Rio de Janeiro – RJ, 1933
Anna Bella Geiger, nascida em 1933 no Rio de Janeiro, é uma das figuras centrais da arte contemporânea brasileira. Com uma trajetória artística marcada pela inovação e pela multiplicidade de linguagens, a artista se destacou por seu pioneirismo na arte abstrata no Brasil, sem deixar de lado o diálogo com pautas voltadas para os contextos sociais e políticos ao longo das décadas. Sua formação teve início na década de 1950, sob orientação da artista Fayga Ostrower, e então logo passou a incluir movimentos ligados ao abstracionismo informal. Geiger participou da Exposição Nacional de Arte Abstrata em 1953, evento que marcou o cenário artístico brasileiro. Após um período de estudos em Nova York em 1954, retornou ao Brasil e integrou-se ao ateliê de gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde também lecionou. Na década de 1960, sua produção passou por uma fase intensa, explorando o corpo humano como símbolo e metáfora do microcosmo, antecipando o uso da cartografia como instrumento crítico.
Durante os anos 1970, sua obra ganha um caráter experimental e conceitual, utilizando mídias variadas como vídeo, fotomontagem, xerox e cartões-postais. Geiger passa a abordar temas como identidade nacional, colonialismo e os limites da cultura brasileira, evidentes em séries como “Brasil nativo/Brasil alienígena” (1976-77). A cartografia, presente em obras como “O pão nosso de cada dia” (1978), torna-se um elemento simbólico central para problematizar fronteiras geográficas e culturais.
Nas décadas posteriores, passou a desenvolver séries que combinam gravura, pintura e objeto, como Fronteiriços, corroborando com sua capacidade de reavaliar criticamente a história da arte e de suas próprias poéticas. Em 2001, reúne vídeo e gravura na instalação Indiferenciados, revelando seu contínuo interesse por novas tecnologias. Sua carreira é celebrada em 2023 com a mostra “Totius Orbis Remix”, organizada pela UERJ. A trajetória de Anna Bella Geiger reflete uma busca constante por experimentação estética, aliada a um profundo engajamento político e cultural, consolidando-a como referência incontornável da arte brasileira.
[Fonte: Instituto Itaú Cultural. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/90-anna-bella-geiger]

Última atualização: quarta-feira, 25 de junho de 2025