Um vídeo divulgado pelo vereador Pedro Alves, de Guaxupé (MG), tem gerado reflexão sobre os impactos dos fogos de artifício com estampido em pessoas autistas e animais.
Na gravação, o parlamentar lembra que, durante festas e comemorações, muitas pessoas observam o espetáculo visual dos fogos. No entanto, existe uma realidade que frequentemente passa despercebida: o sofrimento causado pelo barulho das explosões.
A hipersensibilidade auditiva é uma característica comum entre muitas pessoas autistas. Os estampidos podem provocar medo, ansiedade, desorientação, dor física, sobrecarga sensorial e crises autísticas. Embora esse tema seja frequentemente associado a jovens autistas, pessoas adultas e idosas no espectro do autismo também podem apresentar a mesma sensibilidade aos ruídos e a outros estímulos sensoriais, com impactos extremamente negativos em suas vidas.
Esse tema também encontra eco na experiência de integrantes do Coletivo Autista da UFPB, formado exclusivamente por pessoas autistas adultas. Um desses integrantes relata que não possui hipersensibilidade auditiva, mas convive diariamente com os efeitos da poluição sonora.
Segundo esse integrante, desde que se mudou para o bairro no qual mora atualmente, recorda ter passado apenas uma semana sem ouvir rojões. Desde o final de abril de 2026, as explosões ocorrem pelo menos três dias por semana. Em aproximadamente 30% das ocasiões, o barulho acontece durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã, interrompendo o sono.
O relato chama atenção para um aspecto importante: os impactos da poluição sonora não atingem apenas pessoas autistas com hipersensibilidade auditiva. “Não é preciso ser autista ou sensível sonoramente para se incomodar com o excesso de barulho”, afirma.
Na avaliação do integrante do Coletivo Autista da UFPB, o problema também está relacionado ao aumento de diversas fontes de ruído nos espaços urbanos. Ele menciona rojões, motocicletas com escapamentos adulterados para produzir mais barulho, equipamentos de som em volume excessivo, buzinas acionadas sem necessidade e outras situações que contribuem para tornar o ambiente urbano cada vez mais ruidoso.
O integrante ressalta que não é contrário a manifestações festivas ou a atividades que produzam ruídos esporádicos em locais afastados. “O problema é quando isso acontece em áreas urbanas, onde vivem muitas pessoas e animais”, observa. Para ele, a discussão envolve qualidade de vida, convivência e respeito ao espaço compartilhado no cotidiano.
O tema possui ainda uma dimensão familiar. Seu irmão, que também é autista e apresenta hipersensibilidade auditiva, frequentemente manifesta saudade da tranquilidade que tinha no local onde moravam anteriormente. Esse relato mostra que uma mesma condição ambiental pode afetar as pessoas de formas e intensidades diferentes, indicando que a exposição contínua a ruídos pode comprometer o bem-estar e a qualidade de vida de quem possui maior sensibilidade aos sons.
Outro ponto destacado é a existência de alternativas tecnológicas. Ao frequentar eventos que utilizam espetáculos pirotécnicos profissionais, o integrante do Coletivo Autista da UFPB observou que o setor dispõe de recursos para medir e controlar os níveis de ruído de fogos de artifício, que geralmente apresentam pouco ou nenhum barulho em festas eletrônicas, por exemplo. Essa experiência reforçou sua percepção de que é possível conciliar celebrações e entretenimento com a redução dos impactos sonoros.
Por fim, ele relata uma reflexão pessoal ao assistir a uma reportagem sobre um conflito armado. O som das explosões exibidas nas imagens o fez lembrar dos rojões frequentemente utilizados em comemorações esportivas. Embora sejam situações completamente diferentes, a associação evidencia como sons explosivos podem provocar desconforto, tensão e sensação de insegurança em muitas pessoas.
Os animais também sofrem os efeitos da poluição sonora. Cães, gatos, aves e outros animais podem apresentar pânico, tremores, alterações cardíacas e tentativas de fuga, colocando em risco a própria segurança.
Na Paraíba, a Lei Estadual nº 13.235 proíbe a fabricação, a comercialização, a guarda, o transporte e a utilização de fogos de artifício que produzam poluição sonora em todo o território estadual. A norma representa um importante avanço na promoção da inclusão, da acessibilidade e da proteção animal.
A legislação paraibana reconhece que celebrar não precisa significar causar sofrimento. Tecnologias de fogos silenciosos permitem a realização de eventos festivos sem comprometer a saúde e o bem-estar de pessoas autistas, de outras pessoas com sensibilidade sensorial e dos animais.
A mensagem do vídeo é um convite à empatia. Por trás do espetáculo dos fogos barulhentos existem pessoas e animais que enfrentam momentos de intenso sofrimento. Construir uma sociedade mais inclusiva também significa adotar formas de celebração que respeitem a diversidade humana e a vida animal.
O Coletivo Autista da UFPB parabeniza o vereador Pedro Alves pela sensibilidade e pelo compromisso com a conscientização sobre uma questão que afeta milhares de pessoas autistas e animais. Ao trazer visibilidade para essa realidade, a iniciativa do parlamentar fortalece a cultura da empatia, amplia o debate sobre inclusão e acessibilidade sensorial e inspira a adoção de formas de celebração mais respeitosas e acolhedoras.
O presente conteúdo foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base nas informações do vídeo de Pedro Alves, da Lei paraibana nº 13.235 e do relato de integrante do Coletivo Autista da UFPB.
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