INOVA-UFPB participa do Fórum Farol Digital sobre formação de talentos em computação quântica
Encontro reuniu pesquisadores e representantes de instituições de ciência, tecnologia e inovação para debater a preparação de profissionais e a construção de uma agenda paraibana na área.

Como preparar profissionais para atuar em uma tecnologia que pode abrir novas possibilidades para a ciência, a indústria e a segurança digital? Essa foi a questão que orientou o fórum “O Futuro da Formação de Talentos em Computação Quântica”, promovido pelo Farol Digital nesta quinta-feira (8), no auditório do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.
O Farol Digital é um ecossistema de inovação de João Pessoa e região metropolitana que articula instituições de ensino e pesquisa, empresas, empreendedores e poder público para estimular conexões e negócios inovadores. O encontro reuniu pesquisadores e representantes de instituições públicas e do ecossistema de inovação para discutir a formação de profissionais, as competências necessárias e a articulação de iniciativas voltadas ao desenvolvimento da computação quântica.
Na abertura, a professora Bagnólia Araújo Costa, diretora-presidente da Agência de Inovação Tecnológica da UFPB (INOVA-UFPB), representou a reitora Terezinha Domiciano. Ao lado do diretor do CEAR, Euler Macedo, ela participou da mesa institucional e destacou a importância de ampliar o interesse pela área desde a educação básica.
Bagnólia ressaltou que a UFPB já incluiu a formação em tecnologias quânticas em seu planejamento institucional. Entre as iniciativas mencionadas está o curso de Física – Área Básica de Ingresso, com habilitações em Física Geral, Física Médica e Física em Tecnologias Quânticas, aprovado nas instâncias competentes da Universidade e previsto para oferta a partir do período letivo 2027.1. A professora também citou o curso de Robótica, já em funcionamento, e a criação da startup Bioquanta, agenciada pela INOVA-UFPB.

A diretora-presidente da INOVA chamou a atenção, ainda, para a necessidade de aproximar o tema dos estudantes antes de seu ingresso na universidade. Segundo ela, instituições de ensino públicas e privadas e organizações do ecossistema de inovação precisam divulgar conhecimentos, aplicações e oportunidades profissionais relacionadas à computação quântica, de modo a estimular o interesse pelos cursos e pelas carreiras da área.
Outro ponto levantado foi a participação de meninas e mulheres nos campos conhecidos pela sigla STEM, que reúne Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Bagnólia defendeu a articulação de programas e projetos entre o Farol Digital, instituições de ensino e organizações do terceiro setor para ampliar a presença feminina nessas áreas.
Formação e cooperação entre instituições
A programação do fórum incluiu palestras, painel com especialistas e uma etapa dedicada à construção da Agenda Paraíba de Formação de Talentos em Computação Quântica. A proposta foi discutir diretrizes, prioridades e possibilidades de cooperação entre ensino, pesquisa, ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento.
Na Paraíba, a discussão ocorre em meio à previsão de instalação, em outubro, de dois computadores quânticos, com capacidades de 20 e 100 qubits, cada. Diferentemente dos computadores convencionais, que utilizam bits para representar informações, os computadores quânticos operam com qubits e exploram princípios da mecânica quântica. Essa abordagem pode contribuir para estudos e problemas específicos, como simulações moleculares, desenvolvimento de materiais e otimização de processos.

A transformação dessas possibilidades em aplicações práticas, no entanto, depende do avanço das pesquisas, da infraestrutura e da formação de profissionais qualificados. Os equipamentos poderão ampliar as possibilidades de pesquisa e experimentação no estado e reforçam a discussão sobre a formação de profissionais para trabalhar com essas tecnologias.
Texto: Elidiane Poquiviqui
Fotos: Aline Lins
