilidade e inclusão.

A hipersensibilidade auditiva é uma característica comum entre autistas. Segundo Batista e colaboradores (2024), muitas pessoas autistas apresentam Comportamento Desproporcional aos Estímulos Sonoros, reagindo de forma intensa a determinados sons.

Essa sensibilidade pode aparecer de diferentes formas:

  • Misofonia: irritação intensa provocada por sons específicos;
  • Fonofobia: medo exagerado de determinados sons;
  • Hiperacusia: percepção de alguns sons como dolorosos ou extremamente desconfortáveis, mesmo quando têm intensidade considerada normal para outras pessoas.

Por que isso acontece?

A ciência ainda busca compreender completamente as causas da hiperacusia em pessoas autistas.

Entre as principais hipóteses estudadas estão:

  • alterações na forma como o cérebro regula a intensidade dos sons;
  • reorganização das áreas cerebrais responsáveis pelo processamento das diferentes frequências sonoras;
  • alterações no funcionamento das células do ouvido que ajudam a controlar a intensidade dos sons percebidos.

Embora ainda não exista uma explicação definitiva, os estudos mostram que essa sensibilidade tem base biológica e não representa exagero ou simples vontade de não querer se adaptar.

Quais sons costumam causar mais desconforto?

Os estímulos que provocam maior incômodo variam de pessoa para pessoa, podendo incluir:

  • pessoas cantando;
  • palmas;
  • pessoas falando muito alto;
  • várias pessoas falando ao mesmo tempo;
  • gritos;
  • motocicletas;
  • televisão em volume alto;
  • fogos de artifício;
  • sons de ferramentas, como martelos;
  • equipamentos de obras;
  • toques de celular.

Esses sons podem provocar irritação, ansiedade, dor, dificuldade de concentração e até levar a pessoa a evitar determinados ambientes.

Quando o estresse aumenta, entender o que é falado pode ficar mais difícil

A fonoaudióloga Kalina Teles de Souza, que atuou como voluntária no Coletivo Autista da UFPB em 2025, observa que pessoas autistas com hiperacusia podem apresentar dificuldade para compreender informações transmitidas por voz quando estão sob intenso estresse.

Nessas situações, receber a mesma informação por texto costuma facilitar a compreensão da pessoa autista.

Segundo a avaliação da profissional, durante períodos de grande sofrimento emocional (distresse), alguns processos cognitivos podem ficar temporariamente comprometidos, como:

  • redução da capacidade da memória de trabalho, dificultando a retenção de partes da conversa enquanto a pessoa continua ouvindo;
  • piora da atenção seletiva, fazendo o cérebro disputar atenção entre a fala, as preocupações e os sons do ambiente;
  • diminuição da velocidade de processamento das informações;
  • maior dificuldade para dar significado ao que foi ouvido.

Na prática, isso pode fazer com que a pessoa autista:

  • peça para repetir uma informação, mesmo tendo ouvido o som;
  • compreenda melhor um texto escrito do que uma mensagem por voz (ex.: áudio de celular);
  • perca o raciocínio durante explicações longas;
  • entenda frases curtas, mas tenha dificuldade para acompanhar conversas prolongadas.

A intensidade dessas dificuldades varia entre as pessoas. Ansiedade intensa, privação de sono, sobrecarga cognitiva e outras condições associadas podem aumentar esses efeitos.

Pequenas adaptações fazem grande diferença

Respeitar as necessidades sensoriais das pessoas autistas é uma forma concreta de promover inclusão.

Em momentos de distresse ou sobrecarga, algumas medidas simples podem facilitar a comunicação:

  • fornecer informações importantes também por escrito;
  • usar frases curtas e objetivas;
  • evitar ambientes muito barulhentos durante conversas importantes;
  • falar de forma nítida, pausada e sem excesso de informações ao mesmo tempo;
  • compreender que pedir para uma informação ser repetida nem sempre significa falta de atenção.

Acessibilidade também passa pela forma como nos comunicamos. Adaptar a comunicação às necessidades da pessoa autista contribui para sua autonomia, reduz o desgaste emocional e favorece sua participação em todos os ambientes.

Fonte

O presente conteúdo foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base nas informações providas pela Fga. Ms. Kalina Teles de Souza e pelo seguinte artigo:

BATISTA, C. K. S. et al. A influência da hipersensibilidade auditiva sobre os indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista. Research, Society and Development, [s. l.], v. 13, n. 4, p. e6513445572–e6513445572, 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/45572. Acesso em: 23 jul. 2026.

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