Laura e a inclusão na universidade

Confira a história dessa estudante de jornalismo, em mais uma reportagem da série ‘Ser mulher na UFPB’

sexta-feira, 27 de março de 2026

Foi por influência de uma professora, já no terceiro ano do ensino médio, que Laura Pereira de Lima, estudante de jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), começou a crer no potencial transformador dos estudos e começou a se engajar neles. “Não achava que ingressaria em uma universidade pública. Já estava preparada para fazer uma faculdade privada, na área de saúde”, conta.

A questão é que, no último ano da escola, além do direcionamento da professora, outra influência nova se fez presente na vida de Laura. Uma das atividades extracurriculares desenvolvidas no colégio foi um podcast, do qual ela participou ativamente, junto com colegas que acabaram a influenciando.  “Sou muito comunicativa, engajada em questões sociais, por isso o jornalismo me interessou bastante”, lembra. 

Aos 19 anos e no segundo período do curso, ela diz que ainda está explorando as oportunidades e as possibilidades de atuação no campo da comunicação. Ela também comenta que sua experiência na UFPB até agora tem sido positiva, com envolvimento ativo no movimento estudantil. “Também me sinto, como mulher trans, bastante acolhida aqui no CCTA [Centro de Comunicação, Turismo e Artes] e em outros centros da universidade”, avalia. 

A discente conta também que seu nome social foi incluído nos sistemas da universidade desde o processo do Sisu e que ele tem sido respeitado. “Já houve caso de dois professores usarem o pronome masculino para se referirem a mim, mas conversei com eles e tudo foi acertado, minha relação é boa com eles hoje”, relata. 

Atualmente, Laura participa do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para discentes na área da saúde – AFIRMASUS, do Ministério da Saúde (mas que também abarca estudantes de outros cursos), que pratica ações afirmativas ofertando bolsas a membros de grupos socialmente vulnerabilizados, incluindo pessoas trans. Ela conta que o projeto no qual está envolvida envolve atuação na comunidade São Rafael, em João Pessoa. 

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Texto: Hugo Bispo

Fotos: Milena Dantas