O conteúdo apresentado a seguir foi produzido pela Universidade Federal do Paraná e integra o material “Acessibilidade na Educação Superior: construindo possibilidades para estudantes autistas”.
As orientações reunidas aqui apresentam possibilidades de adaptações pedagógicas que podem contribuir para a participação e a aprendizagem de estudantes autistas no ensino superior. Elas não constituem regras fixas nem soluções que atendam igualmente a todas as pessoas.
Cada estudante autista possui características, necessidades, potencialidades e formas de aprender que são únicas. Além disso, cada disciplina tem objetivos, metodologias e formas de avaliação próprias.
Por isso, o diálogo entre docentes e estudantes é indispensável para identificar barreiras, compreender necessidades e construir, de forma conjunta, estratégias de acessibilidade que respeitem tanto as especificidades de cada estudante quanto os objetivos pedagógicos de cada componente curricular.
O Coletivo Autista da UFPB disponibiliza este conteúdo como uma referência para apoiar práticas pedagógicas mais inclusivas e fortalecer a construção de um ambiente universitário acolhedor, acessível e comprometido com a permanência e o sucesso acadêmico das pessoas autistas.
Sobre a previsibilidade:
• Elaborar um cronograma de aulas e segui-lo.
• Deixar textos disponíveis no início do semestre nas plataformas institucionais ou enviar leituras com semanas de antecedência.
• Avisar onde a prova será realizada e combinar o tempo estendido com estudantes com antecedência.
Questões sensoriais:
• Não gritar.
• Não bater palmas ou bater no quadro para chamar a atenção da turma.
• Avisar quando for apagar ou ligar a luz.
• Tratar com normalidade o uso de abafadores de ruídos (fones de ouvido grandes ou intraauriculares) e stim toys (pequenos objetos de manipulação).
• Disponibilizar o passo a passo das atividades práticas de forma escrita e permitir o uso do laboratório em horário alternativo, com menos ruído.
Sobre a comunicação:
• Procurar saber se há estudantes autistas na sala junto à coordenação, ao Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA) ou observando símbolos de identificação.
• Ser direto(a) e específico(a) na explicação, explicitando, por exemplo, o número mínimo e máximo de linhas para a escrita de um texto.
• Especificar a estrutura dos trabalhos, como os pontos que serão avaliados.
• Permitir formas alternativas de avaliação.
• Flexibilizar o número de integrantes nos grupos, possibilitando trabalhos individuais ou grupos maiores.
• Não exigir ou não pontuar apresentações orais, ou permitir apresentação somente para docentes.
• Utilizar meios de comunicação institucionais para repassar materiais e conteúdos.
Pontos gerais:
• Conversar com a estudante ou o estudante sobre as necessidades de adaptação.
• Construir enunciados nítidos, evitando ambiguidades.
• Reservar um momento específico para esclarecimento de dúvidas.
• Fomentar diálogos em sala de aula.
• Mediar a inclusão em atividades de grupo.
• Respeitar estratégias diferenciadas de aprendizagem.
• Em situações adversas, como momentos de crise, permitir o interrompimento da atividade que está sendo realizada.
• Elaborar um guia de estudos ou listas de exercícios com os principais conteúdos da disciplina.
• Não propor trabalhos em grupo sem aviso prévio.
• Não realizar avaliações surpresas.
• Evitar mudanças repentinas de atividades e práticas previamente definidas com a turma.
• Permitir que provas sejam realizadas em locais mais silenciosos.
• Respeitar o tempo da estudante ou do estudante.
• Complementar essas informações com o relatório individual do Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA) de cada estudante.
• Lembrar que a inclusão se faz para todas as pessoas. A busca pelo conhecimento é para a vida toda.
Investigação: No início do semestre, pergunte se há estudantes autistas ou em processo de diagnóstico na turma. Evite tornar esse momento constrangedor. Você pode solicitar que a estudante ou o estudante envie um e-mail ou converse ao final da aula.
Crie um cronograma de atividades: Prepare um cronograma com atividades, leituras e demais questões relacionadas à disciplina e siga-o. Estudantes autistas precisam de previsibilidade. Em caso de mudanças no planejamento, avise com antecedência.
Meios de comunicação: Utilize meios de comunicação nos quais a estudante ou o estudante se sinta confortável. Não presuma que a mesma plataforma funcionará para todas as pessoas. Pergunte qual meio é mais adequado.
Cuidado com os sons: Evite bater no quadro ou produzir sons altos. Em atividades que tornem a sala barulhenta, como trabalhos em grupo, permita que as estudantes e os estudantes utilizem outros ambientes. Tenha cuidado ao utilizar caixas de som.
Não acenda ou apague a luz bruscamente: Avise previamente quando for acender ou apagar a luz. Algumas pessoas autistas podem ser sensíveis à luminosidade.
Dinâmica em sala: Em turmas nas quais as falas são mais intensas e não seguem uma ordem clara, pode ser necessário estabelecer combinados sobre a dinâmica de participação.
Hiperfoco: Em casos de hiperfoco em determinado tema da disciplina, promova espaços para que a estudante ou o estudante apresente o tema e, em seguida, combine limites de tempo para comentários durante a aula.
Trabalhos com temas “livres”: Quando a proposta da disciplina envolve temas livres para pesquisas e trabalhos, disponibilize exemplos ou delimitações para as estudantes e os estudantes.
Dinamizar o prazo: Possibilite prazos estendidos para a entrega de trabalhos ou para a realização de provas, quando necessário.
Não realizar “pegadinhas” nas avaliações: Não utilize pegadinhas nas perguntas das avaliações. Seja objetiva ou objetivo na elaboração das questões, alternativas e critérios de avaliação.
Delimitar o máximo e mínimo de linhas ou páginas: Evidencie o número máximo e mínimo de linhas ou páginas para respostas e trabalhos escritos. Essa prática torna os critérios claros e objetivos.
Dinamizar o trabalho em equipe: Algumas estudantes e alguns estudantes autistas podem não se sentir confortáveis em trabalhos em grupo. Quando necessário, permita trabalhos individuais. Não presuma: pergunte a preferência da pessoa.
Não realizar avaliações surpresas: Evite atividades avaliativas sem aviso prévio. Estudantes autistas precisam de previsibilidade. Inclua as datas no cronograma da disciplina e siga o planejamento.
Sala separada: Possibilite que a estudante ou o estudante realize a avaliação em sala separada, conforme se sentir mais confortável.
Fragmentação de problemas complexos: Divida questões complexas em subitens, apresentando a sequência de raciocínio esperada. Isso facilita a compreensão e a organização das respostas.
Impressão: Evite imprimir provas frente e verso. Ao utilizar apenas o lado frontal das folhas, reduz-se a carga visual e cognitiva, favorecendo a concentração.
Lembre-se: Essas adequações beneficiam todas as pessoas estudantes e tornam a Universidade mais inclusiva para estudantes autistas. A inclusão é um direito.

O conteúdo inicial desta página foi elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base na cartilha “Acessibilidade na Educação Superior: construindo possibilidades para estudantes autistas” elaborada pela Universidade Federal do Paraná.