Autismo pode afetar a percepção do corpo e o reconhecimento das emoções

domingo, 5 de abril de 2026

O estudo das pesquisadoras Bonete, Molinero e Ruisanchez (2023) investigou como adultos autistas percebem o próprio corpo e lidam com emoções.

Os resultados mostram que dificuldades nessa percepção interna podem afetar diretamente a forma como a pessoa entende e regula o que sente.

O que o estudo analisou?

As pesquisadores compararam dois grupos:

  • 33 homens adultos com autismo
  • 35 homens adultos sem autismo

Os participantes responderam questionários sobre três aspectos:

  • percepção do próprio corpo
  • identificação de emoções
  • capacidade de lidar com emoções


Entenda os principais conceitos

Interocepção (percepção do corpo)

Interocepção é a capacidade de perceber sinais internos do corpo.

Exemplos:

  • sentir fome ou sede
  • perceber o coração acelerado
  • notar tensão ou desconforto

Em termos simples: é como você percebe o que acontece dentro do seu corpo.

Ela é essencial para a experiência emocional.

Sem perceber o corpo, fica mais difícil entender o que você sente.

Quando a interocepção é baixa ou falha:

  • a pessoa não percebe bem sinais internos
  • tem dificuldade para entender o que está acontecendo no próprio corpo
  • encontra mais dificuldade para lidar com emoções

Autorregulação emocional

Autorregulação emocional é a capacidade de controlar e lidar com as próprias emoções.

Isso inclui:

  • reconhecer o que você sente
  • controlar reações impulsivas
  • responder de forma adequada às situações

É o que permite manter equilíbrio emocional no dia a dia.

Para regular emoções, você precisa primeiro reconhecer o que sente.

Isso envolve:

  • perceber sinais do corpo (como tensão, batimentos acelerados do coração ou desconforto)
  • identificar e nomear a emoção

Esses sinais indicam um desequilíbrio no corpo.


📌 Homeostase é o equilíbrio interno do organismo. Quando esse equilíbrio se altera, o corpo envia sinais.

Ao perceber esses sinais, você pode agir para recuperar o equilíbrio.

Quanto maior a consciência desses sinais internos, melhor a compreensão das emoções.

Isso ajuda a desenvolver estratégias mais eficazes para lidar com o que você sente.


Alexitimia

Alexitimia é a dificuldade de identificar e descrever emoções.

A pessoa pode:

  • não saber exatamente o que está sentindo
  • confundir emoções com sensações físicas
  • ter dificuldade para falar sobre sentimentos

A emoção existe, mas a pessoa não consegue reconhecê-la com nitidez.

Pesquisas recentes indicam que a alexitimia pode estar ligada a esse contexto.

Em muitos casos, a alexitimia não é apenas uma dificuldade emocional.
Ela pode ser resultado de uma falha mais ampla na percepção do corpo.

Autistas costumam apresentar:

  • menor percepção dos sinais do corpo
  • dificuldade para notar sensações físicas, como sede ou dor
  • baixa consciência corporal

A pessoa sente menos ou percebe menos os sinais internos.

Quando a pessoa não consegue identificar esses sinais:

  • não entende bem o que sente
  • não consegue descrever emoções
  • tem mais dificuldade para se expressar

Isso pode levar à alexitimia.

A alexitimia, por sua vez, pode:

  • dificultar a autorregulação emocional
  • agravar o sofrimento emocional
  • prejudicar relações sociais

Por que entender esses conceitos é importante?

Esses conceitos estão interligados:

  • percepção do corpo (interocepção)
  • identificação das emoções (alexitimia)
  • capacidade de lidar com emoções (autorregulação)

Quando um falha, os outros também podem ser afetados.


Principais resultados do estudo de Bonete, Molinero e Ruisanchez (2023)

1. Diferenças entre os grupos

O grupo com homens autistas apresentou:

  • maior dificuldade para perceber sinais do corpo
  • maior presença de alexitimia
  • menor capacidade de autorregulação emocional


2. Relação entre corpo e emoção

As pesquisadoras observaram que, no grupo com homens autistas:

  • quanto maior a confusão sobre sinais do corpo, maior a dificuldade de identificar emoções
  • quanto menor a clareza emocional, maior a confusão interna

3. Fatores que indicam as dificuldades

Três fatores indicam grande parte da dificuldade na percepção corporal:

  • clareza emocional
  • alexitimia
  • autismo

Juntos, esses fatores explicam cerca de 61% das dificuldades observadas.


Como isso afeta a vida das pessoas?

Quando a pessoa não entende o que sente:

  • tem mais dificuldade para tomar decisões
  • pode reagir de forma inadequada a situações
  • enfrenta obstáculos nas relações sociais

Além disso, a pessoa pode usar estratégias pouco eficazes, como:

  • evitar emoções
  • reprimir sentimentos

Tipos de dificuldade na percepção do corpo

O estudo de Bonete, Molinero e Ruisanchez (2023) aponta três padrões principais:

1. Baixa percepção (hipossensibilidade)

A pessoa só percebe sinais muito intensos.

2. Alta sensibilidade (hipersensibilidade)

A pessoa percebe muitos sinais ao mesmo tempo, de forma intensa.

3. Confusão na percepção

A pessoa sente algo, mas não consegue identificar exatamente o que é.

Esse terceiro tipo pode dificultar ainda mais o reconhecimento das emoções.


O que pode ajudar?

Os resultados indicam caminhos para tratamento:

  • exercitar a percepção do corpo
  • desenvolver a clareza emocional
  • trabalhar a identificação de emoções

Esse tipo de intervenção pode:

  • melhorar a autorregulação emocional
  • reduzir a alexitimia
  • facilitar a convivência social

Conclusão

Perceber o próprio corpo é um passo essencial para entender emoções.

Pessoas autistas podem ter dificuldade para identificar e regular seu estado físico e emocional.

Por isso, o desenvolvimento da percepção corporal pode ajudar a melhorar a clareza e a saúde emocional, contribuindo para a melhoria do bem-estar biopsicossocial de autistas.


Fonte

O presente conteúdo foi amplamente traduzido e elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base no seguinte artigo:

BONETE, S.; MOLINERO, C.; RUISANCHEZ, D. Emotional dysfunction and interoceptive challenges in adults with Autism Spectrum Disorders. Behavioral Sciences, [s. l.], v. 13, n. 4, p. 312, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10136046/. Acesso em: 5 abr. 2026.

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