Tese da UFPB sobre fermentação probiótica de mangaba e bacaba vence Prêmio Capes de Tese 2026

Pesquisa pioneira comprova que as frutas nativas servem como a base ideal para abrigar e cultivar bactérias benéficas, permitindo a criação de novos alimentos que melhoram a saúde do intestino.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026
atualizado em segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Uma pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) venceu o Prêmio Capes de Tese na edição de 2026. A tese de doutorado premiada revelou que frutas nativas do Brasil, especificamente a mangaba e a bacaba, são excelentes bases para a produção de novos alimentos enriquecidos com probióticos — microrganismos vivos que trazem benefícios práticos à saúde. A autoria é da pesquisadora Bianca Beatriz Torres de Assis.

Intitulada “Fermentação Probiótica: Uma estratégia para valorização de frutas nativas subexploradas”, a tese acompanhou como os probióticos sobrevivem e se desenvolvem ao fermentar as polpas das duas frutas. A cientista testou a resistência dos probióticos simulando a sua passagem pelo sistema digestivo humano e avaliou o impacto do alimento na flora intestinal, que é o conjunto de microrganismos que habitam e regulam o nosso intestino.

“Receber o Prêmio CAPES de Tese 2026 foi uma emoção muito grande e um dos momentos mais especiais da minha trajetória acadêmica. Ver uma pesquisa voltada à valorização da biodiversidade brasileira alcançar esse reconhecimento nacional torna essa conquista ainda mais significativa para mim”, comenta Bianca. Ela ressaltou também o suporte que recebeu durante o processo de pesquisa da família, dos colaboradores e da orientadora, Marciane Magnani.

Os resultados da pesquisa mostraram que a mangaba e a bacaba conseguem manter os probióticos vivos e ativos, mesmo após a exigente etapa da digestão. Além disso, o processo de fermentação aumentou a quantidade e facilitou a absorção pelo corpo de substâncias que protegem e nutrem o organismo, como os compostos fenólicos e os ácidos orgânicos. Consequentemente, o uso das polpas fermentadas promoveu uma melhora significativa na diversidade e no equilíbrio da flora intestinal.

Inovação e impacto social

O trabalho de Bianca Torres se destaca por ser o primeiro a avaliar cientificamente as polpas fermentadas dessas duas frutas com foco exclusivo na sobrevivência de probióticos e no benefício direto à saúde do intestino. Ao fazer isso, a pesquisadora aproxima a Ciência de Alimentos dos debates atuais sobre bem-estar e nutrição.

Do ponto de vista socioeconômico, a pesquisa demonstra que a valorização de frutos típicos das regiões Norte e Nordeste é uma fonte rica para inovação e desenvolvimento sustentável. A comprovação científica de que a mangaba e a bacaba podem ser transformadas em alimentos funcionais tem o potencial de estimular produtores locais, fortalecer as cadeias produtivas regionais e movimentar a bioeconomia, atendendo à demanda crescente por alimentação saudável nos mercados nacional e internacional.

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Texto: Hugo Bispo
Foto: Arquivo Pessoal de Bianca Torres