João Pessoa – PB, 1963.
Sérgio Lucena é um artista plástico paraibano, nascido em João Pessoa, em 1963. Desde jovem demonstrou interesse pelas artes visuais e, em 1982, iniciou seus estudos de técnica com o artista Flávio Tavares. Antes de se dedicar integralmente à pintura, chegou a cursar Física e Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, mas logo decidiu se dedicar ao meio artístico. Com o tempo, Lucena consolidou uma carreira que ultrapassou os limites regionais, ganhando visibilidade em diversas exposições no Brasil e no exterior.
Dois momentos marcantes de sua atuação pública aconteceram na década de 1980. Em 1986, participou, ao lado de Flávio Tavares, da pintura do painel A Pedra do Reino, inspirada no universo literário de Ariano Suassuna. Em 1988, pintou o estandarte do bloco carnavalesco Muriçocas do Miramar, um dos mais tradicionais de João Pessoa. Esses trabalhos ilustram o vínculo do artista com a cultura popular nordestina e com a produção artística coletiva.
Nos seus primeiros anos de produção, a obra de Sérgio Lucena era marcada por composições repletas de figuras imaginárias e seres fantásticos. Essas imagens, criadas a partir do repertório simbólico do Nordeste, apontavam para um fascínio que o artista manteve ao longo do tempo, a investigação da luz e da sombra como elementos de estrutura na pintura. Mais tarde, a figuração deu lugar a imagens mais contemplativas, centradas na paisagem, que passaram a ocupar o centro de sua pesquisa visual.
No ano de 2003, Sérgio Lucena se mudou para São Paulo, o que marcou uma transformação significativa em sua trajetória. A partir desse período, sua produção passou a ser marcada por uma investigação mais profunda sobre a luz, elemento que se tornou central em suas pinturas nas duas últimas décadas. Mesmo com essa mudança, sua ligação com o sertão paraibano permaneceu presente, agora traduzida em paisagens que partem da memória e da sensação, mais do que da observação direta. Lucena trabalha majoritariamente com tinta acrílica sobre tela, suas obras são construídas em camadas, com o uso de muitas cores. Apesar da matéria visível e das texturas marcadas, suas pinceladas são delicadas e trazem efeitos de transparência e luz nas obras. Em 1987, Lucena se mudou para a Chapada dos Guimarães no Mato Grosso e em 1992, realizou uma residência artística em Berlim, na Alemanha, onde teve a oportunidade de trocar experiências com outros artistas e ampliar sua visão sobre a arte contemporânea.
A poética de Sérgio Lucena se constrói na intersecção entre memória, natureza e percepção. Suas pinturas não apresentam cenas descritivas, mas sim estados sensíveis, que se relacionam mais com o tempo do olhar do que com a narrativa. O espaço pictórico que ele propõe é silencioso, aberto e profundo, convidando à contemplação. Atualmente, suas obras integram importantes coleções e acervos institucionais, como o Instituto Inhotim (MG), o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo (SP), o Museu Nacional (DF) e o Museu Oscar Niemeyer (PR). Com uma trajetória sólida e uma produção coerente, Sérgio Lucena é reconhecido como um dos principais nomes da arte contemporânea paraibana.


Última atualização: sexta-feira, 27 de junho de 2025