Projeto da UFPB tira 1656 pacientes da fila do SUS para consultas nefrológicas

A meta é zerar a fila de espera, estimada em cerca de 2500 pessoas

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
atualizado em quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
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Uma iniciativa inovadora do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (CCM/UFPB) retirou 1656 pacientes da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para consultas nefrológicas, ou seja, relacionadas à identificação e ao tratamento das doenças que acometem o sistema urinário, com ênfase nas que atingem os rins.

Trata-se do projeto “Nefro em Rede”, integrando a disciplina de Nefrologia da UFPB, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, residentes de Medicina de Família e Comunidade (MFC), o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e estudantes de graduação. Estão envolvidos na iniciativa 6 médicos nefrologia, 1 médica de família e comunidade, 40 médicos residentes e 110 graduandos de medicina.  A meta do projeto é zerar a fila de espera, estimada em cerca de 2500 pessoas. 

A ideia é focar especialmente em casos de baixa complexidade que poderiam ser resolvidos na Atenção Primária à Saúde (APS). Com isso, não só o tempo de espera para atendimentos nefrológicos é reduzido, como se promove a capacitação técnica de médicos da APS e a formação de estudantes. 

O processo de trabalho tem início com a capacitação prévia da equipe acadêmica que organiza o atendimento em etapas, começando pela pré-consulta destinada à coleta de informações antropométricas e sociodemográficas. Em seguida, realiza-se a consulta médica, conduzida por residentes e estudantes, sempre sob supervisão direta de nefrologistas, com solicitação de exames laboratoriais quando necessário. A etapa final garante a integralidade do cuidado por meio da emissão de uma contrarreferência qualificada, com orientações clínicas direcionadas à Atenção Primária ou com encaminhamento para seguimento compartilhado no ambulatório do HULW.

Segundo a organização do projeto, seu principal diferencial é ultrapassar o caráter assistencialista pontual dos mutirões tradicionais ao implementar contrarreferências educativas e fluxogramas que capacitam os médicos da Atenção Primária, aumentando a resolutividade do sistema e diminuindo encaminhamentos desnecessários futuros. Além disso, a proposta materializa a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, proporcionando aos discentes e residentes uma formação prática que desmistifica a complexidade da nefrologia e fortalece o compromisso social da universidade com o SUS.

O Nefro em Rede teve início em novembro, quando 900 pacientes enquadrados nas categorias de risco amarelo e vermelho foram atendidos em 3 sábados de mutirão no HULW. Os demais atendimentos aconteceram no Centro de Atenção Integrada à Saúde (CAIS) Jaguaribe às quartas e quintas à tarde, para os pacientes nas categorias azul e verde.

Os coordenadores do projeto são Pablo Rodrigues Costa Alves, Lais Medeiros Souto, Denise Mota Araripe Pereira Fernandes e Matheus Vieira Falcao.

Em 2026, o Nefro em Rede continua, com a finalização dos atendimentos dos azuis e verdes no CAIS, além do início dos retornos dos pacientes que ficarão em acompanhamento. 

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail nefroemrede@gmail.com.

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Texto: Hugo Bispo

Imagem: Freepik

Ascom/UFPB