O autismo é uma deficiência? A percepção de pessoas adultas autistas em Quebec

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi, por muito tempo, descrito como um conjunto de déficits. Expressões como “pessoa com TEA” tendem a destacar o transtorno e não, a pessoa. Essa visão negativa do autismo, no entanto, começa a mudar.

O estudo de Normand e colaboradores (2025)  entrevistou quatorze adultos autistas que falam francês em Quebec (província do Canadá). A pesquisa analisou como essas pessoas compreendem o autismo e a deficiência, além de investigar se consideram o autismo uma deficiência.

Os participantes afirmaram que o autismo não é uma doença e não exige cura. Também relataram que não o entendem como uma deficiência. Ainda assim, pessoas autistas frequentemente se sentem em situação de deficiência devido às suas diferenças em relação ao padrão social dominante.

“Pessoas que controlam como o ambiente é construído têm determinadas necessidades e constroem esse ambiente para atender às próprias necessidades e não, às necessidades de certas minorias. E quando uma pessoa tem necessidades que não são atendidas pelo ambiente existente, ela está em uma situação de deficiência. Gosto muito do termo ‘situação de deficiência’ porque ele coloca a deficiência na situação, e não na pessoa.”

“Se uma pessoa tem determinados recursos, ou se são feitas acomodações ou adaptações no ambiente (especialmente no trabalho), então o autismo não é uma deficiência.”

“Eu tenho uma deficiência porque não estou adaptada a esta sociedade. E a sociedade não muda para nos aceitar; somos nós que precisamos usar uma máscara, que precisamos nos encaixar no molde da sociedade… É a sociedade que reflete em mim a imagem de uma pessoa com deficiência, mas, para mim, eu não tenho uma deficiência.”

O estudo permitiu definir o autismo a partir da perspectiva de pessoas autistas. Os resultados mostram que as características específicas da neurominoria autista, quando inseridas em um ambiente neurotípico, geram desafios. Em determinadas situações, esses desafios fazem com que essas pessoas se sintam em condição de deficiência.

Segundo as pessoas que participaram do estudo, a deficiência é situacional. Ela surge da interação entre fatores pessoais — como as características do autismo — e as condições do ambiente.

Uma sociedade que reconhece a neurodiversidade pode reduzir o estigma associado às situações de deficiência vivenciadas por pessoas autistas, no Quebec e em outros contextos. A inclusão social efetiva e a realização pessoal de pessoas autistas e de outras pessoas neurodivergentes dependem de adaptações no ambiente físico, mas, sobretudo, da mudança de perspectivas e das interações sociais ao longo da vida.

Adaptações específicas ampliam a inclusão de pessoas autistas. E o movimento da neurodiversidade pode ter papel relevante na redução da discriminação enfrentada por essas pessoas.


Fonte

O presente conteúdo foi amplamente elaborado pela GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base no seguinte artigo:

NORMAND, C. L. et al. Is autism a idsability? The perception of autistic adults in Quebec. Neurodiversity, [s. l.], v. 3, p. 1–10, 2025. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/27546330251328438. Acesso em: 3 fev. 2026.

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