Árvore inteligente do CEAR UFPB que gera energia e prevê incêndios florestais passa a monitorar dados meteorológicos

Pesquisador da University of Washington Tacoma visitou o CEAR para troca de conhecimentos sobre pesquisas colaborativas da Smart Tree

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
atualizado em quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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Uma árvore inteligente que gera energia e prevê incêndios ganhou mais uma funcionalidade: medir condições ambientais e dados meteorológicos em tempo real. Única no Brasil, a árvore foi desenvolvida por meio de pesquisa conduzida pelo pesquisador do Laboratório de Microengenharia do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR), professor Cleonilson Protásio, que recebeu em dezembro a visita institucional do engenheiro Robert Ray Landowski da School of Engineering & Technology da University of Washington Tacoma (EUA), universidade onde será instalada a segunda árvore desse tipo no mundo, na cidade de Tacomam WA.

A árvore, denominada Smart Tree e implementada no contexto de Internet das Coisas Naturais (IoNT – Internet of Natural Things), monitora variáveis meteorológicas e tem a capacidade de detectar incêndios florestais por meio da medição de temperatura. A geração de energia se dá pela conversão do gradiente térmico (diferença de temperatura interna e externa) do tronco de árvores em energia elétrica, que alimenta os circuitos eletrônicos da Smart Tree, sem uso de baterias, para evitar riscos ao meio ambiente. 

A visita institucional do engenheiro Robert Ray Landowski ao CEAR/UFPB teve como objetivo o compartilhamento de conhecimentos e equipamentos no âmbito das pesquisas colaborativas da Smart Tree. De acordo com o pesquisador estadunidense, os estudos, originalmente, tinham como foco detectar o incêndio florestal e prever a direção e velocidade do vento. Com o desenvolvimento da pesquisa, obtiveram uma fonte renovável de energia proveniente da colheita de energia da árvore, para alimentar os sensores do circuito, e, além de prever incêndio florestal, conseguem manter o sistema com a mínima intervenção humana no local.    

O professor Protásio destacou uma novidade na atual fase da pesquisa, pois a árvore que até então gerava energia e detectava incêndios florestais hoje também está medindo condições ambientais, como uma estação meteorológica natural, podendo prever a direção do vento, conforme aponta pesquisa desenvolvida pela estudante de mestrado em Engenharia Elétrica do CEAR Virgínia Vieira Aires.  

“Tem outras influências que uma árvore causa, sem ser apenas sombra. Detectamos que, fora medir temperatura, uma árvore consegue medir velocidade do vento e a direção do vento”, destacou o professor Protásio. 

A árvore objeto da pesquisa está localizada no CEAR/UFPB. Mas o intuito do professor Protásio é ampliar o estudo e instalar o sistema em outras árvores, na Mata do Buraquinho, em João Pessoa, na Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo (FLONA) e, ainda, a equipe de pesquisadores coordenada por ele pretende monitorar árvores em duas praças de um bairro da zona sul de João Pessoa, com o objetivo de estudar como a ausência de árvores afeta a habitabilidade das pessoas, observando fatores que vão desde temperatura e poluição à qualidade de vida.

Para a mestranda Virgínia Vieira Aires, sua dissertação vai contribuir bastante com a pesquisa.

“Agora, não vai depender das temperaturas externas da árvore para prever para onde o incêndio está indo, de acordo com o vento. É possível inferir, através das temperaturas da árvore que estão sendo utilizadas para colheita de energia, como o ambiente externo se comporta. Se o vento muda de direção, já muda o comportamento de propagação das chamas. A pesquisa é baseada nisso, como o vento interfere na propagação do fogo”, explicou Virgínia.

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Texto: Aline Lins/ CEAR com adaptações Ascom UFPB

Fotos: Aline Lins/CEAR