Liana Miranda Chaves nasceu em 1954, em Campina Grande, Paraíba, e mudou- se ainda na infância para João Pessoa, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória pessoal e profissional. Foi artista, pesquisadora e professora, com atuação marcante no campo das artes visuais e da arte-educação no Nordeste brasileiro. Faleceu em 6 de abril de 2019, em João Pessoa.
Sua formação acadêmica teve início na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde integrou a primeira turma do curso de Educação Artística, concluindo a graduação em 1979. Posteriormente, realizou especialização em Arte-Educação no Curso Intensivo da Escolinha de Arte do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1980, sob orientação de importantes nomes da área. Ampliando sua formação, graduou-se também em Arquitetura e Urbanismo pela UFPB, em 1983. Seguiu carreira acadêmica com mestrado em Serviço Social (2007), com pesquisa voltada à relação entre moda e inclusão social, e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA),
concluído em 2013. Realizou ainda pós-doutorado em Artes pela Universidade de São Paulo (USP), em 2017.
Desde 1985, atuou como professora na UFPB, no Departamento de Artes Visuais, contribuindo significativamente para a formação de artistas e educadores. A partir de 1993, coordenou o Laboratório de Artes Gráficas (LAG), onde ministrou disciplinas relacionadas à gravura, conservação e restauro, além de cursos de extensão em técnicas de impressão e estamparia. Sua atuação acadêmica esteve profundamente ligada à pesquisa e ao ensino da gravura, área que se consolidou como eixo central de sua produção artística.
Como artista visual, Liana Chaves desenvolveu trabalhos em diferentes linguagens, com destaque para a gravura, além de pintura, fotografia e experimentações com tecidos e outros suportes. Sua produção apresenta forte interesse por questões sociais e culturais, incorporando referências como figuras africanas e elementos da memória pessoal e coletiva. A fotografia também teve papel importante em sua prática, sendo utilizada como ferramenta de pesquisa e construção de significado.
Entre suas principais produções teóricas, destaca-se o livro Gravura: Estampa da Arte (1998), no qual aborda a história e os processos da xilogravura, contribuindo para a difusão do conhecimento na área. Sua pesquisa dialoga ainda com outras áreas, como arquitetura e moda, explorando as relações entre diferentes campos do conhecimento.
No campo expositivo, realizou mostras individuais relevantes, como “Reciclar: a arte de recriar”, no Núcleo de Arte Contemporânea (NAC), em João Pessoa, em 2002, e “Gravura: Estampa da Arte”, no mesmo espaço, em 2004. Nessas exposições, destacou-se pelo uso experimental de materiais e pela ressignificação de matrizes e suportes, evidenciando sua preocupação com processos criativos e educativos.
Ao longo de sua trajetória, Liana Chaves também participou de diversas exposições coletivas e eventos acadêmicos, consolidando-se como uma figura fundamental na articulação entre produção artística, pesquisa e ensino. Sua obra e atuação contribuíram significativamente para o fortalecimento da gravura e da arte-educação na Paraíba, deixando um legado importante tanto no campo artístico quanto no acadêmico.

Última atualização: quarta-feira, 1 de abril de 2026