O povo Assurini é um grupo indígena pertencente à família linguística Tupi-Guarani, tradicionalmente habitante da região do médio Xingu, no Pará. Seu nome significa “pintados de vermelho”, uma referência ao uso do urucum em seus corpos e objetos, marca cultural que expressa identidade e tradição. Atualmente, os Assurini vivem em terras demarcadas, como a Terra Indígena Trocará e a Terra Indígena Koatinemo, mas enfrentam desafios relacionados ao contato com a sociedade envolvente, à preservação de seu território e à manutenção de sua cultura.
A arte ocupa papel central na vida desse povo, funcionando como expressão estética, meio de transmissão de conhecimento e elo espiritual. Os Assurini são conhecidos pela riqueza de sua pintura corporal, feita com urucum e jenipapo, que varia conforme rituais, fases da vida e momentos coletivos. Cada grafismo possui significados simbólicos ligados à natureza, aos espíritos e à organização social. Além da pintura, a cerâmica é um dos principais destaques de sua produção artística. Os vasos, potes e urnas funerárias não têm apenas função utilitária, mas também ritual, sendo decorados com traços geométricos e cores fortes que remetem ao universo cosmológico da etnia.
Outro aspecto importante é a tecelagem de fibras vegetais, usadas na confecção de cestos, peneiras e adornos. Esses objetos revelam não apenas a habilidade técnica, mas também a relação harmoniosa com a floresta, já que os Assurini utilizam matérias-primas extraídas de forma sustentável. Nos últimos anos, essa produção artesanal ganhou visibilidade fora das aldeias, sendo reconhecida como expressão de arte indígena contemporânea, ao mesmo tempo tradicional e atual. Assim, a arte dos Assurini é mais que estética: é memória, identidade e resistência. Por meio dela, o povo reafirma seu modo de existir, preserva a língua e os conhecimentos ancestrais e fortalece a luta pela valorização da cultura indígena no Brasil.

Última atualização: quarta-feira, 26 de novembro de 2025