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Distúrbios do sono e Medicamentos

por Coordenação publicado 25/07/2019 22h02, última modificação 14/01/2024 15h43

Os distúrbios do sono são uma classe de doenças que afetam o mecanismo natural de sono- vigília, regulado principalmente pelo eixo Hipotálamo-pituitária-adrenal, que quando ativada inicia uma resposta de alerta a eventos de ameaça ou estresse. O sono é significativamente induzido pela melatonina, neuro-hormônio que regula o ritmo circadiano e está presente em grande quantidade no inicio do sono, portanto, sua falta ocasiona uma series desses distúrbios.

Tais distúrbios são tão comuns como a asma e a diabetes; porém pouco diagnosticados. O distúrbio mais prevalente é a insônia  que pode ser definido como a dificuldade de iniciar e/ou manter o sono de forma restauradora provocando consequências adversas na vida do indivíduo. As consequências são diminuição do seu funcionamento diário, aumento  da propensão a distúrbios psiquiátricos, déficits cognitivos, surgimento e agravamento de problemas de saúde, riscos de acidentes de tráfego, absenteísmo no trabalho, e comprometimento à qualidade de vida.

A ausência do sono está relacionada a diversos fatores, principalmente à higiene do sono, que são medidas, hábitos relacionados às atividades realizadas antes do indivíduo ir para a cama, logo,alterações de  atividades ou rotinas que não estão associados as condições para o sono, geram problemas e podem levar a uma má noite de sono; além disso há eventos traumáticos e níveis altos de estresse influenciam consideravelmente.

O tratamento da insônia pode iniciar-se por terapia cognitivo-comportamental, tratamento farmacológico ou associação dos dois. Sendo o tratamento farmacológico recomendado apenas em casos agudos com necessidade de redução imediata dos sintomas. Os medicamentos mais utilizados em casos de insônia são fármacos hipnóticos e antidepressivos sedativos, sendo os benzodiazepínicos, como o Clonazepam e o Diazepam, apontados como os mais consumidos para promover o sono, mesmo que estes tragam efeitos colaterais consideráveis .Sendo estes  sedação residual durante o dia, comprometimento da memória, depressão da ventilação( raro), dependência e dificuldade na retirada do medicamento, além do efeito de insônia rebote que ocorre após a retirada do medicamento após um longo período de uso, podendo desencadear a síndrome de abstinência; é também devido a estes efeitos que esses medicamentos são contra indicados para idosos, pois podem ter como consequência a incidência de acidentes como quedas e compromete ainda mais sua qualidade de vida.

A medida não farmacológica mais importante seria a adoção de medidas conhecidas como higiene do sono, que são hábitos relacionados a atividade do indivíduo antes de ir para cama. Lembrando que, alteração na rotina, eventos traumáticos e níveis de estresse alteram o padrão do sono.

Hábitos saudáveis como:

• Dormir apenas o tempo necessário para se sentir descansado;

• Criar uma rotina de acordar sempre no mesmo horário, independente se for fim de semana ou não e de ter tido insônia na noite anterior;

• Se o paciente tem insônia à noite, recomenda-se evitar tirar qualquer forma de cochilo ao longo do dia. Depois que o sono estiver normal, não há problemas tirar pequenos cochilos;

• Prática regular de exercícios ajuda a regular o ciclo circadiano;

• Dormir em ambientes barulhentos diminuí a qualidade do sono e pode levar a insônia. Portanto, opte por ambientes silenciosos e agradáveis;

• Fazer um lanche leve antes da hora de dormir costuma ajudar muitas pessoas a dormir tranquilamente;

• Tomar um banho quente antes de dormir;

• Evitar ingerir qualquer tipo de estimulantes depois das 18 horas. Estimulantes mais comuns são: café, coca cola, guaraná, chimarrão e alguns tipos de chá;

 • Evitar fazer atividades muito estimulantes na hora antes de dormir (p.ex. ver filmes de ação, games no computador/online);

• Preferencialmente usar a cama apenas como lugar para dormir (evite trabalhar ou assistir televisão na cama).

• Antes de dormir, faça alguma forma de relaxamento (p. ex. uma respiração completa).

Podem ser uma boa opção para o indivíduo que sofre com alguns distúrbios do sono. Medidas nas quais não estão associadas ao uso de fármacos e que trás resultados satisfatórios.

Referências bibliográficas

Rocha Müller, Mônica; Sales Guimarães, Suely. IMPACTO DOS TRANSTORNOS DO SONO SOBRE O FUNCIONAMENTO DIÁRIO E A QUALIDADE DE VIDA ESTUDOS DE PSICOLOGIA. Estudos de Psicologia, v. 24, n. 4, p. 519-528, 2007.

Adaptado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse (NEPTE-PUCRS). PASSOS PARA HIGIENE DO SONO. [Internet]. Disponível em: http://coral.ufsm.br/docsie/acolhimento/Higiene_do_sono.pdf Acesso em 19 de julho de 2019.

NOBREGA, Reinaldo Almeida. Psicofarmacologia: Fundamentos Práticos. Guanabara Koogan. 2006.

Ribeiro, N.F. Tratamento da Insônia em Atenção Primária à Saúde. Rev Bras Med Fam Comunidade, v.11, n.38, p.1-14, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Distúrbios do sono. 2015. Disponível em : http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2055-disturbios-do-sono. Acesso em 19 de julho de 2019.

 

Texto elaborado pelos discentes de Farmácia Nataniel Marques e Anne Portela.