Roda de conversa marca programação do Mês da Mulher no campus I da UFPB

Também foram ofertados diversos serviços para as participantes do evento, realizado na reitoria

quarta-feira, 11 de março de 2026
atualizado em quarta-feira, 11 de março de 2026

A programação do Mês da Mulher na Universidade Federal da Paraíba, inserida na campanha Ser mulher na UFPB, chegou ao campus de João Pessoa na manhã desta quarta-feira (11). Coordenada pela Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), o evento ocorreu no hall da reitoria.

Uma das atividades realizadas nesta quarta-feira foi a roda de conversa Tecendo saberes e resistência, que reuniu a vice-reitoria Mônica Nóbrega, a professora Thaís Augusta Máximo, vice-diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), a professora Mírian Pereira, do Departamento de Matemática do CCEN, a professora Lourdes Silva, da direção do Centro de Referência de Políticas de Prevenção e Enfrentamento às Violências contra as Mulheres da UFPB (CoMu), e a servidora Denise Dias, representante da Ronda Maria da Penha da Guarda Civil de João Pessoa.

A atividade foi aberta pela reitora Terezinha Domiciano, pela vice-reitora e pela pró-reitora da Progep, Mirella Rocha. Sobre a programação, a pró-reitora comentou se tratar de um momento para descontrair, mas também de reflexão sobre o que ainda precisa ser feito no combate à violência contra a mulher. Ela adiantou que a universidade pretende realizar ações sobre essa temática não somente no mês de março, mas ao longo de todo o ano.

Durante a abertura da roda de conversa, a reitora da UFPB também levantou a questão sobre o que ainda é necessário fazer para que as vidas das mulheres sejam respeitadas e citou a adoção de políticas no caminho da equidade de gênero no ambiente universitário, como por exemplo, a ocupação de cargos de gestão na universidade, que conta com quatro mulheres à frente de pró-reitorias, de um total de oito existentes. Vale destacar também a atuação da CoMu, que atendeu, em 2025, 76 mulheres, a maioria delas estudantes da instituição.

Fora da UFPB, mulheres em situação de violência doméstica podem ser atendidas por meio de iniciativas como a Ronda Maria da Penha, realizada pela Guarda Civil de João Pessoa. O programa, que consiste no monitoramento de agressores de mulheres com medidas protetivas, foi apresentado pela servidora Denise Dias, que explicou o caminho a ser seguido pelas mulheres que necessitam de ajuda para sair de situações de violência.

Em um mural instalado no hall da reitoria durante o evento, para que as participantes escrevessem suas mensagens, um desejo comum fica evidente: o de ser respeitada. Um clamor coletivo por respeito que foi registrado pela atual gestão da UFPB no Manifesto Institucional pelo Respeito e pela Dignidade, lido durante a solenidade de lançamento do Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio, da Discriminação e de Outras Violências, compromisso instituído pela universidade no último mês de fevereiro.

Enquanto a universidade busca avanços nesse enfrentamento, as desigualdades seguem existindo, a exemplo do Departamento de Matemática da instituição, nunca chefiado por uma mulher, até o momento. É lá que atua a docente Mírian Pereira, que compartilhou, na roda de conversa, sua experiência de ser mulher no campo das ciências exatas, ainda comandado majoritariamente por homens. Vinda da periferia, Mírian foi a primeira pessoa de sua família a ingressar em uma universidade. Única docente preta no curso de Matemática, faz parte de um grupo de mulheres que representam apenas 10% do número de docentes do departamento.

O evento realizado no hall da reitoria contou ainda com atividades voltadas para o bem-estar das mulheres, com oferta de serviços de massagem, maquiagem, corte de cabelo, degustação de café, além de karaokê, sorteio de brindes e da exposição Pluralidade em artes e saberes, com artigos produzidos por servidoras da universidade.

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Texto: Milena Dantas

Fotos: Angélica Gouveia