José Miguel, conhecido artisticamente como J. Miguel, nasceu em 1961, na cidade de Bezerros, em Pernambuco, e desenvolveu sua trajetória artística dentro do contexto da arte popular nordestina. Ele é filho do xilogravurista J. Borges, o que influenciou diretamente sua formação, já que desde muito jovem teve contato com o universo da xilogravura e da literatura de cordel, aprendendo a técnica ainda dentro do ambiente familiar.
Sua atuação artística está voltada principalmente para a xilogravura, linguagem que ele desenvolve a partir de temas ligados à cultura nordestina, ao cotidiano e ao imaginário popular. Assim como outros artistas dessa tradição, suas obras dialogam com elementos como religiosidade, personagens do sertão, figuras simbólicas e narrativas visuais que remetem ao cordel. Ao longo do tempo, ele produziu uma quantidade significativa de obras, consolidando uma produção contínua dentro dessa linguagem.
J. Miguel participou de exposições em diferentes cidades brasileiras, como Recife, Garanhuns e Rio de Janeiro, além de também ter trabalhos que circularam internacionalmente, com presença em países como Estados Unidos e Japão. Essa circulação contribui para ampliar o reconhecimento da xilogravura nordestina fora do Brasil, mesmo que sua trajetória esteja mais vinculada a circuitos específicos da arte popular.
Em relação a prêmios, há registros de participação e reconhecimento em eventos ligados à arte naïf e popular, como a Bienal Naïfs do Brasil, realizada pelo SESC, o que indica sua inserção em espaços institucionais voltados à valorização desse tipo de produção artística. Mesmo não sendo um artista amplamente presente em grandes enciclopédias ou museus internacionais, ele possui relevância dentro do circuito da arte popular contemporânea.
Sua trajetória não apresenta uma mudança brusca de área artística, mas sim uma continuidade dentro da xilogravura, aprofundando uma tradição herdada e adaptando-a ao seu próprio estilo. Além de produzir, ele também contribui para a manutenção dessa linguagem, que é muito importante para a cultura nordestina.
De forma geral, J. Miguel pode ser entendido como um artista que dá continuidade a uma tradição familiar e cultural, mantendo viva a xilogravura como forma de expressão e registro da vida no Nordeste. Sua produção reforça a importância da arte popular como espaço de memória, identidade e transmissão de saberes, mesmo fora dos grandes circuitos da arte contemporânea institucional.


Última atualização: quarta-feira, 1 de abril de 2026