Amaro Francisco Borges, conhecido como Amaro Borges, nasceu em 12 de março de 1939 no município de Bezerros, em Pernambuco. Filho de uma família humilde, trabalhou desde cedo no corte da palha da cana-de-açúcar no Engenho Catende, atividade que exerceu entre os sete e os treze anos. Posteriormente, ajudava o irmão J. Borges, também renomado xilogravador, na produção de tijolos e cestos de cipó. Na juventude, mudou-se para Recife em busca de melhores condições de vida e passou a trabalhar como pedreiro. Entretanto, desenvolveu uma forte alergia ao cimento, especialmente nas mãos, o que o obrigou a abandonar a profissão e retornar a Bezerros.
De volta à sua cidade natal, Amaro se aproximou do universo das artes populares e se dedicou à xilogravura, produzindo um acervo de matrizes que hoje ultrapassa as duzentas peças. Sua obra é marcada pela valorização da cultura nordestina, abordando temas como a seca, a luta dos retirantes, o sofrimento e a resistência do povo do Sertão. Suas xilogravuras, em grande parte em preto e branco, chamam a atenção pela simplicidade de traços e pelo impacto visual. Além do papel, o artista também imprime suas matrizes em tecidos de algodão, tanto em versões monocromáticas quanto coloridas.
O reconhecimento de sua trajetória o levou a atuar como assessor de arte popular sob Ariano Suassuna, durante a gestão deste como Secretário de Cultura do Recife, entre 1994 e 1998. Atualmente, sua oficina em Bezerros mantém viva a tradição da xilogravura, consolidando-o como um dos grandes representantes da arte popular nordestina.

Última atualização: quarta-feira, 26 de novembro de 2025