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Negligência no atendimento à saúde mental do trabalhador

Segundo pesquisa da UFPB , rede básica de saúde em João Pessoa é despreparada
publicado: 03/02/2020 16h00, última modificação: 06/04/2020 22h57
Afastamentos por Transtornos Mentais e de Comportamento (TMC) ocuparam o segundo lugar na frequência de licenças no serviço público, entre 2011 e 2017. Foto: Divulgação

Afastamentos por Transtornos Mentais e de Comportamento (TMC) ocuparam o segundo lugar na frequência de licenças no serviço público, entre 2011 e 2017. Foto: Divulgação

O projeto de pesquisa “Análise das perspectivas e práticas em saúde do trabalhador no SUS”, do curso de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), investiga se os profissionais de saúde de João Pessoa sabem sobre as concepções e práticas em cuidados com o trabalhador e a saúde mental na Rede de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS).

A coordenadora do projeto, professora Thaís Máximo, afirma que os trabalhadores acabam sendo negligenciados em cuidados básicos de saúde e há um agravamento quando o assunto é saúde mental. “Por exemplo, sentem dores na coluna e nos braços por causa de atividades que causam lesões repetitivas e são examinados apenas pelas enfermidades. Se não há um direcionamento sobre a rotina de trabalho, não haverá um cuidado diretamente nas causas”, enfatiza.

De acordo com o projeto, o trabalho é um modo de engajamento da personalidade para responder a uma tarefa delimitada por pressões (materiais e sociais) e não é possível atingir qualidade se as prescrições forem totalmente respeitadas. “O fazer humano é permeado por acontecimentos inesperados e imprevistos, tanto materiais quanto sociais. Mesmo o trabalho bem definido, nas instruções e nos procedimentos, e realizado dentro de uma organização rigorosa, é inevitável ocorrer equívocos e negligência à saúde”, argumenta.

Para a professora Thaís Máximo, é necessário entender como os trabalhadores de saúde recebem os usuários, saber deles a abordagem em relação do adoecimento a partir do trabalho e se os residentes estão sendo preparados para atuarem na saúde do trabalhador no que diz respeito à atenção básica.

“Entendemos que, diante da sociedade em que vivemos, a rede de atenção básica não consegue lidar com a saúde mental. Ela é invisibilizada. As informações chegam no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) por conhecidos e não pela Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast)”, evidencia.

Thaís Máximo conta que, desde 2014, estuda os trabalhadores da saúde e desenvolve projetos da atenção básica, analisando a saúde dos trabalhadores que atuam na área e, atualmente, interessada em entender a concepção deles em saúde mental.

“Percebemos que a rede de atenção básica não estava funcionando como porta de entrada para a Renast. Assim, procuramos investigar, por meio de categorias com diferentes agentes, se os profissionais têm conhecimentos sobre como agir com a saúde dos trabalhadores nas comunidades”, reforça.

Além da professora Thaís, a equipe do projeto é formada por três estudantes do curso de Psicologia da UFPB, Eliada Regina, Lígia Ferraz e Lukas Eurikes. A estudante Eliada Regina diz que o projeto suscita nos participantes a importância do conhecimento sobre as condições de saúde e doenças dos trabalhadores. “Os espaços de atenção à saúde devem estar ligados à prevenção e promoção de cuidados aos trabalhadores. Além de entender que cada paciente nas unidades de saúde são ou já foram trabalhadores um dia”, defende.

Dados do Ministério da Economia, Planejamento, Desenvolvimento e Gestão revelam que os afastamentos por Transtornos Mentais e de Comportamento (TMC) ocupavam o segundo lugar na frequência de licenças no serviço público, entre 2011 e 2017. Diante desse cenário, profissionais de saúde e usuários interessados em colaborar com as análises do projeto da UFPB podem responder o formulário.

Ascom/UFPB