Com projeto de extensão que descarboniza atividade turística, professora da UFPB vai a Brasília para premiação
Segundo a coordenadora, ação é a primeira proposta de descarbonização da atividade turística do município

À frente de um projeto de extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) que contribui para descarbonizar a atividade turística em João Pessoa, a professora Andréa Porto Sales, do departamento de Geociências, vai a Brasília no próximo dia 25 para receber o Prêmio Bicicleta Brasil. A premiação do Governo Federal procura reconhecer, valorizar e divulgar práticas de incentivo ao uso da bicicleta no território nacional. E é exatamente isso que faz o projeto Conheça João Pessoa de Bicicleta (CJPB), vencedor na categoria Ensino Superior, Eixo Sustentabilidade.
A ação realiza curadoria de passeios de bicicleta e tem como objetivo descarbonizar a atividade turística na capital paraibana, sendo uma opção de lazer responsável e sustentável. As rotas podem ser vistas aqui. O projeto atua no mapeamento das rotas, na catalogação dos atrativos turísticos e no treinamento de novos ciclocondutores. O CJPB foi idealizado e executado dentro da UFPB entre 2021 e 2024, quando foi contemplado pelo Programa de Bolsas de Extensão da universidade (PROBEX) e trata-se, segundo Andréa, da primeira proposta de descarbonização da atividade turística do município.
Conforme a docente, a ideia para a criação do roteiro surgiu após o monitoramento da elaboração do primeiro Plano de Mobilidade Urbana de João Pessoa, em 2020. “Quando o plano foi aprovado ficou evidente que não era do interesse da gestão investir na bicicleta como transporte, não foi elaborado um plano cicloviário”, lembra. “Vimos (uso o pronome no plural porque tudo é resultado de trabalho coletivo) no roteiro uma forma de sensibilizar a gestão pública e com isso catalisar a expansão da malha cicloviária, já que se estava investindo muito no turismo”.

Andréa acredita que a pegada sustentável contribuiu bastante para a premiação do CJPB. Ela relata que o projeto promoveu inclusão e geração de renda ao envolver membros de comunidades tradicionais, como Gramame e Jacarapé, que passaram a atuar como protagonistas e prestadoras de serviços turísticos. Também citou a contribuição da iniciativa para reduzir desigualdades socioespaciais, ao levar turismo e infraestrutura, como sinalização de rotas, para áreas periféricas, ampliando a distribuição dos benefícios econômicos tradicionalmente concentrados na orla central. “Além disso, fortaleceu a profissionalização do setor ao qualificar guias de turismo e ciclistas por meio do curso de Ciclocondutores, abrindo novas oportunidades de trabalho”, complementa a docente da UFPB. Ela destaca, por fim, a dimensão de resiliência climática do projeto, o qual incentiva um modelo de turismo de baixo carbono.
Propagação
A iniciativa, inclusive, deu tão certo que está influenciando outras propostas parecidas no Brasil. “Nesse sentido, criamos o primeiro curso de ciclocondutores do Brasil, junto com o instituto Planett e já reproduzimos o curso com a UFPR e vamos fazer em breve com a UFSC”, conta Andréa Porto.
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Texto: Hugo Bispo
Fotos: Arquivo pessoal de Andréa Porto
GCI/UFPB