Atendimentos voluntários da psiquiatra Thais Terehoff no Coletivo Autista da UFPB mostram a importância de um cuidado que considere as necessidades de cada pessoa.
Cuidar da saúde mental de pessoas autistas exige mais do que oferecer atendimento. É preciso compreender as diferentes formas de comunicação, as necessidades sensoriais, os tempos de processamento e as particularidades de cada pessoa.
Essa perspectiva orienta o trabalho desenvolvido pela psiquiatra Thais Terehoff, que também é autista. Desde setembro de 2025, ela realiza atendimentos psiquiátricos voluntários para integrantes do Coletivo Autista da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
A atuação faz parte do projeto de extensão “Voluntariado no Coletivo Autista da UFPB”, que desde 2025 busca promover acolhimento e ampliar o acesso a atendimentos psiquiátricos humanizados e especializados para discentes que integram o Coletivo.
Em 2026, Dra. Thais Terehoff continua realizando esses atendimentos. Até o momento, foram realizados 13 atendimentos voluntários em psiquiatria.
Como a UFPB ainda não oferece às pessoas autistas com matrícula ativa na instituição um espaço próprio para autorregulação, os atendimentos psiquiátricos continuam sendo realizados de forma remota e têm duração de 60 minutos. Vale ressaltar que o Departamento de Artes Cênicas – CCTA/UFPB dispõe de uma Sala de Autorregulação, mas o espaço comporta apenas pessoas vinculadas ao DAC.
Para discentes do Coletivo Autista da UFPB, o formato on line tem contribuído para reduzir algumas barreiras relacionadas ao deslocamento e à permanência em ambientes presenciais.
A modalidade on line também pode oferecer maior conforto sensorial e previsibilidade, aspectos que podem ser determinantes para muitas pessoas autistas.
Essa experiência está relacionada a desafios identificados pela literatura científica sobre o acesso de pessoas autistas aos serviços de saúde.
Em estudo publicado na revista Autism, Radev, Freeth e Thompson (2024) analisaram 15 pesquisas sobre as experiências de pessoas adultas autistas no sistema de saúde do Reino Unido. A meta-etnografia identificou três temas principais: a) a falta de conhecimento dos profissionais pode causar danos; b) é necessário reduzir as demandas de processamento; e c) adaptações podem melhorar o envolvimento com o cuidado.
Radev, Freeth e Thompson (2024) identificaram dificuldades relacionadas à comunicação, ao processamento de informações, às sensibilidades sensoriais e ao acesso aos serviços. O estudo também apontou a importância de tornar os atendimentos mais previsíveis e adaptar os serviços às necessidades individuais.
Os relatos de integrantes do Coletivo Autista da UFPB destacam a postura ética, empática e tecnicamente qualificada da Dra. Thais Terehoff.
Entre os aspectos mencionados estão:
Essas práticas dialogam com os resultados da meta-etnografia de Radev, Freeth e Thompson (2024). O estudo aponta que a forma como as informações são apresentadas pode influenciar a experiência de pessoas autistas durante o atendimento. O excesso de comunicação verbal pode ser difícil de processar, especialmente quando há ansiedade, e diferenças no processamento sensorial também podem tornar determinados ambientes clínicos mais difíceis de suportar.
Por isso, tornar o atendimento acessível não significa apenas garantir que a pessoa consiga chegar ao serviço. Significa também criar condições para que ela consiga compreender as informações, expressar suas necessidades e participar das decisões sobre o próprio cuidado.
Os relatos de integrantes do Coletivo Autista da UFPB indicam impactos positivos associados aos atendimentos da Dra. Thais Terehoff.
Discentes reportaram melhora na qualidade de vida, no desempenho acadêmico e na adesão ao tratamento. Um dos relatos veio de uma pessoa que estava em processo de burnout e próxima de desistir da graduação. Após o atendimento, ela relatou ter recuperado a confiança e o sentimento de pertencimento.
Essas pessoas do Coletivo Autista da UFPB que foram atendidas pela Dra. Thais Terehoff destacaram o equilíbrio entre conhecimento técnico e humanidade, além da clareza das explicações e do respeito aos limites individuais providos pela psiquiatra.
O acompanhamento contínuo também foi percebido como uma experiência de representatividade. Para discentes do Coletivo Autista da UFPB, ter uma profissional autista como referência no cuidado em saúde mental fortaleceu sentimentos de autoestima, identificação e confiança na relação terapêutica.
Esses relatos partiram de experiências de integrantes do Coletivo Autista da UFPB em 2025 e não constituem, por si só, uma avaliação científica da eficácia do atendimento. Eles, contudo, ajudam a mostrar como práticas de cuidado baseadas em escuta, respeito e acessibilidade podem ser percebidas por quem utiliza o serviço.
A experiência de integrantes do Coletivo Autista da UFPB encontra pontos de aproximação com a literatura científica.
Radev, Freeth e Thompson (2024) identificaram que pessoas adultas autistas podem enfrentar dificuldades desde o agendamento de consultas até a comunicação durante o atendimento. Algumas pessoas participantes dos estudos analisados relataram dificuldades especialmente quando o agendamento dependia de ligações telefônicas. A pesquisa também identificou a necessidade de maior previsibilidade e consistência nos atendimentos.
Outro problema apontado foi a falta de conhecimento sobre autismo entre profissionais de saúde. Segundo a revisão, essa falta de conhecimento pode contribuir para incompreensões, diagnósticos inadequados, suporte insuficiente e intervenções que não atendem às necessidades da pessoa autista.
Radev, Freeth e Thompson (2024) defendem a ampliação da formação sobre autismo entre profissionais de saúde, construída também com a participação de pessoas autistas. O estudo recomenda, ainda, adaptações individualizadas para melhorar o acesso e o envolvimento das pessoas autistas com os serviços de saúde.
Para integrantes do Coletivo Autista da UFPB, a experiência do voluntariado evidencia que a promoção da saúde mental passa pela redução das barreiras que dificultam o acesso e a permanência das pessoas autistas na universidade.
O projeto de voluntariado procura integrar conhecimento técnico, experiência autista e solidariedade. A proposta é oferecer um espaço de escuta e suporte que reconheça a diversidade das experiências autistas, sem reduzir a pessoa ao diagnóstico.
A atuação da Dra. Thais Terehoff também reforça a importância da representatividade no cuidado. Sua experiência como profissional da psiquiatria e como pessoa autista contribui para uma perspectiva que considera tanto o conhecimento técnico quanto as vivências relacionadas à neurodivergência.
Mais do que oferecer consultas, é necessário construir relações de cuidado baseadas em ética, empatia, escuta ativa, acessibilidade e respeito às singularidades.
No ambiente universitário, essas práticas podem contribuir para que estudantes autistas encontrem melhores condições para permanecer, estudar e participar da vida acadêmica, além de trabalhar.
O cuidado em saúde mental, nesse sentido, não deve ser pensado apenas como atendimento clínico. Ele também envolve reconhecer barreiras, adaptar formas de comunicação e criar condições para que cada pessoa seja ouvida e respeitada em suas necessidades.
O presente conteúdo foi amplamente elaborado em Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, com base nos relatos de integrantes do Coletivo Autista da UFPB e nas informações do seguinte artigo:
RADEV, S.; FREETH, M.; THOMPSON, A. R. How healthcare systems are experienced by autistic adults in the United Kingdom: A meta-ethnography. Autism, [s. l.], v. 28, n. 9, p. 2166, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11403927/. Acesso em: 12 ago. 2026.
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