“A UFPB sempre foi lugar de descoberta”
A professora Larissa Pinheiro reflete que a universidade a ajudou a se reconhecer como mulher lésbica

Natural do Ceará, Larissa é servidora docente do curso de Serviço Social da UFPB há apenas dois anos. Mas sua história com a universidade começou ainda em 2012, quando era estudante de graduação e veio participar de um encontro estudantil. “Minha relação com a UFPB vem antes mesmo de sonhar em ser professora aqui”, conta Larissa.
A docente é coordenadora de estágio e pesquisadora das áreas de feminismo materialista, movimentos sociais e conservadorismo. Para ela, a UFPB é um espaço acolhedor e que mantém o diálogo aberto sobre as questões referentes à sexualidade e diversidade. No entanto, sua trajetória na instituição nem sempre foi fácil.
Larissa conta que ser uma mulher que assume e fala abertamente sobre sua sexualidade já foi motivo de lesbofobia em sala de aula. A professora ministra a disciplina Lutas e Movimentos Sociais e recebeu uma avaliação institucional ruim por parte de um estudante que dizia se incomodar pessoalmente com o fato da professora falar sobre sua orientação sexual, o que tinha relação direta com o tema discutido.
“Nessa disciplina temos como parte da ementa o debate sobre o movimento LGBTQIAPN+, e é também um momento em que temos a oportunidade de dialogar também sobre as nossas experiências em comum e sobre os desafios que cercam a vida de pessoas que fogem da norma heterossexual”, explica.

Apesar do ocorrido ter impactado Larissa, ela explica que a situação também lhe deu forças para confrontar o preconceito sofrido. “Ao mesmo tempo em que abriu espaço para que eu pudesse travar um diálogo franco sobre isso com as turmas seguintes, me fortaleceu para reafirmar a necessidade de que temas como esses sigam sendo tratados em sala de aula”, defende.
Reafirmar sua identidade de mulher lésbica, além de um ato de resistência em si, contribui para que estudantes LGBTQIAPN+ se sintam acolhidos e fortalecidos para também afirmarem suas vivências como legítimas dentro da instituição. Um simples gesto como o da professora Larissa Pinheiro ajuda a construir um ambiente mais solidário e respeitoso e que enfrenta os preconceitos de maneira coletiva.
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Texto: Lis Lemos
Foto: Divulgação
GCI/SCS