Professor da UFPB participa da elaboração do Plano Nacional de Combate à Desertificação

Documento é voltado ao enfrentamento da degradação dos solos, das secas e de seus impactos sociais, econômicos e ambientais

terça-feira, 23 de dezembro de 2025
atualizado em terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O professor Bartolomeu Israel, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), integrou a equipe técnico-científica responsável pela elaboração do Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB), lançado este ano. O documento é uma iniciativa do governo federal voltada ao enfrentamento da degradação dos solos, das secas e de seus impactos sociais, econômicos e ambientais.

Vinculado ao Departamento de Geociências, do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), o docente argumenta que o plano é estratégico para o país por atuar em três pilares principais: soberania alimentar e hídrica, a resiliência climática e o equilíbrio econômico. Segundo ele, a ação prepara o país para enfrentar secas mais severas e frequentes, combate a perda de produtividade do solo, garantindo que milhares de agricultores familiares continuem produzindo alimento, além de reduzir a degradação da terra, que gera prejuízos bilionários anuais.

“O plano é bem mais que um documento técnico: tem clara utilidade social, ao servir de base para a criação de políticas públicas”, afirma Israel. O plano atua então para fomentar o uso de tecnologias sociais fundamentais, como cisternas de placa para armazenamento de água da chuva; barragens subterrâneas que mantêm a umidade do solo por mais tempo; e sistemas agroflorestais que recuperam a mata nativa enquanto produzem alimentos.

A participação do docente da UFPB ocorreu após convite dos coordenadores do PAB, em função de sua trajetória acadêmica voltada ao estudo do bioma Caatinga. “Desenvolvo pesquisas voltadas à Biogeografia da Caatinga desde 1996, tentando entender como funciona esse bioma, particularmente sobre as relações entre a vegetação, os solos e os microclimas, onde cada vez mais as intervenções humanas entram como um elemento que quase sempre tem levado a modificações negativas nos sistemas existentes, com consequências ambientais, sociais e econômicas diretas”, conta Israel. Além disso, em 2011, ele atuou na elaboração do Plano Estadual de Combate à Desertificação da Paraíba.  

Sua contribuição para o projeto envolveu a participação em oficinas voltadas à sociedade civil organizada e a instituições governamentais, para discussão de temas e propostas vindas desses grupos para serem inseridas no Plano. “Também fui responsável, com o restante da equipe, pela organização dessas propostas e pela escrita do documento”, complementa.  

Para Bartolomeu Israel, a elaboração do PAB mostra a importância das pesquisas feitas na academia, em particular nas universidades federais da Paraíba e de Campina Grande, além do Instituto Nacional do Semiárido, e como elas podem ser úteis para a sociedade, inclusive na formulação de bases fundamentais para a formação de Políticas Públicas. “Sem pesquisa científica, não há como qualquer país ou parte dele avançar e tornar melhor as condições de vida da população”, afirma.  

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Texto: Hugo Bispo
Foto: Arquivo pessoal de Bartolomeu Israel 
Ascom/UFPB