Pesquisa da UFPB desenvolve tecnologia que potencializa combate a microrganismos
O estudo desenvolveu uma micropartícula inovadora com potencial para criar medicamentos na área de odontologia com mais estabilidade e envolvendo atividade combinada de duas substâncias

Uma tecnologia inédita criada por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pode ajudar no desenvolvimento de um produto farmacêutico com mais estabilidade, liberação prolongada e atividade sinérgica de substâncias. O invento foi contemplado em abril deste ano com uma carta patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
O produto trata-se de uma micropartícula usada para encapsular dois agentes antimicrobianos de grande relevância odontológica: a clorexidina, considerada o padrão-ouro na odontologia para o controle de microrganismos, e o timol, composto de origem natural encontrado em diversas espécies vegetais e reconhecido por sua atividade antimicrobiana. A ideia é oferecer uma nova possibilidade terapêutica para tratamentos envolvendo o uso de antimicrobianos, em especial à área de odontologia.

A encapsulação desses ativos contribui para o aumento de sua estabilidade e para a preservação de suas propriedades ao longo do tempo, além de favorecer a liberação gradual dos agentes antimicrobianos, possibilitando uma ação prolongada no local de aplicação.
“Do ponto de vista científico, a tecnologia representa um avanço no desenvolvimento de sistemas inovadores de liberação de fármacos. Para a sociedade, apresenta potencial para contribuir com tratamentos odontológicos mais eficazes, seguros e capazes de melhorar a qualidade da atenção à saúde bucal”, destaca Vanessa Morais Muniz, uma das inventoras e doutora pelo Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos (PPgDITM) da UFPB.

Para desenvolver a micropartícula, os pesquisadores utilizaram uma ferramenta estatística para testar diferentes combinações de ingredientes de forma mais rápida e eficiente. Depois, foram feitos testes para avaliar fatores como estabilidade da micropartícula e a velocidade com que os agentes antimicrobianos eram liberados. Depois de confirmar que a micropartícula apresentava bons resultados, foi criado um gel à base de poloxamer, um material amplamente utilizado na área farmacêutica, incorporando as micropartículas desenvolvidas.
Até o momento, todos os estudos foram realizados em laboratório. Segundo Vanessa, o próximo passo é a realização de pesquisas clínicas, com testes em seres humanos, etapa fundamental para comprovar a segurança e a eficácia do produto. “Embora ainda não tenha havido uma manifestação formal de interesse por parte de empresas, acreditamos no potencial da tecnologia e pretendemos dar continuidade ao seu desenvolvimento, com o objetivo de que, no futuro, ela possa se tornar um medicamento registrado e disponível para a população”, conta.

Ciência é coletiva
Vanessa conta que o processo foi longo: começou a desenvolver o produto ainda durante o mestrado, processo que se estendeu durante o doutorado. “A invenção surgiu do desejo de desenvolver um produto inovador, uma solução inovadora que integrasse conhecimentos das áreas farmacêutica e odontológica”, conta.
A pesquisadora ressalta também o trabalho coletivo envolvido na produção científica e tecnológica. “É um trabalho extenso, que exige muita pesquisa, diversos testes, diferentes etapas, e o envolvimento de uma equipe para transformar uma ideia em uma tecnologia com potencial de aplicação prática”, explica. Ela acrescenta que a ideia é fruto de uma parceria entre o Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos Farmacêuticos (LCQPF) e o Laboratório de Biologia Bucal (LABIAL), ambos da UFPB.
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Texto: Hugo Bispo
Foto: Arquivo pessoal de Vanessa Muniz