PalhaSUS promove cuidado humanizado por meio da arte, do afeto e da escuta
Iniciativa existe desde 2010 e atua em diversas instituições de saúde em João Pessoa

Romper com a rigidez do modelo biomédico tradicional, promovendo momentos de escuta, interação, afeto e alegria. Essa é uma das premissas do projeto PalhaSUS que, através da atuação dos chamados Palhaços Cuidadores, contribui para reduzir o sofrimento, fortalecer a autoestima dos pacientes e tornar o ambiente hospitalar acolhedor.

A coordenadora e professora Janine Nascimento explica que o PalhaSUS foi inspirado nas experiências dela e do professor Aldenildo Costeira com o teatro de rua no Ceará, na década de 1990, além da influência do filme Patch Adams, que destaca o papel da arte e do afeto no cuidado em saúde.

Para os estudantes que integram o projeto, a experiência vai além da formação acadêmica e proporciona uma compreensão mais ampla e humanizada da assistência em saúde. “A presença do palhaço cuidador transforma a tensão em leveza, beneficiando pacientes, acompanhantes e equipes de saúde, além de formar profissionais mais empáticos”, afirma o estudante e bolsista Gabriel Cabral.

Formação acadêmica e cuidado humanizado
A formação dos extensionistas ocorre por meio da tradicional Oficina do Riso, capacitação intensiva realizada durante o recesso acadêmico. A oficina reúne metodologias participativas, jogos teatrais, técnicas de expressão corporal, danças circulares, meditação e atividades inspiradas na Educação Popular em Saúde. Ao final da formação, cada participante apresenta publicamente o personagem que desenvolveu ao longo do processo.

Gabriel, que atua como o palhaço Pibo, destaca que exercer o papel de Palhaço Cuidador significa desenvolver sensibilidade para acolher pessoas em momentos de vulnerabilidade. Para ele, cada intervenção representa um exercício constante de presença, empatia e conexão humana. “Ao priorizar o lúdico e a escuta, compreendemos que o verdadeiro cuidado vai além da recuperação do corpo: significa acolher o ser humano por inteiro.” ressalta o estudante.

Atualmente, o PalhaSUS realiza ações no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), no Hospital Padre Zé e em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), como a Vila Vicentina, todas localizadas em João Pessoa. Embora tenha surgido no curso de Medicina, o projeto reúne hoje estudantes de diferentes áreas do conhecimento da UFPB, que ingressam por meio de editais de seleção e da Oficina do Riso.
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Texto: Saulo Lévy
Edição: Lis Lemos
Fotos: Acervo Pessoal – Janine Nascimento