22 de maio – Dia da Biodiversidade

sexta-feira, 22 de maio de 2026
atualizado em sexta-feira, 22 de maio de 2026

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, com mais de 130 mil espécies de animais e vegetais registradas, sendo 124 mil espácies de fauna, 44 mil espécies da flora e mais de 8 mil espécies de fungo, além de milhares de espécies ainda não estudadas pela ciência. Cerca de 59% do território nacional ainda é coberto por vegetação nativa. Apesar dessa riqueza ambiental, muitas espécies seguem ameaçadas de extinção, enquanto diversos ecossistemas sofrem diariamente com os impactos do desmatamento e da degradação ambiental.

Nós, da Comissão de Gestão Ambiental (CGA/UFPB), reconhecemos a importância da conservação da biodiversidade e o papel da sociedade na proteção das diferentes formas de vida existentes no planeta. Preservar a biodiversidade é proteger os ecossistemas, os recursos naturais e a qualidade de vida das presentes e futuras gerações.

Por estar cravado no coração da cidade, O Campus I tem uma característica ecológica muito especial. Os fragmentos de mata são extensões diretas e funcionam como corredores ecológicos conectados à Mata do Buraquinho (o Jardim Botânico de João Pessoa), que é uma das maiores reservas de Mata Atlântica em área urbana do país.

          

  Essa localização privilegiada em João Pessoa é o que torna o levantamento de fauna tão interessante: ao mesmo tempo em que a universidade sofre com a pressão urbana (ruído, tráfego de veículos, iluminação artificial), ela ainda consegue sustentar uma biodiversidade altíssima por estar conectada a esse grande pulmão verde da cidade.

            A fauna encontrada nos fragmentos de Mata Atlântica do Campus I da UFPB é surpreendentemente rica, beneficiada diretamente pela proximidade e conectividade com a Mata do Buraquinho (Jardim Botânico de João Pessoa). Esses remanescentes de Tabuleiro Costeiro funcionam como refúgio urbano para diversas espécies nativas, ao mesmo tempo em que registram animais adaptados às bordas e à matriz antropizada (áreas cimentadas e jardins).

Com base no Relatório de Atividades 2025 da Comissão de Arborização e Segurança Ambiental (CASA) do Campus I da UFPB, foi estruturado um levantamento fitossociológico detalhado. Cruzando as tabelas e os dados técnicos apresentados no inventário florístico do documento, identificam-se as seguintes informaçõpes sobre a biodiversidade florística do Campus I:

1. Espécies arbóreas com maior incidência no Campus I – No levantamento da comissão, a incidência é mensurada pelo parâmetro de Frequência “Alta”. Entre as espécies nativas e exóticas catalogadas com os maiores níveis de ocorrência nas matas e áreas urbanizadas do Campus I, destacam-se:

  • Nativas de ocorrência Alta: Cajueiro (Anacardium occidentale), Aroeira-da-praia (Schinus terebinthifolia), Cajazeira (Spondias mombin), Copiúba (Tapirira guianensis), Cabatã-de-leite (Thyrsodium spruceanum), Araticum-do-mato (Annona pickelii), Semente-de-embira (Xylopia frutescens), Sambaquim (Didymopanax morototoni) e Visgueiro (Parkia pendula).
  • Exóticas/Cultivadas de ocorrência Alta: Mangueira (Mangifera indica), Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus), Castanhola (Terminalia catappa), Carolina (Adenanthera pavonina), Leucena (Leucaena leucocephala) e Jambeiro (Syzygium malaccense).

 2. Espécies mais raras ou ameaçadas no bioma Mata Atlântica

Dentre as espécies de ocorrência confirmada no Campus I listadas no relatório, algumas possuem status crítico de conservação no bioma original de Mata Atlântica por figurarem em listas de vulnerabilidade ou por sua distribuição restrita:

  • Pau-brasil (Paubrasilia echinata): Oficialmente listado como nativo e sob forte regime de conservação e proteção no território nacional.
  • Jequitibá (Cariniana estrellensis): Espécie clímax da Mata Atlântica, considerada nobre, de crescimento lento e de ocorrência cada vez mais restrita a fragmentos muito bem preservados.
  • Cumaru (Amburana cearensis): Embora muito ligada à Caatinga, ocorre em áreas de transição e enclaves do Nordeste; encontra-se ameaçada em nível nacional devido à exploração predatória de sua madeira e sementes.

 3. Espécies de Importância Econômica

O relatório lista dezenas de árvores no Campus I que possuem alta relevância econômica nas cadeias produtivas de madeira de lei, farmacologia, resinas ou na fruticultura:

  • Madeireiras de Alto Valor: Mogno (Swietenia macrophylla) , Pau-brasil (Paubrasilia echinata) , Sucupira (Bowdichia virgilioides) , Angico (Anadenanthera colubrina) e Gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium).
  • Frutíferas / Alimentos: Cajazeira (Spondias mombin) , Cajueiro (Anacardium occidentale) , Graviola (Annona muricata) , Pitombeira (Talisia esculenta) e Genipapo (Genipa americana).
  • Medicinal / Tintorial: Barbatimão-roxo (Abarema cochliacarpos) e Urucum (Bixa orellana).

 4. Espécies de Importância Florística e Ecológica

Do ponto de vista da estrutura ecológica, dinâmica de bordas, recomposição vegetal e interações bióticas nas matas do campus, o documento evidencia a relevância das seguintes espécies:

Ingás (Inga blanchetiana, Inga capitata, Inga thibaudiana): Excelentes fixadoras de nitrogênio no solo, fundamentais para a manutenção da fertilidade e regeneração do sub-bosque do fragmento florestal urbanizado.

Imbaúba (Cecropia palmata): Essencial na sucessão ecológica como espécie pioneira. É crucial para a avifauna e mamíferos (como os saguis do campus), pois fornece frutos continuamente nas clareiras e bordas de mata.

Munguba (Eriotheca macrophylla): Embora o relatório a aponte como um dos principais alvos de manejo de risco por quedas de galhos grandes, ela possui enorme relevância florística por compor a biomassa de grande porte nativa e fornecer recursos para polinizadores noturnos.

Copiúba (Tapirira guianensis): Apresenta uma altíssima densidade florística na área do campus. Apesar de sua madeira ter baixa densidade (o que a torna suscetível a quedas e ataques de cupins, conforme o diagnóstico da comissão) , ecologicamente ela é de extrema importância por sua capacidade de colonização rápida e atração de dispersores de sementes.


“A biodiversidade faz parte da essência e da beleza do nosso planeta. Pequenos gestos podem gerar grandes impactos.”