19 de abril – Dia dos Povos Indígenas

domingo, 19 de abril de 2026
atualizado em quarta-feira, 22 de abril de 2026

O Brasil não estava vazio, como às vezes a gente ouve falar. Já existiam milhões de pessoas vivendo aqui, os povos indígenas, com suas próprias culturas, línguas e formas de viver. É como chegar numa casa onde já mora gente e dizer que você “descobriu” aquela casa, roubar sua comida e começar a usar as coisas dos moradores, não faz muito sentido, né? Por isso, hoje muitos historiadores preferem dizer “chegada dos portugueses ao Brasil” ou “início do processo de colonização” em vez de “descoberta”, enfatizando que 1500 marca o começo de uma relação desigual, caracterizada por dominação, violência, exploração e profundas transformações culturais, sociais e demográficas.

Johann Moritz Rugendas, Guerrilhas, 1835. Gravura, 34 x 50,5 cm | Crédito: Fonte: AN/RJ

Os povos indígenas têm um papel fundamental na formação da cultura paraibana. Seus conhecimentos, costumes e formas de viver continuam presentes no nosso dia a dia — na alimentação, na linguagem, no respeito à natureza e em muitos outros aspectos da nossa identidade.

Campus IV – Rio tinto e Mamanguape

A importância da chegada da UFPB, há 19 anos, na região foi destacada não só por moradores da área, como Marcus Paranã ( foto abaixo), mas também pela própria classe política. “A UFPB foi um divisor de águas em Mamanguape, trazendo ciência e desenvolvimento”, declarou o presidente da Câmara de Vereadores do município, Neto Belino. A UFPB tem fortalecido a cultura, apoiando e incentivando as populações indígenas nos municípios de Rio tinto e Mamanguape, sedes do Campus IV da universidade. Com diversos projetos de pesquisa e extensão que contam com a participação da comunidade acadêmica e de moradores.

Fonte: Angélica Gouveia – Ascom/UFPB

Paranã faz parte desse processo de inclusão: ele é orientador de saberes indígenas em um projeto do campus que busca contextualizar valores e visões de mundo dos potiguara para futuros professores. Para a reitora da UFPB, Terezinha Domiciano, essa  integração é o diferencial do campus IV. “Aqui a universidade fica mais próxima dos povos originários”, destaca. 

Mais do que lembrar sua história, é importante reconhecer que esses povos não devem ser vistos como submissos ao processo de colonização, mas como os primeiros habitantes deste território: povos livres, diversos e detentores de uma rica cultura que resiste até hoje.

Paraíba – Tupi: pa’ra (rio) + a’íba (ruim, difícil).

Na Paraíba, a maioria da população indígena vive em terras localizadas nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto. Ainda assim, uma parte significativa também reside em áreas urbanas e rurais fora dessas terras. O estado reúne cerca de 5,7% de toda a população indígena do Nordeste. De acordo com o Censo 2022 (IBGE), o número de povos indígenas no estado cresceu 37,6%, passando de 69 para 95 etnias. Esse dado evidencia a diversidade cultural presente na Paraíba e a importância de valorizar essas identidades.

Fonte: https://wscom.com.br/

Os povos mais numerosos são os Potiguara, com 24.598 pessoas em três municípios (Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto) seguidos pelos Tabajara (776 pessoas). Uma etnia indígena é definida por laços culturais, sociais e linguísticos compartilhados. Cada povo possui sua própria organização, tradições e formas de ver o mundo. Entre os povos mais numerosos no estado estão os Potiguara, com presença marcante no litoral norte, e os Tabajara, também importantes na história e cultura paraibana.


“No dia em que não houver lugar para o índio no mundo, não haverá lugar para mais ninguém.”

Ailton Krenak